E Agora?

11 Capítulo 11 - Eu Preciso Dizer Que Te Amo


Notas iniciais
Oieeeeee Atualização fresquinha!! Gostaria de agradecer muito a todos que comentaram nesta fic, vocês são incríveis!!! Quero agradecer também a Vivi que betou esse capítulo e sempre beta minhas fics é minha amiga, irmã pessoa que eu amo!! Obrigado Vivi Sobre a capa eu vi no grupo das traduções no face esse Dōjinshi no face e cara ele casou perfeitamente com este capitulo!! Obrigado Amelia Wassermann por ter postado essa lindeza Art by satouminami598 Chega de conversa e boa leitura!!

E Agora? — Capítulo 11

"Tá pode deixar que eu vou contar as coisas agora Camus"

"Mas, Milo? Eu não terminei ainda!"

"Mas eu quero escrever também, Camus! Você tá monopolizando"

"Milo, tem coisas que você não sabe ao certo"

"Ahhhhh, ainda tem coisas que eu não sei??? Vamos lá, Camus, conte, conte! E não gire os olhos pra mim assim!!!"

"..."

"Vamos lá, Camus, o que eu não sei?"

"São apenas detalhes, Milo, apenas detalhes."

"Hunf"

"Posso continuar?”

“... Tá, continua, Camus. Quero saber sobre esses detalhes”.


A semana estava tranquila, eu havia combinado tudo com a Hilda, ou melhor, estávamos a semana inteira colocando os detalhes em prática.

— A gente vai junto até o shopping, chegando lá você vai até o lugar que combinou de se encontrar com ele, vou estar atrás de você. — Ela começou decidida no intervalo da escola.

Eu e a Hilda conversávamos muito durante o intervalo enquanto o Milo e os outros caras ficavam jogando o vôlei, sempre treinavam para o campeonato deles.

— E se ele for um maluco com uma arma? E se ele me sequestrar para trabalhar numa rede de prostituição internacional? — Perguntei tenso, realmente, eu estava nervoso. O encontro era dali a dois dias.

— Camus, ele te enviou uma foto dele, não foi? — A Hilda me perguntou e eu confirmei com a cabeça. — Então você só se aproxima se for o rapaz da foto, se for um velho maluco a gente grita e sai correndo.

— Tá. — Confirmei, — Mas você sabe que vamos ao shopping do outro bairro, não é? “O The Mall Athens”, pois o “River West Shopping Center” é o que eu costumo ir com o Milo e os meninos. — Acrescentei quando vi a Hilda erguendo a sobrancelha pra mim. — Não quero correr o risco de encontrar com nenhum deles, é isso! — Menti, na realidade é onde eu e o Milo combinamos de ver Transformers há algum tempo, realmente não queria ver este filme sem o Milo, principalmente no cinema que havíamos combinado de ir.

— Tá tudo bem, você já falou com ele? — Ela perguntou novamente.

— Já, Hilda, já acertei tudo, vamos mudar de assunto? — Pedi, pois aquela conversa estava me tirando do sério.

Ela me olhou por uns instantes e viu que eu olhava para a partida de vôlei que acontecia na quadra, na realidade meus olhos estavam grudados num certo loiro cabeludo que havia acabado de fazer um bloqueio incrível e sorriu pra mim. — Você sabe que não vai rolar, não é? — Ela me perguntou.

Desviei os olhos do jogo do Milo e não respondi nada.

Foi a vez de o Sieg fazer um ponto de ataque. — Algum avanço com o seu pretendente secreto? — A Hilda ainda achava que eu não sabia quem era o “alvo secreto” dela, mas era só juntar os pontos, esse interesse da Hilda em mim começou quando o Sieg foi transferido para minha classe, e obviamente ela tinha interesse em alguém de lá, só poderia ser ele. Isso sem contar a forma que ela olhava pra ele, só faltava babar. — Se continuar secando o Sieg assim é capaz dele cair daqui a pouco.

