E Agora?
12 Capítulo 12 - Se descobrindo
Notas iniciais

E Agora? — Capítulo 12
“Pode contar sua versão se quiser, Camus".
"Oi?"
"Estou dizendo que você pode contar sua versão dos fatos, se quiser."
"Por que vai me deixar contar, Milo?"
"Ah! Sei lá, acho que é porque eu quero saber o que você estava pensando naquele momento, quero saber o que você sentiu."
"Milo, você é a pessoa mais cara de pau que eu conheço!"
"Euuuuuuu? Que maldade, Camus, por que diz isso?"
"Você só quer que eu conte minha versão da história porque a pizza chegou!"
"Hahaha! Foi você quem pediu a pizza, Camus".
"Cara de pau... tudo bem, eu começo, mas deixe pizza pra mim."
Deixe eu ver onde estávamos... ah sim, você me deixou arrasado na praça, eu tive que vir pra casa, mas tinha que me acalmar antes, meu pai não poderia nem sonhar que eu estava chorando, e muito menos o motivo do meu choro.
Eu achei que tivesse perdido o Milo pra sempre, achei que nem meu amigo ele iria querer ser mais e isso doía muito...
“Boxa, Camus, bocê vai doltar a essa barte?”
“Milo, não fale de boca cheia, é feio! E sim, eu vou voltar a esta parte, se me cortar novamente eu volto até a parte do cinema!”
“... poxa, Camus... tá bom, tá bom, não te corto mais”.
Como eu estava dizendo, eu tinha que me controlar para não chegar em casa chorando e ter que passar pelo interrogatório do meu pai, principalmente porque se eu dissesse o motivo do meu choro eu ia levar mais uma surra.
Ok! Meu pai falou que ia mudar, mas saber que eu fui ao cinema para um encontro com um rapaz estranho que eu conheci pela internet, e lá fui flagrado pelo cara que eu gosto, e que esse cara me deu o fora, seria um pouco demais para ele naquele momento.
Controlando minha respiração, tentei ao máximo me acalmar. Sequei minhas lagrimas, pensei em ir para a casa da Hilda, mas lembrei de que ela me deixou no shopping porque tinha um encontro com o Sieg.
Fui até a fonte da praça e lavei meu rosto na água fria, eu tentava não me lembrar de Milo, lembrar de que ele fugiu quando eu assumi para ele minha condição sexual.
Morando na minha casa e sendo filho do meu pai, uma das coisas que eu aprendi foi esconder minhas mágoas, meus sentimentos, e, mais uma vez, eu consegui.
Quando cheguei em casa, meu pai estava se arrumando para sair.
— Finalmente, Camus! Preciso ir ao consulado, tenho uma emergência lá. O Hyoga já está dormindo, e eu só estava esperando você chegar. — Meu pai falava enquanto se arrumava, colocando um terno e uma gravata, acho que algum figurão estava chegando ou algo assim, — Está com fome? Tem comida pronta, não se preocupe, eu pedi no restaurante. – Papai acrescentou quando viu minha cara.
— Não, pai, eu não estou com fome, vou estudar um pouco. – Respondi com a voz controlada.
— Tem alguma prova para a segunda? Porque se tem e foi ao cinema, isso foi muito errado. – Meu pai começou a reclamar do jeito dele. Francamente, eu não estava com disposição para aquilo, não naquele momento.
— Não, pai, eu não tenho nenhuma prova, só vou ficar no meu quarto estudando, lendo um pouco, revisando as matérias. – Respondi com voz fleumática e subi para o meu quarto.
Minha vontade era me jogar na minha cama e ficar chorando, mas se eu fizesse isso não pararia de sofrer. Abri meus livros e sentei na escrivaninha, precisava me distrair com alguma coisa. Escutei a campainha tocando, mas meu pai ainda estava em casa, ele que atendesse a porta, eu não estava querendo ver ninguém.
Minha mente só viajava para a minha conversa com Milo na praça, para o fato de ele ter visto o Surt me beijando, e para o fato de ele ter fugido quando eu revelei minha condição sexual.
