E Agora?

15 Capítulo 15 - A Chance do Hyoga


Notas iniciais
Olá Pessoal!!! Nem demorou muito essa atualização não é? Sobre a capa eu procurei algo do Hyoga dançando, mas não achei então procurei no google (O Grande Oraculo da atualidade) pedi ajuda e tinha esse lindinho dançando eu peguei ele emprestado para ser o nosso Hyoguinha dançante. Um agradecimento especial a Vivi que está cheia de compromissos e com duas fics para terminar, mas ainda assim arranjou tempo para betar esse capítulo. Quero agradecer muito a todos que estão acompanhando essa fic, obrigado pelo carinho. Chega de papo!!! Boa Leitura!!!

E agora? — Capítulo 15

"Olá. Eu vou continuar a história, o Milo está fora de combate, se é que me entendem?"

"Hã, deixe me ver onde ele parou... Ah sim, aquele safado."

"Vamos lá."

Aquela tarde havia sido a melhor da minha vida eu e o Milo nos entregamos ao amor, brega isso não é? Mas o amor em sua plenitude é brega.

A gente se amou mais duas vezes naquela tarde antes e eu colocar um pouco de juízo na minha cabeça e começarmos a nos recompor, ainda tomamos um banho juntos, isso tudo na minha casa, com o perigo do papai chegar a qualquer momento.

Sim, adolescentes são irresponsáveis, hoje eu vejo isso, mas naquela época só queríamos amar e amar.

Eu estava deitado no sofá me lembrando dos detalhes da nossa tarde quando ouvi o Hyoga ralhando comigo.

— Você não está prestando atenção, Camus!

Meu irmão estava querendo me mostrar a coreografia que ele estava ensaiando na apresentação para o pessoal do Bolshoi.

— Desculpe, Hyoga, me distrai, não vai mais acontecer, por favor, faça novamente. — Pedi sentando no sofá me endireitando para assistir ao meu irmão dançando.

— Tá, mas presta atenção, Camus, é importante. — Ele pediu novamente indo colocar a música, Hyoga tinha afastado os móveis da sala para conseguir mais espaço para seus movimentos.

Lago dos Cisnes, ele começou a dançar, meu irmão tinha um talento nato, seus movimentos eram precisos e delicados, ele flutuava no chão ao ritmo da música. Girava e rodopiava, girava a revés, saltos plie, tudo na ponta dos pés.

Um anjo... meu irmão parecia um anjo dançando.

Hyoga parou de repente olhando para a porta eu segui seu olhar e vi nosso pai parado o observando.

Apesar dele nunca se envolver com isso, ele sabia que o Hyoga dançava, sabia que ele fazia isso desde que a mamãe e o Isaak se foram, mas acho que ele nunca o viu dançando. Não me lembro do nosso pai em nenhuma apresentação.

Hyoga foi desligar o som e eu realmente não sabia como agir. Papai viu o Hyoga dançando, isso não deveria ser nada de mais, mas é do meu pai que estamos falando, ele é sempre uma incógnita.

Eu estava com receio de olhar pra ele, tinha perdido minha virgindade naquela tarde, com meu amor e melhor amigo. Eu estava com aquele receio insano de que meu pai pudesse ler pensamentos, de que ele descobrisse tudo só de me olhar.

Será que eu estava andando normalmente? Eu estava um tanto dolorido "lá", será que dava pra perceber?

Não sei, mas fiquei tenso e meu pai percebeu isso, pois ele olhou nos olhos antes de terminar de entrar e fechar a porta.

— Pai, achei que fosse demorar mais. — Comentei idiotamente quando não se tem nada de útil pra comentar.

— Eu também achei, mas consegui terminar as coisas mais cedo. — Ele me respondeu.

Hyoga o olhava inseguro. Sei que meu irmão queria a aceitação do nosso pai, mas não sei se o papai estava pronto pra isso.