Não que eu fosse mágico ou algo assim, mas a questão é que o Sieg tropeçou nas próprias pernas e se estatelou no chão logo após eu falar.

Eu e a Hilda tentamos abafar o riso. — Estou confiante, Camus, ontem ele me acompanhou até em casa, falei que estava com medo de ir sozinha. — Ela completou dando risadinhas.

— Então, acho melhor a gente terminar nosso “namoro”, assim o caminho fica livre, o que acha? — Perguntei, não era bom que ela iniciasse um relacionamento estando se “relacionando” com outra pessoa, não é?

— Tem razão, Camus, amanhã pensamos em alguma coisa, mas de qualquer forma não podemos terminar antes do final de semana, não é mesmo? — Ela rebateu, e concordei, definitivamente precisava dela no final de semana.

Logo o sinal bateu, e nós fomos para a sala de aula.

*-*-*-*-*-*-*-*-*

Na tarde daquele mesmo dia o Milo foi até minha casa, e eu estava ajudando o Hyoga com o dever dele.

— E aí, Camus? — O Milo me cumprimentou com a mão e fez o mesmo gesto com o Hyoga.— Vai fazer o que de bom hoje?

— Nada, tenho que levar o Hyoga na casa do amigo dele, mas depois... sei lá, não tinha nada em mente, quer ir comigo? — Perguntei ajudando meu irmão a guardar as coisas dele.

— Tá, vou com você então, não estou fazendo nada mesmo. — O Milo falou e logo saímos para levar o Hyoga, a casa do Shun, ficava a uns cinco quarteirões lá de casa, não que o Hyoga não pudesse ir sozinho, mas eu confesso que estava me tornando superprotetor do meu irmão depois que perdemos o Isaak, simplesmente não conseguia deixar o Hyoga se virar sozinho.

Fomos o caminho todo conversando bobagens com o Milo contando histórias de como a Sra. Cassandra ficou brava quando a Sonia pegou a maquiagem dela, junto com uma amiga, fizeram uma sujeira danada além de quebrarem alguns itens. O Milo contou, exagerado, que a Sonia estava de castigo até os vinte anos. Eu e o Hyoga ríamos muito da história dele, pois o Milo estava dizendo que a Sonia estava pintada igual ao Ronald do McDonald’s, e assim mesmo ela ficava dizendo para a Sra. Cassandra que não sabia de maquiagem alguma.

Após termos deixado o Hyoga na casa do Shun, eu e o Milo voltamos pela rua de cima, que era paralela a nossa, ainda conversávamos e ríamos de algumas bobagens que o Milo me contava, como quando ele e o pessoal do time de vôlei esconderam o short do Argol durante o treinamento e o “mala” do Argol teve que voltar para a rua só de cuecas, essa parte foi a melhor! Eu ria muito do Milo. — ...Eu ainda falei pro Aioria que deveríamos ter colocado uma cueca furada, isso sim! Seria mais engraçado.

Eu estava quase sem fôlego de tanto que ria com aquela história do Milo, quando percebi que meu amigo havia ficado quieto, olhei pra ele sem entender e o vi com olhar fixo em algo, logo segui seu olhar e me deparei com minha amiga Hilda atracada aos beijos com o Siegfried.

Eu estava dando um meio sorriso quando ouvi Milo xingando então me lembrei de que na cabeça dele ela era “minha namorada” e com certeza havia sido pega em delito flagrante, uma vez que estávamos conversando normalmente no colégio.

— Sabia que você não valia nada! — O Milo falou entre dentes, acho que ele estava absorvendo aquela traição como se fosse com ele.

— Milo, espera! — Falei rápido, não queria escândalos, se possível gostaria de sair dali sem que o casal me notasse, mas como dizia meu pai quando não me deixava fazer alguma coisa que eu queria “querer não é poder” logo a Hilda e o Sieg separaram o beijo constrangidos, ela me olhou sem graça. Queria dizer que tudo bem, mas como fazer isso naquela situação? Só queria tirar o Milo dali sem fazer muitos estragos. — Milo, vamos embora!