Tive um sobressalto quando escutei Milo chamando meu nome e olhei em direção à porta. Tentei evitar, mas não consegui esconder minha mágoa, esconder as coisas de Milo pra mim é muito difícil.
— Camus, eu te amo, eu sou apaixonado por você, e se você for namorar algum homem, você vai namorar a mim! – Ouvi o Milo dizer, seguro de si como só ele consegue ser. Pisquei algumas vezes, tentando verificar se eu não estava sonhando. Meu coração batia forte quando eu levantei e, sem pensar muito, me joguei nos braços dele encontrando sua boca.
Ah! Pelos deuses, como eu desejei beijar aquela boca, todos esses anos eu sonhei com este momento e nem nos meus melhores sonhos tudo foi tão perfeito. O Milo correspondeu ao meu beijo, me abraçou, me apertou.
Eu estava tão feliz que quando nosso beijo findou por falta de ar, eu não conseguia parar de sorrir abraçado a ele. – Milo, diz que não está brincando, diz que isso é verdade, por favor. – Eu pedi num sussurro em seu ouvido.
— É verdade, eu te amo Camus, não consigo parar de pensar em você, achei que estava ficando louco. – O Milo me respondeu e me beijou novamente, como se tivesse medo de eu fugir.
— Eu sempre te amei, Milo, mas nunca pensei que você também fosse gay... – Não consegui completar a frase, pois o Milo me cortou e, me soltando, foi andando pelo meu quarto.
— Ei! Eu não sou gay! – O Milo me falou enfático.
Eu ergui a sobrancelha esquerda olhando para ele. Ri nervoso. – Você não é gay? Milo, então eu não estou entendendo o que está acontecendo aqui, porque nós nos beijamos, eu disse que te amava, e você disse que me amava! Eu sou homem e você é homem, nós somos gays, esse é o nome! – Falei com certo sarcasmo, vendo seu rosto confuso.
O Milo soltou o ar dos pulmões após alguns instantes e sentou na minha cama. – Caralho, Camus! Eu nunca havia pensado sobre isso, ser gay, isto é estranho. – Ele falou, e eu sentei ao lado dele, confuso e um tanto receoso de ele ter mudado de ideia.
— O que é estranho, Milo?
— Camus, eu sempre gostei de garotas. Tudo bem que eu sempre te achei bonito, mas nunca pensei em olhar para outro cara com segunda intenção e até hoje eu namorava a Shina. Você é quem me colocou no mau caminho. – O Milo falou confuso e tentando fazer piada daquilo, bagunçando seus cabelos.
Ri com o que o Milo disse e confesso que gostei de saber que ele não tinha olhos para outros caras, de certa forma foi bom saber disso, mas ele falou que namorou a Shina até hoje? Será? – Milo, você vai terminar com a Shina? — Eu perguntei, ansioso.
— Já terminei com ela hoje, acho que ela deve ter sacado que eu gostava de outra pessoa. – O Milo falou me olhando e segurando em minha mão, meu coração batia acelerado.
Eu acariciei seu rosto, olhando para aqueles olhos azuis vibrantes.
— Caramba, Camus, e agora? A gente é gay! – O Milo me perguntou, um tanto agitado, levantando da cama e andando de um lado para o outro. — O que a gente faz agora?
— Não podemos negar o que sentimos, Milo, não seria justo com a gente. – falei, levantando e segurando seu rosto, o fazendo olhar para mim.
O Milo suspirou e me abraçou forte. – Não quero negar nada, Camus, eu tenho certeza do que eu sinto por você.
— Acho que nós teremos que contar para as outras pessoas, digo, para nossos amigos e... – Novamente o Milo me cortou.
— Não, Camus! Não podemos contar isso a ninguém, pelo menos por enquanto. – O Milo falou sério e eu o olhei novamente, com a sobrancelha arqueada.
