E Agora?

16 Capitulo 16 - Revelações


Notas iniciais
Olá pessoal!! Atualização de Carnaval XD o/ Gostaria de dizer que estou fazendo todo possível para poder atualizar as fics sem muita demora, mas como sabem estou escrevendo 4 fics ao mesmo tempo, fora os problemas da vida real que complicam mais que qualquer outra coisa. Mas estamos ai na luta! Quero agradecer a todos que deixam um comentário, vocês fazem tudo valer a pena, muito obrigado mesmo! Quero avisar que neste capitulo começamos a ter uma quantidade maior de palavrões, afinal estamos falando de garotos adolescentes e já viu sempre sai um palavrãozinho aqui outro ali. Então não se choquem. XD Quero agradecer a Vivi que betou o capitulo que está enorme em tempo recorde! Obrigado moça. Capa 聖闘士星矢ログ 7 Pixiv ID: 56676330 Member: 檻音

E Agora? — Capítulo 16

“Camus, me deixa contar um pouco da história?”

“Ah, Milo, é tão divertido contar as coisas e também estávamos falando sobre o dia da apresentação do Hyoga”

“Eu sei, Camus, eu estava lá, lembra?”

“Lembro, Milo, tudo bem, pode vir, mas vou ficar aqui do seu lado, pode ser?”

“Claro que pode, você inclusive poderia aproveitar que vai estar com as mãos livres para fazer um negócio. Que tal?”

“Que negócio? Que sorriso malicioso é esse nos seus lábios?”

“Aqui, me de sua mão, agora segure aqui. Hummm que delícia!”

“Milo, você está sugerindo que eu fique segurando o SEU... enquanto você escreve?”

“O que que tem, Camus? Você vai esquentar sua mão e me deixar contente."

"Milo, você é inacreditável."

"Eu sei e você me ama desse jeito que eu sou, e não diga que não tenho razão."

"Eu não vou ficar segurando seu... Milo"

"Meu o quê?"

"Milo"

"Meu o quê? Dê nome a ele, pinto, piroca, jeba, pau, cacete..."

"Milo, eu não vou ficar segurando seu pênis enquanto você escreve!"

"Poxa, Camus, como você é mau!"

"Hunf! Francamente!"

"Tá, então vamos à história".

O Crystal havia ido à apresentação do Hyoga e foi aquele chororô, ele chorando de um lado e os irmãos de outro, a mamãe também, e eu e o Kárdia lá olhando um pra cara do outro sem saber como agir.

"Porque são dois insensíveis".

"Olha só quem fala?"

"Hunf"

"Vai deixar eu contar a história ou não?"

"Ué, você não está aí contando?"

"Mas você está aí me interrompendo."

"Não vou falar mais nada".

"Só quero ver, você fica me interrompendo, querendo contar sua versão de tudo e..."

"Milo! Reclame menos e conte a história, sim?"

Hunf! Como eu estava dizendo antes de ser interrompido, eu e o Kárdia ficamos sem saber o que fazer, não éramos bons nessas coisas.

Nós estávamos bem próximos, na noite anterior eu havia o chamado para conversar e contei a ele que me descobri gay e estava apaixonado pelo Camus, o Kárdia me explicou que eu deveria ser Bi, ou seja, que sente atração por homens e mulheres. Eu realmente não sabia qual era o nome, só sabia que eu amava o Camus e não tinha a menor pretensão de me envolver com outra pessoa novamente, nem homem, nem mulher.

Enfim o Kárdia ficou de me ajudar a contar pros nossos pais, e eu faria isso assim que o Camus me autorizasse.

De vez em quando olhávamos para o Crystal, que conversava com o professor do Hyoga e com alguns outros homens, ninguém teve coragem de se aproximar para saber do que eles tanto falavam, mas estávamos todos loucos de curiosidade, eu pelo menos estava.

Olhei para o Camus, que estava tenso olhando para o pai com as mãos apoiadas nos ombros do irmão menor. — Ei! Que tal irmos lá fora? A gente podia ir tomar um sorvete ou qualquer coisa. — Sugeri.

— Ótima ideia, Milo. — Degel concordou e fazendo com que os irmãos saíssem do lugar.

Nossos pais foram juntos, parecia a excursão da família Dó Ré Mi.

— Hyoga, você dançou muito bem! Tenho certeza que minha amiga estava te vendo de onde quer que ela esteja. — Minha mãe comentou e abraçou o pirralho já chorando, mães são patéticas!

Não gostei muito de ter ido todo mundo tomar sorvete, eu queria privacidade com meu namorado, e pelo jeito não teríamos isso nesta noite.

— Camus, preciso ir ao banheiro, vamos comigo? — Pedi a ele, ninguém poderia desconfiar das minhas intenções, poderia?

Vi meu irmão revirando os olhos para cima. — Milo, em geral são as garotas que vão ao banheiro juntas, sabia?

Estreitei os olhos para ele, Kárdia não era nada discreto.

— Acontece que não sei onde fica o banheiro, ô sabidão. — Respondi entredentes.

— Kárdia, não implique com seu irmão. — Ouvi minha mãe ralhando com ele enquanto beijava e abraçava o Hyoga sendo observada pela ciumenta da Sônia, que não estava gostando nada de ver a mãe dela abraçando outra criança.

Olhei para meu irmão com ar de vitória, e falei: — Vamos, Camus, estou apertado. — Sai puxando o lerdo do Camus antes que alguém falasse que também precisava usar o banheiro.

Assim que chegamos eu o encostei contra a porta e beijei aquele boca apetitosa que o Camus tinha.

— Milo! — Camus tentou resmungar antes que eu o beijasse novamente.

