E Agora?

17 Capítulo 17 - Acerto de Contas


Notas iniciais
Olá pessoal!! Sim não é miragem é atualização de E Agora? finalmente saindo do forno! o/ Peço desculpas para quem acompanha essa fic pela demora na atualização, eu tento fazer o possível para que não demore muito nas atualizações, mas quem sabe da minha vida e acompanha minha luta diária sabe que não estou num bom momento, mas ainda assim eu aproveito meus poucos tempo livre pra escrever. Espero que gostem. Quero agradecer a Vivi que betou o capitulo em tempo record brigada amiga! Capa 君に花を。 Pixiv ID: 41983486 Member: 神子田 景人

E Agora? — Capítulo 17

“E agora? Camus, como vamos fazer aqui? Eu quero contar minha versão desses fatos."

"Milo, eu também quero contar minha versão, se bem que seria interessante que nós dois contássemos".

"Mas, como faremos para não confundir os leitores, Camus?"

"Já sei! Eu escrevo em Negrito e você em Itálico, o que acha, Milo?"

"Eu quero escrever em Negrito!"

"Que seja, Milo, tanto faz pelos deuses!"

"Então, caro leitor ou leitora, eu, Milo, vou escrever em Negrito, e o Camus em Itálico certo?"

"Certo!"

"Tá, quem começa?"

"Eu posso começar, Milo."

"Não, eu começo."

"Milo, não complica!"

"Desculpa, eu começo, mas você pode me interromper quando quiser, ok?"

"Ok, Você, Milo em Negrito e eu Camus em Itálico?"

"Isso!"

Quando vi meus pais ali, eu gelei, mas me senti pior quando olhei para o Crystal, que estava carrancudo, depois encarei a diretora com olhos estreitos, aquela vaca tinha armado pra gente, será que a gente já não tinha passado por coisa suficiente naquele dia?

— Como eu estava dizendo, os chamei aqui para comunicar sobre o acontecido de hoje antes do início do grande jogo dos estaduais. — A vaca da diretora começou a falar sobre as homenagens que cada jogador receberia e simplesmente desejou o que aconteceu, o vídeo passando imagens minhas e do Camus trocando beijos, de como eu me declarei a ele no microfone e o beijei na frente de toda a escola.

Mas a vaca estava narrando tudo como se eu tivesse planejado todo aquele carnaval, como se tudo aquilo tivesse sido ideia minha.

Vocês podem imaginar a cara que meus pais estavam não é? Mas, pior que a expressão dos meus pais, era ver o rosto rígido do Crystal que olhava para a diretora ouvindo sua narrativa impassível, o Camus estava verde, acho que ele estava para desmaiar a qualquer momento.

— Devo lembrá-los de que esse comportamento é inaceitável, uma declaração amorosa deste cunho foi o ápice da falta de bom senso. — A velha continuava a falar, até que eu a cortei.

— A senhora fala como se tudo tivesse sido ideia minha, mas não foi! Aquilo foi uma armação da Shina e do Argol, eu não sabia de nada, nós não sabíamos de nada, fomos pegos de surpresa, como todo mundo.

— Oras! Francamente, senhor Milo, o senhor se declarou ao senhor Camus na frente de todos e ainda o beijou perante toda a escola. — Aquela velha dos infernos continuou me acusando.

— Porque se eu não fizesse isso, não teríamos paz! Depois daquelas imagens, depois de todo mundo sabendo sobre nós, o que queria que eu fizesse? Fugisse? — Perguntei nervoso.

— Filho por que não nos contou? Por que não confiou em nós? — Minha mãe perguntou em tom de cobrança.

“Porque a gente queria transar em paz" não era uma boa resposta, não é? — Porque é tudo novo pra nós também, desculpe mãe. — Falei fazendo cara de cachorro que caiu da mudança que minha mãe nunca conseguiu resistir.

Eu a abracei.

....

Eu estava querendo morrer, rezando para que Deus me fizesse ter um enfarte fulminante, ou que estourasse algum aneurisma na minha cabeça, mas nada adiantava, eu ainda estava vivo. Claro que minha condição de vivo só duraria até que eu ficasse sozinho com meu pai, aí com certeza eu já podia encomendar a minha alma.

Quando a diretora começou a falar fui passando em minha mente todos os momentos que passei com Milo, haviam sido poucos, mas todos eles valeram a pena.

Eu olhava fixamente para o chão, tinha medo de meu olhar cruzar com o do meu pai e ele começa a me bater ali mesmo na frente de todos.

A diretora falava como se eu ou Milo tivéssemos armado tudo, na realidade ela estava jogando a culpa no Milo.

A vida era tão injusta!

Quando a mãe do Milo começou a falar com ele de forma doce, meu coração apertou, senti falta da minha mãe, se bem que acho que nem ela conseguiria me salvar agora.

....