— Pedi pizza, está dentro do forno, quer que eu esquente? — Perguntei solícito, ainda sem conseguir olhar pra ele nos olhos.

Francamente estava sendo patético! "Respire e aja normalmente, Camus, aja normalmente!" — Eu pedia a mim em pensamento.

Papai ficou em silêncio por um tempo olhando para o Hyoga que estava recolhendo suas coisas e depois me respondeu. — Vou tomar banho, pode deixar que eu esquento.

Senti que ele queria falar alguma coisa, mas fosse o que fosse que ele queria dizer, se perdeu em seu silêncio, ele levantou e subiu as escadas.

Hyoga me olhou triste, no fundo meu irmão sabia que mesmo que conseguisse a vaga para entrar no Bolshoi, nosso pai dificilmente permitiria que ele fosse para tão longe por causa do balé.

*-*-*-*-*

"Eu te amo, e não consigo parar de pensar em você" — Recebi essa mensagem do Milo umas dez horas da noite, fazendo meu coração aquecer e meu membro pulsar ao recordar da nossa tarde.

O meu Milo me amava, ele me amava! Eu nunca pensei em ser tão feliz na minha vida.

Queria escrever uma coisa bem melosa, mas poxa, eu não sabia fazer isso. Só respondi. "Te amo, Milo".

"Só isso? Nem ficou a tarde toda pensando em mim?" — O Milo tornou a me enviar, eu ri, meu namorado era um carente.

"Eu penso em você em todo momento" — Enviei.

"Camus, vontade de escalar a janela do seu quarto e passar a noite aí com você, te amando" — O insano do Milo me enviou.

Eu sentei na cama tenso e digitei rápido. — "MILO, SEU INSANO! NEM PENSE NISSO!”

"Kkkkkkkkkkkkkkkk eu sabia que você ia ficar bravo, eu te amo, seu certinho" — Ele me respondeu, só girei os olhos, o Milo era doido, como saber se ele tá blefando ou não? Nunca saberei.

Camus eu não consigo esquecer a sensação maravilhosa de estar dentro de você, sentir seu corpo quente e apertado" — O safado me enviou, não preciso dizer que fiquei duro na hora. Só de lembrar dos olhos do Milo me encarando, estudando meu rosto enquanto seu corpo pedia passagem para o meu. Mordi os lábios e apertei meu membro que pulsou em minha mão.

Não tardou meu celular vibrou era o Milo me ligando.

— Milo. — Atendi num sussurro.

— Camus eu tô tão duro aqui, sentindo tanto sua falta. — O meu loiro safado me falou com a voz rouca.

— Eu também estou assim, Milo, pingando só de pensar em você. — Respondi, não sei como, o Milo conseguia cada coisa de mim.

— Camus, imagina que eu tô aí, imagina que eu tô entrando em você, como a gente fez nesta tarde.

Fechei os olhos e comecei a me tocar, eu ainda sentia uma leve ardência "lá" o que me deixava muito mais excitado.

— Eu ainda posso sentir você em mim, Milo. Ainda consigo sentir seu corpo me invadindo. — Respondi rouco enquanto manuseava meu membro e ouvia os gemidos do Milo que fazia o mesmo do outro lado da linha.

Naquela tarde havíamos perdido a virgindade juntos e agora a noite estávamos perdendo nossa virgindade de sexo por telefone também. Não demorou para alcançarmos o orgasmo, o Milo me fazia fazer cada coisa.

— Eu te amo, Camus. —Milo declarou e eu sorri aquilo parecia um sonho.

— Eu te amo Milo. — Declarei tímido.

Assim que desligamos o telefone eu levantei para me limpar, pelos deuses nós sempre fazíamos uma grande sujeira.

Voltei a deitar abraçado ao travesseiro e pensando como eu estava feliz, absurdamente feliz.

*-*-*-*

— Pronto agora com calma vá adicionando a solução... Assim... Assim. — O Shaka pedia enquanto anotava as reações do nosso experimento.