— Camus, hoje a gente nem conseguiu ficar junto, não sabe como é difícil ficar perto de você sem beijar essa sua boca. — Declarei apaixonado.

— Também sinto falta dos seus toques e beijos, Milo, mas fazer isso no banheiro não é nada romântico. —Camus falou rindo.

Ficamos nos beijando por mais algum tempo antes de escutar a voz do Hyoga nos corredores chamando pelo irmão.

— Camus, que demora! O papai já saiu e estão todos esperando vocês pra gente ir embora. — O pirralho falou quando entrou no recinto.

— Já estamos indo, só nos distraímos conversando. — Camus respondeu de forma blasé indo lavar as mãos. — Hyoga, você se saiu muito bem essa noite, sua apresentação estava perfeita. Parabéns.

Camus falou meloso para o irmão.

— É cara, você mandou muito bem hoje. — Concordei com Camus parabenizando meu futuro cunhado.

Voltamos correndo já estavam todos nos carros, meus pais, Kárdia e Sônia em um, e Crystal e Degel no outro.

Eu e o Camus nos olhamos e cada um seguiu com sua família para o carro.

— Ei, Crystal vamos àquela pizzaria lá do centro, me siga. — Ouvi meu pai dizendo, sorri internamente, eu teria mais um tempo com o Camus.

(Você está patético) — Kárdia me enviou por mensagem de texto, eu olhei para ele de forma blasé e o ignorei.

(Tem que disfarçar daqui a pouco todo mundo vai sacar tudo!) — Ele enviou novamente.

(Tá vou tentar) — Respondi e olhei pra ele mal-humorado.

Na pizzaria ocorreu tudo tranquilo, nossos pais conversavam sobre política, eu o Camus, Degel e Kárdia falávamos sobre games, a Sônia também dava seu palpite, minha pequena irmã era fera nos jogos.

*-*-*-*-*

Eu estava em casa, mais precisamente no meu quarto, estirado na minha cama, ainda com as roupas que cheguei da rua, quando meu irmão bateu na porta e já foi entrando.

— Que foi, Kárdia?

— Nada. — Ele começou. — Só quero conversar com você, maninho.

— Kárdia, por favor! Não vai ficar me zoando, não é? Não faça eu me arrepender de ter confiado em você! — Pedi cansado.

— Relaxa, maninho não tenho motivos para zoar você, se apaixonar pelo melhor amigo não é engraçado, ser gay não é engraçado. — Meu irmão me respondeu.

Eu nada falei, o vi sentar nas almofadas do meu quarto e fiquei olhando para ele esperando saber o motivo de sua visita.

— Milo, você tem noção das coisas que vai enfrentar com essa escolha, não tem?

— Como assim?

— Você vai sofrer preconceitos, Milo, muito dos seus amigos irão mudar com você, irão esfriar ou mesmo terminar a amizade. — Kárdia estava me explicando sobre as coisas que eu passaria. — Sempre vai haver conversinhas as suas costas, sempre vai ter alguém apontando para você onde quer que você vá, você vai ficar com a dúvida constante se estavam falando sobre sua vida amorosa ou se estão falando sobre o tempo realmente, mas não vai poder sair brigando com todo mundo.

Sentei na cama prestando atenção nas coisas que meu irmão me dizia.

— Milo, é preciso ser muito homem, ser muito corajoso para se assumir gay, para sair do armário, para viver isso em sua plenitude. — Concluiu meu irmão.

— Não tenho medo, Kárdia, eu amo o Camus e para ficar com ele enfrento tudo. — Comecei a explicar meus sentimentos para o meu irmão. — Esses dias ouvi dois caras lá do time falando coisas homofóbicas, senti vontade de pular no pescoço deles, mas me segurei por causa do Camus. Ele não quer que ninguém saiba e só por isso não contei nada para ninguém, nem para mãe e nem para o pai.

Kárdia suspirou e me olhou estudando meu rosto.

— No caso do Camus eu sei que a coisa é bem complicada, mas não o force a falar nada, o Crystal é muito difícil. Eu me arrependo de ter forçado o Degel a contar para os pais dele. Eu achei que com ele seria da mesma forma que foi comigo, mas não foi. Deu no que deu. — Vi meu irmão ficar vermelho de raiva ao se lembrar daquela noite. — Quase surtei quando vi o Crystal agredindo o Degel, ainda hoje tenho raiva daquele boçal.

— É, o Crystal é um imbecil, ele bateu no Camus um tempo atrás, cara que raiva daquele boçal! — Comentei também irritado repetindo o xingamento do meu irmão.

— O Degel até hoje se culpa pela morte da mãe e do irmão. — O Kárdia me revelou.

— Mas que absurdo! Ele não tem nada a ver com isso! — Defendi meu cunhado.

— Eu sei, mas ele já estava se sentindo culpado, e depois daquela cena do Crystal do velório tudo piorou.

Lembrei-me daquele dia, das palavras duras do Crystal assim que Degel chegou ao velório.

— Que bosta! Coitado do Degel. — Comentei sincero.

— Pois é. — O Kárdia voltou a falar depois de um tempo. — Só vim aqui pra te pedir para ter cuidado, hoje achei que vocês estavam dando muita bandeira, sei lá.

— Mas nem encostei no Camus hoje! — Resmunguei na defensiva.

— Tudo bem, pode ser que seja só porque eu já tô sabendo de tudo, mas “Frank”, tome cuidado. — O Kárdia me aconselhou me chamando pelo apelido que ele me deu quando cai do telhado e fiquei com a cabeça rachada.

Após um longo bocejo Kárdia se despediu de mim e foi para o quarto dele me mandando tomar juízo.

