Dust in the Wind
32 Proposta Indecente
Notas iniciais

Washington — DC.
Já era sábado, e Emily ainda estava no hospital olhando Jack na incubadora. Ela ficava olhando fixamente se sentindo totalmente impotente por não poder fazer nada para ajudar o filho. Sua mãe estava do seu lado, já que Hotch havia ido em casa.
— Ele vai ficar bem. Ele é forte — disse Elizabeth — afinal, tem o sangue Prentiss correndo nas veias.
— Me sinto tão culpada por ter que deixá-lo aqui sozinho com uma enfermeira mesmo que seja por algumas horas — falou Emily fechando os olhos se martirizando — mas também me sentiria culpada se não passasse esse dia com minha filha.
— É a sina de ser mãe — completou Elizabeth — o eterno sentimento de culpa. Nada do que fazemos parece ser suficiente. E digo com toda certeza, esse sentimento não passa nunca.
Emily olhou para a mãe achando estranho ela falar aquilo, afinal a Embaixadora Elizabeth Prentiss sempre foi autoconfiante.
— Como está seu casamento? — perguntou Elizabeth mudando de assunto.
— Eu não sei — ela respondeu — a gente havia brigado antes do Jack nascer e eu estava disposta a me separar dele, só que definitivamente, sem volta. Eu amo o Hotch, mas a gente não faz bem um ao outro.
— Mas vocês já conversaram sobre isso?
— Na verdade, não. Eu tenho fugido dessa conversa pelo bem dos nossos filhos que estão passando por momentos difíceis. E acho que Hotch entendeu isso e tem me dado espaço.
— Eu achei que vocês estivessem bem depois da reconciliação ano passado.
— E estávamos até essa história do possível envolvimento de Wendy na morte da filha do agente Collins vir à tona junto com a fuga da prisão de Phillip — Emily fez uma pausa como se estivesse chateada — ele acha que sou culpada pelo que aconteceu a Wendy por não ter contado para ele o que a Interpol e o FBI me obrigaram a fazer.
— Filha, eu não quero tomar partido de ninguém, mas ele tem razão. Wendy é filha dele, e você ter colocado ela sob o mesmo teto que um psicopata...
— Eu não quero ouvir essa história — falou Emily interrompendo a mãe.
Um silêncio tomou conta do ambiente por alguns segundos, até que Elizabeth resolveu quebrá-lo.
— Você poderia ter pedido a minha ajuda, que em dois tempo, eu teria dado “chega para lá” nessa tal de Heidi Murphy. Mas seu orgulho falou mais alto, não quis pedir minha ajuda por puro orgulho.
Emily se segurava para não se irritar com a mãe.
— Eu não pedi sua ajuda, por que tinha certeza que você ficaria jogando na minha cara, como sempre faz.
— Eu jamais faria isso — Elizabeth falou como se estivesse ofendida, mas percebendo o olhar de reprovação da filha, resolveu ponderar — quer dizer, eu não faria isso em se tratando de um assunto tão sério, você e meus netos são tudo que tenho. Eu faria qualquer para vê-los protegidos. Tanto que é o que estou fazendo agora. Estou movendo meus pauzinhos para condenar Phillip de modo que ele não saia nunca mais saia da prisão.
— Mãe, a Senhora sabe que Heidi está querendo entrar em acordo com Phillip para ele entregar os russos?
— Eu não vou permitir que isso aconteça. Eu já tenho minha equipe trabalhando para rastrear todas as contas em nome da Wendy em todos os países do mundo e a origem do dinheiro. Nós vamos pegar os russos sem precisar entrar em acordo com Phillip. O promotor está do nosso lado. Entrar em acordo não vai ser tão fácil.
— Já estamos sem tempo. Heidi está tão cega em querer pegar os russos que não se toca do perigo que é Phillip livre.
— Wendy já sabe disso?
— Não. Ela pensa que os seguranças é até Phillip ser transferido para um presídio. Quando ela souber, vai sofrer tanto.
— Eu já disse, eu não vou permitir que soltem Phillip, eu vou retardar esse processo o máximo que puder, até descobrirmos tudo que precisamos. Mas agora vamos, se despeça do seu filho e vamos para o aniversário da sua filha.
