E Agora?

2 Capítulo 2 - Amizade


Notas iniciais
Olá pessoal demorei, mas finalmente saiu o capitulo novo. Quero agradecer a todos que comentaram fic, essa fic tá sendo uma delicia de se escrever. Quero agradecer a Vivi (Clots Queen), por pacientemente betar a fic pra mim. Conversamos mais lá embaixo, boa leitura!!

— Pegaram um dos delinquentes, tomara que o levem para o juiz! — Um senhor de idade avisou, e me estiquei para ver quem tinha sido pego, para que eu pudesse zoar até o fim dos dias essa pessoa, mas quando olhei na direção que o homem apontou meu coração quase saiu pela boca, lá estava o Camus sendo sacudido pela enfermeira.

— Camus! — Eu deixei escapar num sussurro.

Ele se debatia dizendo que era inocente, o pobre estava apavorado, se eles fossem falar com o Sr. Crystal o Camus estaria perdido. Digamos que o Crystal não era conhecido por sua tolerância a desobediência e mal feitos.

Os meninos viviam de castigo, e olha que eu os achava quase santos, se os comparassem a mim ou ao meu irmão.

Eu precisava fazer alguma coisa, mas o quê?

O que me fez tomar coragem foi ver que o Camus estava chorando, ele nunca chorava, nunca mesmo, ele sempre tentava controlar as emoções antes de fazer qualquer coisa, mas aquela injustiça consigo deveria estar sendo demais, talvez por imaginar o que o pai fosse fazer com ele se aquela bruxa fosse contar a versão dela.

— Parem! Soltem-no! — Gritei indo na direção deles.

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E Agora — Capítulo 2

— Solte ele! Camus não estava aqui na hora, é inocente. — Eu falei indo ao encontro de Camus com a enfermeira enfezada.

Aioria, que estava escondido em cima de uma árvore, ao ver que eu me entregava bateu a mão na testa, acho que ele estava dizendo "Que idiota", mas sei que ele também não deixaria um inocente pagar por algo que não fez.

A enfermeira maluca que segurava o Camus olhou pra mim dizendo: — É, esse aí também estava lá, participou do vandalismo e aquele ali, — Ela disse apontando pro Aioria.

— Também o quê, sua maluca, você não sabe de nada, nem quem tava lá! — Bradei cheio de razão.

— Vocês três estavam lá, seus moleques! — Ela falou cheia de raiva.

— O Camus é inocente, já disse! Solta ele. — Voltei a pedir tamanho o desespero que eu via em seu rosto.

Deixa eu explicar uma coisa, o Sr. Crystal é da embaixada francesa, ele leva o trabalho muito a sério, pra ele qualquer coisa pode ser considerado um incidente diplomático, ele vive colocando os meninos de castigo por besteiras, e cá entre nós, colocar fogo no lixo hospitalar de uma clínica não pode ser considerado pouca coisa, e muito menos uma besteira, então, dá pra entender a cara de pânico que o Camus tava, não é?

— Ei senhora, me desculpe, mas a senhora está sendo injusta esse menino estava lá atrás só veio quando viu o amiguinho sendo sacudido pela senhora. — Uma senhorinha idosa falou em minha defesa.

Eu olhei surpreso, mas resolvi entrar no personagem de "Inocente que não tava nem ali", — Isso mesmo! Eu nem aqui tava, sua maluca.

A enfermeira me olhou com raiva, acho que ela precisa de uma vida social para se acalmar, sério mesmo.

— Eu vi esses meninos lá. — A enfermeira disse ríspida.

— Viu nada, acabei de sair da biblioteca, me solta! — Falou o Camus pela primeira vez tentando se recompor, acho que dei coragem a ele.

— Não, eu vi. — Ela tornou meio insegura.

— Viu nada! — Falei na maior cara de pau.

— O que está acontecendo aqui? — Ouvimos a voz do Degel que estava chegando com o Kárdia ao lado.

— Esses moleques atearam fogo no lixo do hospital que estava no estacionamento. — A enfermeira falou sacudindo o Camus e a mim, sim ela pegou no meu braço para que eu não fugisse.

— Não fiz nada Degel! Eu estava na biblioteca, juro! — Defendeu-se Camus com a chegada do irmão.

— Se meu irmão está dizendo que não fez nada, ele não fez nada! Solta ele! — Falou o irmão de Camus, sério e protetor.

O Kárdia me olhou como se eu não fosse tão inocente assim. Cada um tem o irmão que merece.