*-*-*-*-*

Na semana seguinte, após o Argol ter certeza de que nenhuma das testemunhas da sua pulada fora do armário diria alguma coisa a seu respeito, que no caso éramos eu, Camus e o pobre do Shaka que entrou de gaiato nesta história, o enrustido voltou à escola.

Na escola o Argol ignorava a gente solenemente, não que eu ou o Camus sentíssemos falta do bosta do Argol nas nossas vidas, mas que ele deixou de ir às aulas nos dois dias seguintes a treta do laboratório, quando ele finalmente voltou evitava nos encontrar ou falar conosco, até no time de vôlei ele estava assim, não me peitou e nem procurou confusão comigo.

Estranhei aquela postura, mas o tonto do Camus achava que ele deveria estar com vergonha pelo acontecido, e por isso estava fugindo de nós, mas que ele já tinha aprendido a lição e nos deixaria em paz, não é um tonto esse meu namorado?

Certo dia o Argol estava no intervalo quando viu a Shina passando, não tenho a menor dúvida de que ele foi atrás dela, mas não dei muita importância para eles.

....

Eu estava treinando como um louco para o interestadual de vôlei, era uma porta para o profissional, já pensou eu disputando as olimpíadas?

No meu time estavam eu, o Aioria, Sieg, o Debas, Sirius e o Argol.

Sim, eu e o Argol éramos do mesmo time, fomos escolhidos para representar a escola, não posso negar que o filho da mãe joga bem, ele era um excelente líbero.

Na arquibancada assistindo ao treino tinham alguns alunos, e conversando no canto estavam Marin, Camus e a Hilda. Acho que o Camus estava ajudando elas em alguma matéria, pois eles olhavam o caderno e os livros e ele explicava algo, acho que era isso uma vez que as duas prestavam atenção, acho que me distrai olhando meu namorado.

Eu estava pateticamente apaixonado, pra falar a verdade ainda estou!

— Mas é viado mesmo, nem disfarça. — O Argol falou próximo a mim, olhei pra ele com a cara fechada e continuei jogando.

— É a minha boca que ele beija todos os dias, apenas aceite isso! — Respondi continuando a jogada, se o bastardo do Argol pensava que eu iria cair naquele tipo de provocação ele não me conhecia mesmo.

O tonto parou e ficou me olhando com aquela cara de quem chupou limão azedo que ele tinha.

Eu não deixaria ele ficar me encarando sem encarar ele de volta.

Algumas garotas não entendem porque fazemos isso, mas só posso dizer que faz parte da natureza masculina, todos os machos na natureza agem assim, o que posso fazer, não dá para ir contra isso.

Ficamos lá nos encarando até que o professor Shion veio relhar conosco. — Ei, vocês dois, o que está havendo?

— Nada. — Eu e o pulha do Argol respondemos ao mesmo tempo, mas ainda nos encarando.

— Se eu ver vocês dois brigando, aqui ou em qualquer outro lugar tiro os dois do time! — O Professor nos ameaçou.

— Você não pode me tirar do time! — Argol falou olhando feio para o professor. Mas era burro mesmo! O cara vai peitar o professor no momento em que ele está dando uma bronca na gente.

— Posso fazer a porra que eu quiser, garoto, pra começar posso mandar você ir esfriar essa sua cabeça. Vá para o chuveiro, hoje você está fora! — Ordenou Shion e eu olhei para o Argol com minha cara de vitória.

— Isso não é justo!

— Você quer mesmo sair do time Argol?

— Não professor, me desculpe. — Ele pediu tentando disfarçar a raiva.

— OK! Pro chuveiro!

Eu percebi a força que o Argol estava fazendo para não gritar comigo ou com o professor, eu tinha vontade de rir.

Quando o pulha se afastou o professor se virou para mim, claro que ele não iria me deixar ficar livre de bronca, não é?

— Milo, o mesmo vale para você, não quero brigas e desentendimentos entre os membros do time, fui claro?

— Como um dia de sol em Santorine, “fessor”. — Respondi dando a ele meu olhar mais angelical possível.

O Aioria e o Sieg olhavam para mim sem entender o que havia se passado ali, olhei para o Camus que também prestava atenção em nós ali na quadra, seu rosto estava tenso.

*-*-*-*-*-*

— Ele vai aprontar alguma coisa, Milo, sei que vai. —Camus disse no meio da tarde, estamos em minha casa onde havíamos dado o pretexto de que tínhamos que estudar para a prova de matemática.

Como eu estava treinando muito para o interestadual, realmente precisava de reforço nas aulas, é claro que aproveitamos para namorar um pouco já que tínhamos pouquíssimos momentos de privacidade.

— Relaxa, Camus... o Argol é um cuzão, ele não vai fazer nada, sem contar que ele também está com o rabo preso, sabemos quem ele é de fato. Um enrustido! — Respondi tranquilo atacando a boca do Camus.

— Não confio nele, e sei lá, não estou com um bom pressentimento sobre isso. — Meu namorado falou olhando nos meus olhos quando findamos o beijo.

— Camus, não vou deixar ele fazer nada contra você, e além do mais o Shion falou que ele estaria fora do time se saísse da linha. — Expliquei.

— Milo, o Argol é ardiloso, ele pode fazer você sair da linha e ficar de fora do time. — Camus me revelou suas preocupações.

— Tudo bem, Camus, eu vou tomar cuidado e não vou cair nas provocações dele, não sou tão burro assim. — Respondi, eu podia ser estourado, mas não era burro, sou passional, eu sei, mas também sei usar a cabeça principalmente na pirraça.