— Certo — Emily virou-se para a incubadora e ficou com a mão sobre a mesma, como se quisesse tocar no filho.
Ela despediu-se e voltou para casa.
***
A festa de Wendy vai ser de dia, já que seus pais estavam dormindo no hospital e naquela noite precisariam voltar para lá. Mas a garota estava satisfeita, afinal era primavera. Festa durante o dia na primavera tinha tudo a ver. A filha de Hotch ficava em frente ao espelho, com um roupão e os cabelos presos em uma toalha. Escolhia qual roupa vestiria.
Por ser uma festa diurna, a garota sabia que tinha escolher uma roupa com um tecido leve e cores vivas. Por isso escolheu um vestido de tecido tencel, que tinha a maciez do algodão e o toque da seda, com as alças largas, justo até o busto e solto até a altura dos joelhos, na cor verde clover. Colocou um sapato preto, salto médio.
Após secar os cabelos, vestir-se e maquiar-se, ela fez uma trança lateral. Estava pronta, agora era só aguardar que Reid aparecesse.
***
Reid estava deitado na sua cama, em sua casa. Perguntando a si mesmo se deveria ir ou não. Quem tanto iria para aquela festa. A última vez que esteve em uma festa com Wendy as coisas não foram tão bem. Mas de repente seu celular tocou, ele olhou no visor: era Morgan. Prontamente ele atende.
— Fala, Morgan.
— Apronte-se que daqui a meia-hora estou passando na sua para irmos no aniversário da filha do chefe.
— Morgan, eu...
— Reid, não invente desculpas... tu tem a maior gatinha te dando mole e fica de frescura.
— Eu não sei, Morgan... Reid e festa não combinam muito.
— Todos vão está lá, Reid. A JJ, o Rossi, a Elle e a Garcia. Até a Strauss vai. Se você não for vai pegar muito mal, tanto na vida amorosa quanto na profissional.
— Tudo bem, mas se eu ver que não está dando para mim, eu venho embora.
— Okay — respondeu Morgan desligando o telefone.
***
Hotch estava no quarto se vestindo para a festa da filha. Ele colocou uma calça azul marinho com uma camisa azul claro e um terno esportivo na cor bege escuro, sem gravata. Sua esposa estava se vestindo no banheiro.
Era incomum para ele está sob o mesmo teto de Emily e viverem como se fossem dois estranhos. Parecia que não tinham mais intimidade. Mas logo Emily saiu, e estava deslumbrante: usava um vestido vermelho de alça um pouco colado ao corpo que ia até a altura dos joelhos. Cabelos até a altura dos ombros, soltos e ondulados. Maquiagem leve.
Hotch ficou por alguns segundos anestesiado admirando a beleza daquela mulher. Era incrível como os anos só faziam bem a ela.
— Você está linda! — Hotch não pode deixar de dizer isso.
— Vamos descer? — ela sugeriu tentando mudar de assunto.
— Claro — ele respondeu estendendo o braço para ela.
Emily logo segurou no braço do marido, mas antes que descessem para o jardim, Hotch resolveu falar o que estava sentindo.
— Querida, eu sei que não é o momento propício, afinal nossas vidas estão uma bagunça e nossa prioridade tem sido nossos filhos. Mas eu só queria te dizer que não vou desistir do nosso casamento. Eu vou lutar até onde der. Eu não quero te perder de novo.
Emily deixou uma lágrima escapar de seus olhos, porém não respondeu. E nem precisava, Hotch podia ver que ela também não queria desistir, que ambos continuariam tentando. Ela sorriu docemente para o marido e ele deu-lhe um beijo na testa. Então desceram para a festa.
***
No jardim a festa estava pronta. Várias mesas com cadeiras brancas de quatro lugares, muitas flores e dos mais diversos tipos, e no meio uma pista de dança com um DJ tocando. Já havia vários convidados, as meninas do time, Vanessa e outros colegas da faculdade, inclusive Michele e Ravenna, o que intrigou Wendy. Como elas tiveram a ousadia de pisar na sua casa. Todavia a garota não quis se estressar com aquilo. Também tinha alguns políticos amigos de sua avó.
