Dust in the Wind
15 O Segredo de Emily
Notas iniciais

Washington — DC
Hotch foi para o escritório, ligou para Rossi e ambos ficaram conversando por longas horas. Wendy aproveitou e foi para o quarto da mãe. Ela continuava a dormir, a medicação que Emily tomava era muito forte, por isso a maior parte do tempo ficava dormindo.
Emily dormia de lado, apesar de aparentar ser uma posição desconfortável, ela aparentava está relaxada. Wendy deitou-se ao lado da mãe ficando de frente para ela em posição fetal.
Ela pensou em tudo que viveu até ali e apesar de saber o que está por vir com as acusações do assassinato de Rachael, ela nunca havia se sentido tão bem como estava naquele momento. Contar para seu pai toda a verdade a fez se sentir mais leve.
E a mãe foi sua companheira por toda a vida. E por mais que Phillip fosse manipulador e sua mãe não enxergasse o que se passava, de alguma forma, Wendy sentia que a mãe a protegeu durante todo o tempo.
Ficou por algum tempo ali, a mãe chegou a vê-la, mas devidos aos remédios, mal conseguia falar, somente sorriu e disse um “eu te amo”.
A garota levantou-se e foi para a sala segurando o celular, seus pensamentos diziam para ligar para Spencer, mas resolveu não ligar, a última vez que ficou obsecada por um homem, a fez tomar muitas atitudes erradas e que a levaram para o “buraco” onde se encontrava. Por isso resolveu seguir os conselhos do pai e ter paciência, no final das contas, tudo se resolveria.
Ela olhou nas redes sociais e todos comentavam o caso e falavam mal dela. Por mais difícil que fosse, Wendy tentou não se importar, mas era difícil, tanta gente a julgando com base numa matéria que falava de um crime, mas que não apresentava nenhuma prova.
A garota desistiu de olhar as publicações e então foi ajeitar as malas, depois que terminou as suas, resolveu ir ajeitar as dos pais. Logo que chegou ao quarto, observou que a mãe já estava acordada, mas com muitas dificuldades de levantar.
— Mãe, fica deitada — pediu Wendy correndo para ajeitá-la na cama.
— Eu só quero caminhar um pouco — falou Emily ainda muito cansada. O rosto dela estava pálido e parecia bastante fraca ainda.
— Olha o que o médico disse: 100% de repouso.
— O que está fazendo aqui? Não deveria está assistindo aula?
— Sim, mas eu e o papai conversamos e achamos melhor irmos para um hotel próximo ao hospital até o bebê nascer. Então eu fiquei em casa, já ajeitei minhas malas, agora vou organizar a de vocês.
— Não, filha. Não precisa me ajudar, eu ajeito minha mala.
— Mãe, a senhora não pode. Esqueceu? — Wendy olhou para a mãe com a cara de quem nada estava entendendo e foi em direção ao guarda-roupa.
— Wendy, eu disse que não — gritou Emily esquecendo por alguns segundos que não podia se exaltar.
— Mas mãe...
— Wendy, eu não quero você mexendo nas minhas coisas — falou Emily com dificuldades, mas ainda muito irritada.
— Por quê? Eu só vou pegar alguns de seus pertences e colocar numa mala — a garota tentava se justificar, porém estranhando a reação da mãe.
— Agradeço a boa intenção, filha. Só que eu mesma vou ajeitar minhas coisas.
— Mãe, a senhora tem que repousar...
— Sai do meu quarto, Wendy... agora!
— Tudo bem — falou Wendy triste saindo do quarto.
— Filha — disse Emily com dificuldades enquanto a garota saia magoada.
Emily se levantou com muita dificuldade e abriu o guarda-roupa, fez suas malas e a do marido, mas sentiu-mal pela forma como tratou a filha.
***
Brooklyn — Nova York
Rossi após conversar com Hotch se dirigiu à equipe que estava reunida em uma sala discutindo o caso. Era uma mesa redonda, e estavam todos lá: Morgan, Reid, Elle e JJ. Rossi ficou calado esperando concluírem sua reunião, mas logo sua presença foi percebida por todos.
— Por onde estava, Rossi? — perguntou Morgan — precisamos de você para nós resolvermos o caso.
— Eu estava conversando com Hotch, o caso de Phillip vai ser reaberto — disse Rossi.
— Reaberto? Mas por quê? — perguntou JJ.
— Apareceram fatos novos — respondeu Rossi — mas por enquanto cuidem de resolver esse caso primeiro, depois passamos ao outro, porém eu vou voltar para Washington para começar a análise e vermos onde erramos quando fechamos o caso. Mas queria levar Reid e Elle comigo
— Por que eu? — indagou Reid.
— Por que você vai lembrar-se de todos os fatos do caso durante a viagem e com isso vou ganhar tempo...
— Tudo bem, podem ir — falou Morgan — nós já concluímos o perfil e a polícia e o FBI local podem nos ajudar com as buscas dos suspeitos.
— Obrigado Morgan — disse Rossi e depois virou-se para Reid e Elle — vamos?
— Certo — concordou Reid se levantando, pegando sua bolsa tiracolo e saindo com Rossi e Elle.
***
Washington — DC
O pai estava no escritório fazendo umas ligações, quando Wendy entrou. Ela ficou em pé de frente a mesa que ele estava sentado esperando alguns minutos enquanto ele concluía a conversa.
— Algum problema, filha? — perguntou Hotch.
— Acho que temos que ir logo...
— Certo — falou Hotch — mas antes eu queria falar com você.
— Pode falar!