— Como ir embora, Camus? Eles estão te traindo! Siegfried, francamente, eu te achava um sujeito legal, te respeitava, cara! — O Milo falou possesso.

— Milo, Camus, não foi intencional... nós estávamos aqui conversando e de repente... — O Siegfried tentava explicar.

— De repente você escorregou e caiu grudado na boca dela? Oh, foi isso? — Perguntou o Milo sarcástico.

— Milo, deixa isso pra lá, a Hilda pode fazer o que quiser da vida dela. — Eu me intrometi.

— Não, ela não pode, Camus, vocês estão juntos! Ela devia te respeitar! — O teimoso continuou nervoso.

— Não estamos juntos, Milo! — Quase gritei, enfim poderia me livrar daquela mentira.

Os três me olharam confusos, fiz sinal pra Hilda vir ao meu auxílio para tentar se defender. — Hã... Sim, verdade terminamos hoje. — Ela falou e eu a olhei confuso, minha intenção era contar a verdade, mas percebi que a Hilda não faria isso.

— Terminaram? — O Milo e o Siegfried perguntaram juntos.

— Er... Hoje! — A Hilda respondeu e o Milo me olhou bravo.

— Por que não me contou?

Sai puxando o Milo, mas a Hilda provocou. — Provavelmente ele não conseguiu, já que sua língua é maior que a sua boca!

— Mas é muito... Sua... — O Milo esbravejou, e eu saí o rebocando, ele já estava vermelho de raiva. Olhei pra ela reprovando aquele último comentário.

ooOoo

— Camus, eu não tive culpa, simplesmente aconteceu! — A Hilda me falava a noite por telefone. — Ele foi lá em casa, e a gente começou a conversar e... Ahh! Camus, aconteceu.

— Hilda, não estou bravo por você ter ficado com o Sieg, acredite! Mas, poxa... como faremos agora? — Perguntei não por estar bravo, mas estava nervoso, ou melhor, ansioso com o que faríamos agora. Expliquei meus motivos. — Como faremos, acho melhor cancelar tudo com o Surtr.

— Claro que não vai cancelar nada, não houve motivos pra isso! — Ela me respondeu rápido.

— Como não houve motivos? Como vou justificar um cinema com você depois disso? — Eu perguntei exasperado.

— Indo Camus, só o seu pai acha que vamos juntos, não precisa sair anunciando que vamos ao cinema, simplesmente vamos. — Tornou ela firme me desconcertando.

— Mas...

— Sem, “mas”, Camus, nós vamos manter o plano, ok?

Suspirei cansado e concordei, ela tinha razão não havia motivos para preocupações.

ooOoo

Finalmente chegou o dia do cinema, eu e a Hilda fomos de carona com meu pai que estava tendo algumas coisas para resolver no consulado, ele nos deixou na porta do shopping e saiu, coisa que ele não costumava fazer, em geral ele daria uma volta no shopping para ver se o ambiente estava bom, ainda era cedo, acho que eram dezesseis horas.

Assim que o meu pai saiu, Hilda me olhou e disse: — Vá na frente, Camus! Fico te olhando de longe, e quando estiver tudo OK, vou embora e te deixo à vontade, certo?

Confirmei com a cabeça, ela tinha um encontro com o Sieg naquele dia.

Fui andando tenso até a praça de alimentação, vi o garoto de cabelos ruivos sentado de costas pra mim, suspirei nervoso antes de me aproximar e o cumprimentar. — Oi.

“Chega, né, Camus?”

“Oi? Como assim, Milo, eu ainda...”

“Você ainda nada, não quero saber os detalhes do seu encontro com aquele cara estranho”.

“Ah não, Milo, achei que você já havia superado isso! Pelos Deuses, até quando você vai ficar nessa implicância com o pobre?”

“Não se trata de implicância, você poderia ter entrado numa fria, me dá raiva só de lembrar disso, mas posso contar minha versão dos fatos?”