JJ também já havia chegado com o marido, Will e os filhos, esbanjando simpatia. Rossi chegou acompanhado de Strauss. Elle e Garcia chegaram juntas, esta última encheu Wendy de beijos e abraços quando a viu. Quem também apareceu e surpreendeu Wendy foi Daniel Parker juntamente com Lilly Parker.
Mas não chegava quem ela realmente estava esperando, e por várias vezes ela repetia a si mesma que ele não viria, pensava em ligar, mas acreditava que ele não atenderia, por isso resolveu ir para a pista com as amigas.
Era sua festa, não podia se deixar de abater. Dançou com a amiga do time de vôlei, Valentina Perrette, enquanto conversavam sobre a ousadia de Ravenna e Michelle aparecerem na festa de aniversário dela depois de tudo que aprontaram.
Quando ela olhou em direção ao portão de entrada, ela não acreditou em quem viu. Sua vista escureceu e por alguns segundos perdeu todos dos sentidos. Sim, era Spencer Reid que chegava acompanhado de Morgan. Ele vestia calça e camisas bege em tons de diferentes e estava com as mãos no bolso. Totalmente desnorteado.
— Spencer, chegou — ela disse se tremendo todinha — o que eu faço?
Valentina olhou para trás sem disfarçar que estava olhando para Spencer que se aproximava da mesa onde estavam os colegas de trabalho. Então logo o rapaz percebeu que era o foco da conversa das meninas.
— Chama ele para dançar — sugeriu Valentina.
— Ele é tímido, não vai querer vir.
— Vamos fazer o seguinte então — falou Valentina — vamos pedir para o DJ colocar uma música mais romântica. É só dos passinhos para lá e dois para cá, até quem nunca dançou, sabe se virar.
— Está bem, pode ser uma boa ideia — disse Wendy saindo da pista de dança.
Reid logo que chegou se uniu a JJ e aos outros. Sean foi cumprimentá-los.
— Como você está? — perguntou Morgan a Sean apertando a mão do amigo e lhe dando um tapa nas costas — faz tempo que não te via?
— Estou bem, estava morando em Nova Iorque, mas resolvi passar uns dias aqui em DC para ajudar meu irmão — ele respondeu prontamente — e você, Morgan? Já casou?
— Quer isso, cara. Está me estranhando?
— Está ai duas coisas que não combinam — falou Garcia — Morgan e casamento.
— Ainda bem que você sabe, amor!
No entanto, a conversa foi interrompida pela chegada afoita de Wendy. Ela estava num misto de ansiedade e alegria.
— Olha quem chegou — disse Morgan entregando um pacote embrulhado num lindo papel de presente para a garota — a aniversariante. Este presente eu comprei com Reid.
Wendy agradeceu dando um abraço nele. Depois a garota virou-se para Reid.
— Spencer — a garota estendeu a mão esquerda para o rapaz, já que com a direita segurava o presente que Morgan lhe dera — vem aqui comigo.
— Para onde? — perguntou o rapaz segurando a mão da garota.
— Para pista de dança — ela respondeu puxando o rapaz com força.
— Não — ele falou puxando o corpo de volta — eu não sei dançar.
— Eu sei disso — a garota respondeu o puxando de volta — confia em mim, Spencer — Reid ficou inquieto, mas não resistiu mais. Logo a garota virou-se para o tio entregando o presente — guarda para mim, por favor.
— Claro — respondeu Sean recebendo o pacote e logo depois Wendy arrastou Reid para pista de dança.
Sean pediu licença e foi guardar o presente.
— Morgan, meu bombom de chocolate — disse Garcia — você acaba de perder o posto de mais gato dessa festa para o irmão de Hotch. Que pedaço de mal caminho — Garcia se abanava.
— Eu também achei — concordou Elle.
— Hã? Sou mais eu — respondeu Morgan. Que havia pegado o celular e ativou a câmera.
— O que está fazendo? — perguntou JJ vendo que ele estava filmando a pista de dança.
— Cara, o Reid vai dançar. Acha que eu não vou registrar um momento épico desse.
— Você está fazendo isso para zoar dele depois — disse JJ colocando a mão em frente à câmera — eu não vou deixar você fazer isso.
— Lá vem a mamãezinha do Reid defender ele — falou Morgan rindo muito e em seguida levantando a câmera mais alto, porém JJ levantou-se e continuava atrapalhando a gravação — para, JJ.