— Acaso pensa em ficar no armário Milo? – Perguntei, direto. Tá, eu sei que era difícil uma pessoa se assumir, mas poxa, não sei se eu queria ficar me escondendo, bom, eu sei que eu me esconderia se isso fosse para ficar com Milo, só não queria que ele visse nossa relação como errado ou algo feio.
— Não, Camus, claro que eu não penso em viver no armário, só quero ter um tempo para pensar em tudo isso, sei lá, fui pego se surpresa, e também nem é só por isso. – Ele respondeu e eu tornei a questionar.
— É pelo que mais, então? – Perguntei, um tanto ressabiado.
— É por causa do seu pai, não quero que aconteça com você o mesmo que aconteceu com Degel. Se teu pai te colocar para fora de casa não sei como vão ficar as coisas, uma vez que nem meus pais sabem de nada ainda, a gente precisa ter cuidado com ele. – O Milo falou e eu não poderia tirar a razão dele.
— Meu pai sabe sobre mim, sabe que eu sou gay, eu contei a ele não faz muito tempo, mas... – Confessei, para espanto do Milo.
— Como, Camus? Quando? – Então ele parou de falar, chegando à conclusão sozinho. – AQUELE FILHO DA PUTA! FOI POR ISSO QUE ELE TE BATEU? FILHO DA PUTA! – O Milo começou a gritar socando a parede.
— Milo, pelos deuses, pare com isso! – Eu pedi, preocupado. – Vai se machucar e pode acordar o Hyoga! Já passou, Milo, mas eu acho que você tem razão, não vamos falar nada por enquanto.
O Milo me olhou com carinho e acariciou meu rosto. – Eu te amo, Camus, eu não tenho vergonha disso. Acho que para os amigos íntimos nós vamos ter que contar, não vou aguentar ficar do seu lado sem tocar em você, não depois de saber como é o gosto do seu beijo.
Sorri para ele.
Merda! Eu estava apaixonado, muito apaixonado, nos beijamos novamente e novamente. O Milo só foi embora depois da meia noite e porque eu insisti muito, por sorte meu pai só chegou dez minutos depois que o Milo saiu.
— Camus, acordado ainda? — Meu pai perguntou entrando no meu quarto, não dava pra eu simplesmente apagar a luz quando ele chegou, porque com certeza ele já havia visto que ela estava acesa antes de estacionar.
— Pai? Já chegou? – Perguntei na maior cara de pau, fingindo estar distraído.
— Já passa da meia noite, Camus, feche esse livro e vá dormir. – Meu pai mandou, sério, e eu obedeci.
Diferentemente de quando ele saiu agora eu tinha um sorriso no rosto que não me deixava. Coloquei meu pijama, mas fiquei cheirando a minha blusa, ela tinha o cheiro do Milo, meu namorado.
ooOoo
— Me conta tudo, Camus! Quero saber tudo que rolou entre você e o Surt! – A Hilda me questionava pelo telefone, eu não era uma garota e muito menos uma dessas “bichas” espalhafatosas pra sair por aí falando da minha vida íntima assim, mas não posso negar que eu teria um certo prazer em falar pra Hilda que eu estava namorando o Milo e que FOI ELE quem se declarou pra mim.
— Você não vai acreditar se eu disser. – Falei com minha voz fleumática propositalmente.
— O quê? Me conta, Camus, ele te beijou? Ele beija bem? Me conta! — Ela insistiu e eu comecei a falar.
— Sim, o Surt me beijou. — Eu falei e ela começou a dar gritinhos do outro lado da linha, eu sinceramente não tenho ideia do porquê de as mulheres terem essa mania.
— Me conta todos os detalhes, ele beija bem? — Ela perguntou, entusiasmada.
— O beijo dele é irrelevante. – Comecei, ainda fingindo estar enfadado.
— Como assim, irrelevante? — Ela quis saber. – Camus, o beijo de um possível namorado nunca é irrelevante. Espera, o que aconteceu?
— O Milo apareceu no cinema, você acredita? O Milo foi justamente ao cinema em que eu fui me encontrar com o Surt. — Comecei a falar dando um pouco de emoção à minha voz.