— Milo, me conte o que aconteceu? — Minha mãe me perguntou então comecei a explicar que tudo não passou de um plano do Argol para se vingar por ele ter sido rejeitado pelo Camus, e que ele devia ter convencido a Shina a participar daquela armação.

— Fui pego de surpresa tanto quanto qualquer outro ali. — Expliquei finalizando meu relato.

Minha mãe olhou para mim assentindo com a cabeça, enquanto meu pai estava de cara amarrada do outro lado. Então ela olhou para a diretora e perguntou: — E então o que vai fazer a respeito?

A diretora ficou sem entender o que minha mãe quis dizer. — Por isso que eu os chamei aqui esse assunto é muito grave os filhos de vocês...

Minha mãe a cortou sem cerimônia. — Oras, senhora Dolores, quero saber o que vai fazer para punir os dois que armaram essa arapuca para nossos filhos?

Neste momento notei que o Camus e o Crystal ficaram observando minha mãe, eles estavam com as expressões confusas como a da diretora.

— Mas, senhora Cassandra, seu filho se declarou para outro rapaz diante de todo mundo. — A velha ainda tentava insistir que a culpa era minha.

— Meu filho se defendeu como pôde! O que a senhora esperasse que ele fizesse? Saísse correndo? Fosse pra algum canto chorar? Não criei meu filho para ser um fraco, Dolores, ele fez o que tinha que fazer e eu quero saber qual será a posição da escola diante desse acontecimento! — Minha mãe mostrava aquele velha preconceituosa quem era Cassandra Scorpion, eu tinha vontade de mostrar a língua e dançar conga para aquela diretora lazarenta.

— Como assim? A posição da escola? — A velha perguntou sem querer acreditar no que minha mãe estava falando.

— Oras, esses meninos tiveram sua intimidade exposta perante toda a escola, foram humilhados por causa de um plano de vingança mesquinho de duas pessoas que não souberam lidar com a rejeição. Quero saber qual vai ser a posição da escola diante disso? Quero que eles sejam punidos, quero garantias de que esses meninos vão estar seguros neste ambiente. — Minha mãe falava me defendendo como uma leoa defende seu filhote, meu pai que inicialmente estava mudo começou a apoiar minha mãe.

O Crystal ainda estava mudo, apenas observava tudo que estava acontecendo e o Camus olhava pra baixo e evitava que seu olhar cruzasse com o meu. Acho que ele tinha medo do pai dele perceber que estávamos trocando olhares.

Enquanto a diretora baixinha e gorducha tentava pensar no que dizer para minha mãe, o treinador Shion bateu na porta trazendo com ele a Shina e o Argol.

— Com licença, Dolores, mas eu descobri quem armou toda essa confusão. — O treinador falou assim que entrou.

O Camus estava paralisado olhando para baixo, nem com aquela confusão toda ele se mexeu, acho que ele tinha medo do pai notar sua presença a qualquer momento.

Eu tinha vontade de abraçá-lo e dizer que ia ficar tudo bem, mas a julgar pela cara do meu pai, eu realmente não sabia se ia ficar tudo tão bem assim.

A diretora estava cada vez mais vermelha, acho que ela não gostou da intervenção do treinador, ficou lá gaguejando. — Mas... Mas...

— Ora, ora, mocinha depois de todo o carinho que sempre te demos você faz um papelão desses? — Minha mãe foi logo perguntando pra Shina com a mão na cintura.

— Ele me traiu esse tempo todo com o Camus! Me fez de boba durante todo esse tempo! — A Shina disparou diante de todos.

Vi o Camus levantar a cabeça pela primeira vez negando aquela mentira.

— Eu nunca te trai, fui fiel a você até o último dia do nosso namoro. — Eu devolvi indignado.

— O Argol falou que você e o Camus estão juntos há anos! — Ela tornou com a voz chorosa.

— Ele é um mentiroso, um enrustido! Ele é afim do Camus e não se conformou em saber que nós estávamos juntos. — Eu falei revelando a todos a real intenção do Argol em armar todo aquele circo.

....

Quando o Milo revelou que o Argol era afim de mim eu senti meu coração falhar, era muita coisa para o meu pai assimilar, digerir.

Cara era muita coisa até pra mim!

Eu queria dizer alguma coisa, mas sabia que qualquer coisa que eu dissesse poderia despertar meu pai para a fúria, eu estava estranhando o silêncio dele até aquele momento.

Eu tinha vontade de gritar e sair correndo, chorar, mas o medo do meu pai me paralisava.

— Mentira! Eu não sou viado como vocês dois! — O Argol gritou e eu fechei os olhos esperando meu pai surtar a qualquer momento.

....

Quando o Argol falou que não era viado minha vontade foi dar na cara dele, mas ao olhar para o Camus e ver como ele estava assustado com tudo aquilo me segurei.