“Tá bom, Milo, se é tão importante pra você, venha conte, vou pedir algo pra comer, quer pizza?”

“Camus, você só vai pedir pizza pra me acalmar, não é?”

“EUUUUUU?? Por que eu faria isso?”

“Hunf... Sei, Porque você sabe que me irrito com essa história”.

“Então não conte, para que se irritar à toa? Deixe-me prosseguir, Milo”.

“Não, Camus, você contou sobre a festa da June, e eu conto sobre esse seu cinema com a Hilda!”

“Então vou pedir a pizza”.

“Hunf, ele pensa que pode me comprar com uma pizza, onde já se viu?”

“Hã...deixe-me ver, ah sim, na véspera desse fatídico final de semana, eu estava no meu quarto...”

... Quando a Shina chegou querendo conversar.

— Milo, não sei o que está acontecendo, mas sei que está acontecendo alguma coisa, a gente precisa conversar sobre isso. — Começou ela com essa mania que as mulheres tem em discutir a relação, tá tudo bem, sei que não é uma mania única das mulheres, eu mesmo vivo fazendo isso, mas poxa, eu não sabia o que estava acontecendo, como ia explicar isso pra Shina?

— Shina, não tá acontecendo nada, eu só... Sei lá. — Falei em fim sem saber como me expressar, e principalmente sem saber como lidar com as coisas estranhas que eu tava sentindo.

— Você quer terminar? — Ela me perguntou com os olhos cheios de lágrimas.

Poxa, mulher chorando é meu ponto fraco, não tive coragem de terminar, mesmo porque nem eu sabia o que queria de fato. — Não sei, Shina, não sei! — Falei dramático me jogando na cama e colocando o travesseiro na minha cara.

Ela ficou em silêncio por um tempo até que falou. — Não quero terminar, Milo, acho que é só uma fase ruim, vamos tentar, ok?

O que eu poderia dizer? Tá, sei que eu poderia dizer para ela que não dava, que eu estava confuso pensando coisas, imaginando coisas e pior desejando coisas! Mas não consegui, então simplesmente respondi: — Tá, vamos tentar.

Ela sorriu e se jogou nos meus braços me beijando, minha mãe entrou no quarto bem nessa hora e começou a passar um sermão na gente, como se eu fosse transar com a Shina bem no meu quarto com a galera toda lá em baixo, minha mãe tem cada ideia!

Nós sentamos na varanda da minha casa e Shina sugeriu. — Que tal irmos ao cinema amanhã?

Eu queria assistir Transformers, mas queria ir com o Camus, não achava certo ir com a Shina, mesmo o cabeça de tomate me dando aquela resposta malcriada, era com ele que eu queria ir. — Tudo bem, mas você escolhe o filme. — Teoricamente se a Shina escolhesse Transformers eu não teria escolha, e poderia colocar a culpa nela.

— Ok! Eu escolho o filme! — Ela falou toda alegre.

ooOoo

Sei que tinha combinado de ir ao cinema com a Shina, mas ainda assim liguei para o Camus à noite, se ele dissesse que iria comigo assistir Transformers, então eu cancelaria o programa com ela.

— Oi, Camus, e aí?

— Oi, Milo.

— Hã... Camus, você não quer reconsiderar e ir ao cinema comigo amanhã pra gente assistir Transformers? — Perguntei ansioso, não sei porque, mas meu coração estava disparado e eu sentia um frio na barriga, o Camus ficou mudo por alguns instantes e tive que perguntar — Camus, você tá ai?

— Tô, Milo... É que...Eu não... — O Camus estava gago só pode, ele sempre foi firme às palavras, — Eu tenho um compromisso amanhã.

— Compromisso? Com quem? Vai fazer o quê? — Perguntei sentindo uma raiva que não saberia explicar, e pra variar ele continuava mudo igual a uma porta!!! — Camus?

— Milo, eu... eu vou estudar, é pra um projeto do Clube de Ciências. — O Camus me respondeu com a voz trêmula. Ele e aquele Clube de Ciências idiota.