— Certo, não vamos cair na dele.

Sorri para o Camus roubando mais um beijo quando escutamos a campainha tocar, minha mãe estava no andar de baixo com a Sônia, então não me preocupei em ir ver quem era, continuamos nosso namoro quando alguém abriu a porta com tudo quase matando a mim e ao Camus do coração.

Após nos recuperarmos do sobressalto vimos a cara do Aioria totalmente desolado.

Eu e o Camus trocamos olhares confusos antes de irmos questionar o Aioria.

— O que houve?

— O que aconteceu com você? Por que essa cara? — Camus perguntou com real interesse.

Ele nada respondia apenas ficava repetindo. "Eu tô fudido!" Ou "Como sou burro".

— Certo, sabemos que você é burro, mas o que houve? Fala, cacete! — Perguntei sem paciência.

O Aioria nos olhou triste antes de responder. — A menstruação da Marin tá atrasada.

— Puta que pariu! — Deixei escapar levando um olhar de reprovação do Camus.

— Cara! Vocês já tão transando? — Perguntei imbecilmente.

— Não! To preocupado com a menstruação dela porque gosto quando ela tá de TPM. — O Aioria me respondeu com ironia.

— Nossa, mas será que ela tá...?

Camus estava perguntando quando o Aioria o cortou. — Cara, não conclua esse pensamento, não quero nem imaginar.

— Mas vocês não usaram camisinha? — Perguntei dono da razão e com um fio de hipocrisia, uma vez que eu e o Camus não usamos camisinha na nossa primeira vez.

— Claro que a gente usa camisinha! — Começou o Aioria na defensiva, mas depois ele murchou. — Só teve uma vez que a gente perdeu a camisinha lá.

Eu e o Camus nos olhamos sem entender o que o Aioria tinha acabado de dizer.

— Como assim perdeu a camisinha? — Camus perguntou franzindo a testa.

O Aioria bufou nervoso antes de responder. — Ai, caralho... a gente tava transando, daí quando a coisa acabou senti falta da camisinha e ela não estava na cama e nem em lugar algum, então descobrimos que ela tinha caído lá na hora que a gente tava... — Ele completou sinalizando com a mão num gesto que se refere ao sexo.

Cara, o Aioria era meu melhor amigo, e sei que eu deveria dar uma força, ou mesmo ampará-lo neste momento, mas eu não consegui porque eu comecei a rir imaginando a cena.

— Ah, Milo vá tomar no... — Aioria não completou porque eu ria cada vez mais alto.

— Posso saber qual é a graça? — Meu amigo quis saber indignado.

— Cara, das duas uma, ou você é muito burro que não conseguiu colocar a camisinha direito, ou seu negócio é tão pequenininho que a camisinha ficou folgada. — Falei ainda rindo muito, o pobre do Camus até tentou ficar sério, mas não aguentou muito e começou a rir também.

— Vão à merda vocês dois, eu vou embora! — Aioria levantou irritado e quando estava na saída eu me coloquei em frente à porta.

— Cara, desculpa! Foi mal. — Pedi ainda tentando segurar o riso.

— Porra, eu tô com um problemão aqui e vocês ficam aí fazendo palhaçada.

— Foi mal Aioria, você tem razão, não tem graça. — Camus falou já sem sorrir, mas eu não concordei.

— Na realidade tem graça, mas a gente não vai mais rir. Ok? — Eu disse sério piscando para ele. — Mas, me fale o que vocês estão pensando em fazer, papai?

Meu amigo soltou um lamento ao ouvir minha brincadeira.

— A primeira coisa a se fazer é um exame de sangue ou um teste de farmácia, acho que é a única saída. — Camus sugeriu sensato como sempre.

— Eu sei, já fizemos isso. — O Aioria respondeu encolhendo os ombros e eu e o Camus trocamos olhares mais uma vez.

— Pelos Deuses! Então já está confirmado você vai ser papai? — Eu questionei surpreso.

— Não, Milo, ainda não tem nada confirmado, a Marin foi fazer o teste com as meninas e eu combinei com elas de virem para cá. — O futuro papai me respondeu e logo depois se justificou. — Eu não tinha como ficar na minha casa sozinho, e o Aioros está lá, ele ia sacar tudo.

— Tudo bem, Aioria, fez bem em vir pra cá, vamos ficar juntos. — Comentei com ele e logo ficamos em silêncio e eu ficava olhando para ele, queria fazer uma pergunta, mas não sabia se era o momento para isso.

Olhávamos para o relógio, vez ou outra o Aioria dava um piti e começava a reclamar andando em círculos pelo quarto. — Deu merda, cara, deu merda! Mas tudo bem! Meus pais vão me matar, mas mesmo assim eu assumo meu filho, caso com a Marin. A gente se ama, vai dar certo.

Coitado do meu amigo, eu estava com pena, mais um vantagem e ser gay, por mais que aconteçam “acidentes ou descuidos” não corremos esse risco.

Quando a campainha tocou ficamos com a respiração presa, aquele clima tenso de final de campeonato. Não tardou a Marin entrou no meu quarto acompanhada pela Shina e pela Hilda. Notei o olhar rancoroso da minha ex-namorada na minha direção e na do Camus, mas não dei importância, aquele definidamente não era o momento para embates.

— E Então? — Aioria perguntou tenso.

— Foi alarme falso! — Declarou a Marin abraçando o namorado e os dois estavam chorando, acho que eles ficaram aliviados e decepcionados ao mesmo tempo.

Eu fiquei mais tranquilo, assim como o Camus, nós sabíamos que o Aioria ainda não estava preparado para ser pai. AINDA, pois sei que ele será um excelente pai.

