Dust in the Wind
41 Caso resolvido - parte I - Confrontando Heidi Murphy
Notas iniciais

Los Angeles — Califórnia.
Reid foi com Jessyca na ambulância. No caminho, enquanto os paramédicos faziam o primeiro atendimento. Ela olhava para o rapaz. Nos olhos da garota, ele via desespero, mas ao tempo ele sentia que ela queria lhe dizer algo.
— An... an... — ela dizia estendendo a mão a ele. Reid tentava entender, porém não conseguia.
— Acalme-se, não tente dizer nada — ele pedia segurando a mão dela.
— An... an... — a garota insistia, só que já estava perdendo as forças.
Já faltava-lhe ar nos pulmões e mal conseguia respirar. Sentia como se estivesse sendo asfixiada e era uma das piores sensações. Suas pupilas dilatavam e Reid podia ver nos olhos dela o desespero. A morte estava chegando, ela sentia. Logo seu corpo começou a se debater, pois seus órgãos foram entrando em colapso e em pouco tempo sofreria falência múltipla de órgãos.
Em nenhum momento ela perdeu a totalmente consciência e isso só aumentava o sofrimento daquela jovem. Reid se comovia à medida que via a vida daquela garota ir embora.
E antes que chegassem ao hospital, ela veio a falecer. Dali o corpo seguiria para autópsia. Mas Reid já sabia qual a causa da morte: envenenamento. E tudo aconteceu ali, diante dos olhos dele. Como ele pode ter deixado isso passar?
Spencer se sentiu mal pela Jessyca, pois por mais coisas erradas que ela tenha feito, ela era somente mais uma vítima de Phillip Froster, que roubo-lhe a inocência, a dignidade e agora, a vida.
Todavia, aquele momento já era tarde para lamentar pela vida da garota. Não havia mais nada para fazer por ela. O que ele podia fazer, era prender Phillip para que ele nunca mais fizesse isso com ninguém e era uma promessa que ele fazia a si mesmo.
***
Reid ainda teve que ficar dois dias em Los Angeles. Um inquérito foi aberto pela Corregedoria para apuração da morte da Jessyca, pois um detento foi assassinado quando estava sob custódia do estado e ele havia sido a última pessoa que a viu com vida.
Hotch acabou viajando para onde o agente. Já que este sabia lidar melhor com esse tipo de situação do que o rapaz.
Nesses dias, Garcia “vasculhou” todos os sistemas de informações possíveis para descobrir tudo o que podia sobre Nikolai Pavel. Hotch sabia que precisava de algo sólido para levar para CIA a respeito do que Jessyca havia falado para Reid. O chefe da BAU não via a hora disso acabar e se livrar de Phillip de uma vez por todas, que possivelmente continuava solto.
Mas logo a corregedoria liberou Reid da investigação. E ele voltou com Hotch para Quantico, onde haviam marcado com Heidi Murphy para tratarem de tal assunto. Hotch acabou chamando Rossi para a conversa, no entanto deixou o restante da equipe de fora. Heidi tinha um gênio muito difícil, mas a ajuda do amigo e de Reid era suficiente para enquadrá-los.
***
Wendy estava no shopping em frente a uma loja de utilidades de domésticas. Ela aguardava alguém, ao tempo que não parava de olhar o celular. Todavia logo chegou quem ela esperava: Mary Baxter. O semblante da mãe de Rachael estava mais tranquilo e acolhedor. Dava para ver um pouco de vida naquela mulher.
— Que bom que a senhora pode vir — disse Wendy — eu não queria pedir isso para minha mãe, ela anda ultimamente tão ocupada com meu irmão.
— Tudo bem — respondeu Mary — mas você vai casar?
— Não, Spencer e eu vamos morar juntos, mas não vamos formalizar nada ainda, quem sabe mais para frente, não é? — respondeu a garota segurando a mão dela — eu quero que quando Spencer voltar de Quantico, ele veja nosso apartamento novo todo arrumado.
— Você está transbordando felicidade — disse Mary.
— Eu estou — ela respondeu sorrindo — é tanta felicidade que me pergunto se mereço.
Mary olhava para carinhosamente para a garota enquanto ela falava.
— Nunca pensei que pudesse ser tão feliz como sou agora — continuou a garota — e por isso eu quero que nosso apartamento fique perfeito.
— Okay, entendi. Então vamos as compras!
Mary e Wendy entraram na loja para comprar utensílios domésticos. Depois foram em uma loja de móveis e assim passaram o dia. Mary se divertiu muito, na verdade ela nem lembrava a última vez que se sentiu tão bem e tão completa.
Mas quando estavam olhando os sofás, um homem de mais ou menos 35 anos de idade, 1,90 m de altura, corpo bem atlético, cabelos pretos e lisos chamou Mary discretamente. Ela pediu licença a Wendy e foi falar com ele.
De longe, Wendy percebeu que o clima era pesado. Os dois pareciam discutir. A garota ficou preocupada e por isso não tirou os olhos de Mary. Por algum motivo, ela achou que talvez fosse o motivo da briga dos dois, mas depois tirou essa ideia da cabeça, pois ela nunca tinha visto o homem com quem Mary discutia.
Mas minutos depois, Mary volta um pouco estressada. Mas o homem continuou olhando de longe bastante irritado. Wendy pôde ver ódio nos olhos dele.
— Algum problema? — a garota perguntou calma, no entanto muito preocupada.
— Não, querida — ela respondeu — era só meu ex-cunhado, Stan.