— Nãooooo! — Ela exclamou.
— Sim, e ele me viu com o Surt, viu quando ele me beijou. — Eu contei fazendo voz de triste.
— Meu Deus, Camus, e agora? — A Hilda perguntou, realmente preocupada.
— Eu tive que falar com o Milo, contar a verdade sobre mim. — Expliquei com voz tensa, dando expectativa à minha narrativa.
— Você falou que gostava dele? — Ela me perguntou, ansiosa e incrédula.
— Obviamente que não! Você queria que eu chegasse pro cara e falasse "oi, olha eu sou gay e quer saber? Sou super a fim de você"? Francamente, Hilda!
Ela não riu e me perguntou, séria. — Como o Milo reagiu quando você disse que era gay?
Suspirei e falei. – Inicialmente, ele me deixou falando sozinho lá na praça.
— Mas que filho da puta! — A Hilda começou brava. — Eu sinto muito, Camus.
— Tudo bem, Hilda, mas eu falei que inicialmente o Milo me deixou sozinho lá na praça, porém depois ele veio aqui em casa e ... — Interrompi de propósito para dar mais emoção à minha narrativa.
— E o quê, Camus? Fala logo, o que o Milo queria? – Minha amiga me perguntou, ansiosa.
— Ele disse que me amava e que se eu fosse namorar algum homem que namorasse com ele. – Soltei sorrindo, quando eu escutei a Hilda começar a gritar do outro lado da linha, então comecei a rir com a reação dela.
OoOoo
— Ah! Fala serio! “Cês” tão de sacanagem comigo? – O Aioria perguntou depois que o Milo contou a ele sobre nós, claro que ele não estava acreditando, nem eu mesmo acreditava ainda.
Eu e o Milo ríamos da reação dele, o Aioria foi a primeira pessoa para quem nós contamos, quer dizer, que contamos juntos. Eu havia falado com a Hilda sem o Milo saber, o Aioria era nosso melhor amigo, nada mais justo que fosse o primeiro a saber de tudo.
O Aioria riu nervosamente antes de começar a falar. — Até parece que eu vou cair nessa: vocês dois descobriram que se amam e estão namorando, o Camus largou a Hilda, que é uma linda, para ficar com você, Milo, e você largou a Shina e agora, sem mais nem menos, quer ficar com o Camus? Qual é? – O teimoso do Aioria ainda dizia, sem acreditar. — Se é verdade, quero que se beijem de língua aqui e agora.
O Aioria desafiou e eu fiquei vermelho, uma coisa era beijar o Milo só nós dois, outra era fazer isso na frente dos outros, eu não estava muito preparado pra isso, mas o Milo não se fez de rogado, olhou pra mim com um sorriso sacana nos lábios, “eu não acredito que ele vai fazer isso!” – pensei, mas antes de eu ter qualquer reação o Milo me beijou e eu, claro, me deixei levar por aqueles lábios que eu tanto amava.
— Ah! Puta que pariu, que nojo! – O Aioria gritou, tacando o travesseiro do Milo em nós. Sim, estávamos tendo essa conversa no quarto do Milo. – Cara! Eu não posso acreditar nisso!
— Pois acredite, é verdade, eu amo o Camus e não só como amigo. – O Milo falou, sentando próximo ao Aioria, e eu me sentei do outro lado.
— Você é a primeira pessoa pra quem nós contamos isso, Aioria, eu não sei como as outras pessoas vão reagir, mas se você, que é nosso amigo, não aceita... não sei o que esperar dos outros. – Eu confessei, tenso.
— Hã? Não, caras, não é nada disso! – Ele me respondeu rindo. – Não tenho nada contra vocês ficarem se pegando por ai.
— O que é, então? – O Milo perguntou, sem entender.
— Eu perdi a aposta pra Marin! Porra! – O Aioria começou a falar, incrédulo. — Eu sou amigo de vocês há anos, eu agitei as meninas pra vocês ficarem, eu nunca desconfiei que rolava alguma coisa entre vocês, mas a Marin sempre falou que vocês iam ficar juntos, que vocês se gostavam e a gente apostou. E eu perdi. – Ele falou, balançando a cabeça negativamente. – Ô bando de viados! Pelos deuses!
