Denvel acordou cedo, aos berros de sua esposa, Maria. Seus olhos, ainda embaçados, arregalaram-se simultaneamente ao salto que ele deu da cama, fazendo um barulho que deu a entender que a cama estava quebrada.

- O que foi Maria?! — ele pergunta, angustiado, ao ver o rosto suado de sua mulher.

- Minha cabeça dói! — ela grita, arfando entre os gritos. — Contrações!

Não pode ser agora, simplesmente não pode. Eles não estavam preparados, ainda faltavam dois meses...

- Respire fundo, e se acalme... — ele a instrui. — Você se lembra que o médico dis...

Foi interrompido por outro grito da mulher.

- CALE A BOCA! ME LEVE PRO HOSPITAL! — foi tudo o que ela conseguiu dizer, antes da próxima sessão de gritos.

Denvel a pega nos braços, e desce para a garagem. Coloca-a no banco do passageiro e deita seu banco, de modo que ela não sinta tantas dores.

Ele entra no carro, liga o motor, abre o portão da garagem e acelera, sem sequer fechar a casa. Nada é mais importante que seu filho. Ele já perdeu o primeiro, não poderia perder Marvel!

Ao chegar no hospital, ele segue para a emergência, onde preparam Maria para a sala de parto.

- Respire fundo e segure minha mão! — dizia um dos médicos, levando a maca para a sala.

Dentro da sala, Maria vomita no chão um líquido vermelho... Sangue! Ela estava tendo uma hemorragia.

Os médicos apressaram o processo do parto, e extraíram o pequeno Marvel rapida e cuidadosamente. A cirurgia termina, e a mulher estava cada vez mais pálida.

Por um momento, todas as atenções saíram dela para o bebê, junto aos bipes de uma máquina.

- O... que... está acontecendo? — ela pergunta, com suas forças restantes.

Ninguém responde, mas ela nota os médicos correndo com seu filho para fora da sala. Sobram uma enfermeira na sala, junto de Maria, e então um outro médico adentra, escancarando as portas, e fazendo um estrondo que deu a impressão de rachar a cabeça da nova mãe.

Ela força os ouvidos e escuta, com suas últimas forças, as palavras da enfermeira para o médico:

- A criança está morrendo.