— Tá bom, Camus, vou arranjar outra pessoa pra ir comigo. — Falei bravo desligando o telefone na cara dele, irritado.

ooOoo

— Ué, Shina, achei que iríamos no River West Shopping Center. — Questionei quando pegamos o ônibus diferente do usual.

— Não, lá não está passando o filme que eu quero ver. — Ela me respondeu eufórica, já estava imaginando que deveria ser um filme bem chato, daqueles filmes cabeça que o Camus gosta. “Caramba, Milo dá para parar de pensar no Camus?” — pensei irritado.

Chegamos ao cinema e compramos a pipoca, já estava quase na hora do filme quando chegamos, vi o cartaz “ZODÍACO” era um filme policial baseado em fatos reais sobre um Serial Killer, ao menos o filme tinha o Robert Downey Jr. Nós estávamos no começo da fila, nos adiantamos por causa do ônibus, eu não quis que meu pai me levasse, era muito patético ir ao shopping com a namorada de carona com o pai, então saímos bem mais cedo de casa.

— Ei, Milo aquele lá na atrás não é o Camus? — A Shina falou apontando para um local no final da fila, me virei para onde ela estava apontando e vi o Camus conversando com um garoto, um cara que eu nunca tinha visto, a Shina fez menção de chamar o Camus, mas eu a impedi, alguma coisa me dizia que deveria observar meu amigo, afinal ele havia mentido pra mim dizendo que ia estudar no Clube de Ciência, mas por que razão ele mentiu?

Não gostei daquele cara, ele era ruivo como o Camus, talvez fosse algum primo ou algo do tipo.

Eu me escondi e tentei esconder a Shina enquanto estávamos na fila, ela não percebeu nada, achou que eu estava sendo romântico quando a abraçava.

Quando finalmente nós entramos na sala do cinema quis ficar bem atrás assim poderia ver todos os lugares.

— Credo, Milo por que aqui em cima, vamos ficar ali no meio? — A Shina pediu, mas eu não quis.

— Shina, você escolheu o filme e eu escolho o lugar, OK?

— Você está estranho, Milo. — Ela observou e nada respondi, só queria ver a hora em que o Camus e o carinha ruivo entrariam, não tardou e os dois rapazes de cabelos vermelhos entraram, já não haviam muitos lugares disponíveis, então eles sentaram na segunda fileira próximo à parede, meus olhos estavam sempre fixo neles.

Em seguida a luz se apagou, começaram os trailers, e logo o filme começou, confesso que não prestei atenção no filme, não me lembro de uma cena sequer, só tinha olhos para o Camus e o “amiguinho” dele.

É impressão minha ou aquele cara tá pegando na mão do Camus? Eu estava me controlando para não ir até lá dar uma surra naquela cara abusado.

A Shina estava quieta, eu percebia os olhares dela pra mim, e pra onde estava o Camus com o idiota ruivo.

Eu não sabia quem aquele cara era, mas não gostei dele, todo cheio de sorriso pro sonso do Camus.

Teve uma hora em que a cena estava escura e atrapalhou minha visão daqueles dois, por um instante achei que o ruivo nojento tava beijando o meu ruivo... digo, o Camus... mas claro que foi uma ilusão de ótica, ele teve ter falado algo no ouvido do Camus isso sim, e algo bem sem graça a julgar pelo jeito encolhido do Camus.

Quando o filme, chato pra cacete por sinal, acabou eu fui atrás daqueles dois, e a Shina veio atrás de mim.

— Oi, Camus, estudando muito no Clube de Ciências? — Perguntei já nas costas deles.

Olha, o Camus sempre foi branco, mas naquela hora ele se superou achei que ele fosse desmaiar. Fiquei olhando bem fixo pra cara daquele mentiroso.

— Milo... — Ele falou meu nome num sussurro quase inaudível.

O carinha que estava com ele ficou olhando para o Camus e pra mim no momento em que a Shina chegava ao meu lado.

