Dust in the Wind
7 Os primeiros dias com ela
Notas iniciais

Washington — DC
Os dois não conseguiam se desgrudar e voltaram a se beijar.
— Eu não sei se te mereço — dizia Wendy enquanto trocavam vários selinhos — você foi a melhor coisa que me aconteceu.
Wendy e Reid ficaram um bom tempo somente se beijando. Eles queriam compensar o tempo perdido, mas logo tiveram que se despedir e combinaram de se encontrar no outro dia a tarde no treino e a noite sairiam juntos.
***
No outro dia, pela manhã, Wendy foi assistir aula e Reid ficou assistindo partidas de vôlei do time de Wendy, enquanto fazia algumas anotações. Era nítido que ambos estavam com a concentração baixa, afinal só conseguiam pensar nos beijos que trocaram no dia anterior.
Quando deu por volta das 16 horas, Wendy foi para o ginásio treinar, o treino começaria somente as 17 horas, mas ela foi 1 hora mais cedo para se encontrar com Spencer, já que a quadra não seria usada nesse período e eles aproveitariam para colocar em prática os estudos que o rapaz fez.
Wendy se aquecia na lateral da quadra, no momento em que Reid chegou. Num primeiro instante, os dois somente se olhavam e seus olhos brilhavam, pareciam não acreditar que houve. Entretanto, logo ela correu para o abraçar e aproveitou para beijá-lo.
— Vamos começar? — perguntou Wendy ainda com os braços envolvidos no pescoço dele.
— Sim, mas vamos ver um pouco teoria de primeiro.
— Ok, professor — brincou Wendy.
Então Spencer começou a explanar o que ele havia observado nos vídeos e que ela poderia fazer para melhorar. Wendy prestava bastante atenção e a admirava a forma como ele explicava. Apesar de ele falar quase sem respirar, ele falava de uma forma muito clara.
O rapaz também se surpreendeu com a disciplina da garota e o quanto ela aprendia rápido, salvo o fato de toda hora reclamar que não entendia nada de física e matemática. Logo começaram a chegar as garotas do time. Valentina inclusive participou do final do treino e ela realmente sentiu diferença nos levantamentos que estavam mais precisos e na altura perfeita para ela.
No primeiro dia de treino já houve um progresso muito grande e todos ficaram satisfeitos, inclusive o treinador Michael Jhonson que chegou no final dos trabalhos. Ele chegou a conversar com Reid, pedindo algumas dicas e explicando outras para o rapaz.
Logo mais, chegou Michele e Ravenna, as duas ficaram pasmas quando perceberam que Reid e Wendy estavam juntos e aparentemente bem. Ela pensou em mais uma vez botar “lenha” na relação dos dois, mas como estavam no treino, preferiu manter a compostura. Michele sabia que o treinador Jhonson não suportava atrito e certamente a suspenderia do time, caso ela iniciasse uma confusão.
Mas antes que o treino se iniciasse, o treinador chamou todas as meninas ao centro da quadra, eram cerca de vinte meninas. Todas ficaram sentadas no chão da quadra, enquanto o treinador ficou em pé. Reid ficou de longe observando:
— Antes de iniciarmos o treino de hoje — dizia o treinador Jhonson — eu tenho uma novidade para vocês: uma de nossas mais importantes jogadoras estará nos deixando.
Todas elas ficaram olhando umas para as outras com uma dúvida imensa.
— Adianto que será por uma boa causa — continuou Jhonson — ela recebeu um convite para jogar num time italiano, o Modena.
— Diga logo quem é? — pediu Michele impacientemente.
— Calma que eu vou dizer — respondeu o treinador fazendo uma pausa — trata-se da Dana Chelsea, nossa levantadora titular — assim que ele falou, algumas meninas se levantaram para abraçar a loira e parabenizá-la.
— Então a vaga de capitã está em aberto? — perguntou Michele.
— Não, Senhorita Benson... pois já escolhi a nova capitã do time — retrucou o treinador. Michele o olhou com cara de surpresa, enquanto Wendy tentou se esconder no meio das meninas. Caso ele falasse que a filha de Hotch era a nova capitã do time, sua relação com Michele azedaria mais ainda.
— Mas quem é? — insistiu Michele curiosa.
— Será a nossa nova levantadora titular, a Senhorita Hotchner — respondeu prontamente Jhonson.
— Isso só pode ser brincadeira — falava Michele incrédula — ela foi reserva a temporada toda.
— Mas agora vai ser titular — retrucou o treinador.
— O senhor tem que escolher alguém com mais liderança... — insistia em vão Michele.
— Benson, essa escolha da capitã é caso encerrado, nada do que disser vai me fazer mudar de ideia.
