Dust in the Wind

9 Mãe e filha: vínculo que cura, vínculo que fere


Notas iniciais
Meninas, me desculpem por esse capítulo curto. Meu PC deu problema hoje a tarde e só funcionou agora à noite, por isso escrevi tão pouco, mas prometo compensar no capítulo de sábado. Boa leitura!

Washington — DC

— Wendy, pela última vez, me responde — insistia Emily muito nervosa — o que você teve a ver com a morte daquela garota?

— Mãe... eu...

— Me responde...

— Mãe, eu não queria que ela tivesse morrido... — respondeu a garota chorando. Emily fechou os olhos tentando segurar a raiva, porém ficava mais irritada à medida que a filha tentava justificar — eu juro que não queria. O Daniel terminou comigo e estava namorando ela. Eu só queria chantageá-la para o Daniel voltar comigo.

Emily não segurando a raiva e a indignação deu uma bofetada no rosto da filha, fazendo com que esta caísse no sofá. Wendy levou às mãos ao rosto chorando muito. A mãe nunca havia levantado a mão para ela, todavia a garota achou que mereceu aquilo.

— Chantagens, intrigas, vinganças... quem é você? Eu não te conheço.

— Eu sei que errei — dizia Wendy se levantando — mas o Phillip me infernizava, eu faltava enlouquecer com as coisas que ele fazia comigo...

— Não tem justificativa o que você fez...

— Mas mãe...

As duas falavam ao mesmo tempo, gritavam, choravam e não conseguiam se entender. Emily começou a sentir tontura.

— Mãe — disse Wendy segurando-a para que a mãe não caísse no chão.

Emily estava suando frio, a pressão estava subindo e sentia muitas dores.

— Eu vou ter que levá-la para um hospital — falou a garota.

Wendy envolveu os braços da mãe por trás do seu pescoço e a levou até garagem. Emily estava fraca, pálida e continuava a sentir muitas dores. A garota dirigia chorando, se sentindo culpada pelo estado da mãe.

***

Quantico — Virginia

Todos voltavam ao trabalho exaustos e cansado, exceto Spencer que voltava de férias com um sorriso radiante. Ele sentou-se à sua mesa segurando sua xícara de chá. Enquanto JJ, Morgan, Elle estavam em frente a cafeteira conversando. Rossi e Hotch estavam cada um nas suas respectivas salas. O rapaz sonhava acordado, nunca tinha estado tão feliz em toda sua vida.

— Como foram as férias desse mais novo jovem apaixonado? — perguntou Garcia se aproximando do rapaz com um sorriso enorme.

— Não sei do que está falando — mentiu Reid tentando disfarçar.

— Nem adianta mentir, rapazinho. O Morgan já me contou de você e a filha do Hotch.

— O Morgan contou? — perguntou Reid ficando extremamente nervoso — não era para contar para ninguém.

— Mas o que tem todos saberem?

— Eu só não quero ninguém falando besteiras no pé do meu ouvido — falou Reid chateado.

— Eu sinto muito — falou Penélope se sentindo constrangida — eu estava com Morgan no dia que você ligou. Então eu o torturei, até ele dizer...

— Me desculpe, Garcia — lamentou Reid — eu sei que entre vocês dois não há segredo...

— E não tem mesmo.

— Mas dar para você manter segredo? Pelo menos por enquanto.

— Tudo bem — concordou Garcia sorrindo.

Em seguida, todos foram chamados para apresentação de um novo caso em Illinois. Enquanto Garcia falava, o celular de Hotch tocou, era Wendy. Hotch sabia que a filha quando queria falar com ele, sempre mandava mensagens de textos. Ela só ligava quando era algo urgente. Então, na mesma hora, Hotch se retirou da sala para atender.

— Pronto, filha — ele disse assim que atendeu o telefone.

— Pai, o senhor tem que voltar para cá — falou Wendy tentando disfarçar o choro.

— Aconteceu alguma coisa com sua mãe ou com o bebê? — perguntou Hotch preocupado.

— A mamãe passou mal, estamos no hospital e o bebê corre risco — respondeu Wendy chorando.