Eu e o Milo nos olhamos, confusos. — Se nem nós sabíamos, como a Marin poderia saber? – O Milo expôs o que estava em minha mente.
— Ah! Sei lá, cara, mulher tem dessas coisas de sexto sentido. – O Aioria falou olhando pra gente. – Porra, que bizarro isso.
— E o que vocês apostaram? – Eu quis saber.
— Um fim de semana de escravo! Puta que pariu, graças à viadagem de vocês, eu vou ter que ser o escravo da Marin por um fim de semana inteiro, eu quero matar vocês! – O Aioria falou se jogando na cama do Milo.
Obviamente ele teria que contar à Marin sobre nós, éramos amigos e com certeza sairíamos como casais.
Ainda ficamos conversando por algum tempo. Quando o Aioria estava de saída ele falou, sério:
— Se este dia de escravo for na casa dos avós da Marin vocês dois vão comigo, eu não quero nem saber!
Eu e o Milo mal tivemos tempo de dizer nada, e então nos olhamos e rimos.
Logo o Milo começou a me olhar de um jeito estranho, eu desviei os olhos dele, sem graça, e levantei. – Bom, acho melhor eu ir embora também e...
Eu não cheguei a completar a frase, pois o Milo se levantou e trancou a porta do quarto. Me encarou de um jeito estranho, caminhando em minha direção como um felino e eu fui dando uns passos para trás. – Milo... nem vem... nem pense nisso. – Eu comecei a falar, mas para variar o Milo nem me deu atenção. Logo me enlaçou nos seus braços e caímos sobre sua cama.
— Ah! Camus, não tem ideia do quanto eu quis ficar assim com você. — O Milo falou, me beijando.
O problema não eram os beijos do Milo e sim suas mãos, aquele loiro parecia um polvo, me apertando em tudo quando era lugar, não posso dizer que eu não estava gostando, mas nós precisávamos ter algum juízo, ou pelo menos um de nós.
Eu senti a ereção de Milo dura como uma pedra em contato com a minha, aquilo era bom, muito bom.
— Milo... Milo... Calma, a gente tem que ir com calma! — Eu falei, me levantando.
— Por quê? — Ele me perguntou, confuso. – Camus, a gente se ama, estamos juntos, por que se segura assim?
— Milo, estamos juntos, mas namoramos em segredo e só há duas semanas, é muito pouco tempo... eu... poxa, Milo, eu não quero perder minha virgindade no seu quarto, correndo, enquanto sua mãe foi ao mercado com sua irmã, quero que seja especial. — Expliquei meus motivos.
— Relaxa, a gente não vai transar, OK? Vamos só ficar aqui juntos nos beijando, nos amassando, só que de forma comportada, certo? — O Milo falou com a voz rouca, antes de dar o bote novamente, me jogar na cama e voltar a me beijar.
Eu não consegui impedi-lo, o Milo era bem persuasivo e eu não era de ferro. Eu estava quase relaxando quando escutei a voz do Kárdia chamando lá dá sala, levei um susto tão grande que dei um pulo da cama, tropeçando na cadeira do computador e indo ao chão com a cadeira em cima de mim.
— Puta que pariu, Camus! — O Milo exclamou, vindo ao meu auxílio tentando segurar o riso, quando escutamos o irmão dele batendo na porta.
— Ei, Milo, que aconteceu? Milo, abre a porta. — O Kárdia ordenou.
Eu olhei tenso para o Milo, que “checou” seu corpo antes de ir abrir a porta do quarto.
— Tá tudo bem aqui? Que barulho foi esse? O que aconteceu? – O Kárdia perguntou ao Milo, vendo a cadeira no chão e eu lá me levantando, mais vermelho que meus cabelos. Então pra minha eterna desgraça meu irmão apareceu atrás do namorado.
Eu simplesmente não consegui falar nada, totalmente sem ação.