Estávamos todos na discussão, o médico da clínica falando em chamar a polícia, as pessoas se juntando ao nosso redor, até que o Degel falou:

— Querem ir na policia? Ok! Mas terão que explicar por que tinha lixo hospitalar sem o menor cuidado despejado no estacionamento da clínica! Terão que explicar por que um local com lixo hospitalar tem acesso fácil para as crianças do bairro? Vou ligar para meu pai que é advogado ele fará com que se expliquem melhor na delegacia, isso sem falar na agressão ao meu irmão que já está com o braço marcado.

Ao escutar as palavras de Degel a enfermeira ficou imóvel e nos soltou, a mim e ao Camus, ela e o médico trocaram olhares como se considerassem as palavras de Degel.

Meu irmão mantinha o olhar sério.

— Olha, é melhor pra vocês soltarem os meninos, ninguém se feriu e o prejuízo de vocês não foi grande, ainda! Mas se nossos pais souberem dos riscos que os meninos sofreram, não quero nem pensar.

Eu e Aioria trocamos olhares cúmplices, nossa sorte é que o centrado e responsável Camus estava lá. Tudo bem, o Camus não estava lá quando a coisa aconteceu, e é totalmente inocente, mas duvido que o Kárdia ou o Aioros ficariam assim do nosso lado se não fosse o Camus ali.

— Tudo bem, não vamos prejudicar vocês, afinal foi coisa de criança, mas fiquem longe do meu hospital, OK? — Começou o médico querendo abafar o caso após as palavras de Degel.

Camus abraçou o irmão. – Degel, não fiz nada, juro!

— Tudo bem, eu acredito. Vamos pra casa, mas fique calmo ou papai vai perceber que alguma coisa aconteceu, OK? — Falou Degel carinhoso.

— Certo, — Camus respondeu seguindo com o irmão pra casa, eu já tava pra chamá-lo de ingrato quando ele se virou e me agradeceu.

— Obrigado, Milo, muito obrigado por ter vindo me ajudar. — E ele sorriu era tão raro ver o Camus sorrindo que acho que por isso eu acabei sorrindo de volta.

— Obrigado também, Aioria, — Camus falou antes de seguir em frente com Degel.

Olhei para o Aioria um tanto bravo e perguntei: — Você ia deixar o Camus levar a culpa?

— Não, claro que não! — Ele me respondeu, o pessoal da clínica e os abelhudos já tinham ido embora.

— Então irmãozinho me fala que ideia de jerico foi essa de colocar fogo na clínica? — Kárdia me perguntou com aquela cara de sádico dele.

— Sou inocente também, não fiz nada. — Me defendi ofendido. — O Degel não duvidou do Camus!

— O Degel conhece o irmão que tem, e eu também! Anda, me conte tudo! — Meu irmão falou autoritário, Olhei pro Aioria e contamos o ocorrido, depois de me encarar muito, ele se desculpou por não ter acreditado em mim.

ooOoo

Nós sempre nos divertíamos juntos, estávamos sempre ... Como diria mamãe, "traquinando". Certa vez convenci o Camus a me ajudar a construir um carrinho de rolimã para o campeonato do bairro, você deve estar pensando: "mas e o Aioria não ajudou vocês?"

Não, ele não ajudou porque ele era o campeão do bairro, aquele metido, e eu queria vencê-lo, então pedi ao Camus que me ajudasse.

— Milo, pesquisei vários modelos, olha, estes daqui são aerodinâmico, esse fator vai ajudar na decida e ganharemos velocidade. — Camus falava mostrando um desenho que ele fez baseado na pesquisa.

Se dependesse de mim, pegaria madeira de caixote velho e pronto, mas o Camus é todo cheio de frescuras, nós tivemos que lixar as madeiras, pintamos, todas essas coisas, um trabalhão danado.

Mas até que ficou bem maneiro.

— Pronto, Camus! Agora precisamos testar pra ver se ele presta, bonito sei que ele tá, mas será que corre? — Questionei.

— Só tem um jeito de descobrir. — Ele me respondeu. — Testando!

Fomos à rua mais alta do bairro, era alto e não passava carro, então...

— Preparado? — Perguntei sentando na frente, o Camus se ajeitou atrás de mim e confirmou.

— Preparado!

Assim dei o impulso e começamos a descer a ladeira.

Eu gritava contente, e podia escutar o Camus rindo atrás de mim, sentíamos o vento bater em nossos rostos e uma sensação de liberdade nos inundava, mas já no meio da ladeira percebi uma coisa, eu não tinha noção de como parava aquilo, sim, porque sempre peguei carona com o Aioria, aquela era a primeira vez que eu "dirigia".

