Dust in the Wind
16 Conversas Dificéis
Notas iniciais

Washington — DC
— Tem certeza, Garcia? — perguntava Hotch incrédulo.
— Sim, eu não falaria com o senhor se não tivesse certeza — respondeu prontamente Penelope.
— Obrigado, Garcia — falou Hotch desligando o telefone.
Ele então se inclinou na cadeira levando às mãos a cabeça como se tivesse chegado ao seu limite. Hotch não podia acreditar que a esposa tenha mentido a ele durante todos esses anos. Ela sabia quem era Phillip desde o começo, e mesmo assim colocou a vida de Wendy em risco.
E o pior disso tudo era saber que ele não podia confrontar a esposa. Tantas perguntas sem respostas remoendo sua cabeça e ele sem nada poder fazer. Ele teria que esperar o nascimento do bebê para confrontá-la.
Ele saiu do escritório e a filha e a esposa já o aguardavam com as malas na sala de estar. Wendy estava sentada no sofá, bem relaxada enquanto mexia no celular e Emily aparentava está fraca, mas sorriu quando viu o marido.
— Vocês vão indo na frente — disse Hotch sem olhar direito para a esposa — eu vou chamar um táxi.
— Por que não vai com a gente, querido? — perguntou Emily.
— Eu tenho umas ligações para fazer...
— Faz no caminho... — pediu ela.
— Certo, então vamos logo — concluiu Hotch.
E assim o fizeram. Eles foram no carro de Hotch que conversou pouco com a esposa, o que causou estranheza, Emily quis perguntar, mas achou melhor fazer quando tivessem a sós.
***
Após passar boa parte do tempo trancada no banheiro. Vanessa saiu, ajeitou os cabelos, limpou as lágrimas e saiu do campus, ela não queria falar com ninguém, mas assim que saiu deu de cara com Daniel que parecia está desesperado.
— Cadê a Wendy? — ele perguntou em tom desesperado.
— Eu não sei — Vanessa respondeu calmamente — eu não a vi hoje.
— Eu preciso falar com ela... é urgente!
— É sobre o jornal?
— Não importa. Eu só preciso falar com ela.
— Por que não se acalma um pouco — pediu Vanessa.
— Eu não consigo.
— É verdade aquilo que diz a respeito dela naquele jornal?
— Até alguns dias eu tinha que convicção que sim, mas agora não tenho mais certeza.
— Então pode ser mentira aquilo que dizem dela no jornal.
— A maior parte do que se fala lá é a verdade... Wendy era má com os outros alunos da escola.
— Eu sei — ela respondeu triste.
— Tem como você me levar na casa dela? — pediu ele tentando se acalmar.
— Eu não sei se devo ir, ela não atendeu minhas ligações e nem retornou.
— Ela deve está envergonhada. Wendy sempre faz isso, ela evita confrontos.
— Você a conhece bem.
— São oito anos que a conheço. Mas você vai comigo?
— Tudo bem, eu vou.
Eles foram lá, tocaram a campainha, porém não havia ninguém. Então Daniel concluiu que Wendy havia fugindo, como ela sempre faz. Daniel então pediu o número do celular de Wendy para Vanessa e ligou, mais uma vez a garota não atendeu.
— E agora? — indagou Vanessa enquanto estavam em pé na frente da casa da família Hotchner — o que vamos fazer?
— Eu já sei — Daniel pegou o celular e digitou uma mensagem — agora ela me liga.
Demorou alguns segundos, o telefone de Daniel tocou, o que surpreendeu Vanessa.
— Precisamos conversar — disse Daniel assim que atendeu ao telefone — de preferência pessoalmente.
— Daniel, eu não posso te ver agora — respondeu Wendy sussurrando. Ela estava no banco da frente do carro e o pai dirigia. Enquanto a mãe ia no banco de trás.
— Por que não, Wendy?
— Eu não posso falar agora — respondeu a garota não querendo que a mãe percebesse que havia algo errado, mas esta já estava estranhando o comportamento do marido e da filha.