— Seu irmão é sem noção, Kárdia. – Consegui soltar. – Eu caí da cadeira e ele fica rindo.
Vi que meu irmão estreitava os olhos para nós e o Milo veio em meu auxilio. – Acho que a cadeira tá com algum problema o Camus levou um tombo do nada.
— Você se machucou, Camus? — O Kárdia me perguntou e o Milo me olhou para saber minha resposta.
Massageando minha perna e minha bunda, respondi. – Não, não muito.
— Mas como você foi cair, Camus? — O meu irmão perguntou, e o Milo interveio com outra pergunta, mudando o foco da conversa.
— Ei, o que vocês estão fazendo aqui? – Perguntou o Milo colocando as mãos na cintura. — Vocês não deveriam estar na faculdade?
— Semana do saco cheio* irmãozinho, não terá aula até o feriado. Então, como estávamos com saudades resolvemos vir ver vocês. – o Kárdia falou, colocando o braço sobre o pescoço do Milo e lhe dando alguns cascudos na cabeça, brincando.
Eu ri, mas me calei ao ver os olhos analíticos do meu irmão sobre mim. Inferno, eu devia estar corando.
— Certo, Kárdia, eu vou lá pra casa do meu pai, quero ver o Hyoga. O pai tá em casa, Camus? — Meu irmão me perguntou e eu confirmei com a cabeça. — Vamos pra lá, assim conversamos um pouco. — Ele me pediu e eu olhei para o Milo. Concordei com meu irmão.
— Tá certo, vamos pra casa, depois a gente se fala, Milo. — Me despedi dele e do Kárdia e fomos pra casa.
Permaneci em silêncio durante todo o caminho. Quando entramos em casa o Degel foi cumprimentar o pai e o Hyoga, e eu fui para o meu quarto.
Fiquei na minha cama pensando se eu contava ou não pro meu irmão mais velho sobre eu e o Milo. Não, eu não tinha medo de que ele fosse me proibir, mas eu não o queria preocupado comigo e com as reações do papai se este descobrisse alguma coisa.
Não tardou e meu irmão foi até meu quarto. Entrou e fechou a porta; ficou me olhando e cruzou os braços, "droga, o Degel parece que lê meus pensamentos".
— Então? — Ele perguntou.
— Então o quê? – Perguntei, fingindo não entender.
Ele não falou nada. Ficou esperando que eu falasse alguma coisa.
Eu girei os olhos e ele sorriu.
Eu só confirmei com a cabeça, não ia ficar falando da minha intimidade assim.
— Só tome cuidado, Camus, tome cuidado e me ligue se precisar de qualquer coisa. — Meu irmão pediu, e eu assenti.
ooOoo
Na escola estava um clima estranho, eu tinha a impressão de que todos sabiam, mas sabia que não.
Só quem sabia eram a Hilda e o Aioria, e talvez a Marin, tá, eu sei que já é muita gente pra um segredo, mas não podíamos abrir pra todo mundo.
(Eu queria beijar sua boca agora) — O Milo escreveu no meu caderno que ele pegou emprestado. Olhei para os lados para ver se alguém tinha notado aquilo, quando eu olhei de volta pra ele o danado sorriu pra mim e falou "eu te amo" sem emitir som algum de sua boca. Eu sorri, caramba, eu ficava patético perto do Milo.
Depois notei que o Argol me observava, fiquei sério e não dei atenção pra ele.
No intervalo o Aioria veio com a Marin ficar perto de mim e do Milo.
— No final de semana que vem vocês dois vão comigo para a casa de campo dos avós da Marin, não quero nem saber. — O Aioria chegou falando, enquanto a Marin ria dele.
— Oi? Como assim, a gente nem conhece os avós da Marin! — O Milo questionou, sem entender.
— Isso não é problema, Milo, vai conhecer quando chegar lá, mas o que vocês não podem perder é o meu momento com meu escravo. — A Marin falou e a gente riu da cara do Aioria. — Eu sempre torci por vocês, que a Shina não me escute!