Michele ficou bufando de raiva e a sua raiva de Wendy só aumentava. Entretanto o treino seguiu normalmente, sem confusões.
Depois do treino, Wendy e Reid foram ao cinema, onde eles mais namoraram do que assistiram ao filme. Os dois estavam tão felizes, que a felicidade parece que não cabia dentro deles.
****
No segundo e terceiro dia, eles treinaram na casa de Wendy, já que a quadra estava ocupada pelo time de basquete. Emily ficou super empolgada, a tempos ela não via a filha tão feliz...
No fim do terceiro dia, Wendy levou Spencer para conhecer seu quarto. Quando ela soube que a mãe do rapaz foi professora de Literatura do Século XV, Wendy resolveu mostrar sua coleção de livros. Leitura foi um hábito que a garota aprendeu em Londres e começou a fazer coleção de obras clássicas.
Wendy também mostrou sua coleção de CDs de música eruditas. A própria Wendy começou a reviver hábitos que ela mesma havia esquecido que tinha. Foi quando ela começou a se perguntar em que momento da sua vida, começou a se perder e se tornou a pior pessoa que alguém poderia ser.
— Beethoven é o meu favorito — disse ela mostrando sua coleção enquanto estavam sentados na cama.
— Eu gosto de Beethoven, mas prefiro Mozart — retrucou Reid.
— Sério?
— Sim, as músicas são mais temáticas e precisas, reflete uma personalidade mais leve. Já Beethoven reflete um humor obscuro, parece que foram escritas com tensão e brutalidade.
— Éhhhh — falou Wendy não concordando muito — todavia Beethoven é mais inovador e tem uma obra mais densa, Mozart tem um estilo mais recatado. E também Beethoven faz parte do romantismo.
— Na verdade, faz parte do período de transição do classicismo para o romantismo, mas não é só romance que as músicas de Beethoven falam, elas carregam um drama, uma obscuridade...
— Tudo bem, eu me rendo — disse Wendy deitando-se na cama enquanto Reid continuou sentado — você entende mais de música clássica e de literatura do que eu.
Reid continuou observando a coleção de Wendy.
— Ah, você tem Parlamento de Foules de Chaucer? — disse Reid vendo o livro dentre os que estavam espalhados na cama.
— Você gosta?
— Sim, muito... minha mãe lia eles para mim.
— Spencer, eu sei que não é da minha conta — Wendy falava se levantando e ficando sentada do lado do rapaz — mas por que não tira um dia das suas férias para visitar sua mãe?
— Não sei — respondeu Reid muito indeciso — na última vez que fui visitá-la, ela nem se lembrava que tinha um filho.
— Mas você lembra que ela é sua mãe — retrucou Wendy limpando a voz — Spencer, chega um momento nas nossas vidas que nossos papéis se invertem com nossos pais. Eles cuidam da gente a vida toda, porém chega uma hora que a gente é quem deve cuidar deles.
Reid nada falou, somente demonstrou um desconforto com a conversa. Wendy percebeu.
— Me perdoa, eu não deveria falar essas coisas — disse a garota.
— Vamos esquecer isso e mudar de assunto.
— Certo.
Wendy acariciou os cabelos dele, colocando-os atrás da orelha. Ele virou-se para ela ficando rente a garota. Wendy lentamente se aproximou e o beijou. Ele a puxou de modo que ela ficasse mais perto de si e os beijos foram ficando mais intensos. Logo Wendy jogou seu corpo sobre o dele, fazendo com que Spencer ficasse deitado na cama e ela por cima dele.
Então o rapaz, ainda muito tímido, sem saber o que fazer, segurou-a pela cintura, enquanto a garota o beijava no pescoço. Spencer logo criou coragem e colocou as mãos por dentro da blusa da garota, sentindo sua pele macia. Wendy então parou de beijá-lo e ficou ainda em cima dele o encarando.
— A gente está indo muito rápido, não acha? — ela disse ofegante saindo de cima e deitando-se do lado do rapaz.
— Tem razão — Spencer concordou também ofegante.
— Vamos voltar para o jardim e continuar o treinamento — sugeriu Wendy.
— Sim, vamos.
Spencer e Wendy saíram do quarto e foram para o jardim treinar. Naquele dia a noite, eles não saíram à noite, ficaram assistindo uns DVDs com a Emily, que praticamente passava o dia sozinha.
A gravidez dela era um pouco de risco, visto que ela já passava dos 40 anos, e há vários riscos para a mulher que engravida depois dessa idade, como por exemplo o aumento na incidência de diabete gestacional, hipertensão específica da gravidez, abortamentos, prematuridade e distócia funcional, quando o trabalho de parto não evolui na velocidade esperada. Além do risco do bebê sofrer alterações cromossômicas ou estruturais, como a Síndrome de Down.