Estávamos tão absortos em nosso projeto que não percebemos o Argol entrando no laboratório.

— O que vocês estão fazendo? — Aquele idiota perguntou nos assustando bem na hora em que eu estava colocando as gostas da solução química.

Resultado acabei colocando mais que o permitido. — Ahhh, puta merda! — Gritei e puxei o asno do Argol para longe a tempo de evitar que tudo de ensaio explodisse na cara abelhuda dele.

— Mas que porra vocês estão fazendo aqui? Uma bomba? — Ele perguntou reclamando.

— Você não pode entrar assim num laboratório. — Falei bravo saindo de cima dele.

— Como eu ia saber que os nerds estavam fazendo uma bomba? — Ele voltou a reclamar e como sempre tentando nos ofender.

— Argol não vou nem tentar te explicar o que nós estávamos fazendo aqui, porque você não tem neurônio para entender. — Respondeu Shaka, que quando queria conseguia com sucesso ter o tom mais enfadado que o meu.

O Argol ficou olhando para o Shaka com uma careta de desdém e eu perguntei enfim. — Afinal, o que veio fazer aqui?

— Eu... — Ele me pareceu sem graça, não imaginava o motivo, continuei a olhá-lo de cara feia.

— Eu vim falar com você, Camus.

— Comigo? — O que aquele garoto poderia querer comigo? Desde que eu e o Shaka demos uma lição nele, ele nunca mais bancou o babaca comigo. Eu realmente não fazia ideia do que ele poderia querer comigo.

— Camus, nosso trabalho foi perdido mesmo, vou comer alguma coisa, ou quer que eu fique? — Shaka me perguntou mostrando para o Argol que não me deixaria sozinho com ele, se eu não me sentisse seguro.

— Tudo bem, Shaka, pode ir, eu arrumo isso aqui.

— Eu ajudo. — O Argol falou e olhei desconfiado para o meu amigo que fez sinal dizendo que não demoraria. Ele estava faminto, estávamos desde aquela manhã no laboratório, o pobre estava sem se alimentar desde a manhã.

Realmente estava sem graça com o Argol ali, não tínhamos assuntos, não éramos amigos, não sei o que ele queria comigo.

Depois de me ajudar a varrer e jogar algumas coisas inutilizadas no lixo ficamos parados, eu sem saber o que dizer para aquele cara ir embora, e ele de um jeito esquisito, me olhando estranho.

— Acho que a gente já pode ir. — Eu sugeri numa tentativa de me livrar do Argol me dirigindo até a porta.

— Espera, Camus!

Eu parei e olhei para o Argol que ficou me olhando, ele estava estranho parecia nervoso com alguma coisa.

— O que foi, Argol? — Perguntei

— Eu quero falar com você, Camus, eu preciso! Me decidi e de hoje não vai passar. — O Argol começou e o olhei com a sobrancelha erguida, já esperando algo de ruim, afinal estava lidando com o Argol.

— Olha só, Argol, não fiz nada pra você não. — Avisei na defensiva

— Você fez sim, Camus. — Ele falou sorrindo de um jeito que não entendi, ou melhor, não estava querendo entender. — Camus, primeiro eu quero pedir que você me desculpe.

— Desculpar pelo quê? — Perguntei incerto.

— Me desculpe pelo modo como eu te tratei durante todos esses anos, Camus.

— Oi?

— O modo que eu te tratei, não sei, acho que era uma forma de reprimir uma coisa que sempre senti, desde que te vi pela primeira vez. — Ele continuou falando e eu realmente estava perdido.

“Do que esse cara está falando?” — Eu pensei, quando o Argol se aproximou de mim pegando nas minhas mãos.

— Camus, eu sei que você é diferente, assim como eu. — Ele falou olhando em meus olhos.

“Ele não está...? Pelos deuses esse cara não está fazendo o que eu acho que ele tá fazendo... certo?” — Pensei nervoso dando alguns passos para trás, até que me encostei à parede. — D... do que você tá falando? — Perguntei.