— Marin, não conta pra ela ainda, acho que ela não vai aceitar numa boa. — O Milo falou e, mesmo com ciúmes, eu concordei com ele, não ia ser fácil pra ela.
— Nem pensar eu conto, quero distância de problemas. – A Marin respondeu.
ooOoo
Não foi fácil convencer meu pai a me deixar ir para o Sitio dos avós da Marin. Os pais dela tiveram que ligar para minha casa, conversar com meu pai, falar que os avós precisavam de companhia e que ia ser bom para eles ficar com os jovens, blá, blá, blá... sério mesmo, meu pai me matava de vergonha com aquela super proteção, depois reclama dos filhos gays.
Chegamos à casa de campo dos avós da Marin às dezoito horas da sexta feira, os pais dela não foram conosco, eles eram médicos e iriam a um congresso; este, aliás, foi um dos motivos de a Marin ter que ir para lá.
— Marin, minha querida. – A avó dela a cumprimentou e depois se virou para nós, nos cumprimentando também.
— Vovó — Marin falou, dando um abraço na vó, eu e os rapazes ficamos mais atrás. Logo veio um senhor com os cabelos brancos, com certeza o avô dela.
Após os cumprimentos ela nos apresentou, logo fomos para a cozinha, onde tinha muitas guloseimas, bolo, doces etc. Acho que, pela quantidade de comida naquele local, os pais de Marin avisaram que estava indo um batalhão!
A propriedade era razoavelmente grande, havia um lago, muito e muito verde, algumas árvores frutíferas, a casa era aconchegante, tinha varanda com alguns bancos, o céu estrelado era muito mais bonito de se ver daquele lugar.
Ficamos conversando lá fora, a avó dela sempre ali conosco, acho que zelando pela neta, afinal éramos três rapazes. Mal passavam das dez horas quando a Sra. Berta nos mandou ir dormir.
— Amanhã vocês têm que acordar cedo se quiserem aproveitar o dia, vamos dormir! Rapazes, eu arrumei o quarto de vocês, é aquele ali do final do corredor.
Nós agradecemos e entramos. Havia dois beliches no quarto, o Aioria colocou as coisas dele no beliche de cima, falando – Eu vou ficar aqui em cima para não ver a pouca vergonha gay de vocês dois.
— Tem medo de se juntar a nós na pouca vergonha? – O Milo provocou, malicioso, e eu não sabia onde enfiar minha cara. Fingi que não estava escutando nada, coloquei minhas coisas no beliche de baixo do lado oposto ao do Aioria.
— Ei, Camus, posso me juntar a vocês? – O Aioria perguntou, malicioso, acho que ele só queria perturbar o Milo. Olhei pra ele sem responder, nada surpreso com a brincadeira.
— Vai se foder, Aioria! – O Milo respondeu por mim, irritado. O Aioria ficou gargalhando da cama dele.
— Porra! A gente tá no meio do nada, neste quarto não tem TV e a internet daqui é uma merda, o que a gente vai fazer aqui? – O Aioria perguntou, desolado.
— Você eu não sei, mas eu sei bem o que eu quero fazer aqui. – O Milo disse maliciosamente, olhando pra mim.
Eu devo ter ficado mais vermelho que um pimentão. – Milo! A gente vai dormir pra acordar cedo amanhã, isso sim. – Falei, arrancando outra gargalhando do Aioria.
O Milo deitou na cama de baixo do beliche do Aioria, resmungando.
Confesso que demoramos a dormir, ficamos conversando por muito tempo sobre como ia ser nosso fim de semana naquele fim de mundo e o Milo perturbando o Aioria, que a partir de amanhã seria o "escravo da Marin".
— Amanhã será um grande dia, não é, Camus? — O Milo perguntou, nós já estávamos com as luzes apagadas, então não consegui entender o que o Milo queria dizer.
— Grande dia? — Repeti, sem entender.
— Sim, amanhã vamos ter um escravo para nos servir. — O Milo provocou e eu ri.