— Camus! Como é que para esse negócio? — Perguntei tenso.

— O quê? Mas? — Ouvi Camus perguntando, acho que ele tava pensando se tinha lido alguma coisa a respeito, mas acho que ele não encontrou nada também. — Não faço a menor ideia! E agora?

Bom, nós fizemos o que dois garotos fariam na nossa situação.

Gritamos!

Descemos a metade da ladeira gritando, quando eu lembrei que o Aioria sempre fazia uma curva, tipo virava o controle do pé, fui pro lado, então foi isso que fiz, mas como eu disse antes: Estávamos numa ladeira a toda velocidade, e pela lógica da física, o Camus me explicou isso depois, no caso de uma curva brusca nos corríamos o risco de capotar.

E foi isso que aconteceu.

Eu voei, e o Camus voou atrás de mim, nós rolamos, nos arranhamos e quando fui ver... tínhamos parado na grama, eu caído deitado em um canto e o Camus caído do outro lado.

— Ai, ui, acho que quebrei todos os meus ossos, ai! — Resmunguei gemendo, olhei para Camus que tava quieto, — Camus tá vivo?

— Você é burro? Como dirigi uma coisa dessas e não sabe como parar? — Ele perguntou entre gemidos.

— Mais burro é você que constrói um carro sem freios! — Respondi bravo.

Nós nos encaramos por um tempo ainda deitados na grama e começamos a gargalhar, éramos dois burros, isso sim!

O Camus quase nunca brincava na rua em coisas que ele pudesse se sujar raramente ele rasgava uma roupa, ele era tipo “filhinho da mamãe”, mas nesse dia ele não ligou para nada disso, nós estávamos sujos, rasgados e machucados, contudo ríamos e fomos novamente descer a ladeira até eu aprender a controlar aquele negócio.

Acho que o Camus só estava junto porque o carrinho foi uma invenção dele, sabe, nós construímos e treinamos juntos, foi muito bom.

Eu nunca me esquecerei deste dia.

Acho que o Camus também não, ainda mais porque o pai dele, Sr. Crystal, o colocou de castigo, dois finais de semana, sem brincar na rua, e nem em casa, tudo isso por causa de umas roupas sujas e rasgadas, e claro, por causa de uns hematomazinhos... tá verdade seja dita, branco como o Camus era cada marca roxa fazia a coisa parecer pior do que era de fato.

O pai dele não deixou que ele participasse do campeonato, mas eu fui sozinho e fiquei em primeiro, venci o Aioria que ficou com a cara fechada pra mim por alguns dias, levei a taça para o Camus ver, afinal o prêmio era dele também já que construímos o carrinho juntos.

— Você conseguiu, Milo! Eu sabia que iria conseguir, e o Aioria ficou bravo? — O Camus me perguntava sedento de informações.

— Relaxa! O Aioria ficou bolado, mas logo ele volta ao normal. — Falei pra tranquilizá-lo.

— E o castigo? Me desculpe por isso. — Pedi sincero, eu achava o Sr. Crystal muito exagerado colocar o filho de castigo porque chegou sujo, rasgado e machucado em casa, onde já se viu? Se essa moda pegasse eu não sairia do castigo nunca mais na minha vida.

— Tudo bem, Milo, valeu a pena! — Camus respondeu sorrindo, e como ele estava de castigo não podíamos brincar, nem em casa, então tive que fazer umas coisas que eu só fazia com ele: estudar.

Eu sei você deve estar pensando que eu estava abandonando meu grande amigo Aioria por causa da minha amizade com Camus, mas não é nada disso. Não sei, é difícil explicar, mas o Aioria é parceiro, é brother e sei que poderia se virar sem mim, mas o Camus tava sempre metido em uma confusão e eu tinha vontade de proteger, ele era mais frágil que o Aioria e eu sabia que ele não se defenderia sozinho. Então, por este motivo, eu ficava muito mais com o Camus.

OoOoo

Nós tínhamos doze anos agora, nossa amizade era bem firme, eu melhorei muito na escola por causa do Camus, o Aioria também, pois sempre se aproveitava do meu amigo nerd.

Estávamos saindo da aula de química onde aquela bruxa, digo, professora nos passou um trabalho sobre elementos químicos, Sheena me chamou para fazer o trabalho com ela, mas como era de costume falei que ia fazer com Aioria e Camus que estava bravo, realmente não sabia o por que...