— Eu tô falando disso. —Argol falou antes de me beijar.

Demorei em computar o que estava acontecendo ali, não aceitei o beijo, mas só consegui empurrá-lo quando senti sua língua pedindo passagem.

Aconteceu simultaneamente, eu o empurrei no mesmo momento em que ouvimos alguém gritando da porta.

— MAS QUE PORRA TÁ ACONTECENDO AQUI?

Olhamos para o dono da voz assustados e vimos um Milo com olhos insanos parado na porta, com o Shaka de olhos arregalados logo atrás.

— Não se mete na minha vida, Milo, some daqui. — O Argol falou entredentes.

— Eu falei pra você ficar longe dele, Argol. — Rangeu o meu namorado.

Eu estava ali entre aqueles dois, sem saber o que fazer, mas o Milo não podia brigar com o Argol, não antes de eu brigar com aquele embuste. — Ei, o que foi isso Argol, você tá maluco?

— Camus, eu vou dar um jeito no Milo e nós voltaremos a conversar. — O asno falou sem perceber que o Milo é que daria um jeito nele primeiro.

— Cala a boca Argol, não fala com o Camus, não olha pra ele! — Bradou o Milo avançando sobre o Argol.

— Milo! — Eu gritei correndo para segurar o meu namorado e o Shaka se posicionou próximo ao Argol, tentando evitar que ele fizesse algum dano maior ao nosso laboratório.

— Camus, esse idiota te agarrou mesmo eu o mandando ficar longe, ele teve a coragem de te agarrar! — O Milo cuspia as palavras.

— Tudo bem, Milo não vale a pena se meter em encrencas por causa dele. — Aconselhei quando vi o Argol olhando para mim e para o Milo.

— Vocês? — O marrento perguntou somente para ter certeza.

Eu pensei em negar, mas o Milo estava cego de ciúmes e começou a falar. — Sim, nós! Ele é meu, Argol, e você nunca mais ouse a encostar nele.

Deixando a máscara de bom moço cair, o Argol voltou a ter aquela carranca na cara. — Vocês são dois viados!

Ora essa, com que moral aquele embuste vinha me chamar de viado depois de me beijar à força? — Ah, sim falou o grande hétero que beija meninos na marra, não é?

— CALA BOCA, CAMUS! — O velho Argol voltou à ativa avançando para cima de mim, mas o Milo voou em cima dele e começaram a se engalfinhar.

Eu olhei para o Shaka pedindo ajuda, vi o Milo acertar um soco no meio da cara do Argol que revidou, derrubando o Milo em uma das bancadas quebrando alguns tubos de ensaio. Milo não se deixou abater, foi novamente para cima do Argol acertando alguns socos em sua barriga.

— Shaka, me ajuda. — Eu pedi correndo para segurar o Milo enquanto o Shaka foi fazer o mesmo com o Argol.

— Você tá namorando ele, Camus, eu não acredito que você fez isso comigo. — O Argol dizia se debatendo nos braços do Shaka.

— Você é louco, Argol? Desde quando eu devo satisfação pra você de alguma coisa? — Respondi irritado tentando segurar um enfurecido Milo que não estava disposto a se acalmar ouvindo os absurdos do Argol

— Me solta, Camus, que eu vou acabar com esse bosta!

— Calma, Milo. — Eu disse preocupado que meu namorado se metesse em alguma confusão maior.

— Achei que você soubesse que eu gosto de você, Camus, esse Milo é um babaca, ele não te merece, ele ficou com a Shina e eu sempre fui fiel a você. — O Argol continuava falando como se nós tivéssemos alguma coisa, acho que ele achava que o fato dele me agredir podia ser considerado um compromisso, só pode!

— Cara, você é maluco? — Falei perplexo. — Eu amo o Milo, eu o amo desde sempre, nós estamos juntos agora e vamos ficar juntos pra sempre.

— Não, Camus. — O maluco começou, mas Milo o cortou.

