Dust in the Wind
6 Fale dos seus sentimentos
Notas iniciais

Washington — DC
Wendy corria e lágrimas percorriam pelo seu rosto, a garota tentava segurar o choro, mas era mais forte do que ela. Reid tentava acompanhá-la, mas ela tinha bem mais preparo físico, por isso Wendy ia bem na frente. Spencer a chamava pelo nome, porém a garota não olhava para trás.
Quando ela chegou no local onde havia estacionado o carro, ficou procurando pelas chaves, mas não encontrou. Ela batia sobre o casaco preto que estava vestido, mas nada da chave. Nisso acabou que Spencer a acompanhou.
— Wendy, por favor, me escuta — dizia ele ofegante, somente por causa da pequena corrida que fizera — não é o que parece...
— Spencer, não sei por que se preocupa em querer me explicar o que aconteceu — falava Wendy tentando disfarçar o choro — a gente não tem nada um com o outro. Você é livre, pode ficar com quem quiser.
— Mas Wendy?
— Você mesmo diz que somos apenas amigos — dizia Wendy ainda procurando as chaves.
Nesse momento, Vanessa chegou acompanhada de Craig.
— Wendy — falou Vanessa — eu estava lá e vi tudo, o Reid não teve culpa de nada, ela que se jogou em cima dele...
— Ah, claro. Eu vi a Michele com uma arma apontada na cabeça dele o obrigando a abrir os botões da camisa e a ficar se esfregando nela — disse Wendy bem nervosa, enquanto Reid ficou quieto e triste.
— Ele chegou a dizer a não — insistia Vanessa — mas ela partiu para cima dele. Eu vi o quanto ele estava desconfortado, por isso eu fui te chamar.
— Para que explicações? — disse Wendy quando finalmente conseguiu achar a chave do carro no bolso direito do seu casaco — eu não sou nada dele. Spencer é um homem livre para ficar com quem quiser — Wendy então entrou no carro e saiu, deixando Vanessa e Reid.
O silêncio tomou conta por alguns segundos.
— Alguém quer um dose de whisky? — perguntou Craig ainda bêbado — é bom para quem acabou de tomar um fora... se bem que eu também tomei um fora dela hoje.
— Ótimo — falou Vanessa — agora perdi minha carona até no campus...
— Se esquenta não, gatinha — disse Craig abraçando-a — que eu te levo em casa.
— Você está louco? Olha o quanto você está bêbado. Agradeço a boa intenção, mas vou de táxi.
— As minhas coisas ficaram no carro de Wendy — falou Spencer lembrando-se das malas, onde tinha inclusive seus livros.
— A desculpa perfeita para ir atrás dela — falou Craig.
— Bem, ele está bêbado, mas te deu uma boa ideia. É a desculpa perfeita para procurá-la agora — falou Vanessa — pense bem no que vai dizer a ela.
— Obrigado, por ter tentado ajudar — disse Reid.
— Mas foi inútil.
— Pelo menos, tentou.
— Desculpe, Spencer, eu vou ter que ir... Wendy vai para a casa dos pais, já que o Senhor Hotchner está viajando. Então vai lá conversar com ela.
Vanessa saiu com Craig. Spencer ficou sozinho, então pegou o celular no bolso e resolveu fazer uma ligação. Era para Morgan, o rapaz estava se sentindo desnorteado e precisando de conselhos, por isso ligou para o amigo.
Alguns segundos e Morgan atendeu.
— O que foi, bonitão? — perguntou Morgan assim que atendeu.
— Está ocupado agora?
— Não, Hotch acabou de despachar a gente para irmos descansar e voltarmos amanhã cedo. Aconteceu alguma coisa?
— Na verdade sim e eu preciso de um conselho seu — respondeu Reid.
— Quer um conselho? — indagou Morgan — vá transar, aproveite essas férias e tire o atraso — respondeu o amigo em tom de brincadeira.
— Morgan, eu estou falando sério...
Reid então contou tudo que havia acontecido.
— Spencer Reid, como é que você me apronta uma dessas? Você sonha com garota há quase 1 ano e na primeira oportunidade que tem de finalmente ficar com ela, faz isso?
— Morgan, essa tal Michele ficou se jogando em cima de mim. Eu não sabia o que dizer ou que fazer. Essas coisas nunca tinham acontecido comigo. Geralmente, as garotas fogem de mim — Reid falou fazendo uma pausa — o que eu faço para ela me perdoar? Eu compro flores? Chocolates?
— Nem pensar, garanhão — respondeu Morgan — comprar flores, chocolates é assinar confissão de culpa.
— O que faço, então?
— Já pensou em falar para ela o que sente?
— Eu dizer o que?
— Isso mesmo que ouviu... se declara logo para ela — dizia Morgan, mas Reid continuava resistente a essa ideia — é óbvio que é para ela está magoada, pense só: a mina está há quase 1 ano contigo nesse rolo, ela dar todas as pistas que está a fim e você não toma uma atitude. Depois ela te pega se esfregando com outra. Me diz, o que você pensaria se estivesse no lugar dela?
— Você tem razão. Só que eu não sou bom em expressar sentimentos.
— Pra isso não tem segredos. Não precisa inventar palavras... é só você falar para ela aquilo que faz tempo que você quer dizer. Na hora você vai saber usar as palavras certas.