*-*-*-*-*-*

Finalmente o campeonato começou.

Estávamos jogando muito, estávamos invictos!

Eu e o pessoal do time viajávamos bastante, principalmente nos fins de semana, era muito bom, contudo eu e o Camus tínhamos cada vez menos tempo juntos.

Às vezes eu sentia vontade de abandonar tudo e voltar correndo para ficar com meu namorado, mas sabia que não podia fazer isso.

O ruim mesmo era a falta de tempo para ficarmos sozinhos, poxa, nós só conseguimos transar três vezes neste tempo todo.

A nossa primeira vez mágica na casa do Camus, uma segunda na minha casa, e uma terceira vez na casa do Camus novamente quando o Hyoga foi para o balé e o Crystal estava no trabalho, mas o balé estava em recesso e o Crystal estava passando cada vez mais tempo em casa.

O jeito era a gente trocar uns beijinhos onde desse, na escola, no vestiário, atrás das árvores etc...

Nossa, eu não via a hora de ir pra faculdade, de virar adulto, ir morar com o Camus e fazer amor todos os dias.

(Camyu estou com saudades, penso em você o tempo todo).

Enviei a mensagem, não tardou a resposta veio.

(Eu também sinto sua falta) — Aquele desalmado me respondeu seco sem o menor romantismo.

(Afffffffffff você definitivamente não é romântico) — Enviei já bravo.

(Você que é meloso rs)

Filho da mãe como ele fala uma coisa assim? Meloso, eu? Mas quando eu já estava com um texto enorme explicando que eu não era meloso ele me enviou outra mensagem.

(Eu te amo Milo, sinto falta de você, do seu carinho e dos seus beijos)

Não preciso dizer que me derreti, não é?

(Eu sinto sua falta, falta da sua voz, falta de você gemendo pra mim)

Enviei sentindo uma pontada no meu baixo ventre e um frio na barriga por me lembrar nossos momentos juntos.

Ficamos trocando mensagens um bom tempo.

....

— Caralho, que saudade eu estava da sua boca. — Eu disse quando findamos um dos nossos beijos de matar a saudade, estávamos no banheiro da escola.

— Milo, seu maluco, alguém pode ver a gente! — Camus resmungou, mas não tirou os braços do meu pescoço em nenhum minuto e logo voltou a me beijar.

— Tenho vontade de tirar sua roupa e fazer amor com você aqui mesmo. — Eu falei rouco no ouvido dele, mas meu namorado soltou o meu abraço tendo uma reação contrária a que eu imaginava.

— Nem pensar, Milo, nem pensar! — O Camus falou sério e preocupado. — Já pensou se entra alguém? Já vai ser complicado explicar os beijos, imagine outras coisas?

Eu girei os olhos antes de responder. — Camus, relaxe! Eu não estava falando sério, ok? Foi um jeito de falar, eu te respeito muito pra te expor a isso.

Camus ainda ficou me olhando desconfiado por alguns segundos antes de falar. — Eu também te respeito muito, Milo.

— Eu te amo, Camus.

— Eu te amo, Milo.

Voltamos a nos beijar com toda paixão que sentíamos.

.....

— Porra, que delícia! — Eu dizia para o Camus que se encontrava no meio das minhas pernas me chupando.

Não, não estávamos na escola, estávamos na minha casa, minha mãe havia ido buscar a Sônia na escola e depois ia ao mercado com papai.

Eu e o Camus ficávamos atentos a qualquer oportunidade para tirarmos o atraso.

Não demorou muito e eu já estava sem as calças e o Camus estava ajoelhado na minha frente sugando meu pau de maneira incrível.

— Camyu... você tá me saindo um grande safado, isso sim! — Eu consegui dizer entre gemidos.

O Camus sorriu e continuou com a felação, até que de repente senti os dedos dele massageando meu períneo, era muito prazeroso, mas eu senti um certo receio pelo que estava por vir.

Não demorou muito e eu senti os dedos dele no meu... Cara! Camus estava querendo colocar os dedos lá!

— Ei, ei, ei, o que pensa que está fazendo? — Reclamei.

— Não é óbvio? — Ele me respondeu tirando meu pau de sua boca mais ainda o massageando.

— Ei... Não! Que isso? Não! — Falei me afastando daqueles dedos.

O Camus parou o que estava fazendo e ficou me olhando. — Qual o problema, Milo?

— O problema é que a gente nunca conversou sobre isso! Eu nunca disse que queria dar minha bunda. — Respondi carregado de preconceito interno sobre o assunto.

— Qual o problema em "dar a bunda" Milo? — Meu namorado perguntou já levantando aquela sobrancelha bifurcada que ele tem.

Fiquei gaguejando uma resposta coerente, mas eu sabia que já tinha falado merda.

— Camus, olha eu... Cara, não tô preparado pra isso. — Falei de uma vez.

— Milo, estamos namorando há algum tempo e você nunca pensou nisso?

— Não ué, a gente fez de um jeito e eu achei que você tinha gostado. — Devolvi sincero.

— Eu gostei, mas queria experimentar do outro jeito e você já definiu as coisas... E... Milo! A forma como você falou. — Camus falou um tanto magoado, senti em sua voz.

— Camus, não estou dizendo que ser passivo é ruim... Mas... — Eu não tinha nada inteligente para falar.

—Mas? — Insistiu meu namorado.

— Mas, não sei se eu quero. — Confessei derrotado.

Camus ficou em silêncio analisando o que eu havia acabado de falar, eu ainda com as calças arriadas e meu “amiguinho” pra fora e abandonado pelo meu ruivo. — Camus vem vamos terminar isso aqui, não vamos perder tempo. Hum?