— Diga para ele ir à sede local do FBI — disse Hotch interrompendo a conversa.
— Por que pai? — indagou Wendy.
— Eu vou precisar falar com ele.
— Ok — respondeu Wendy em seguida voltou a falar com Daniel — podemos nos ver na sede do FBI.
— FBI?
— Sim, eu vou com o meu para lá.
— Por mim, tudo bem — respondeu Daniel — eu estou indo para lá agora.
Daniel desligou o celular, enquanto Vanessa o olhava assustada.
— Como fez ela te ligar? O que escreveu para ela.
— Segredo. Eu vou para o FBI me encontrar com ela, você vem comigo?
— Sim, eu vou sim. Eu preciso falar com Wendy.
***
Hotch deixou sua esposa e sua filha no hotel e seguiu para o FBI sozinho. Ele continuou sem falar muito com a esposa. O que só aumentava a desconfiança dela.
Quando chegou ao FBI se reuniu com Rossi, Reid e Elle. Eles estavam numa sala pequena de reuniões com uma mesa redonda de oito lugares, mais uma mesinha com copos e uma jarra d’água do lado. Hotch resolveu contar tudo que havia descoberto para eles, inclusive o envolvimento de Emily, pois era muito relevante para o andamento do caso.
— Como assim a sua esposa sabia desde o começo quem era Phillip? — indagou Elle — o que ela fez foi suicídio. E ainda mais ter envolvido a filha nisso, por que ela não deixou Wendy com o pai e foi nessa missão?
— Por que no perfil ficou claro que Phillip escolhia a filha e não a mãe — concluiu Reid.
— Que motivo levaria uma mãe a colocar a filha debaixo do mesmo teto que de um psicopata? — indagou Rossi.
— É o que estou perguntando desde que descobri — desabafou Hotch — e o pior é que ela usou o próprio nome, nem se deu ao trabalho de trocá-lo.
— Muito estranho — falou Elle pensativa.
— No que está pensando? — perguntou Rossi para Elle.
— Eu não acredito que ela usaria o próprio nome e envolveria filha assim de livre e espontânea vontade — respondeu Elle.
— O que está insinuando? — perguntou Hotch.
— Que para ela ter feito isso é por que não teve escolhe — concluiu Elle.
— Mas para sabermos exatamente o que aconteceu teremos que falar com ela — completou Rossi.
— Não — disse Hotch firme passando as mãos na cabeça — ela está grávida, e é uma gravidez muito delicada.
— Eu posso conversar com ela a sós... — disse Elle.
— Não — falou Hotch interrompendo a colega.
— Hotch, eu não vou interrogá-la e pressioná-la a contar a tudo — retrucou Elle — eu vou conversar com ela de forma amigável.
— A Elle tem razão — concordou Rossi — não podemos esperar.
Antes que pudesse Hotch pudesse falar algo, alguém bateu a porta, era outra agente, Annie Miller, morena, cabelos pretos longos e ondulados, mas presos em um rabo de cavalo, por volta de 1,80, muito bonita.
— Agente Hotchner — disse a moça — tem um rapaz procurando sua filha, é o Senhor Daniel Parker.
— Estamos indo, obrigado — falou Hotch e em seguida virou-se para a equipe — Rossi vem comigo e vocês dois continuem analisando o caso.
— Ok — concordou Elle.
Hotch e Rossi saíram, deixando Elle e Reid sozinhos.
— Por que está tão calado hoje? — perguntou Elle virando-se para Reid enquanto ele esfolheava o dossiê do caso.
— Por nada — respondeu ele bem ríspido.
— É pela filha do Hotch? — perguntou Elle insistindo.
— Não — respondeu Reid ainda ríspido.
— É pelo que o que ela fez com a filha do agente Collins?
— Eu já disse que não tem nada a ver com ela.
— Com ela? Reid nem o nome dela você fala... é claro que é por ela.
— Você viu as maldades que ela fez com a filha do agente Collins? — perguntou Reid triste e fechando o dossiê.