— Você ouviu o Camus, ele é meu namorado e eu não quero ver você nem falando bom dia pra ele.

— Você não manda em mim, seu bosta! — O Argol falou cheio de raiva se soltando dos braços do Shaka e avançando contra o Milo os dois voltaram a se esmurrar no chão.

— Mas que merda! — Falou o Shaka olhando desanimado para os dois no chão se batendo. — Vamos Don Juan, segura o seu namorado que eu tento o seu admirador.

Olhei sem graça para o Shaka, "que bela forma de descobrir que o amigo é gay, não é mesmo?" — Pensei envergonhado e voltei a segurar o Milo, o Shaka segurou o Argol o levando para fora do laboratório com ele nos ameaçando. — Eu vou acabar com vocês, vou acabar com vocês.

— Volta aqui, filho da puta, eu é que vou acabar com você!! — O Milo bradava de dentro do laboratório enquanto eu o segurava.

— Calma, Milo! Pelos deuses, calma! — Pedi tenso, o professor Donko logo logo estaria ali se toda essa confusão continuasse, por sorte a maioria dos alunos estava lanchando.

Demorou um bocado para o Milo se acalmar, mas por sorte eu consegui.

— Camus, que ideia foi essa de ficar sozinho com aquele cara? — O Milo me perguntou ainda irritado.

— Que diabos, Milo como eu poderia imaginar que ele faria uma coisa dessas? Caramba o Argol que sempre foi rude comigo, nunca pensei que ele pudesse fazer uma coisa dessas. — Me defendi sendo sincero, eu realmente nunca esperei algo assim do Argol.

— Aquele enrustido filho da puta. — Bradou o Milo socando a mesa.

— Milo, já passou, deixa isso pra lá. — Pedi temendo que meu namorado armasse mais confusão.

O Milo ficou me olhando e acariciou meu rosto. — Ainda bem que ele chegou tarde, não é?

Eu sorri. — Ele nunca teve a menor chance.

O meu amor me puxou para um beijo apaixonado, ainda estávamos no laboratório e só separamos o beijo quando ouvido o pigarro do Shaka chamando nossa atenção.

Eu fiquei mais vermelho que meus cabelos, o Milo ficou sem graça também.

— Camus, temos que arrumar isso aqui, daqui a pouco o Donko irá vir ver o resultado das nossas pesquisas de hoje e... Bem você sabe, além de não termos resultado algum nosso laboratório está uma bagunça. — Shaka me sugeriu sério e ele tinha razão.

— Eu ajudo vocês. — O Milo se prontificou, mas neguei. Primeiro, por causa do treino dele. Segundo, queria conversar com o Shaka.

Milo concordou em ir para o treino, desde que eu o esperasse para que fôssemos embora juntos.

Assim que o Milo saiu peguei a vassoura e comecei a varrer o chão ainda bastante sem graça, até que tomei coragem e toquei no assunto que tanto me encabulava. — Shaka, eu queria falar com você sobre o que houve, eu...

— Você é gay, eu já sabia. — Meu amigo me disse ajeitando os cilindros sem nem mesmo me olhar.

— Como assim, você já sabia? — Perguntei indignado e curioso.

— Radar gay, Camus, você definitivamente precisa ajustar o seu. — Shaka respondeu me deixando de queixo caído.

— Como assim? Radar gay? Você... É? — Eu comecei abobalhado e sem graça.

— Sou, Camus, sou gay como você, mas não desperto essas paixões exacerbadas. — Meu amigo falou sorrindo mostrando o laboratório bagunçado.

— Pelos deuses, o Argol é louco. — Comentei agora ajeitando os potes.

— Eu sempre desconfiei que ele era afim de você, o cara passava o tempo todo sempre te observando, te secando, sempre. —Shaka comentou e eu fiquei analisando tudo isso.

Realmente o Argol sempre pegou no meu pé, sempre ficou atento aos meus passos, desde sempre o Argol me perseguia, será que ele gosta de mim há tanto tempo assim? Pensei, e o Shaka respondeu como se lesse meus pensamentos.