— Olá, eu sou o Surt. — O cara se apresentou cumprimentando primeiro a Shina, com um beijo no rosto e a mim com um aperto de mão.

Apertei aquela mão seca bem forte olhando em seus olhos, e o filho da puta manteve os olhos firmes me encarando de volta.

— Se a gente soubesse que você vinha pra cá poderíamos ter vindo juntos, Camus. — A Shina falou simpática e aproveitei a deixa.

— Pois é, Camus, por que mentiu? Por que disse que ia estudar? Quem é esse aí? — Fui direto como é meu costume, curto e grosso! Confesso que fui mais grosso que curto.

— Milo, a gente conversa depois, por favor. — O Camus pediu tímido, afastando o tal Surto Surtado, ou que porra que seja o nome dele.

— Quem é ele, Camus? — Tornei a perguntar.

A Shina estava em silêncio, como se ela tivesse percebido algo que eu não.

— Ele é um amigo, Milo. — O Camus falou olhando pra Shina, vi que o Camus estava vermelho e sem graça.

— Tudo bem Milo, vamos deixar eles conversando. — A Shina me pediu, mas eu não ia sair e deixar meu amigo ali com aquele estranho.

— Certo, Camus, estamos voltando pra casa, vem. — Eu o chamei.

O Camus me olhou confuso assim como a Shina.

— Milo, eu... eu não vou com vocês, eu vim com o Surt. — Camus respondeu sem jeito.

— De onde é esse seu amigo que ninguém conhece? — Interroguei, aposto que o Sr. Crystal não sabia disso, eu tinha que zelar pelo meu amigo cabeça de vento.

— É um amigo Milo, é meu amigo, eu também tenho direito a ter amigos sabia? — O Camus falou me desafiando.

— Um amigo que ninguém sabe quem é e nem de onde é? — Tornei encarando o Camus.

— Milo, vá embora, depois passo na sua casa e a gente conversa, ok? — O Camus pediu e saiu puxando o ruivo esquisito.

— Você prefere ele ou eu? — Perguntei magoado, o Camus me olhou, mas a Shina me Interrompeu.

— Chega, Milo, vamos embora! — Olhei para o Camus ele já havia se afastado com o aquele nojento.

ooOoo

Vim o caminho todo xingando, quem era aquele cara? Por que o Camus mentiu? Por que o Camus não quis vir com a gente? Imagina se o pai dele souber que ele veio tão longe com um estranho? O que o Camus tem na cabeça? Camus, Camus, Camus era só nele que eu falava!

Quando deixei a Shina em casa ela me encarou antes de eu sair. — Milo, acho melhor darmos um tempo, acho que você precisa saber o que quer de fato.

— Quê? Que história é essa agora? Olha, Shina, hoje não, OK? Hoje não estou nos meus melhores dias. — Respondi nervoso.

— Reflita, Milo, apenas reflita. — Ela me disse antes de entrar em casa, aquela definitivamente não era minha noite!

Fui pra casa ainda muito bravo com o Camus, poxa, ele tinha mentido pra mim, mas por quê? Eu não conseguia pensar num motivo sequer para essa atitude dele.

Quando cheguei em casa, pra minha total surpresa o cabeça de tomate estava sentado me esperando na porta.

Parei e fiquei olhando pra ele, eu estava muito bravo, odeio mentiras!

Quando ele me viu chegando, se levantou, veio até mim e falou. — Milo, a gente precisa conversar.

— Não tenho nada pra falar com você, Camus, vai lá ficar com seu amiguinho. — Respondi com desdém.

— Mas eu tenho algo pra falar pra você, e é muito sério. — Ele estava nervoso, percebi por sua voz trêmula. — Por favor, Milo, preciso falar antes que eu desista.

Acho que o nervosismo dele foi o que me fez ceder, mas a explicação dele tinha que ser bem convincente pra eu poder pensar em perdoar aquele traíra.

— Tá bom, Camus, fala.