— Temos testemunhas. — Eu falei sério e com o tom absurdamente calmo, me virei para a Shina e falei. — Você devia ter me procurado, devia ter vindo falar comigo, não armar essa esparrela toda.

— Vocês não são gays mesmo? Não estão namorando mesmo? Qual o problema em todo mundo ficar sabendo? — O Argol falou com desdém, mas foi minha mãe quem respondeu.

— O problema foi a forma como foi feito, você não pode decidir sobre a hora que as pessoas devem contar suas intimidades, esse era um assunto que dizia respeito apenas aos dois. — Então ela virou para a diretora e bem firme falou. — Eu exijo a punição desses dois pelo que fizeram a meu filho e ao Camus, namorado dele.

Eu olhei para minha mãe com veneração, percebi que tanto o Camus quando o Crystal a olharam com a boca aberta de surpresa. Mas meu pai que parecia engasgado com alguma coisa.

— Ora, Cassandra, eu...

— Você nos chamou aqui pra isso, suponho, para dizer que a escola já está tomando providências sobre esse pesadelo que meu filho passou, não é? — Minha mãe perguntou com seu típico e sério olhar rígido, eu quase tive pena da diretora que estava vermelha como um tomate e não sabia o que dizer ao certo.

— Argol e Shina vocês serão suspensos pelo que fizeram, não se pode brincar com a vida dos outros dessa forma. — A diretora falou praqueles dois de forma séria, e depois virou-se para mim e para o Camus e falou de forma forçadamente branda. — Vou dar a vocês alguns dias para que possam ficar em casa descansando a mente de tudo o que aconteceu.

— Ficar em casa logo depois disso tudo? Professora isso só vai fazer com que nos hostilizam ainda mais quando voltarmos. — Argumentei, eu conheço a galera da escola, eles não iam dar paz pra gente.

A gorducha ficou vermelha novamente sem saber o que fazer.

Olhei para o Camus que continuava imóvel com a cabeça baixa, me cortava o coração.

....

Eu estava tenso, na minha mente se meu pai não tinha me matado ali na frente dos outros, ele ia fazer isso em casa quando estivéssemos a sós para usar de requintes de crueldade enquanto me matava, sinceramente eu não sabia qual forma era pior.

Toda vez que o Milo ou a senhora Cassandra debatiam com a diretora eu sentia que minha morte seria mais dolorosa.

Naquele momento eu invejei o Milo, por ele ter a mãe dele ali o defendendo, não sei se a minha mãe agiria dessa forma, mas eu gostaria de imaginar que sim.

— Bom, vocês decidam então o que será melhor, estaremos aqui para apoiá-los em tudo. — A diretora Dolores falou cinicamente, uma vez que ela mesma armou esse circo todo pra nos prejudicar.

— Acho que o Milo tem razão, ficar afastado só vai piorar as coisas. Como treinador do Milo, prometo dar todo o apoio que ele precisar neste momento, e sei que o professor Dohko fará o mesmo com o Camus, como seu orientador do Clube de Ciências. — O Treinador Shion prometeu.

— Então ficamos assim. — Disse a mãe do Milo se levantando e meu pai fez o mesmo, acho que ele estava louco para sair daquele lugar.

— Senhora, eu vou ter um conversa com meu filho sobre tudo que aconteceu, não se preocupe. — Ouvi meu pai dizer e olhar para mim, eu mantinha meus olhos baixos, não queria morrer ali.

Logo todos foram saindo os pais do Milo à frente e eu e meu pai logo a trás.

Quando chegamos aos carros, que estavam estacionados próximos um do outro, meu pai olhou para o senhor Klaus e falou sério. — Mantenha seus filhos longe dos meus.

O senhor Klaus que não estava no seu melhor dia olhou para meu pai irritado e respondeu. — Claro! É muita testosterona pro seus meninos, não é? Eles não resistem!

Se eu achava que as coisas estavam ruins agora então tudo estava acabado, pois meu pai voou pra cima do senhor Klaus e eles começaram a trocar socos.

— Ora seu!

— Pai! — Eu gritei incrédulo tentando segurar meu pai e vi o Milo e a senhora Cassandra fazer o mesmo com o senhor Klaus.

....

Ver aqueles dois trocando socos foi insano! Meu pai estava acabando com qualquer possibilidade de entendimento entre nós e o Crystal.

— Pai, para com isso! — Eu pedi, mas não surtiu tanto efeito quanto a ordem da minha mãe.

— Vocês dois parem já com essa molequeira! Estão envergonhando ainda mais os meninos que já tiveram um dia cheio demais!

Os dois se soltaram e ficaram se encarando como nós homens fazermos numa briga.

— Vamos, Camus entre neste carro! — O Crystal ordenou duro com o filho que obedeceu imediatamente, mas não antes de me olhar triste.