— Eu entendo, Reid — disse Elle — mas pelo que pude entender, ela está arrependida e tenta corrigir os erros que cometeu. E também convenhamos, que essa garota também sofreu muito.
— Mas não justifica as maldades que ela fez com a Rachael.
Elle respirou fundo.
— Reid, lembra que há algumas semanas, você se colocou na frente de um serial killer que matou vários jovens inocentes, pois você justificava as atitudes dele, dizendo que ele sofreu muito...
— É diferente, Elle — retrucou Reid interrompendo a colega.
— Realmente é muito diferente — completou Elle — Wendy nem chegou perto das maldades dele... — Elle fez uma pausa e depois continuou — eu entendo seu sofrimento, porém tente um pouco se colocar no lugar dela e entender tudo que ela passou, ela está arrependida, tanto que assumiu sozinha a culpa de um crime que não é só dela. Aliás nem temos certeza se ela realmente cometeu esse crime.
Reid ficou pensativo, mas não disse nada.
— Vamos voltar ao caso — falou Reid voltando a pegar o dossiê e esfolheá-lo.
— Tudo bem — falou Elle também pegando uma pasta.
Então os dois voltaram a trabalhar.
***
Hotch chegou na recepção e viu Vanessa, e logo concluiu que o rapaz que estava com ele era Daniel Parker. Ele se aproximou com sua postura altiva acompanhado de Rossi.
— Daniel Parker? — perguntou Hotch estendendo a mão para o rapaz.
— Sim — respondeu o rapaz apertando a mão do chefe da BAU — o senhor dever ser Aaron Hotchner, pai de Wendy.
— O que quer com minha filha? — perguntou Hotch olhando para o rapaz desconfiado.
— Eu queria falar com ela, mas é um assunto pessoal — respondeu prontamente o rapaz.
— É sobre sua irmã que foi acusada de matar Rachael Baxter — disse Hotch convicto.
— É... é exatamente isso — respondeu Daniel um pouco confuso — eu queria entender o que está acontecendo. A Wendy sempre me disse que fez tudo sozinha, que Lilly estava na casa da Jessyca nesse dia.
— A Wendy só assumiu a culpa para proteger a Lilly — completou Hotch — mas foi a Lilly que aplicou a injeção de ecstasy em Rachael Baxter.
— Impossível, eu falei com a Lilly — dizia Daniel desesperado — ela me disse que estava mesmo na casa da Rachael naquele dia, mas que foi Wendy quem aplicou a injeção e que ela somente segurou.
— Mas a Jessyca também diz que foi Lilly que aplicou a injeção, só que na versão dela, a própria segurou a Rachael — retrucou Hotch.
— Vocês estão percebendo? — perguntou Rossi.
— Percebendo o que? — retrucou Hotch.
— As três meninas tem a mesma visão do crime — respondeu Rossi.
— Dar para ser mais claro — pediu Daniel.
— Ele quer dizer que as três garotas se lembram de ter segurado a Rachael — disse Hotch — mas nenhuma assume que aplicou a injeção de ecstasy nela.
— Aonde querem chegar? — perguntou Daniel confuso.
— Nenhuma das três tem exatamente certeza do que aconteceu — disse Rossi — então pode ser que nenhuma delas tenha cometido o crime.
— Estão dizendo que outra pessoa pode ter cometido o crime? — perguntou Daniel.
— É só uma suposição — respondeu Hotch — mas sua irmã pode vir para cá para que possamos averiguar?
— Eu não sei — disse Daniel — com o depoimento de Jessyca é só uma questão de tempo um juiz autorizar um mandado para que ela seja presa.
— É verdade — lamentou Hotch.
— Eu só queria tirar essa história a limpo com Wendy para poder voltar para Londres.
— Temos que dar um jeito de trazê-la para cá — disse Rossi.
— Como? — perguntou Hotch.
— Eu ainda não sei — respondeu Rossi — mas vamos estudar o caso e dar um jeito.
— Certo — concordou Hotch — Senhor Parker, eu queria que o não viajasse ainda.
— Mas a minha irmã precisa de mim — respondeu Daniel.