— Não vou fazer o trabalho sozinho, vocês terão que me ajudar — Camus falou com aquele jeito mandão dele.

— Mas Camus, no final você sempre acaba fazendo tudo sozinho e não deixa a gente encostar no trabalho. — Respondeu Aioria prático, ao que eu concordei com a cabeça.

— Isso não é verdade! — Reclamou Camus indignado.

Como eu tava sem paciência concordei com ele. — Ok! Camus vamos fazer o trabalho juntos, nos reunimos na minha casa, ok?

Aioria concordou emburrado, pois sabia que no final o Camus não deixava a gente fazer nada.

ooOoo

Às três horas em ponto Camus chegou cheio de livros para nossa pesquisa, já sei o que você está pensando.

"Livros para pesquisa? Cadê a internet?"

Vou explicar: Os professores na minha escola não aceitavam pesquisas feitas na internet, tudo tinha que ser através de livros, e feito à mão, ainda tínhamos que apontar na bibliografia, ao final do trabalho, os livros onde consultamos todo o conteúdo. Claro que eu poderia fazer uma pesquisa na internet e falar que achei em qualquer livro e depois ver se colava, mas o Camus quebrando as regras? Quase impossível, ainda mais quando isso poderia prejudicar as notas dele. E outro fato importante estou falando da minha infância a internet estava começando a engatinhar e o Google ainda não existia.

Então voltando, o Camus chegou abarrotado de livros para a pesquisa, eu olhei aquele psicopata mirim.

— Você sabe que é só um trabalho de química, não sabe? — Perguntei o vendo estreitar os olhos para mim.

— A menos que você saiba fazer tudo de cabeça, precisaremos dos livros para as pesquisas. — Ele me respondeu com seu insuportável olha blasé.

Começamos o trabalho antes do Aioria chegar, já que o safado só apareceu lá pelas quatro e meia.

— Pronto, Aioria! Aqui estão as pesquisas, pode ir escrevendo o trabalho, já que a essa hora é só isso que pode fazer. — Camus falou entregando nosso rascunho para ele como uma forma de puni-lo pelo atraso.

— Ah! Perdi a hora, acontece! — Defendeu-se o meu amigo Aioria.

— É claro que acontece! Quando é de manhã, mas perder a hora à tarde? Francamente, Aioria. — Camus bronqueava.

Eu sei que o Aioria tinha vontade de dar uns cascudos no Camus, eu mesmo tive várias dessas vontades essa tarde, mas o sem o Camus ele estaria perdido, então ele ficava quieto só fazendo careta e ficando emburrado, confesso que ri, mas era muito fácil manipular o Camus para ele fazer o trabalho todo, era só escrever com a letra mais feia possível, Camus jamais entregaria um garrancho.

— Que isso, Aioria? Que letra horrível! — Reclamou Camus.

— É a minha letra, Camus, pra mim tá ótimo, o que acha Milo? — Olhei o trabalho e sinceramente eu não achei tão ruim assim.

— Pra mim tá bom, Camus. — Falei sincero.

Camus rosnou e pegou o trabalho de Aioria sentou e começou a escrever. Aioria olhou pra mim sorrindo e piscou, novamente o Camus caiu no golpe da letra feia.

ooOoo

Aos treze anos nossa amizade continuava forte como nunca, mas eu perdia a paciência com ele com muito mais frequência, odiava o Camus "sempre certo" e principalmente ele tentando mandar em mim, mesmo quando era só um conselho, às vezes me irritava muito, e várias vezes me arrependia de não tê-lo escutado.

Estávamos jogando futebol na rua. “O Camus também?” Você pode perguntar.

Não, o Camus estava lendo um livro sentando na calçada enquanto eu, Aioria, Shura, Matteu e Aldebaran jogávamos contra os caras da rua de prata.

— Vai, animal, passa a bola! — Gritei para o Aioria que me passou a bola e eu chutei contra o gol do Argol, mas a merda da bola foi parar em cima do telhado de uma fábrica velha que tinha na rua.

— Mas que perna de pau, você hein, Milo! — O Matteu que a gente chamava de Masc falou puto comigo.

— Ah! Que merda, e agora? — Reclamou Argol, o dono da bola. — Quero minha bola de volta Milo, não quero nem saber.

— Puta que pariu, como eu consegui fazer isso? — Reclamei comigo.

— "Passa a bola"! tanto escândalo pra você fazer isso!? — O Aioria falou indignado.