— Camus! — Eu chamei desesperado vendo o carro do Crystal se afastar, então olhei para o meu pai e despejei. — Você acabou com tudo! Eu não vou mais conseguir ver o Camus e a culpa é sua!

Eu já estava aos prantos e minha mãe olhou duro para meu pai.

No carro meu pai gesticulava enquanto dirigia. — Você não é gay, Milo, não pode ser, você está confuso, só isso. — Eu não conseguia acreditar que meu pai estava falando aquilo pra mim, poxa como ele pôde ser tão compreensível com o Kárdia e comigo...

— Desculpa pai, mas eu sou gay sim! — Falei entredentes do banco detrás, minha mãe estava quieta pensando no que fazer.

— NÃO! Você não é! Você namorava aquela garota até bem pouco tempo atrás e era um namoro bem safado, eu cheguei a comentar com sua mãe que se não ficássemos de olho em vocês correríamos o risco de termos netos antes do tempo. Como agora você vem falar que é gay? Não é gay coisa nenhuma!

Ele parou o carro na frente de casa e sai olhando para a casa do Camus, mas não os vi, nem ouvi barulhos, o que era bom sinal, pois sinalizava que o Crystal não estava batendo no Camus, não é?

— Vamos entrar mocinho, temos muito que conversar! — Meu pai mandou e eu entrei morrendo de raiva de a reação dele comigo ser completamente diferente do que foi com o Kárdia.

Já na sala minha mãe começou. — Milo, seu pai tem certa razão.

— O quê? Mãe você também não vai me aceitar? — Perguntei magoado e meus olhos voltaram a arder.

— Não é isso, Milo, claro que eu vou te aceitar e te apoiar em tudo, mas quero saber como e quando tudo mudou? Como seu pai bem lembrou, você namorava a Shina até bem pouco tempo atrás, não faz sentido você está namorando o Camus, seu melhor amigo. A gente precisa entender o que houve! — Minha mãe tentou me explicar porque eles estavam confusos.

— Ele tá imitando o Kárdia tá na cara! — Meu pai começou novamente. — Milo, você não precisa namorar um garoto para ser igual seu irmão.

— Por que com o Kárdia foi simples e comigo está sendo essa tortura? Por que vocês apenas não aceitam e respeitam minhas escolhas? — Perguntei triste já fazendo todo o drama andando pela sala.

— Porque seu irmão nunca teve uma namorada! Diferente de você o Kárdia não ficava pelos cantos se esfregando em uma garota e do nada resolveu que não gostava mais de mulheres. — Meu pai me respondeu sério. — Como você pode dizer que é gay?

Eu respirei fundo sequei os olhos com as mãos e tentei explicar a eles o que aconteceu comigo. — Eu acho que eu sempre gostei do Camus. — Fiz um sinal para que meu pai me deixasse falar quando eu vi que ele ia começar a protestar. — Minha relação com o Camus sempre foi diferente da relação que eu tinha com o Aioria, por exemplo. Mas eu só vim descobrir que era amor quando eu descobri que o Camus era gay, quando ele falou pra mim que gostava de meninos e eu vi que eu poderia perdê-lo pra outro cara.

Eu andei pela sala e olhei pela janela para a casa do Camus.

— Eu percebi que o que eu sentia por ele era diferente, percebi que eu o amava. — Falei abrindo o coração.

Minha mãe me abraçou e meu pai questionou. — Então ele veio e se declarou pra você que largou sua namorada para ficar com ele?

— Não pai, a Shina me largou, acho que depois de presenciar uma crise de ciúme que eu tive dele. Eu fui até ele e me declarei. E aí a gente começou a namorar, isso tem uns três meses. — Esclareci.

— Agora estou entendendo as portas trancadas para o estudo de vocês! Milo que pouca vergonha! — Minha mãe falou resmungando.

— A gente só queria privacidade, mãe.

— É tanta privacidade que ficaram se agarrando no banheiro da escola, e aí deu no que deu, não é? — Meu pai falou bravo.

Eu sentei e me afundei no sofá sentia um desespero por não poder fazer nada nem por mim e nem pelo Camus.

....

Viemos no carro em silêncio, meu pai não disse uma palavra, só praguejou um pouco sobre o senhor Klaus, mas isso quando saímos da escola, mas durante o percurso da escola pra casa não trocamos nenhuma palavra.

Eu por medo.

Ele, não sei o motivo, talvez estivesse tentando não me matar ainda, não sei.

Discretamente olhei para meu relógio aquele horário Hyoga estaria no balé, dei graças aos céus não queria que sobrasse pra ele.

O carro parou em frente a nossa casa e eu respirei fundo, meu fim se aproximava.

Descemos do carro seguimos para dentro de casa, eu esperando a surra começar a qualquer momento, mas ela não veio, assim que entramos meu pai ordenou. — Camus vá para seu quarto e não saia até eu mandar e deixe o celular em cima da mesa.