— Ah! Puta merda, nem me lembra disso. — Aioria falou, desolado. – Tudo culpa de vocês!
— Tudo culpa sua que não enxerga um palmo na frente dos olhos. – O Milo respondeu e eu continuei a rir.
Depois o Milo chamou o Aioria e os dois ficaram cochichando, eu cá da minha cama percebi, só deu pra ouvir o Aioria rindo e falando. – Combinado!
Eu sabia que eles estavam aprontando alguma coisa, mas depois o Aioria colocou o fone de ouvido e ficou escutando música do seu mp3, eu o vi virando para a parede, então eu relaxei.
O quarto escuro, o barulho da natureza lá fora.
Virei para encontrar uma posição para dormir, quando senti alguém deitando ao meu lado. Me virei assustado e vi o Milo fazendo. – Shhhhhhh
— Milo, o que pensa que está fazendo? – Eu perguntei num sussurro.
— Tô querendo ficar perto de você, Camyu. – O safado do Milo falou atacando a minha boca.
— Milo, o Aioria tá aqui! — Eu voltei a sussurrar, preocupado que nosso amigo nos flagrasse numa situação constrangedora.
— Ele tá dormindo e com os fones de ouvido ele não vai acordar. – O Milo falou, antes de voltar a me beijar.
— Milo... – Foi o que eu consegui dizer antes de sucumbir aos toques do meu amor.
Tocamos muitos beijos eu sentia a ereção do Milo de chocar com a minha, naquela fissura louca.
De repente ele pegou minha mão e colocou no seu membro duro, sim o safado tinha tirado o pau pra fora do short do pijama e colocou minha mão lá.
— Milo, não! – Eu falei preocupado, olhando para a cama do Aioria por cima dos ombros do meu namorado.
— Ahhh, Camyu pega nele, vai! Só um pouquinho, hum. – Aquele safado voltou a pedir, sussurrando com a voz rouca, beijando meu pescoço, como eu poderia negar se o cheiro do Milo não me deixava pensar direito e tocar ele era algo que eu queria muito?
Mordendo meus lábios, peguei no pau do Milo, o gemido que ele deu me fez perceber que eu tinha feito a coisa certa.
O Milo colocou sua mão por cima da minha e começou a se masturbar, gemendo baixo enquanto atacava meu pescoço.
— Ahh, Camyu! — O Milo gemeu alto.
Eu tirei minha mão e falei baixo — Milo! O Aioria vai escutar a gente.
Com os olhos nublados, o Milo voltou a me beijar. Começou a esfregar sua ereção na minha por cima da roupa, estávamos numa fissura absurda, acho que nunca me excitei tanto assim na vida.
Senti que eu estava quase gozando, tentei alertar o Milo para que ele parasse com aquilo, mas não fui muito incisivo na minha tentativa de fazê-lo parar. Ele também estava quase lá, pela expressão que ele fazia, eu acho que nem se eu tentasse de fato conseguiria pará-lo naquele momento.
Senti meu corpo convulsionar e o agarrei junto a mim, mordendo seu ombro para abafar meus gemidos, o Milo não demorou para me acompanhar senti seu corpo convulsionar quando ele me beijou de forma intensa.
Eu senti minha cueca molhada e minha respiração ofegante.
O Milo abraçado a mim também com o corpo tremendo.
— Caramba, que sujeira. — O Milo falou rindo, olhando pra mim, apontando para seu pijama molhado e para o meu pijama também molhado.
— Que barulho! Milo, tenho certeza de que o Aioria escutou tudo — Eu falei, escondendo meu rosto em seu peito.
O Milo tirou a camisa do pijama para nos limpar e olhou para o nosso amigo em cima do beliche; o Aioria ainda estava com os fones de ouvido e virado para a parede. Se ele ouviu alguma coisa, nunca saberemos dizer.
O Milo voltou a se deitar ao meu lado, com outra camisa, e me abraçou. Ficamos namorando um bom tempo até que adormecemos abraçados, aquela foi a primeira vez em que dormimos juntos, que dormimos de conchinha.
Fale com o autor