Dust in the Wind

14 Nada além da verdade


Notas iniciais
Olá, tudo bem? Desde ontem estou tentando postar esse capítulo e só agora consegui. Agradeço a todos os comentários e favoritos. Boa leitura!

Washington — DC

Vanessa Woods estudava tranquilamente debruçada na sua cama quando Ravenna entrou segurando o jornal e sorrindo. Vanessa ignorou a presença da colega e continuou estudando.

— Já sabe da novidade? — perguntou Ravenna ficando em pé perto da cama de Vanessa.

— Que novidade? — retrucou Vanessa continuando a ler.

— A sua Best Friend Forever é uma falsa — ela respondeu jogando o jornal em cima do livro que Vanessa lia.

Vanessa pegou o jornal e leu a matéria de capa. Imediatamente sentou-se na cama e foi ler toda a matéria. A cada palavra lida, ela fica incrédula. Aquela Wendy descrita na matéria não era a Wendy que ela conhecia. Porém, ela lembrava-se de tudo que Daniel falou a respeito da amiga outro dia e sabia que história podia ser verdade.

— É tudo mentira — disse Vanessa jogando o jornal na cara de Ravena, o que irritou esta.

— Por que acha que uma garota como a Wendy ficou amiga de uma garota como você? — indagou Ravenna — vocês duas são como água e óleo, não se misturam — Ravenna fez uma pausa enquanto Vanessa tentava colocar as ideias em ordem — nós duas sabemos que ela escondia um segredo em relação a Rachael Baxter e agora sabemos qual é.

— Não pode ser.

— Pode sim. Então, querida, você não passava, digamos... de um teste. Sabe quando a gente se culpa por algo que aconteceu e tentamos de todo modo compensar isso? Acredito que você sabe sim. Logo querida, se não fosse pelo que aconteceu com essa tal de Rachael, certamente Wendy nem seria sua amiga.

— Sai daqui — gritou Vanessa apontando para a porta.

— Oh, queridinha, esse quarto também é meu.

— Mas eu não quero olhar para essa tua cara.

— Nossa, você está valente — falava Ravenna em tom de deboche — e é por que está sem seu guarda-costas.

— Tudo bem, se não quer sair, eu saio — disse Vanessa pegando os livros e saindo do quarto.

A garota chegou a biblioteca tensa e sem acreditar ainda em tudo que havia lido. Sua cabeça girava e tentava arrumar uma explicação plausível para aquelas perguntas. Tentou ligar para Wendy, mas ela não atendeu. Ligou para Spencer e também não conseguiu nada.

Mas percebeu que a notícia sobre Wendy havia repercutido bastante na universidade. Era só o que falavam, por isso resolveu se isolar. Foi para o banheiro, sentou em vaso com tampa abaixada e se trancou. Então chorou muito. Wendy era sua única amizade verdadeira e sem ela, ela não tinha mais ninguém.

***

Hotch e Wendy continuavam no quarto conversando. Eles estavam sentados frente a frente na cama.

— Nós vamos ter que sair daqui, vamos para um hotel — disse Hotch — lá vamos está mais seguro.

— E a mamãe? O que ela está achando dessa repercussão todinha?

— Por enquanto não sabe de nada ainda. E se depender de mim, vai continuar sem saber, pelo bem dela e do bebê.

— Tudo por minha culpa — falou Wendy se levantado e indo em direção a janela. Hotch a seguiu e colocou suas mãos nos ombros da garota como se a consolasse — e o Spencer? Será se ele um dia vai me perdoar?

— Para de ficar se torturando. Tudo vai se ajeitar no tempo certo.

— Eu cometi muitos erros a troco de nada...

— Todos nós cometemos erros e é assim que amadurecemos. Agora o que devemos fazer é tentar remediar.

— Mas esse erro não pode ser remediado, nada do que eu fizer vai trazer a Rachael de volta.

— Porém você pode colocar o verdadeiro assassino na cadeia. Mas para isso, eu preciso que me conte o que de verdade aconteceu no dia que Rachael Baxter morreu.

— Pai... — disse Wendy hesitando.

— A verdade, filha. Somente a verdade.

— Nós vamos ter que voltar um pouquinho no tempo — falou Wendy virando-se para Hotch e ficando frente a frente — no dia do baile da primavera. Eu planejava ficar com Daniel naquele dia, digo, transar com ele.

— Dar para pular essa parte?

— Não aconteceu, pai... o Daniel não me quis. Ele saiu no meio da festa para a casa da Rachael. Então, nós o seguimos...

— Nós quem?

Wendy ficou mais uma vez hesitante e foi se sentar na cama.

— Nós quem, Wendy? — insistiu Hotch como se desse uma bronca e novamente sentado-se de frente para a filha.

— Eu, Jessyca e Lilly.

— Quem são elas?

— Jessyca e Lilly eram líderes de torcida, minhas amigas. A Lilly também é irmã do Daniel.

— Continue — disse Hotch percebendo que a filha havia parado de falar.

— Bem, nós o seguimos e em seguida vimos Daniel tocando a campainha da casa da Rachael. Em pouco tempo ela saiu, acho que ela estava o esperando. Então os dois se beijaram e entraram. Para mim, aquilo foi um golpe muito doloroso. Lilly disse para irmos embora, mas eu quis ver o que eles estavam fazendo e fomos... eu e Jessyca subimos numa árvore em frente a janela do quarto de Rachael e lá vimos os dois transando. Eu chorei de raiva e foi quando eu tive a ideia de filmar tudo.

— A ideia foi sua?

— Sim, pai.

— Não minta, Wendy. Eu sei quando está mentindo.

— Tudo bem, pai. Não foi minha ideia, foi da Lilly, mas eu filmei com meu celular.