— Pai. — Eu o chamei inseguro.

— Vá Camus! Sai daqui... Sai da minha frente que eu não quero fazer nenhuma besteira. — Meu pai falou se segurando com a voz trêmula.

Eu corri para o meu quarto, ele não havia explodido comigo, mas a angústia de esperar uma surra era pior do que a surra em si.

Me joguei em minha cama triste, eu sei que ele iria me impedir de ver o Milo, eu não podia aceitar aquilo, eu não podia deixar ele acabar com a minha vida sem tentar lutar.

Resolvi que ia tentar, ia lutar pelo meu amor.

Desci as escadas e vi meu pai sentado no sofá com a cabeça pra trás com o braço cobrindo o rosto. — Pai.

Eu chamei e ele tirou o braço da frente dos olhos e me olhou impassível.

— Precisamos conversar sobre hoje, sobre a escola, sobre o Milo. — Falei
cheio de coragem.

— Não precisamos, não importa você não vai mais estudar lá, vamos nos mudar. — Meu pai declarou friamente, sem me preparar, sem se preocupar comigo, com meus sentimentos.

— NÃO! — Eu gritei, sei que eu estava perdendo a noção do perigo, mas não pensei na hora. — Eu não quero mudar de escola, eu não quero me mudar, você não pode fazer isso pra me afastar do Milo! Não pode!

— Só que isso não tem a ver com você, Camus, tem a ver com o Hyoga! — Meu pai retrucou e eu o olhei confuso.

— Seu irmão ganhou a bolsa, ele foi aprovado pelo Bolshoi. — Meu pai me revelou e eu não sabia o que dizer. — Eu não vou deixar meu filho que é apenas uma criança sozinho num país estranho. Desde que ele passou eu pedi transferência no meu trabalho e venho trabalhando duro para resolver tudo aqui, nós vamos nos mudar em algumas semanas.

— NÃO! — Eu gritei e comecei a chorar, aquilo não era justo comigo. — Você não pode fazer isso comigo!

— O que você quer que eu faça? — Meu pai gritou nervoso deixando escapar algumas lágrimas e eu pela primeira vez, tirando o dia que a minha mãe e o Isaak morreram, eu vi meu pai chorar. — Que inferno! Tudo que eu faço é errado! Vocês queriam que o Hyoga fosse para o Bolshoi, eu fiz o que eu achei que vocês queriam e agora você diz que não quer ir?

— Me deixa ficar pai, me deixa ficar com o Degel, ou mesmo na casa do Milo, por favor! — Eu pedi em prantos.

— Não, Camus, você e o Hyoga são menores de idade e eu não vou me separar de nenhum dos dois. — Meu pai me olhou sério. — Está em suas mãos ficarmos todos aqui ou iremos todos para Rússia. Eu não abro mão dos meus dois filhos perto de mim. Seu irmão Degel já é um homem feito, tem a faculdade e está trilhando o caminho dele, não posso obrigá-lo a ir conosco, apesar de que farei o convite.

— Pai, por favor! — Eu pedi chorando.

— Ou vamos todos ou ficamos todos! — Meu pai decretou sério.

Voltei para o meu quarto querendo morrer, não era justo. Pensei no tempo em que o Hyoga ensaiava, no quanto ele queria ir para o Bolshoi, no quanto àquela oportunidade era única para ele.

Logo ouvi o telefone tocar no andar de baixo e meu pai atender, era o Degel.

— Eu não encostei nele Degel, apesar dos pesares eu não levantei a mão para o seu irmão. — Ouvi meu pai falando e depois ele contou sobre a mudança, sobre o Bolshoi e em como eu estava me comportando, chorando como se tivesse morrido alguém.

Mas caramba, claro que morreu!

Morreu meu namoro, meus momentos com o Milo.

Papai não deixou Degel falar comigo, disse a ele que eu precisava pensar.

Depois de um tempo o Hyoga chegou, ele não era burro, percebeu o clima tenso e veio falar comigo no meu quarto. — Mano, por que você tá de castigo? O que aconteceu?

Eu não respondi apenas balancei a cabeça negando, se eu fosse falar algo com certeza eu ia começar a chorar novamente.

— O papai te bateu? — Hyoga questionou preocupado.

Voltei a negar com a cabeça, realmente meu pai estava diferente, eu achei que ele fosse me matar, ou na melhor das hipóteses, me espancar, mas ele não o fez, mas confesso que eu teria aceitado mil surras a ter que tomar aquela decisão.

Meu pai não me bateu ao contrário conversou comigo e até chorou, claro que não sei se ele percebeu que havia chorado, mas ele deixou transparecer as emoções dele é isso era tão inusitado que me fez pensar na proposta dele.

— Hyoga o quanto o balé e importante pra você? — Eu perguntei com a voz anasalada já sabendo a resposta.