— Termine sozinho, Milo. — Aquele sem coração me respondeu, me deixando ali abandonado, e o pior é que eu ainda estava duro, como poderia ir atrás dele?

Realmente, tive que terminar o “trabalho” sozinho.

*-*-*-*-*

Reencontrei o Camus no outro dia na escola, queria muito beijar aquela boca dele, fiquei estudando seu rosto enquanto fazíamos o trabalho em grupo passado por um professor, pra variar estávamos eu, Camus e o Aioria.

— O que foi, Milo? — Camus me perguntou quando levantou os olhos do livro.

— O que foi o quê? — Questionei ainda olhando para ele.

— Você está me encarando, o que foi?

— Não estou te encarando, só estou te olhando.

— E por que você está me olhando?

— Porque você é lindo.

— Ai caralho, quanta viadagem. — O Aioria resmungou e eu e o Camus sorrimos, gostei de vê-lo sorrir pra mim.

....

— Eu te amo, Camus, me perdoa, só fui pego de surpresa, mas eu quero sim, eu vou fazer. — Pedi abraçado a ele, pra variar no banheiro da escola.

— Tudo bem, Milo, eu é que errei com você. — O Camus me respondeu ainda abraçado.

— Como assim? — Eu quis saber.

— Eu não fui legal com você, quando nós... Você sabe? Eu já estava preparado psicologicamente para aquilo, e não te preparei, apenas impus. Me desculpe por isso. — O Camus pediu e eu o abracei em resposta ao seu pedido.

— Só tenha um pouco de paciência comigo, ok? — Pedi logo beijando sua boca.

Ouvimos um barulho vindo da janela, eu tentei pular para tentar ver alguém, mas não consegui.

— Milo, a gente tá dando muita bandeira é melhor tomarmos mais cuidado.

— Relaxa Camus, não tem perigo, deve ter sido algum gato andando por ai. – Respondi sem muita convicção no que eu dizia, se não fosse namorar ali, onde o faríamos?



*-*-*-*-*

Finalmente o grande dia chegou!

Íamos jogar na nossa escola com a torcida a nosso favor! Eu estava imensamente feliz. Era a grande final, sabíamos que ali estavam alguns olheiros dos grandes times profissionais, era nossa chance de ganharmos uma bolsa para entrar em uma grande universidade ou até de termos a chance para entrar no time de base dos grandes clubes.

A escola inteira parou para assistir ao jogo, eu comentei por alto em casa, não queria meus pais ali, já era ruim o bastante ter que me preocupar com os olheiros e tudo mais, não queria aquela pressão.

Eu estava no vestiário com os caras do time e o nosso treinador, nós estávamos gritando palavras de incentivo, rosnando essas coisas que nós homens fazemos quando estamos em bando.

Entramos no ginásio sob aplausos e gritos da nossa torcida, ainda não era a hora do jogo, a diretora achou de fazer daquilo um grande evento e fariam homenagens aos jogadores, no caso para nós.

Eu achava que aquilo era um grande mico, já o Aioria não podia estar mais garboso.

E assim começou a pataquada, vinha uma aluna, em geral uma namorada ou alguém bem próximo, e falava sobre o jogador tal.

Vimos a Marin subindo ao palco, olhei para o Aioria que estava vermelho, mas sorria bobo.
— Bom dia a todos, eu vim falar do Grande Aioria, nosso melhor atacante. — Olhei com desdém para ela, pois também sou atacante, mas ela não prestou atenção em minha indignação e continuou a falar enquanto imagens do Aioria apareciam num telão, calma, minha escola não era mega rica para ter um telão, eram apenas imagens enviadas pelo retroprojetor para uma malha branca esticada próximo ao palco.

Passavam fotos dele jogando, ele com a Marin e em outras situações, quando a Marin terminou a professora deu parabéns ao Aioria e logo subiu a Hilda que começou a falar do Siegfrid, fiquei pensando quem falaria sobre mim? Meus olhos procuraram os do Camus que estava na plateia ao lado de Shaka, e agora a Marin que havia ido se sentar próximo a eles.

Camus me olhou e piscou para mim e eu para ele, depois vi meu namorado ficando sério e olhando para outro lugar percebi que o insuportável do Argol encarava meu namorado, nos encaramos e ele sorriu cínico para mim, fiquei sem entender, mas alguma coisa me dizia que ele estava aprontando alguma coisa.

A June falou sobre o Argol, a Bia sobre o Sirius e a Ana sobre o Debas eu estava ansioso para saber quem falaria a meu respeito, eu gostaria muito que fosse o Camus, mas sei que ele não iria nem a pau. Quando a Ana saiu eu fiquei atento, pois agora era minha vez de ser homenageado quando vi a Shina subindo confesso fiquei apreensivo, não havíamos conversado direito desde que terminamos, olhei para o Camus e ele também tinha um olhar tenso no rosto.

— Olá pessoal, deixamos o melhor para o final, não é mesmo? — Minha ex-namorada começou a falar sorri amarelo, eu poderia estar preocupado à toa. — Estou aqui para falar do Milo, ele é um excelente atacante, um ótimo bloqueador, saca muito bem e um ótimo levantador, em suma um jogador completo, talvez o mais completo do nosso time.

Enquanto ela falava aparecia no telão imagens minha jogando, o Aioria ainda bagunçou meus cabelos na zoeira dizendo que eu estava bonito, nós rimos, mas então a Shina mudou o tom e eu vi seus olhos brilhando para mim.