Inclusive os primeiros meses, Emily teve bastante sangramento, mas não chegou a sofrer aborto, e gravidez seguia firme e forte. Mas mesmo assim, ela tem sido alvo de preocupações da filha e do marido, por isso ambos combinaram que nunca a deixariam dormir sozinha em casa. Então sempre que Hotch viajava a serviço, Wendy tinha que ficar em casa.
A Emily gostava muito de Reid, afinal, ele ferido, lutou contra um psicopata para proteger ela e a filha. E sem contar que Wendy demonstrava uma felicidade que fazia muito tempo que ela não via.
Emily era uma das melhores profissionais quando trabalhou na BAU e na Interpol, mas sentia que sua filha foi seu fracasso como analista de perfis. Phillip a cegou de tal forma, que ela foi incapaz de perceber o que acontecia dentro da própria casa. E ver a infelicidade da sua filha, a fazia sentir uma culpa imensurável.
***
No quarto dia, voltaram a treinar na quadra, sob o olhar invejoso da Michele e da Ravenna, porém o restante do time apoiava Wendy. Pois além de ser uma ótima jogadora, estava sempre ajudando todo mundo, mesmo quando não estava em quadra.
Já Michele, também era uma ótima jogadora, mas tinha o hábito de buscar culpados nas derrotas e sempre se eximia quando ela era a culpada.
***
Naquele dia, Wendy marcou de ver Vanessa após o treino. E assim o fez, estavam as duas mais Spencer na lanchonete no campus mesmo. Wendy estava com o uniforme do time, já Vanessa vestia uma calça branca com uma blusa amarela de alça. Os três conversavam animados.
Logo depois, Michele chegou acompanhada de Ravenna e ficaram numa mesa um pouco longe dos três, mas que dava de vê-los perfeitamente.
— A esquisitinha está se vestindo melhor — disse Ravenna se referindo a Vanessa.
— Ela está numa calça branca... isso me deu uma ideia — falou Michele — vou precisar que faça a esquisitinha se levantar.
— No que está pensando, Michele?
— Faça o que pedi e verá...
Ravenna se levantou e foi até a mesa onde estavam os três.
— Vanessa, pode vir aqui na minha mesa me ajudar com a questão de matemática? É rápido — disse Ravenna.
— Tudo bem... — respondeu Vanessa se levantando.
Wendy ficou desconfiada e observou as meninas se afastando.
Michele pegou o vidro de catchup, e espremeu na parte de trás da calça de Vanessa.
— Ih, garota... usando branco estando menstruada — falou Michele alto fazendo todos olharem e deixando Vanessa constrangida.
Wendy que olhava de longe, não se conteve, pegou o vidro de catchup que estava sobre sua mesa e foi direção de Michele morrendo de raiva.
— Por que você fez isso? Ela nunca te fez nada — perguntou Wendy nervosa.
— Ela é uma songa monga e eu não gosto disso nela.
Wendy conteve sua raiva e espremeu o vidro de catchup na cada de Michele que gritou raivosa.
— O que pensa que está fazendo, sua vadia? — disse Michele cheia de ira e partindo para cima de Wendy. Mas a filha de Hotch conseguiu derrubar a rival no chão e esbofeteá-la, que gritava histericamente.
Logo juntou algumas pessoas para separar as duas. Reid tirou Wendy de cima de Michele, e a levou para fora da lanchonete.
Michele foi embora com Ravenna, prometendo se vingar da humilhação que sofrera. Quando chegou no quarto, ela começou a chorar para a amiga.
— Eu nunca fui tão humilhada na minha vida como fui hoje — dizia Michele chorando — a Wendy me paga, ela vai me pagar.
— Calma, amiga — pedia Ravenna.
— Essa garota tenta ser perfeita demais... algum podre ela deve ter, não é possível.
— E eu acho que tem — retrucou Ravenna.
— Como assim? — perguntou Michele curiosa e controlando o choro.
— Eu não tenho certeza do que é...
— Por favor, me diz logo.
— Outra dia quando cheguei no quarto, eu ouvi ela chorando com a Vanessa dizendo que tinha cometido um erro muito grande com uma tal de Rachael... acho que Rachael Baxter. Que não queria que tivesse acontecido o ocorrido.
— O que mais ela disse?
— Foi só isso que escutei. Pois quando ela me viu, se calou.
— Nós temos que descobrir esse segredo e mostrar para todo mundo que ela não é essa santa que todos imaginam.
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