— Wendy, eu acabei de receber uma ligação de um contato de Londres — falou Hotch se levantando e ficando de frente a filha — e ele me disse que a sua amiga Jessyca procurou a polícia local para prestar um depoimento.
— Que depoimento? O que ela disse?
— Ela disse parte do que você já havia me dito: que foi Lilly Parker quem aplicou a injeção de ecstasy em Rachael Baxter.
— A Jessyca não podia ter feito isso — falou Wendy — a gente tinha feito um trato.
— Que trato?
— Que eu assumiria a culpa sozinha pelo que aconteceu a Rachael se em troca ela não falasse do envolvimento da Lilly.
— Assumiria para quem?
— Eu assumiria para a polícia, mas Phillip conseguiu que as investigações cessassem antes que chegassem a mim, mas prometemos que se algo desse errado e fosse retomada as investigações, eu assumiria sozinha a culpa.
— Por qual motivo, Wendy?
— A Lilly é uma boa menina, ela se corrompeu por influência minha e da Jessyca, eu não podia deixar estragarem a vida dela.
— Mas agora não há nada que você possa fazer agora, não está mais sob seu controle.
— Ela não merecia isso.
— Wendy, há outro detalhe do depoimento de Jessyca que eu não te disse
— O que é?
— Ela afirmou que ela, Jessyca, foi quem segurou a Baxter. Você não pode mais ser presa pela morte de Rachael Baxter.
— Não, tem alguma coisa errada nisso — falou Wendy — eu segurei a Rachael, a Jessyca sabe disso e jamais faria algo para me proteger.
— Ela pode ter feito isso a pedido de Phillip — concluiu Hotch.
— Impossível. Primeiro ela está em Londres... e segundo Philip está preso em numa penitenciária na Califórnia.
— Wendy, na prisão que Phillip está, tem telefones públicos... alguns presos podem fazer ligação, é tudo monitorado, mas pode...
— Uma pessoa condenada fazendo ligações?
— Não vamos entrar no mérito de discutir se ele pode ou não ligar. Vamos nos concentrar em descobrir com que finalidade a Jessyca te isentou da culpa pelo que aconteceu a Rachael. Talvez Phillip tenha ficado sabendo que você certamente ficaria presa e fez algo para que você não fosse.
— Mas por quê? Ele me odiava e me infernizava... não faz sentido ele me querer livre.
— Isso é o que vamos descobrir.
Hotch voltava a se sentar, quando Wendy o olhou desconfortável.
— Mais alguma coisa? — perguntou Hotch ajeitando o paletó e se sentando.
— A mamãe...
— O que tem sua mãe?
— Agora há pouco, eu fui ajeitar as malas do senhor e a dela e mamãe simplesmente me expulsou do quarto.
— Filha, é normal, ela está grávida e os nervos estão à flor da pele — responde Hotch tentando acalmar a filha.
— Não sei, ela parecia que não queria que eu visse algo dentro do guarda-roupa — retrucou Wendy.
— O que ela poderia ter dentro do guarda-roupa?
— Não sei, mas o senhor precisava ver a forma como ela me tratou...
— Paciência, filha.
— Eu tive, tanto que sai de lá calada.
O celular de Hotch começou a tocar em cima da mesa.
— Já sei — disse Wendy — tenho que sair.
— Depois conversamos — falou Hotch enquanto pegava o celular e Wendy saia.
Hotch se certificou que a filha havia saído e só então atendeu o celular.
— Pronto Garcia! — disse ele quando atendeu.
— Senhor — falou Penélope nervosa — eu estava pesquisando... pesquisando... pesquisando.
— Fala logo, Garcia — pediu Hotch.
— Bem, eu só estou pensando por onde começo — Garcia estava nervosa e respirou e fundo — o senhor estava certo a respeito das vítimas do assassino da moeda. Além de serem mulheres divorciadas que abriram mão da guarda dos filhos, todas elas ganharam uma bolada no divórcio e pelo que consta nos registros, todas elas, com o dinheiro do divórcio, compraram títulos públicos ao portador de que não se sabe qual foi o destino depois da morte delas.
— Quer dizer que Phillip não só matava as vítimas as torturando — concluiu Hotch — como também as roubava.
— É o que parece, senhor. E crimes parecidos não ocorreram somente na Califórnia — completou Garcia.
— Ocorreu em outros estados também?
— Sim, senhor. Em Ohio, Carolina do Norte e Nevada. Os crimes só se diferenciam pelo fato de não ter sido deixada moedas nos locais dos crimes — Garcia respirou e fundo e continuou — ainda tem mais senhor.
— Pois diga, Garcia — pediu Hotch.
— Antes de Phillip ir embora para Londres, o FBI já o investigava a respeito dos roubos. Eu tentei falar com a agente responsável pelo caso, Heidi Murphy, mas ela se negou a falar — Garcia aparentava está nervosa — Ai meu Deus, como eu vou dizer isso!
— Garcia, fale logo tudo de uma vez.
— Pois bem, eu fiquei fuçando... fuçando e sem querer eu vi um arquivo que não deveria ter visto, mas eu vi sem querer... eu juro que foi sem querer.
— Garcia!
— Tudo bem, eu vou falar. Um agente do FBI foi designado para investigá-lo em Londres...
— Que agente?
— Agente Emily Prentiss, também conhecida como Senhora Hotchner.
***
Los Angeles — Califórnia.
Phillip mais uma vez se dirigia ao orelhão, ele olhava fixamente para o guarda que parecia não se importar com a presença dele. Phillip pegou outra moeda e fez uma ligação. Logo atenderam.
— Já pode colocar o plano em ação!
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