— Fiquei com pena dele, acho que ele sempre gostou de você, mas, ou ele não tinha se dado conta desse sentimento, ou ele tentava esconder, e nos dois casos ele é digno de pena. — Shaka como sempre foi super sincero, com sua verdade que incomoda. — Não deve ter sido fácil pra ele vir se assumir pra você.

Parei de arrumar os cilindros e olhei para o meu amigo, eu estava mudo, o Shaka e sua mania de deixar a gente sem os sentidos funcionando bem.

Sei que eu não devia, mas fiquei com pena do Argol, e constrangido com aquela situação, eu não o amava, mas sabia muito bem o que era amar em silêncio. — Eu também sinto pena dele Shaka, mas não posso fazer nada por ele. Cara, ele me perseguiu durante anos, me agrediu várias vezes, não sinto nada por ele, nada além de pena.

— Eu sei, Camus, sei que você ama o Milo, o que me surpreendeu foi o fato de vocês enfim estarem namorando, isso é tão... uau. — Meu amigo comentou sorrindo e sorri pra ele um tanto sem graça, e acho que até vermelho.

— É... a gente tá junto, nos amamos. — Confessei.

— E aí meninos, como foi o dia de hoje, estou louco para saber se vocês tiveram alguns avanços. — Ouvimos a voz do Dohko entrando no laboratório, olhei para o Shaka e suspirei, não ia ser fácil explicar que não tínhamos resultado algum e ainda perdemos algumas coisas.

*-*-*-*-*

— Camus, você vai não é? Você prometeu que iria. — O Hyoga estava me cobrando ansioso sobre a sua apresentação naquela noite, a tal noite do Bolshoi.

— Claro que vou, mano, eu não prometi? — Disse calmo, meu irmão já estava muito nervoso com toda aquela pressão.

— Você acha que o papai vai? — Ele me perguntou esperançoso, apesar dos pesares e do jeito do nosso pai, nós sempre fazíamos tudo em busca da aprovação dele.

— Não sei se o papai irá, mas o Degel prometeu também, ele logo chega por aqui. — Respondi olhando nos olhos dele, tentando passar um pouco de segurança.

Hyoga iria para a apresentação mais cedo com o Shun, meu irmão havia ganhado o papel principal, mas isso não abalou a amizade deles, Shun sempre foi um ótimo amigo para o Hyoga.

— Camus, eu tô nervoso, não sei, mas eu tô com medo de errar. — O Hyoga me revelou.

Fiquei olhando pra ele, sentia falta da mamãe nestes momentos, pensei muito nela quando falei olhando nos olhos brilhantes do meu irmãozinho. — Hyoga, você tem que ir e dar o seu melhor, se divertir e aproveitar o momento. Não importa se você for bem e não se divertir.

Nós nos abraçamos e ficamos assim por um tempo, quando o Degel abriu a porta da sala, nós sorrimos pra ele e ele se juntou a nós no abraço.

Aquele era o momento do Hyoga e nós iríamos apoia-lo.

Não demorou e a mãe do Shun buzinou lá fora, o Hyoga nos olhou tenso. — Vocês vão, não é? Eu preciso de você lá.

— Eu não vim de tão longe para ficar olhando a cara do Camus! Claro que nós vamos! — Meu irmão falou sorrindo.

Hyoga sorriu, pegou as coisas dele e foi para o carro onde Shun e sua mãe o aguardavam.

— Ele está nervoso, não deveriam dar esse tipo de responsabilidade para uma criança. — Degel comentou indo até a cozinha beber água e verificar se tínhamos algo para comer.

Eu o segui e coloquei pra ele um pouco do ensopado que eu havia feito, eu havia comprado alguns livros de receitas e ainda pesquisava muita coisa na internet, estava me saindo muito bem na cozinha. Mas ainda comíamos muitas pizzas e afins, papai não me deixava ficar muito tempo na cozinha, eu tinha que estudar.