— Só se você parar com a gravação.
— Isso, eu não prometo.
Os dois continuavam brigando.
— Ehhh — disse Garcia — vamos dançar, Elle. Quem sabe a gente arranja um gatinho.
— Garcia, são todos universitários — retrucou Elle.
— Mas são todos maiores de idade — respondeu a loira — e mais, eu não estou dizendo para a gente arrumar um marido, só flertar um pouco.
— Okay, você venceu — falou Elle levantando-se e indo com Garcia dançar.
Assim que Reid e Wendy chegaram na pista de dança. Reid parecia que havia sido petrificado, pois ficou imóvel. Mas logo Valentina deu um sinal para que o DJ tocasse uma música. Era Brand New Day de Forty Foot Day.
A garota envolveu seus braços no pescoço dele.
— Wendy... tem muita gente aqui — ele disse tímido.
— Não olhe para eles — Wendy respondeu — olhe somente para mim.
Reid baixou a cabeça tímido, mas depois levantou a cabeça a encarando e cedendo as vontades da garota, por isso desceu suas mãos até a cintura dela a segurou com firmeza, mas delicadamente.
Eles então coloram os rostos. E Reid fechou os olhos, ficando somente ouvindo a música e sentindo o cheiro adocicado do perfume de Wendy.
Então começaram a dançar, fazendo passos de um lado para o outro seguindo o ritmo da música. O rapaz esquecera que estava em um local com várias pessoas e imaginou que só estavam os dois, por isso aos foi se soltando e abraçando mais forte a garota. Ele nunca havia sentido uma paz tão grande na vida, como estava sentindo naquele momento. Está nos braços daquela garota, era tudo que ele queria.
— Eu te amo, Spencer — ela disse no pé do ouvido do rapaz — você ainda me ama?
— Nunca deixei — ele respondeu — nem por um segundo.
O passo dos dois estavam sincronizados. Então a garota desencostou o rosto do rosto dele e o encarou. Eles ficaram fitando por alguns segundo, um totalmente perdido no olhar do outro.
Ela foi aproximando seu rosto do dele e foi encostando seus lábios suavemente nos dele. O rapaz correspondeu. Os batimentos cardíacos aceleraram e ambos estavam totalmente anestesiado pelo som da música.
Então os dois pararam de dançar e começaram a se beijar ferozmente no meio da pista de dança. Mal conseguiam respirar. Tanto que no pequeno intervalo que faziam entre um beijo e o outro, era possível um sentir e ouvir a respiração ofegante dos dois.
O beijo entre eles representava bem mais que a demonstração do desejo que sentiam. Mas uma conexão que os tinham que nada podia explicar: o amor verdadeiro. Para Reid ainda era surreal, está ali, com elas em seus braços. E temia que tudo não passasse de um sonho e que qualquer momento acordasse sem está com ela.
Ela o abraçava como se quisesse sentir o calor do corpo dele ainda mais. Wendy se sentia totalmente presa a ele e não queria se libertar.
Aos poucos foram diminuindo o ritmo do beijo. E quando pararam de beijar, se abraçaram. Wendy encostou sua cabeça no peito dele e voltaram a dançar. Os dois estavam totalmente entorpecidos pelo beijo do outro.
— Spencer — ela falou tirando a cabeça do peito do rapaz e o encarando. A garota estava nervosa, porém decidida — eu estou sendo vigiada praticamente 24 horas por dia e eu não posso sair daqui com você para irmos a um local onde possamos ficar mais à vontade. Porém tem uma coisa que queria te pedir.
— O que? — ele perguntou percebendo que a mão direita dela percorria seu corpo chegando até o bolso direito da sua calça. Ela havia colocado algo lá.
— É a chave do meu quarto — Wendy disse fazendo com que Reid arregalasse os olhos — depois dos parabéns, eu quero que você suba as escadas e vá para o meu quarto e me espere lá. Eu vou inventar que estou com dor de cabeça por causa da festa para ninguém incomodar a gente.
— Wendy, tem certeza de que quer isso? É muito arriscado.
— Você é um agente do FBI e vem me falar de riscos? — Wendy falou mordendo os lábios — então, Doutor Spencer Reid, o senhor vai?
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