Notas iniciais
Primeiro beijoooooooo

— Todos para fora! – Dwight e Angela disseram quase em uníssono.

A fumaça tomava conta da cozinha e começava a se espalhar pelo escritório. Dwight e Angela auxiliavam seus colegas a sair do escritório. Angela gritando para que todos se mantivessem calmos e saíssem depressa, já Dwight, empurrando todos que via pela frente e instaurando o pânico entre seus colegas. Após todos saírem, os dois se olharam cumprimentando-se. Angela era líder de segurança no escritório, ela tinha treinamento completo em segurança do trabalho e sabia exatamente o que fazer em situações como aquela. Não que Dwight precisasse, pensou, ele era xerife voluntário e tinha total controle da situação.

Todos estavam descendo as escadas quando Angela reparou que Dwight não vinha atrás. Ela parou abruptamente e começou a subir a escada apressada. Ao virar para subir o último lance de degraus até o escritório, deu de cara com um Dwight ofegante que pareceu confuso ao vê-la esperando por ele.

— Você não deveria ter demorado tanto, poderia ter ficado preso lá dentro — Angela disse impaciente e voltou a descer as escadas. Dwight a seguiu.

— Tive que salvar a Kelly — respondeu arfando. Sua camisa estava encharcada por causa do garrafão de água que tentou jogar na cozinha sem sucesso.

— Fazem 10 minutos que ela passou por mim. — Angela revirou os olhos, o que ele estava fazendo no escritório para demorar tanto?

— Por que você estava voltando? — Dwight ainda tentava manter a respiração regular enquanto desciam.

— Precisava assegurar que todos estivessem lá fora e a salvo disse Angela com medo de transparecer qualquer interesse ou preocupação com seu colega e completou — eu voltaria por qualquer um.

— Mesmo assim, obrigada Angela — Dwight socou o ar se arrependendo de falar como se estivesse esperando uma resposta diferente. Por sorte ela não olhou para trás.

Eles chegaram ao térreo sem trocar mais nenhuma palavra.

No final do dia após tudo ter se normalizado e todos terem voltado ao escritório, era hora de ir embora. Um leve cheiro de queimado ainda permanecia no ambiente. Kevin disse que não parecia mais com um cheiro de incêndio e sim de um churrasco.

Todos foram saindo deparando-se com uma noite chuvosa em Scranton. Angela parou em frente a porta e revirou sua bolsa em busca de um guarda chuva. Não encontrando nada, tirou da bolsa uma blusa e começou a amarrar na cabeça para proteger seu cabelo quando alguém pigarreou ao seu lado.

Dwight esticou o braço segurando um guarda chuva oferecendo a ela uma breve carona até seu carro. Angela assentiu aproximando-se. Dwight posicionou tanto o guarda chuva para protegê-la que parte dele estava se molhando completamente mas ele não se importou.

Ao chegar ao carro de Angela, ela agradeceu.

— Obrigada Dwight.

— Não há de quê – Dwight disse cabisbaixo virando-se para seguir para seu carro.

— Você não parece bem — indagou estranhando a postura do colega. Mais cedo Dwight estava alegre e cantando sobre Ryan ter começado o incêndio. Ele se se sentia satisfeito pela descoberta.

— Algumas coisas são complicadas no escritório — ele disse se virando para encará-la. — Já sentiu como se não fosse importante?

Angela assentiu. Ele se aproximou colocando o guarda chuva sob ela para que não se molhasse pois não havia aberto seu carro ainda. Naquele momento ela percebeu o quão sensível Dwight era. E como sua postura escondia muito sobre sua personalidade.

A chuva caia leve e demorada sobre eles. A luz do estacionamento iluminava as poças de água no chão e ambos só permaneceram parados se olhando imaginando qualquer coisa que pudessem dizer para alongar aquele raro momento.

— Você não precisa ser importante Dwight – Angela quebrou o silêncio – Você só precisa sentir que é importante.

— E eu sou? – Ele se aproximou lentamente de Angela abaixando ainda mais a cabeça para encontrar seu olhar.

Angela sentiu receio em dizer aquelas palavras. A última coisa que queria era expor seus sentimentos mas naquele momento pensou que seria uma boa ação animar uma pessoa triste, principalmente se tratando dele.

— Sim — respondeu baixinho.

Ela sabia que Dwight havia captado o que acabara de dizer. Ele não era apenas importante, era importante pra ela. Não tinha certeza do que sentia e ao menos se aquilo seria certo mas ela já não conseguia mais controlar o coração acelerado em seu peito, todas as vezes que ele estava por perto ou todas as vezes que ela ouvia sua voz.

— Eu sei porque você estava voltando pro escritório durante o incêndio — Dwight disse as palavras lentamente.

Ela abaixou a cabeça por um minuto e fechou os olhos tentando reprimir mais uma vez o que estava sentindo. Mal ela imaginava que Dwight se sentia da mesma forma. A distância entre eles diminuía e Dwight continuou:

— Você sente o mesmo que eu — Dwight disse levando a mão gentilmente ao rosto de Angela e levantando seu queixo. — Não podemos continuar fingindo que não existe nada aqui.

— Não é adequado — Angela balançou a cabeça mas Dwight mantinha a mão em seu queixo.

Angela sentiu a respiração rápida de Dwight contra seu rosto e procurou desligar seus pensamentos que lhe diziam para recuar. Ele livrou a mão que ainda segurava o guarda chuva desequilibrado sobre eles e envolveu sua cintura junto a si tentando a levantar um pouco do chão. Ele sorriu levemente ao perceber o quão delicada ela era, quase como se fosse quebrar. Ele fechou os olhos e a beijou. Angela prendeu a respiração quando sentiu os lábios macios de Dwight tocarem os seus. Foi um beijo longo e delicado. Em seguida se encararam por um instante confusos e voltaram a se beijar com mais intensidade. Os dois eram como um pavio que tinha se acendido e podia explodir a qualquer momento mas não tinha mais como ser apagado.

Notas finais
O que acharam?