— Essa briga foi por minha causa?
— Claro que não — Mary respondeu nervosa — por que seria?
A resposta não convenceu Wendy que olhou firme para ela.
— Eu acho que gosto daquela cor — falou Mary mudando de assunto — veja, eu adoro esse tom de bege e combina com o restante da mobília que escolhemos. E essas almofadas são muito lindas.
Mary não deu mais brecha para que Wendy tocasse no assunto, o que só aumentou a desconfiança dela: por que eles estariam discutindo por causa dela? Foi quando a garota percebeu que talvez fosse por Rachael.
Todavia a garota resolveu deixar de lado tudo que a fizesse a se lembrar do que fez a Rachael. A única coisa que se importava era com o perdão de Mary, e esse ela já havia obtido.
***
Quantico — Virgínia
No dia seguinte, Hotch, Reid e Rossi estavam na sala de reuniões aguardando Heidi Murphy que chegou pontualmente no horário combinado. A agente da CIA não estava à vontade e sabia que a reunião era para tratar sobre Phillip Froster. Então, ela tinha como o objetivo falar e não deixar que eles falassem.
Os quatro ficaram sentados à mesa redonda. Tanto Heidi quanto Hotch seguravam uma pasta.
— Agente Murphy — disse Hotch — nós a chamamos aqui...
— Eu já imagino — retrucou ela interrompendo o chefe da BAU — a Emily deve ter dado com a língua nos dentes e ter dito que pretendo fazer um acordo com Phillip Froster...
— Agente Murphy... — tentava Hotch em vão.
— Eu sei o que vocês vão dizer — continuava falando Heidi — da menina Wendy que precisa de proteção e blá blá blá. Conheço bem o repertório repetitivo de vocês. Eu já apresentei a solução, a garota vai para o programa de proteção a testemunha e essa história acaba aqui. Okay?
— Programa proteção a testemunha? — indagou Reid — então é essa a sua ideia? Pelo visto não se preocupa nem um pouco com a vida dela...
— Bebê — falou Heidi ironicamente interrompendo Reid — eu sei que vocês dois estão brincando de casinha, mas eu não vou deixar que essa brincadeira de vocês atrapalhe nossos planos. Nós temos uma missão a cumprir e vou cumpri-la custe o que custar.
— E para isso vai vender sua alma para o diabo? — perguntou Rossi.
— Meu caro agente Rossi — ela mais uma vez falava ironizando só que dessa vez olhando para o Rossi — nós da CIA não somos treinados para sermos heróis. Não somos o FBI. Nós somo treinados para cumprirmos uma missão e é o que estou fazendo.
— Mas para isso tem que passar por cima do sentimento das pessoas? — retrucou Rossi — não se importa com as famílias que foram destruídas por causa desse assassino.
Heidi riu ironicamente e voltou a encarar Rossi.
— Você quantas pessoas são vítimas de tráfico humano no mundo? — indagou Heidi.
— Duas milhões e quatrocentas mil por ano — respondeu prontamente Reid — e estima-se que ao todo existem 21 milhões de pessoas vítimas de tráfico humano.
A agente da CIA olhou para Reid desconcertada.
— Era uma pergunta retórica, quer dizer... eu ia dizer isso — falou Heidi ainda desconcertada — mas é isso mesmo — Heidi voltou a falar com segurança — e eu posso chegar em dos principais mentores disso tudo. Cansei de lutar contra os sintomas, quero chegar nas causas. Não me conformo mais em pegar peixe pequeno e salvar meia dúzia de mulheres. Para que fazer isso? Se posso chegar mais longe.
— E para isso você quer soltar um assassino perigoso? — indagou Hotch firme.
— Pense em quantas vidas serão salvas — retrucou Heidi.
— Pense em quantas vão morrer caso Phillip fique solto — respondeu Hotch.
— É um risco que temos que correr — ela respondeu calmamente — eu já disse, meu objetivo é pegar um peixe grande e salvar milhares de vidas.
— A verdade agente Murphy — disse Rossi — é que você não está preocupada nem um pouco com as pessoas vítimas de tráfico ou com as vítimas de Phillip. Sua única preocupação é com sua promoção. Essa é sua missão. Quer subir rápido. Não tem paciência de esperar o tempo certo. Qualquer pessoa com o mínimo de sensatez trabalharia mais para alcançar seu objetivo, mas nunca arriscaria a vida de várias pessoas por uma missão.
— Há outros meios e métodos de completarmos uma missão — completou Hotch — e ir pelo caminho mais fácil nem sempre é a melhor escolha.
Heidi levantou-se furiosa.
— Eu não sei por que estou aqui. Eu tenho um acordo para fazer com Phillip e vou até o fim. Nada do que vocês disserem vai me fazer mudar de ideia.
— Você não precisa fazer um acordo com Phillip — disse Hotch — nós já fizemos o seu trabalho. Trabalho que deveria ter feito ao invés de estar tentando soltar um assassino perigoso.
— Do que está falando? — perguntou Heidi totalmente desalinhada.
— Nós encontramos um dos mentores da máfia russa que você tanto queria — falou Hotch confiante ao passo que Heid o olhava perplexa.
— Você está blefando — falou Heidi ainda em pé.
— Será que estou? — Hotch jogou a pasta que segurava na mesa, perto do lugar onde Heidi estava. Ela olhou a pasta e depois olhou para Hotch — vamos, agente Murphy, abra a pasta.
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