— Ahhh Mano! Sem o balé eu não sou nada, ele me ajudou a passar por tudo aquilo. — Hyoga falou se referindo ao período da morte da mamãe e do Isaak.

— Entendo... o balé é importante, já o Bolshoi? — Ainda tentei ter um pouco de esperança.

— Você tá brincando, Camus? Eu treino desde sempre para um dia poder chegar lá, para que eles me chamem, já pensou, Camus? Eu no Bolshoi? — O Hyoga me perguntou com os seus olhos brilhando enquanto girava pelo quarto.

Eu sorri triste pra ele, eu estava sendo egoísta.

Escutamos o toque da campainha e Hyoga olhou pela janela era um entregador, papai deve ter pedido comida.

— O que será que ele pediu? — Hyoga perguntou tentando ver alguma pista do lugar do que teríamos para o jantar.

— Pelo menos não é pizza. — Comentei com sorriso triste, eu precisava tomar uma decisão.

*-*-*-*-*

— Alguém precisa fazer alguma coisa, alguém precisa ir até lá, vê se o Camus está bem! — Eu pedi com todo o desespero que eu estava sentindo.

— Milo, meu filho, não podemos simplesmente chutar a porta e entrar, não estamos ouvindo nada, nenhum lamento, nem gritos nada que justifique uma atitude assim. — Meu pai falou já bem mais calmo que antes, ele era assim, nunca ficava zangado por muito tempo.

— É mais graças a você o Crystal deve estar mais puto do que ele tava. — Bronqueei com meu pai.

— Graças a mim nada, eu sou o único homem dessa casa que não fica se agarrando com algum dos filhos dele, vocês fazem as merdas e depois querem jogar a culpa nos pais, essa é boa. — Meu pai devolveu sentindo-se injustiçado.

— É, mas aquele seu comentário foi nada a ver! — Continuei.

— Ah! Essa é boa, ele vem querer colocar a culpa nos meus filhos quando é ele quem criou os filhos dele como bonecas de porcelana. — Tornou papai irritado.

— Os dois foram idiotas! — Minha mãe colocou um fim na conversa e olhando pra mim prosseguiu. — Milo, meu amor, não há o que possamos fazer, já falamos com Degel que está vindo, mas ele disse que ligou pra casa e tudo parece bem. Seu pai tem razão, não podemos fazer nada a respeito.

Afundei no sofá cobrindo o rosto com as mãos, queria fazer alguma coisa, mas nada vinha a minha mente, somente o aperto no peito que eu sentia cada vez mais forte.

Medo da certeza de que iríamos nos separar.

*-*-*-*-*-*-

— Já era noite quando Hyoga foi me chamar para jantar, desci as escadas e meu pai estava lá sentado lendo o jornal dele.

Eu não estava com muita fome, apesar da comida estar boa, fui até a sala e sentei próximo a meu pai que deixou o jornal de lado e me olhou. — Onde está seu irmão?

— Foi tomar banho. — Respondi, depois olhei para o meu pai e falei. — Eu não sei o que fazer, mesmo que eu vá pra Rússia eu vou amar o Milo pra sempre. — Acho que talvez eu tivesse esperando a surra que ele ainda não havia me dado desde que voltamos da escola.

Mas para minha surpresa vi meu pai suspirando, ele coçou a cabeça como que pensando no que dizer quando finalmente ele começou a falar.

— Quando conheci sua mãe, eu tinha quase a sua idade. — Ele começou a dizer, obviamente eu conhecia essa história, mas deixei-o falar. — Eu tinha ido para Moscou para fazer intercâmbio, seu avô, pai de sua mãe, não permitiu que a gente namorasse. Segundo ele eu era apenas um estrangeiro que tinha data certa para ir embora.

Eu estava prestando atenção no que ele dizia, eu conhecia a história, mas não os detalhes.

— Falei pra ele que eu estudaria e que seria alguém na vida, e que voltaria para Rússia e me casaria com a filha dele. — Papai prosseguiu a história. — Eu e Natassia trocamos juras de amor, você pode duvidar de mim agora, mas na adolescência tudo é mais intenso e dramático.

Ele comentou sorrindo, e eu duvidava muito daquilo.

— Naquela época não tínhamos internet, celular, uma ligação internacional era caríssima e as cartas demoravam semanas ou meses para chegar, principalmente de um país para outro e ainda mais quando um desses países fazia parte da União Soviética e, bom... sabe como as estatais não são referência de bom funcionamento, mas ainda assim eu e sua mãe nos comunicávamos por cartas.

Vi seus olhos lacrimejarem e sua com sua voz ficar embargada, mas ele continuou o relato. — Nós trocávamos fotos e juras de amor eterno. Terminei meus estudos, arrumei o trabalho na diplomacia como eu almejava e voltei quase sete anos depois, eu estava de volta para Rússia e para me casar com sua mãe.