— Mas, o Milo merece destaque, pois ele traz consigo a bandeira da diversidade, por ser o primeiro jogador gay da Atena School of Sanctuary. — Neste momento o Sirius e o Debas riram achando que era piada, mas eu, Aioria e o Sieg ficamos tensos, olhei para o Camus e ele estava pálido ao lado do Shaka, Marin e Hilda e o filho da puta do Argol sorria vitorioso.

— Acho que é de conhecimento de todos que o nosso grande jogador, e o não menos famoso gênio da Ciência, Camus, mantem um relacionamento há anos. — A Shina continuava a falar quando imagens minha e do Camus nos beijando aparecia no telão, neste momento todos que estavam rindo pararam e só se ouvia o “Ohhhh” vindo de toda a parte.

Eu olhei praquela filha da puta com tanta raiva, aquilo foi muito baixo. Cara, uma coisa é você sair do armário, outra coisa bem diferente é alguém jogar uma bomba na porta do armário e te jogar de lá de dentro à força. E era justamente isso que a Shina estava fazendo.

— Então, caros colegas, quero uma salva de palmas ao Milo pela coragem em vir aqui assumir seu relacionamento perante todos nós. — A vadia concluiu começando a aplaudir.

Neste momento o Camus se levantou, eu vi que ele iria sair correndo daquele lugar, mas fui mais rápido cheguei até ele, peguei em seu braço antes dele consegui sair.

— Camus, se a gente fugir agora vai ser pior, vamos virar chacota e nunca mais teremos paz. — Falei próximo ao seu ouvido, estávamos sob o olhar de toda a escola.

O coitado estava em pânico me olhou perguntando quase as lágrimas. — O que você quer fazer então, Milo?

Não respondi apenas o puxei para um beijo apaixonado, neste momento ouvi a Hilda e a Marin gritarem vivas e aplaudir com entusiasmo e então todos no auditório fizeram o mesmo.

Quando findamos o beijo colei minha testa na dele ouvindo toda a gritaria de apoio. — Estamos juntos nessa, estaremos juntos sempre, ok?

— OK. — Ele me respondeu timidamente.

Então voltei com ele o deixando junto com nossos amigos e fui em direção ao palco peguei o microfone das mãos da Shina. — Obrigado pessoal, eu sabia que poderia contar com o apoio de todos vocês. — Olhei pra Shina, que estava com cara de quem chupou limão, e falei cínico. — Obrigado, Shina, por me ajudar neste momento.

Olhei para o Argol que estava com uma cara pior que a da Shina, o Sirius e o Debas estavam com cara de quem leva uma pancada na cabeça, mas com eles eu me entenderia depois.

Eu estava com meu corpo trêmulo, mas sabia que se nós saíssemos dali do jeito que o Camus estava fazendo nossa vida seria um grande inferno, sei que a partir de agora ela já não seria fácil, mas ao menos teríamos as pessoas que nos apoiam ao nosso lado.

Olhei para a mesa dos professores e todos estavam atônitos, o treinador Shion estava sério, a diretora parecia que ia ter um troço, ela era baixinha e gorducha, estava uma blusa gola alta e seu rosto estava tão vermelho que eu não sabia se era por causa da roupa apertada ou se por raiva contida.

Ela se levantou como se todos não tivessem acabado de presenciar a cena mais bizarra de suas vidas, ao menos foi a da minha, pegou o microfone da minha mão e começou a falar. — Obrigada, Milo e Shina, eu queria agradecer ao professor Shion que os conduziu até aqui.

Todos aplaudiram o professor que se levantou e acenou para o pessoal, acho que tinham uma homenagem preparada para ele, mas foi tudo por água abaixo com o meu armário sendo escancarando daquele jeito.

— Vocês terão vinte minutos de intervalo e depois nos encontraremos aqui para a grande final! — Concluiu a diretora.

Todos os alunos saíram cochichando, com toda certeza falando sobre meu namoro, eu pensei em ir até o Camus, mas o professor Shion me chamou, queria todos nós no vestiário.

*-*-*-*-*

— O que foi aquilo, Milo? — O Shion me perguntou assim que chegamos ao vestiário.

— Eu não sabia de nada, fui pego de surpresa por aquela...

— Milo é um viado, temos que tirar ele do time ou vão achar que todos somos viados também. — O Filho da puta do Argol falou e eu voei em cima dele.

— Seu enrustido do caralho, isso foi armação sua, não foi?

— Milo, Argol, parem com isso já ou tiro vocês do time! — Ameaçou o professor.

— Você não pode tirar a gente do time, não na véspera da final. — O abusado do Argol jogou irritado.

— Posso, posso cancelar o jogo, posso fazer o que eu quiser Argol. — Tornou o professor em tom de ameaça.

— Eu não quero jogar num time que tenha viados! — O Argol continuou me provocando.

— Eu também não me sinto confortável com isso professor — Quem falou agora foi o homofóbico do Sirius.

Parei sem reação, se o time não me quisesse lá eu não poderia fazer anda.

— Se o Milo não jogar eu tô fora! — Ouvi o Aioria falando e se posicionando do meu lado, olhei para meu amigo com gratidão.

— Não vejo nada que possa desqualificar o Milo como jogador. — Quem falou foi o Sieg e eu sorri pra ele.

— Eu também não jogo sem o Milo. — O Debas falou se posicionando do meu lado.

— Bando de viados! — O Argol falou com desdém.

— Ahhh... Vocês sabem por que o Argol está com essa raivinha toda? — Comecei felino, aquele enrustido não ia ficar me gongando sem levar o dele.

— Cala a boca, Milo! — O Argol mandou em tom de ameaça.

— Ele foi se declarar para o Camus, mas chegou tarde e aí ficou puto e armou este circo! — Eu cuspi a verdade para todos do time e do professor.