— Vamos até a praça, ou pro seu quarto. — Ele pediu, não queira ir pra casa, vai que estão acordados, ou a Sônia fica querendo vir atrás de nós, segui andando a caminho da praça e o Camus me seguiu.

Eu estava curioso pra saber o que levou o Camus a fazer uma merda dessas de mentir pra mim.

Chegamos lá fiquei encostado numa árvore e o Camus ficou na minha frente.

— Então, Camus? — Falei, o cabeça de tomate veio em silêncio o caminho todo, ele não queria conversar? Que falasse então!

— Milo, eu não quis mentir pra você. — Ele começou constrangido.

— Mas mentiu, Camus, por quê? — Fui logo cortando, não queria desculpa esfarrapada, queria saber a verdade!

O Camus abaixou a cabeça. — Eu sou diferente, Milo.

Que papo era esse? Não estava entendendo nada. — Que diferente, Camus, todo mundo mente, até você, não é mesmo?

— Milo, mentira era o que eu estava vivendo até agora, mas não quero mais, e preciso te falar, eu vou entender se você não quiser mais ser meu amigo, vou entender se você não quiser mais falar comigo, juro que vou entender. — Camus começou com a voz trêmula, o rosto pálido, eu podia jurar que ele tava quase passando mal.

— O que é de tão sério, Camus, fala de uma vez! — Pedi começando a ficar preocupado de verdade.

O Camus olhou nos olhos e disparou à queima roupa. — Eu sou gay, Milo.

Demorei um pouco pra entender e assimilar as palavras dele. — O... quê?

— É isso que você ouviu, Milo, eu sou gay, eu não queria, tentei ser normal, mas não consegui. — Camus continuou me olhando, acho que estudando minhas reações.

Minha cabeça começou a doer com aquela informação. — Por que nunca me contou?

— Tive medo, Milo, medo de perder sua amizade. — Camus tentou justificar.

— Você não confiou em mim! Duvidou do meu caráter! — Respondi irritado, mas algo estava tirando meu sossego. — Aquele cara, ele te beijou no cinema, não foi? Ele é seu namorado ou algo assim?

O Camus ficou vermelho, muito vermelho, eu não tinha certeza do beijo, mas ele confirmou minha suspeita com essa reação. Ah! Cara... eu tava muito puto!

— Ele é só um amigo que conheci na internet, mas sim, ele pode vir a ser um namorado, sim. — O sonso do Camus confirmou com a maior cara lavada.

Olhei pra ele sem acreditar, eu realmente estava muito magoado, eu queria gritar, socar aquele ruivo maldito do cinema, mas só olhei pro Camus negando com a cabeça e sai de perto dele sem falar nada. Eu precisava de espaço, precisava respirar.

— Milo! — Ouvi a voz dele embargada chamado meu nome, acho que ele estava chorando, mas o que ele não sabia é que eu também estava chorando.

Fui pra minha casa, não falei com ninguém me tranquei no meu quarto, chorando, me sentia traído.

— Milo, o que houve? — Minha mãe bateu na porta e eu não queria abrir, precisava de privacidade.

— Nada! — Respondi da minha cama.

— Milo, abra a porta. — Minha mãe mandou e não tive muita escolha.

— Por que está chorando? Você não foi ao cinema? — Ela me questionou preocupada sentando na minha cama.

— O filme foi muito triste, só isso. — Respondi ainda com lágrimas nos olhos colocando minha cabeça no colo dela que ficou acariciando meus cabelos.

— E o que teve de tão triste assim neste filme? — Minha mãe perguntou acariciando meus cabelos.

— O cara descobriu tarde demais que estava apaixonado por uma pessoa, então essa pessoa já tinha outro. — Expliquei chorando.

— Entendo. — Minha mãe falou ainda acariciando meus cabelos. — E aí ele fez o quê?

Eu olhei pra ela confuso. — O quê? O quê?

— Oras, Milo ele não foi lá se declarar? Ele não foi lutar pelo amor da mocinha? — OK, eu preferi ignorar essa parte do "mocinha", afinal não dava pra entrar em detalhes com a minha mãe naquela hora. — Ele não fez nada disso?