Hotch sentiu uma leve tontura ao ouvir aquilo, no entanto conseguiu se manter em pé.

— Eu estou indo imediatamente — disse Hotch desligando o telefone.

Ele voltou para a sala e interrompeu a apresentação.

— Morgan, assuma a equipe, Rossi vai auxiliá-lo — falou o chefe — eu vou ter que voltar para Washington.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou JJ preocupada.

— A minha esposa passou mal e foi hospitalizada — respondeu ele e em seguida saiu sem dar maiores explicações.

Todos ficaram parados, muito preocupados com Emily. Reid ligou para Wendy, porém a garota não atendeu ao telefone. Logo Morgan chamou para que todos para viajarem. Então partiram.

***

Washington — DC

Wendy estava na sala de espera, sentada no sofá, com as mãos na cabeça, chorando muito. Ela nunca se perdoaria se algo acontecesse a mãe ou ao irmão. Foram horas de desespero até seu pai chegar e nem por um segundo ela deixou chorar.

— Como está sua mãe? — perguntou Hotch.

— Ela está sendo atendida — respondeu a garota — não soube de notícias desde a hora que liguei para o senhor.

— O que aconteceu? Falei com ela ontem e ela estava tão bem.

— Foi minha culpa, pai — disse Wendy chorando, enquanto o pai a olhava tentando segurar o choro — a gente brigou...

— Brigaram? Por quê?

— Por causa de algumas coisas que aconteceram em Londres — respondeu Wendy.

Hotch abraçou a filha a consolando. Ele entendeu que não era momento de procurar culpados ou de exigir qualquer explicação do que a mãe descobriu a respeito da filha que a fez passar mal. “Ela vai ficar bem” era tudo que Hotch dizia durante o tempo que ficou abraçado com a filha. Os dois se sentaram e ficaram abraçados à espera de notícias.

Horas depois, o médico chegou. Era um homem caucasiano, 40 anos, cabelos pretos e estatura média. Hotch e Wendy se levantaram.

— Boa tarde, são vocês estão acompanhando a paciente Emily Hotchner? — perguntou o médico.

— Sim, somos nós — respondeu Hotch.

— Eu me chamo Doutor Richards...

— Como está minha esposa, doutor? — perguntou Hotch.

O médico respirou fundo antes de responder.

— Ela e o bebê estão bem, mas...

— Mas... — falou Hotch interrompendo o médico.

— Diagnosticamos sua esposa com pré-eclâmpsia — respondeu o médico — que é quando uma mulher grávida tem pressão arterial elevada, acima de 140/90 mmHg. Além da presença de proteína da urina...

— Oh meu Deus — falou Wendy desesperada interrompendo o médico — a pré-eclâmpsia pode ter manifestações em vários órgãos da grávida, algumas bem graves, ou na placenta, causando a restrição do crescimento do bebê.

— Então, ela não vai poder ter o bebê? — indagou Hotch.

— Calma — pediu o médico — por enquanto, ela vai ficar internada e receber remédios para controlar o problema, esses remédios não serão prejudicial para o bebê. Também faremos o monitoramento da criança e qualquer sinal de que ele não está crescendo como deveria ou que o volume de líquido amniótico esteja diminuindo ou se de alguma forma a situação piorar, o parto será realizado.

— Mas a Emily também corre risco de morte? — perguntou Hotch.

— Sempre tem o risco, porém se vermos que a mãe corre um risco real, recomendaremos o aborto.

Hotch levou às mãos à cabeça em desespero, enquanto Wendy começou a chorar novamente se sentindo culpada.

— Nós podemos vê-la agora? — perguntou Hotch.

— Sim, podem — respondeu o doutor Richards — só não a deixem agitada.

O médico saiu para atender outro paciente. Hotch foi em direção ao corredor que dava acesso aos quartos, porém percebeu que Wendy não o acompanhou.

— Vamos, filha — falou Hotch virando-se.