— Camus isso está divino, acho que vamos ter um Chefe de cozinha na família. — Meu irmão comentou brincando.

Eu sorri pra ele, não tinha pretensão de ser chefe de cozinha nem nada disso.

— O Kardia veio com você? — Perguntei enquanto olhava meu irmão comendo.

— Sim, ele veio, vamos todos a apresentação do Hyoga, inclusive a Kassandra e o Klaus. E o Milo vai? — Meu irmão devolveu a pergunta.

— Vai sim, já marquei com ele.

— E como vocês estão? — Degel me perguntou a queima roupa e não tive tempo de pensar em nada pra dizer.

— Er... estarmos bem. — Respondi simplesmente enquanto me levantei para pegar um suco para o meu irmão. Senti que ele me observava.

— Camus, sente-se aqui perto de mim. — Peguei o suco e o olhei tenso, será que ele sabia? Será que eu estava andando diferente? Claro que no dia que "aconteceu" eu estava dolorido, mas tomei todo o cuidado para não deixar meu pai perceber que eu estava sentando com dificuldade. Mas agora depois de alguns dias, eu já estava melhor.

— Que foi? — Perguntei ainda tenso, mas tentando disfarçar com minha fleuma natural. A merda é que essa característica meu irmão também tinha, ou seja, é difícil enganar o Degel.

Eu me sentei e ele ficou me olhando daquele jeito que eu me sentia despido.

— Como vocês estão? — Ele me perguntou calmamente.

— Degel você não precisa fazer isso, você não é a mamãe. — Soltei insolente, sei que fui rude, mas era estranho falar sobre isso.

Ainda mantendo a calma ele respondeu. — Não quero ser a mamãe, quero apenas ser o que sou: Seu irmão mais velho.

Ok, eu mereci isso. — Desculpa, mano, mas é que eu não sei falar sobre isso.

Ele sorriu pra mim e continuou. — Então a coisa está séria?

— Eu amo o Milo, desde sempre, Degel. — Respondi olhando para minhas mãos.

— Eu sei, mas quero saber é se ele está sentindo a mesma coisa?

— Ele diz que me ama, ele é carinhoso comigo, é protetor, tem sido ótimo. — Respondo ainda timidamente.

— Entendo... Vocês já...? — Meu irmão perguntou a queima roupa me deixando sem ação.

— DEGEL! — Reclamei vermelho como um pimentão.

— Vocês estão se protegendo?

Aquilo era demais, eu não respondi, apenas olhei para o meu irmão com os olhos arregalados.

— Camus, sei que vocês dois são garotos, mas quando acontecer é bom que usem preservativos, é bom que criem o hábito de se protegerem, é mais seguro e é mais limpo. — Meu irmão falou sem dar atenção ao meu constrangimento.

Ele terminou de falar e ficou me olhando, eu totalmente sem graça.

— Meu Deus! Vocês já transaram, não é? — Meu irmão soltou de repente me alarmando.

— Degel, pelos deuses! Você quer que alguém escute? Já pensou se o papai entra em casa agora? — Bronqueei.

— Então é verdade? Você e o Milo...?


Não tinha como fugir ou mentir para o meu irmão, então apenas confirmei com a cabeça.

Não sei se ele ficou em estado de choque, ou o que foi que houve, só sei que após um longo silêncio levantei meus olhos para olhar meu irmão que estava sem palavras apenas me olhando. Então eu o chamei a realidade. — Degel?

— Eu não sei o que dizer, Camus! Isso é... Vocês são tão precoces. — Meu irmão falou incrédulo, mas eu pensei um pouco e comentei.

— Degel, você e o Kardia estão morando juntos desde os dezoito anos só dois anos mais que eu e o Milo, e tenho certeza que vocês há haviam transado antes disso. — Encarei meu irmão com olhos felinos e foi a vez dele ficar vermelho.