— Só que sua permanência aqui vai ajudá-la muito mais — retrucou Hotch — ligue para seu pai e peça para ficar com ela.
— Ok — concordou Daniel — mas cadê a Wendy? Eu preciso falar com ela.
— Ela vai aparecer mais tarde — respondeu Hotch — se quiser aguardar, fique à vontade, só que nós precisamos voltar ao trabalho.
— Entendo — respondeu Daniel — eu vou aguardar aqui.
Logo Hotch e Rossi voltaram para a sala de reuniões, no caminho Hotch ligou para Wendy pedindo que assim que Elle chegasse para falar com Emily que ela fosse para a sede do FBI. E Daniel e Vanessa ficaram aguardando num corredor onde havia algumas cadeiras encostadas na parede, sentados lado a lado.
— Você ainda não me disse que mensagem escreveu para Wendy para ela ter te atendido — falou Vanessa.
— Não foi nada demais — respondeu Daniel — é só um código que temos quando queremos falar com o outro com urgência.
— Você e Wendy são muito ligados, não é verdade? — perguntou Vanessa.
— Sim, como já disse, nós nos conhecemos há oito anos e éramos muito próximos.
— Vocês namoravam que eu sei.
— É verdade — respondeu ele — Wendy foi meu primeiro amor e eu o dela.
— Ainda gosta dela?
Daniel não respondeu. Mas Vanessa estava curiosa e precisava fazer algumas perguntas.
— Você terminou com Rachael Baxter por sentir vergonha dela? — perguntou Vanessa.
— Não. Isso não é verdade — respondeu Daniel.
— E foi por que então? — insistiu Vanessa.
— Acho que isso não é sua conta — falou Daniel.
— Foi pela Wendy — disse Vanessa virando-se para ele — ainda gostava dela, não é verdade? Por isso seu ódio por ela quando chegou. Você odiava gostar dela, mas quando viu que ela havia mudado, seu ódio passou.
— Não viaja, garota — falou Daniel — a única coisa que tenho certeza é que deveria ter ficado ao lado de Rachael. Ela sim, sempre me amou de verdade.
— Isso é verdade — concordou Vanessa, recebendo um olhar de “não estou nem ai para o que você pensa” de Daniel.
Vanessa resolveu ficar calada e ambos ficaram esperando Wendy chegar.
***
Wendy fez da forma como seu pai pediu, assim que Elle chegou, ela pegou um táxi e foi para sede do FBI em Washington. Logo que chegou deu de cara com Daniel e Vanessa. Ela não sabia que a amiga estava lá, e estava evitando falar com ela de todo jeito, Wendy sentia vergonha e não podia encarar a amiga, mas já era tarde, ela teria que falar com ela.
***
Emily, Wendy e Hotch estavam hospedados num flat com uma pequena sala, com dois sofás dois e três lugares. Havia também um rack com uma TV 39 polegadas e uma mesa de centro e logo um pouco afastada uma mesa de jantar com quatro cadeiras. E em seguida uma pequena copa com um fogão, uma geladeira pequena, um armário e uma pia de lavar louça. O flat tinha dois quartos ambos com banheiro.
Elle ficou na sala com Emily, cada uma sentada em um sofá, que estavam posicionados na transversal.
— Queria falar comigo? — perguntou Emily.
— Sim — respondeu Elle respirando fundo.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Emily assustada.
— Eu só queria que a gente conversasse um pouco... sobre Phillpe.
— O que quer saber sobre meu ex-marido?
— Eu quero que saiba que estou aqui informalmente e não vou julgá-la por nada do que conversamos aqui, mas gostaria de saber quais os motivos te levaram a casar com Phillip.
Emily olhou para Elle um pouco assustada.
— Se você está perguntando, então é por que deve saber que eu já tinha ideia de quem era Phillip quando me casei com ele.
— Sim, eu tenho — disse Elle — mas acredito que não se casaria com um homem como Phillip colocando a sua vida e da sua filha em risco se não fosse a única escolha que tivesse.
— Pois bem — respondeu Emilly — eu vou te contar como tudo aconteceu.
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