Nesta hora a voz dele tremeu e ele continuou. — Eu acredito quando você diz que vai amar o Milo pra sempre, pois você é meu filho e é muito parecido comigo em algumas coisas. — Ele comentou e eu o olhei confuso. — Eu havia prometido a sua mãe quando éramos adolescentes, antes de voltar para Paris, que eu sempre a amaria e ainda a amo até hoje, então, eu entendo o que você tá sentindo e vivendo, mas o que eu posso dizer é que se o que vocês sentem um pelo outro for verdadeiro, vocês vão saber esperar.

Eu o abracei emocionado, neste momento Degel entrou em casa, não sei o quanto da conversa ele havia escutado, mas ele não falou nada apenas nos abraçou e ficamos os três ali abraçados, meu pai abraçou meu irmão e pediu. — Filho perdão, me perdoa pelo que eu te fiz?

— Pai já eu já te perdoei há muito tempo. — Degel respondeu sorrindo com lágrimas nos olhos.

Hyoga desceu as escadas e perguntou cruzando os braços. — O que está acontecendo aqui?

Eu olhei pro meu irmão, eu já sabia o que fazer então falei. — Você vai para o Bolshoi, Hyoga.

Meu irmão olhou atônito depois olhou para o Degel pedindo a confirmação que veio na boca do nosso pai. — Eles querem você, meu filho.

Só então o Hyoga correu para nós e nos abraçou sorrindo e pulando, na cabeça dele o Degel veio apenas para essa comemoração.


.....

Eu tentava observar o que estava acontecendo na casa do Camus, mas não tive sucesso. Apesar de ela ficar praticamente em frente a minha, nada podia ser visto ou ouvido lá de dentro.

— Eu vou até lá! — Falei resoluto.

— Milo, o Degel acabou de entrar lá, os deixe conversarem primeiro. — Kárdia me aconselhou.

— Eu não tive notícias dele, nem uma mísera mensagem, porque vocês não fazem nada pra me ajudar? — Reclamei sentando no sofá me rendendo ao choro mais uma vez.

— Calma Milo, o fato de tudo estar calmo é um bom sinal, você lembra como foi quando ele soube do Degel? A rua toda pôde ouvir os gritos. — Kárdia sinalizou.

— Eu não entendo, com tantos rapazes por aí vocês vão pegar os filhos do cara mais homofóbico que eu conheço. — Meu pai reclamou.

— Pai a gente não manda no coração. — O Kárdia respondeu piscando.

— Olha só vocês dois, eu ainda não engoli essa história direito. — Meu pai voltou a resmungar, eu não estava com paciência pra ele.

— Pai não tem o que engolir, o Milo é bi, ou só não tinha se descoberto ainda. — Meu irmão explicou. — É só respeitar e aceitar.

— O que é bi? — Meu pai perguntou confuso.

Kárdia suspirou cansado antes de explicar. — Pai, homossexuais são pessoas que sentem atração pessoas do mesmo sexo. — O Kárdia explicou apontando para si. — Heterossexuais são pessoas que sentem atração por pessoas do sexo oposto. – Meu irmão falou apontando para o meu pai — E os Bissexuais sentem atração por ambos os sexos. — Kárdia terminou apontando para mim.

— Isso é uma pouca vergonha, isso sim! Quer dizer que o Milo ainda pode vir a namorar uma garota?

— Sim. — O Kárdia falou.

— Não! — Eu respondi. — Eu sou Camussexual! Só gosto do Camus!

Meu pai girou os olhos e o Kárdia sorriu.

— Pai vá lá conversar com ele, tenta falar com o Crystal, por favor. — Eu voltei a pedir e ele suspirou cansado antes de concordar.

....


Eu estava no meu quarto com o Degel e o Hyoga, eu ainda estava triste por ter que deixar o Milo, mas estava feliz por ter me acertado com meu pai, por ele de certa forma me aceitar e aceitar meu amor pelo Milo.

Quando ouvi a campainha tocando fui até a ponta da escada ver quem era quando vi o Sr. Klaus parado lá fora me escondi para saber sobre o que eles iriam conversar depois da confusão que houve pela manhã era bom ficar atento.

— Oi, Crystal, a gente precisa conversar. — Sr. Klaus falou da porta assim que meu pai abriu, ele levantou o braço mostrando algumas cervejas.

— Entre. — Meu pai falou simplesmente, eu estava apreensivo que ele fosse fazer alguma grosseria com o Sr. Klaus.

O pai do Milo entrou ressabiado ficou olhando para os lados como se estivesse nos procurando, a mim e aos meus irmãos.

— Eu os matei, Klaus. — Meu pai falou me fazendo olhar confuso lá de onde eu estava.

— O quê? — O Sr. Klaus perguntou dando um passo pra trás.

— Matei todos eles. — Meu pai falou sério olhando o Sr. Klaus nos olhos.