Olhei para os lados sem saber ainda o que fazer, o Camus tinha tirado a cara dos livros e tava prestando atenção na nossa confusão, o Argol, chato pra caralho, ficou buzinando no meu ouvido que queria a bola dele de volta. Os outros implicavam porque queriam voltar a jogar e a bola ainda tava presa lá em cima do telhado.

— Tá, vou subir e pego a bola, daí a gente continua e o Argol vai para de choramingar no meu ouvido. — Informei zangado, o Argol era um pentelho, isso sim.

— Mas é perigoso, não é? — O Aioria perguntou com receio.

— Perigoso para o Debas ou pra você que são gordos, eu consigo fácil. — Provoquei, não ia falar que eles eram grandes, não mesmo!

— Ah! Bonzão, vai lá então! Pega minha bola. — Desafiou o Argol.

Eu o encarei sério, — Eu vou pegar sua bolinha, ô bebê chorão. — Provoquei.

Me virei para a fábrica pensando como faria pra subir ali, até que Camus veio falar comigo.

— Não tá pensado em subir lá, não é mesmo?

— Pensando não, eu vou subir! — Informei.

— Milo, nem você pode ser tão burro! É muito perigoso, não faz isso. — O cabeça de tomate pediu e logo os outros caras começaram a tirar uma com a minha cara.

— Hummm, vai Milo, obedece o Camus... — O Argol falou rindo.

— Ihhh, putz! Milo vai deixar esse moleque mandar em você? Eu não deixava!, — Zombou o Sirius.

— Milo, por favor, é perigoso! — O Camus falou novamente.

— É Milo! Vai que você se suja, ou pior! Já pensou se você rasgar a roupa? — Zombou Argol imitando o jeito do Camus, todos riram, confesso que até eu deixei escapar um riso pelo nariz, mas o Camus me pareceu indiferente às provocações, ele sempre parecia não se importar com isso.

— Milo, aquele telhado é velho, essa fábrica tá caindo aos pedaços, não sobe lá... você vai se machucar! — Me avisou novamente o chato do Camus.

Sabe, ele era meu melhor amigo, mas tinha dias que era insuportável, principalmente quando falava com aquele ar superior.

Eu não podia voltar atrás agora, ia perder a moral com a turma. Não me entenda mal, o Camus era meu melhor amigo, mas convenhamos, ele não era a pessoa mais respeitada na rua, ele só não apanhava todos os dias de alguém ali, porque eu sempre protegia ele.

Mas eu odiava quando ele falava com aquele ar mandão dele, então o olhei desafiador e falei petulante. — Você não manda em mim, Camus, não vou apanhar se chegar sujo ou rasgado em casa.

Vi que ele me olhou surpreso por eu ter revelado os motivos dele ser tão neurótico com essas coisas, mas mesmo assim ele insistiu. – Milo, você pode morrer se cair, não suba, por favor.

Eu dei de ombros e procurei um lugar para subir, pelo muro da vizinha eu subi no telhado da casa.

— Milo, cuidado, é melhor descer daí, o Camus tem razão é perigoso! — Escutei o Aioria gritando lá de baixo, mas não dei o braço a torcer.

De cima do telhado da casa peguei impulso e pulei para o telhado da fábrica, quase cai, pude escutar a respiração do Camus falhando vendo aquela cena.

Consegui me equilibrar e subi no telhado da fábrica. — Ah! Eu falei que ia conseguir! — Gritei pra eles lá embaixo e olhei para o Camus que estava mais pálido que o normal, eu pisquei pra ele e avistei a bola do Argol.

Eu peguei a bola e antes de jogar pra eles me gabei mais uma vez olhando para o Camus, — Consegui! Eu sempre consigo, viu só?!

Mas então senti meu pé afundando, olhei assustado. — Mas que merda! — Gritei antes de perder o equilíbrio e cair de costas sobre as telhas velhas que se romperam com meu peso.

Ouvi a voz do Camus gritando meu nome enquanto eu caía.

Senti uma dor alucinante tomar conta do meu corpo, e de repente tudo ficou escuro.

Notas finais
Mas que Milo cabeça dura viu! Custava escutar o Camus? E agora? O que será que vai acontecer com o Miluxo? Essa fic é tão gostosa de escrever, estou adorando essa fase dos meninos, mas tenho a impressão de que as coisa vão mudar, digo eles estão na pré adolescência, mas estão crescendo e mudando, e.... sem spolier!!! Me diga o que achou do capítulo isso é muito importante pra mim! (Fantasminhas não se acanhem).