— Argol, é verdade isso? — O Shion questionou.

— Não interessa, cuidem da vida de vocês! — Gritou o Argol nervoso.

—Ahhh, caralho dois viados no mesmo time? — Resmungou Sirius.

— Sirius, cala a boca, se eu ouvir você se referir aos seus colegas assim novamente, te suspendo do time. — O professor ameaçou sério.

— Vocês têm que colocar as diferenças de vocês pra fora, nós vamos jogar em dez minutos e esse vai ser o jogo da vida de vocês por enquanto, eu quero foco. Milo você acha que está bem para jogar? — Shion perguntou e concordei com a cabeça. — Ótimo, Argol, você consegue? — Vi o idiota confirmando com a cabeça também. — Ótimo meninos, essa é a chance de vocês, não percam ela com preconceitos ou outra bobagem qualquer, ok?

Nós voltamos a gritar palavras de incentivos como fizermos antes, eu não tinha certeza se iria dar conta, ainda estava muito abalado e tenso por dentro por causa de tudo que aconteceu.

...

Voltamos para a quadra tudo já estava pronto para o jogo, olhei em volta e vi alguns babacas com cartazes ofensivos me chamando de viado, gay, bichinha entre outras coisas.

— Nossa! Esses caras foram rápidos. — O Aioria falou ao meu lado.

— Pena que a gente tem um jogo pra vencer e não vamos poder dar uma surra neles. — O Aldebaran falou do outro lado, eu sorri pra eles.

— Sim temos um jogo pra vencer. — Meus olhos procuraram os do Camus o vi super tenso ao lado dos nossos verdadeiros amigos. Pisquei para ele passando calma.

O jogo começou.

Ao contrário do que pensei o fato de eu estar com a adrenalina alta por causa dos acontecimentos do dia me deixaram mais rápido, mais ágil, mais atento e eu estava jogando como ninguém, não perdia uma bola.

Bloqueio, saque, cortada, levantamento, até fiz as vezes de líbero, função do Argol, não tivemos dificuldade para vencer o jogo e os mesmos caras que estavam me zoando com os cartazes agora me aplaudiam comemorando junto com o resto da escola.

Procurei o Camus e fiz sinal dizendo que a vitória era pra ele.

Meu ruivo sorriu pra mim, mas eu ainda conseguia ver algumas nuvens em seus olhos.

...

Após o jogo encontrei com o Camus que estava acompanhado da Marin e da Hilda, que esperavam seus respectivos namorados.

Éramos o assunto geral na escola e seríamos por um bom tempo, teríamos que nos acostumar com isso.

— Nossa, eu tô faminto, vamos comer alguma coisa, depois de hoje merecemos? — Sugeriu Aioria.

— Sim, vamos depois de hoje precisamos descansar.

— Eu não acredito que a Shina foi capaz de fazer aquilo, estou tão brava com ela. — A Marin comentou abraçada ao Aioria.

— Cara, ela ganhou o troféu Master de como se vingar. — Respondeu o Aioria.

— Ela armou tudo com o Argol, aqueles dois filhos da puta. — Revelei contando a eles sobre o ataque do Argol no Camus naquele dia no laboratório.

Não preciso dizer que todos ficaram chocados com aquela revelação. Afinal o Argol era o Rei da Homofobia.

Segurei na mão do Camus para que fôssemos comer algo como o Aioria sugeriu, agora que todo mundo sabia sobre nós, não haveria motivos para que eu escondesse meus gestos para com meu namorado.

Vi que ele ficou meio tenso em aceitar segurar na minha mão, mas após um momento de incerteza ele a aceitou.

Quando estávamos saindo ouvimos a Diretora nos chamando, todos paramos para ouvir o que ela tinha a dizer.

— Milo, Camus, vocês dois para minha sala agora.

— Ué, mas por quê? — Questionei.

— Sem discussão, mocinho, pra minha sala, agora. — Ela mandou olhando para minha mão que estava entrelaçada a mão de Camus.

Suspirei cansado, aquele dia parecia não ter fim. O Camus me lançou um olhar preocupado, o pobre assim como eu teve sua intimidade exposta de uma forma covarde, ele também precisava digerir tudo que aconteceu.

Pensei em protestar, mas a expressão da diretora não me dava espaço pra isso.

— A gente espera vocês. — A Hilda sugeriu, mas a diretora a cortou.

— Vão embora, meus caros, o assunto com esses dois vai ser demorado, vão para casa.

Eu e o Camus trocamos olhares tensos e nos despedimos dos nossos amigos.

Segurei novamente na mão do Camus, dizendo que eu estava ali e nós passaríamos por tudo aquilo juntos.

Mas quando a velha gorda abriu a porta o que nós vimos nos fez gelar e soltamos nossas mãos imediatamente.

Sentados em frente à mesa da diretora estavam meus pais e o Crystal.

Os três nos olharam de forma séria, com as caras fechadas.

"Fudeu" — Foi a única coisa que eu consegui pensar.

Notas finais
Fudeu! - E Agora? Prevejo tretas e mais tretas para o próximo capitulo e vocês? Como o Milo bem colocou neste capitulo, uma coisa é você sair do armário, outra bem diferente é ser jogado de lá de dentro e pior agora todo mundo mesmo ta sabendo! - Tenso, muito tenso! Comantarios são sempre bem vindos, não é preciso muito trabalho no google tem um tutorial de como comentar nas fics, Fantasminhas vejam XD hauahuahua Segue o link do grupo das fics no facebook, todos são muito bem vinda para que possamos interagir e trocar ideias. ==> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/