— Camus, acho que aqueles irmãos são nosso ponto fraco. — Ele me respondeu sorrindo e eu concordei, também rindo.

Depois meu irmão me perguntou coisas do tipo: Como foi? Onde foi?

E quando eu falei ele quase teve um treco me chamou de maluco pra cima e me fez prometer que nunca mais iria fazer algo do tipo lá em casa.

Eu prometi, mas após a recusa dele em me dizer onde foi a primeira vez dele com o Kárdia, eu fiquei pensando se cumpria ou não essa promessa.

....

Nos arrumamos rápido, para os nossos padrões.

— Degel, você acha que o papai vai? — Perguntei inseguro e meu irmão me olhou pesaroso antes de responder.

— Seria muito importante para o Hyoga que o pai fosse, mas vamos respeitar as limitações dele, ok?

— Mas, Degel, não é justo com Hyoga, ele não merece esse preconceito por parte do papai! — Reclamei indignado.

— Ele vai mudar, ao menos ele está tentando mudar, não é? — Degel comentou sem acreditar muito nas próprias palavras.

Não demorou o Kárdia já estava tocando a campainha de casa junto com o Milo.

— Vamos logo, meus pais já foram, minha mãe queria garantir um bom lugar. — Meu cunhado falou assim que Degel abriu a porta.

Saímos.

— Você está lindo! — O Milo falou quando me viu apenas mexendo os lábios, sem emitir som algum.

— Você também. — Eu respondi da mesma forma.

— Hummmm, que Casalzinho mais apaixonado. — O Kárdia falou rindo fazendo o meu irmão lhe lançar um olhar gélido, e eu e o Milo ficarmos vermelhos.

— Afff... Cresce Kárdia! — O Milo falou fingindo indiferença.

Chegamos ao teatro logo minha sogra, que ainda não sabia que era minha sogra, fez sinal pra gente ela havia guardado lugares na frente, nos acomodamos e então percebi que estava tenso pelo meu irmão, será que ele iria se sair bem?

Não tive muito tempo para pensar logo o sinal tocou e as luzes se apagaram, o Milo segurou minha mão e olhei para ele, sorrimos. Ele sabia que eu estava tenso por causa do Hyoga e estava me mostrando que estava ali pra mim.

No palco começou a apresentação, meu irmão se movia com uma delicadeza ímpar, era como se ele estivesse flutuando no palco. Hyoga parecia um anjo dançando, perfeito em seus movimentos e suas finalizações.

Percebi que meu irmão olhava fixamente para um ponto no fundo da plateia, segui seu olhar e vi o meu pai parado olhando para o Hyoga.

No início pensei o pior, mas depois eu percebi que o papai estava tão emocionado quanto eu ou o Degel, haviam lágrimas em seus olhos, eu cutuquei meu irmão mais velho que olhou para onde eu apontei, Degel olhou e sorriu pra mim.

— Ele está tentando, Camus, ele está tentando.

Notas finais
O Crystal está tentando, não é? Mas será que ele consegue passar por cima dos preconceitos e ideias retrogradas por amor aos filhos? E o Argol? Que maluco não é? Ele é tão surtado que na cabeça dele o Camus o traiu, vocês sabem que existem muitas pessoas assim? Eu infelizmente conheci algumas.O que será que ele vai aprontar? Camus e Milo estão muito amorzinho não é? Será que essa calmaria vai durar? Camus e Degel.... Vontade de colocar vocês num potinho!!! Então é isso pessoal, quem acompanha Além do Tempo e eu ainda não respondi o review, não foi por falta de carinho com vocês e sim por falta de tempo. Estou escrevendo a continuação de Na Real, sim ela vai virar uma Long fic, e eu quero adiantar ao menos uns quatro capítulos antes de começar a postar! Meus amores comentários são sempre bem vindos! Fantasminhas psicografem um review pra mim, eles são de grande o nosso combustível! Obrigado e ate a proxima Grupo do Face >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/