— Certo, eu vou tentar falar com ela...
— É assim que se diz, meu garotão...
Reid agradeceu ao amigo e desligou o telefone, e foi logo pegar um táxi até a casa de Wendy. Ele chegava a suar frio, suas mãos tremiam e seu rosto estava pálido. O motorista até perguntou se estava tudo bem com o rapaz e ele respondeu que sim. Apesar de que, por dentro, a insegurança queria fazê-lo desistir. Todavia estava disposto a ir até o fim.
***
Wendy saiu da festa nervosa e começou a chorar bastante. Spencer sempre fugiu das investidas dela. Mas na primeira oportunidade, caiu nas investidas da Michele. Então começou a achar que ele nunca teve interesse nela e que tudo não passou de uma ilusão. De uma história criada na cabeça dela.
Quando chegou na porta de casa, Wendy limpou as lágrimas, não queria mostrar para a mãe que havia chorado, para que ela não se preocupasse. Ela entrou em casa e em seguida foi no quarto da mãe, só que esta estava dormindo profundamente. O que foi um alívio para Wendy, já que não teria que explicar o porquê de está chorando.
Assim que chegou no quarto, que tirou seu casaco, seu celular começou a tocar. Ela olhou no visor e viu que se tratava de Reid, então rejeitou a ligação. As ligações ficaram insistentes e Wendy rejeitava todas, até que chegou uma mensagem de texto: “Estou aqui fora e preciso das minha malas que ficaram no seu carro. Por favor, eu só preciso das minhas malas”.
A garota respirou fundo e realmente lembrou que as coisas do rapaz haviam ficado dentro do carro. Ela saiu tão atordoada que esqueceu disso. Então respondeu de volta: “Tudo bem”.
Wendy então colocou o casaco de novo e saiu na porta de casa. Spencer estava lá fora, mais nervoso do que anteriormente. A garota mal olhou para ele e já foi logo indo em direção a garagem, sendo seguida pelo rapaz.
Chegando lá, ela então foi tirando uma a uma as malas do rapaz no total de três.
— Pronto — ela disse sem muita emoção. Spencer ficou nervoso, mas achou que talvez fosse a única oportunidade que teria de falar para ela o que sente.
— Wendy... eu sinto muito!
— Spencer, não precisa dizer nada.
— Eu preciso dizer, Wendy...
A garota não olhava para ele e cruzou os braços como se dissesse que não estava interessada em nada do que ele fosse dizer, mas mesmo assim, o rapaz resolveu falar.
— Wendy, eu nunca fui bom com as mulheres... eu sempre fui o nerd desajeitado. Eu sempre me apaixonei pelas garotas mais lindas e populares da escola e sempre davam um jeito de me humilharem. Elas sempre me procuravam quando queriam que eu “ajudasse” nas atividades de matemática, química, física, estatística... — Spencer falava muito nervoso, mas a garota começou a mostrar interesse pelo o que ele dizia e descruzou os braços — mas quando não precisavam mais, me chutavam. Não bastava só dizer não, tinham que humilhar. Eu nunca entendi a real necessidade de se chegar a tanto, mas foi assim durante toda a minha vida.
Wendy ficou se sentindo mal com o que ele dizia, pois ela já tinha sido uma dessas garotas. Ela sempre usava os “idiotas” da escola para realizarem seus caprichos, mas na primeira oportunidade, os humilhava.
— E quando você apareceu na minha vida — continuava Spencer falando — eu achei que você era muito para mim — ele baixou a cabeça e esfregou as mãos tentando ficar calmo — você é a garota mais bonita e mais legal que eu conheci em toda minha vida... então é muito surreal você se interessar por mim.
Agora começou a ficar comovida com as palavras dele. Então ele continuou:
— E sobre a Michele, eu não tenho qualquer tipo de interesse nela. Eu só não sabia como dizer para ela que eu não estava a fim. Me desculpe se eu não soube expressar o que estava sentido e acabei te magoando.
— Tudo bem, Spencer — ela falou acariciando o rosto dele. Spencer tocou no braço dela, o que fez com que Wendy sentisse as mãos frias do rapaz. Então os dois se abraçaram — me desculpa também?
Ele nada falou, apenas assentiu com a cabeça, e continuaram abraçados. Spencer sentia que seu coração iria sair pela boca e Wendy estava quase sem ar. A respiração de ambos estava ofegante. Eles foram se soltando aos poucos, mas continuaram com os rostos próximos. Eles se olharam fixamente, então ela fechou os olhos se entregando ao momento. Reid num impulso, encostou seus lábios no dela, colocando suas mãos na nuca da garota.
Ele a beijou lentamente, como se quisesse aproveitar aquele momento tão esperado. Spencer sentia seu corpo adormecer. Enquanto Wendy sentia um frio na barriga que fazia seus batimentos cardíacos acelerarem.
Ambos começaram a agir instintamente, então o beijo que começou calmo, foi ficando mais quente. Wendy o puxou para que ele ficasse mais perto dela. E ficaram um bom tempo se beijando, até que, quando estavam quase sem ar, pararam o beijo.
Os dois sorriram um para o outro satisfeitos e voltaram a se abraçar. A tensão foi embora e deixou somente lugar para a felicidade.
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