— Crystal, que porra é essa que você está falando? — Sr. Klaus perguntou inseguro e foi então que meu pai começou a rir, ou melhor, a gargalhar, deixando o outro mais confuso ainda.

— Você precisava ver sua cara, Klaus, e essa sua cara foi a melhor coisa do meu dia! — Meu pai zombou. — Eles estão lá em cima conversando, eu falei isso pra ver essa sua cara de assustado.

— Ha há, muito engraçado Crystal. — Sr. Klaus falou zangado.

Então meu pai abriu uma das long necks que o Sr. Klaus trouxe dando outra a ele e guardando as outras no freezer.

— Eu realmente vim ver se estava tudo bem e também para me desculpar com você por hoje pela manhã. — Sr. Klaus falou sincero.

— Está tudo bem, eu também me excedi. — Meu pai falou cansado.

— Como é que você está lidando com tudo isso? — Perguntou o pai do Milo.

Meu pai suspirou cansado antes de responder. — É difícil cara, você deve imaginar como tudo isso está sendo difícil pra mim, mas de qualquer forma não foi uma surpresa. — Meu pai falou recebendo um olhar arregalado do meu futuro sogro, então meu pai explicou. — Eu já sabia sobre a sexualidade do Camus, ao que parece todos os meus filhos são gays.

— Você sabia do namoro deles? — Sr. Klaus perguntou chocado.

— Não, claro que não! Eu sabia que o Camus era homossexual, acabei descobrindo há um tempo... Klaus eu... Foi complicado na época, a explosão que vocês estavam com medo agora eu tive quando descobri sobre a sexualidade do Camus, eu o agredi. Depois daquilo eu conversei com minha irmã e eu procurei ajuda profissional para aceitar todos esses fatos, mas o que me fez realmente agir diferente hoje foi a reação da Cassandra.

— Como assim? — Sr. Klaus perguntou interessado, para o meu alívio, pois eu também estava interessado naquela conversa.

— A Cassandra defendeu o filho como uma leoa hoje, quando aquela diretora contava uma história suja sobre eles, a Cassandra teve a calma e a decência de ver o lado dos meninos, o trauma que eles devem ter passado ao serem expostos perante toda a escola. — Papai suspirou e continuou. — Essa visão acho que é típica das mães, talvez se Natassia tivesse viva ela também veria esse lado e ela não está mais viva porque eu fui intolerante com meu filho e eu não vou conseguir me perdoar por isso. — Meu pai concluiu já se emocionando.

— Você não teve culpa, Crystal, foi um acidente, uma fatalidade. — Sr. Klaus consolou.

— Não, Klaus, foi minha intolerância, se eu não tivesse banido o Degel de nossas vidas nada daquilo teria acontecido, minha família ainda estaria inteira.

O meu futuro sogro colocou as mãos no ombro do meu pai o consolando.

— Bom, agora temos outro problema para nos prepararmos. — Sr. Klaus falou.

— Qual?

— Como vamos ter netos? — Sr. Klaus falou e meu pai sorriu triste.

— Você ainda tem a Sônia.

— Você tem o Hyoga. — Sr. Klaus falou incerto.

Papai nada respondeu.

— Crystal, você vai permitir o namoro deles? — Meu futuro sogro perguntou, foi quando meu pai explicou a ele que o Hyoga havia sido aprovado pelo Bolshoi e que ele já estava fazendo todo o processo no trabalho para uma transferência para a Rússia, e que estava fora de cogitação me deixar pra trás, pelo menos por enquanto.

— Eu entendo, mas deixe-os conversarem, acho que depois de tudo que passaram eles merecem ter um momento a sós. — Meu futuro sogro pediu e neste momento eu desci as escadas e olhei esperançoso para o meu pai, que me devolveu o olhar sério, depois bagunçou os cabelos e me falou. — Você tem uma hora Camus.

Preciso dizer que não esperei ele falar uma segunda vez corri para fora eu precisava ver o Milo.

Não cheguei a tocar a campainha o Milo abriu a porta, nos encaramos por alguns segundos então nos abraçamos e nos beijamos com urgência.

Como dizer a ele que teríamos que nós separar? Que ficaríamos milhares de quilômetros distantes um do outro...?

Notas finais
Wain *-* o Crystal ta tomando jeito pessoal, tá tudo bem que o coitado sempre faz um M básica mesmo tentando acertar, mas ele está mudando e é isso que importa, né? Mas E Agora? Como ficaram nossos casalzinho? Será que eles vão conseguir bolar algum plano para em fim ficarem juntos? Será que o Crystal vai ficar mais maleável e deixar o Camus ficar? (Se fosse seu filho de 16 anos você deixaria?) Complexo Pessoal comentários são sempre bem vindos, fantasminhas apareçam!! Grupo das fics no Facebook >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/ Beijossss