— E por que fez isso?

— Eu só queria aquele vídeo para chantageá-la, para que ela terminasse com Daniel, eu não queria que ninguém o tivesse visto. Eu era má com Rachael não por não gostar dela, mas por uma necessidade de autoafirmação e por puro exibicionismo e mesmo que ela não tivesse terminado com Daniel, eu não divulgaria aquele vídeo.

— E como esse vídeo foi espalhado?

— A Lilly diz que foi a Jessyca e a Jessyca diz que foi a Lilly.

— E quem falou a verdade?

— A Lilly. Ela não mentia para mim. Eu só andava com Jessyca por status, mas não confiava nela.

— E quando o vídeo foi espalhado, por qual motivo não foi solidária com ela?

— Eu juro que senti muito, mas eu não podia me aproximar dela, eu perderia meu status se o fizesse e isso era muito importante para mim, pelo menos na época era. Hoje não é mais.

— Sei, e como vocês foram parar na casa dela naquele dia.

— Como diz na reportagem, foi uma festa do pijama que planejamos.

— Qual a finalidade dessa festa do pijama?

— Era uma trégua. A Lilly me convenceu de que eu deveria dar uma chance a Rachael, que ela era uma pessoa muito legal e que somente se eu mudasse era que Daniel voltaria para mim. E eu o queria de volta de qualquer forma.

— Atitude típica de adolescente que não tem o pai presente.

— Pai, eu já pedi para não se culpar.

— Não é sentimento de culpa é a constatação de um fato, mas continue a contar a história.

— A Jessyca não foi convidada, só que ela apareceu. E trouxe ecstasy para experimentarmos e foi isso que aconteceu.

— Drogas? Vocês se drogaram?

— No começo nenhuma queria, mas Jessyca começou a desafiar a gente, a nos chamar de fraca e que no dia seguinte todos nas escola saberiam que nós nos acovardamos e isso certamente destruiria nossas “vidas sociais”. Foi quando topamos.

— Sua mãe sempre disse que você teve juízo, mas você se envolveu com drogas?

— Foi a primeira e única vez. Eu era atleta, fazia constantemente exames de antidoping. A maioria dos alunos usavam, mas eu nunca havia usado. Depois daquele dia, nunca mais encostei em nenhuma dessas substâncias.

— Tudo bem, Wendy... continue contando a história.

— A Rachael foi a primeira, ela não queria, mas eu a segurei forte e a Lilly aplicou. Depois fui eu e a partir desse momento minha memória ficou confusa. Eu só lembro que quando recobrei minha consciência, a Rachael estava passando mal. A dose foi muita alta para ela e ela tomava antidepressivo.

— E não ligaram para a emergência?

— Eu tentei, mas eu estava tonta, não achava meu celular. Eu só lembro que Lilly estava desacordada. E minutos depois a Jessyca chegou e me tirou de lá, me levou para o carro do Phillip...

— O que Phillip estava fazendo lá?

— Eu não sei, a Jessyca que ligou para ele.

— E por que uma amiga sua ligaria para Phillip e não para os pais dela?

Wendy ficou calada e baixou a cabeça.

— Responda, Wendy... — insistiu Hotch em tom de autoridade.

— Ele e Jessyca tinham um caso.

— Caso? Phillip e uma adolescente? Quantos anos essa garota tinha?

— Quando eles começaram, ela tinha 14 anos. Ela ia dormir lá em casa para estudarmos e Phillip ficava com ela nos dias que minha mãe estava de serviço.

— 14 anos é estupro de vulnerável. Por que não me disse isso antes?

— Phillip dizia que se eu contasse para alguém, ele me faria ficar internada num hospício pro resto da vida.

Hotch respirou fundo.

— Continue a história, depois falamos do Phillip.

— Bem, o Phillip entrou na casa para pegar Lilly. E depois fomos para nossa casa. Eu estava muito assustada com tudo que havia acontecido, então Phillip inventou a versão do suicídio. O pai da Rachael tentou abrir uma investigação, pois segundo ele, o suicídio da filha foi causado pelo bullying sofrido na escola e a direção foi omissa, mas ele não conseguiu ir muito longe nas investigações. Phillip tinha todos nas mãos.

— Filha, para Phillip você era uma pedra no caminho, por que ele te protegeu?

— Não sei, até hoje me pergunto por isso, principalmente depois que ele foi condenado, ele poderia ter se vingado de mim trazendo essa história à tona.

— Phillip até um tempo atrás era uma incógnita — disse Hotch — era muito difícil fazer o perfil dele, mas com esses fatos que disse sobre ele, o perfil dele está mais claro para mim.

Hotch levantou-se e ficou pensativo.

— Wendy, quando você foi sequestrada e viu Ramona Bello, o que você pensou?

— Que fosse por que eu sabia do caso dela com Phillip.

— E o que ela disse?

— Que era por dinheiro, logo pensei que ela fosse pedir resgate...

— Mas ela não pediu — completou Hotch interrompendo a filha.

— Não. Ela disse que era por outro meio.

— Que meio?

— Não sei. Quando eu estava no Banco de Miami, pensei que fosse dinheiro dentro daquela caixa., mas não era.

— E Phillip confirmou para sua mãe que era dinheiro naquela caixa.

— No que está pensando? — perguntou Wendy ao perceber o ar misterioso de Hotch.

— Que temos um caso mal resolvido para solucionarmos.

Notas finais
Espero que tenham gostado, até amanhã estarei postando mais. Como eu sempre falo nas minhas fanfic's, sou uma autora que gosto muito de interagir, então, deixem as impressões e sugestões de vocês. Obrigada e até o próximo capítulo!