— Pai, o senhor ouviu o que o médico disse — respondeu a garota indo em direção ao pai — a mamãe está chateada comigo, se ela me ver, pode ficar agitada. É melhor, eu ficar aqui fora e esperar notícias.

— Tudo bem — ele concordou e foi direto para o quarto.

Reid, Vanessa, Dana Chelsea e outras meninas do time ligavam para Wendy, todavia a garota rejeitava todas as ligações, não queria falar com ninguém, nem mesmo com Spencer. Ela queria simplesmente se isolar.

***

Quando Hotch entrou no quarto, Emily estava deitada com o rosto muito pálido.

— Meu amor — falou Hotch assim que entrou dando-lhe um beijo na testa e em seguida sentando-se na cadeira do lado da cama. Hotch segurou a mão da esposa forte.

— Eu vou perder nosso bebê? — perguntou Emily com bastante dificuldade.

— Não, você não vai. Se você ficar de repouso e tomar as medicações prescritas, tudo vai ficar bem.

— Cadê Wendy?

— Ela ficou lá fora. Mas está muito preocupada com você.

— Hotch foi minha culpa... o que aconteceu com Wendy.

— Xiu... não vamos falar disso agora. O médico disse que você não pode se agitar, então depois falamos disso. Só descanse, meu amor — falou Hotch beijando a mão da esposa.

— Pede para nossa filha entrar — pedia Emily fraca — eu preciso vê-la.

— Tudo bem, eu vou chamá-la.

Hotch então saiu para chamar a filha. No primeiro momento ela hesitou temendo a reação da mãe ao vê-la, porém, no fim das contas, acabou concordando.

A garota entrou depois do pai e ficou na porta olhando para a mãe. Os olhos das duas lacrimejaram quando se encararam. Wendy percebendo que o olhar da mãe era de compaixão correu para abraçá-la.

— Me perdoa, filha... me perdoa por ter te batido — dizia Emily alisando a cabeça da garota.

— Não peça desculpas, eu mereci aquilo — respondeu Wendy dando um beijo no rosto dela — mas agora a senhora tem que descansar.

— Olha para mim — pediu Emily fazendo Wendy encará-la — nós vamos enfrentar isso juntas, entendeu? Vamos enfrentar juntas.

Hotch não quis perguntar o que estava acontecendo para não agitar a esposa. Por isso, preferiu esperar a esposa sair do hospital para tocar no assunto. No momento, a prioridade, era a vida de Emily e Jack.

***

Já haviam se passado 5 dias e tudo parecia estar em paz. Wendy continuou sem falar com ninguém, não participou mais nem de treinos e nem de jogos. Só conseguia pensar na mãe e no irmão. Até que, quando Spencer voltou de Illinois, resolveu ir no hospital com Vanessa e os demais membros da equipe de Hotch.

Reid e Vanessa chamaram Wendy para dar uma volta, mas a garota se negou a sair de perto da mãe. Porém o pai insistiu para que ela saísse com os dois, até que ela concordou.

Eles combinaram de irem na lanchonete no campus mesmo. Primeiro Wendy foi em casa, tomou um banho e trocou de roupa. Depois disso, saíram.

Wendy pediu desculpas por não ter atendido as ligações deles. Mas ambos foram compreensivos em virtude de tudo que estava acontecendo com a mãe dela. Assim que chegaram no campus, Wendy estacionou o carro e foram caminhando até a lanchonete.

Eles sentaram numa mesa no fundo para conversarem mais à vontade e evitarem cruzarem com Michele ou Ravenna, caso elas aparecessem. Os três contavam histórias e sorriam bastante.

— Wendy — ouviu-se uma voz masculina chamá-la.

Assim que ouviu, seu coração gelou, ela sabia muito bem quem era. Ela foi virando-se lentamente até encará-lo. Ele estava em pé, com sua postura altiva e um sorriso irônico. Sim, ela confirmou suas suspeitas, era ele sim.

— Daniel — ela falou assustada.

Notas finais
E agora? Daniel finalmente apareceu. O que ele fará? Espero vocês no sábado. Beijão e até lá! E já sabem, comentários são sempre bem-vindos e alegram meu coração!