— Não, mãe, ele ficou no canto chorando como um idiota. — Respondi entre aqueles soluços de quando a gente tá chorando.

— Ah! Milo então esse filme ainda não acabou, sem uma declaração, sem um eu te amo e me dê uma chance, com certeza vai ter continuação.

— Você acha? Acha que o cara devia ir se declarar? — Perguntei incerto.

— Com certeza, como a mocinha vai se decidir com quem ela vai ficar, se ela não sabe que o cara gosta dela? — Tá, mais uma vez por motivos óbvios eu não levei em conta o que minha mãe dizia sobre "mocinha", não podia dizer que era um romance gay, não é? Mas uma coisa ela tinha razão, se o Camus quiser ficar com aquele estranho, tudo bem, mas antes ele vai ficar sabendo que eu gosto dele.

Sorri pra minha mãe e fui lavar meu rosto olhei no relógio ainda era nove e meia da noite, sei que o Sr. Crystal não gosta de visitas a essa hora, mas eu tinha uma desculpa. — Mãe, vou ali e já volto.

Sai de casa correndo deixando minha mãe sorrindo no meu quarto, abria a porta respirei fundo e fui até a casa do Camus.

Toquei a campainha e o Sr. Crystal atendeu, ele estava de saída ao que eu percebi por sua roupa arrumada. — Sr. Crystal boa noite, desculpe o adiantado dá hora, mas o Camus pegou meu livro de geografia e tô precisando dele pra estudar. — Falei na maior cara de pau do mundo com minha cara de anjo.

— Camus tá no quarto dele pode ir lá, o Hyoga já dormiu então silêncio, e não preciso dizer que não quero vocês acordados até tarde, não é? Principalmente hoje que tenho que ir ao consulado.

— Não se preocupe senhor, vou ser rápido. — Falei com minha carinha de anjo.

Ele me deu passagem e saiu com o carro, eu engoli seco e subi as escadas até o quarto do Camus, abri a porta e ele estava lá na escrivaninha estudando, ou lendo, meu Camus, meu amor.

— Camus! — Chamei baixo.

O Camus sobressaltou sobre seu caderno e me olhou surpreso por alguns segundos, logo depois seu olhar ficou triste. Eu havia deixado ele chorando no meio da praça.

Ficamos assim nos encarando até que eu falei. — Camus, eu te amo, sou apaixonado por você, e se você for namorar um homem, você vai namorar comigo!

Falei deixando as lágrimas caírem e olhando em seus olhos, o Camus por um tempo ficou me olhando como se esperasse que eu desmentisse minhas próprias palavras, então ele se levantou veio até mim, se jogou em meus braços e me beijou.

Eu correspondi ao beijo com entusiasmo, o abraçando forte sentindo seu cheiro, ao qual eu era viciado desde sempre.

Notas finais
Ahhhhhhh Que fofura, não é? Mas E Agora? Eles vão assumir esse namoro? Como os amigos vão reagir? Será que os pais deles vão permitir esse namoro sendo os dois adolescentes? E eu achando que a fic tava no fim =P Segue a sinopse do filme Zodiaco para quem quiser assistir eu recomendo ===> *ZODIACO — 2007 Filme baseado numa investigação real sobre um serial killer que agiu em São Francisco (EUA) durante o final da década de 1960, deixando mensagens enigmáticas para os policiais que investigam sua identidade obsessivamente. Este suspense é interpretado por um grande elenco: Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), um tímido cartunista editorial que descobre a intenção oculta do assassino; David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony edwards), os detetives do caso; e Paul Avery (Robert Downey Jr.), o repórter que também trabalha no caso. Pessoal quem quiser entrar no grupo do face que eu criei para poder interagir com as pessoas, trocar ideias e curiosidades o link é esse ====> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/ Comentários são sempre bem vindos, não se acanhe, comente, comente, comente!!! Fantasminha você também, seu comentário é sempre bem vindo!!!