Dust in the Wind
29 A insegurança de Reid
Notas iniciais

Palo Alto — Califórnia.
— A minha mãe — era tudo que Wendy conseguia dizer enquanto estava aos prantos. Ela mal abria a boca, devido ao soco que pegou de Phillip. Elle a levantava do chão para tirá-la da casa e levá-la até a ambulância — cadê minha mãe?
— Sua mãe está bem. Inventamos isso para que Phillip saísse do esconderijo — respondeu Elle abraçando a garota. Reid se aproximou para ver como Wendy estava — pode deixá-la comigo, eu vou levá-la para ambulância.
— Eu quero fazer isso — insistiu o rapaz.
— Você também precisa de atendimento — retrucou Elle como se desse uma ordem.
— Eu estou bem.
— Não insista, Reid.
Elle saiu com Wendy. A garota estava tão atordoada que mal prestou atenção na conversa de Elle e Reid. O rapaz após a negativa da colega saiu da casa, porém não tirava os olhos das duas. Chegando lá fora deu de cara com a viatura que estava levando Jessyca. A ruiva ficou olhando para o rapaz como se estivesse decepcionada. Ele havia a enganado.
Por mais que tivesse enganado a garota com o intuito de salvar a própria vida e a vida de Wendy. Reid sentia-se incomodado com o olhar da ruiva. Era um olhar indecifrável que o deixava desconfortável. Os dois se encaravam bastante.
Mas instantes sentiu alguém toca-lhe o ombro.
— O que foi, garanhão? — perguntou Morgan.
— Nada — respondeu Reid abaixando a cabeça.
— Vamos lá na ambulância para o médico te examinar.
Jessyca estava na parte de trás da viatura e olhava fixamente para Reid. Enquanto os policiais conversavam algo entre si. O rapaz levantou a cabeça e a olhou novamente. O olhar de Jessyca era fixo e continuava o incomodando, num impulso resolveu ir até ela.
— Reid — falou Morgan como se quisesse o impedir percebendo o que ele pretendia.
O rapaz se aproximou da janela onde a garota estava. Ela o olhava fixamente.
— Qual é o seu problema? — perguntou Reid preocupado.
— Você enganou a gente — respondeu Jessyca — fingiu que era nosso amigo.
— Eu menti para sobreviver e para proteger a Wendy.
— Reid... Reid — falou Jessyca como se zombasse do rapaz — a Wendy não é quem você pensa que é. Ela estava “quieta” por que achava que havia matado a Rachael. Como acha que ela vai ser agora que descobriu a verdade? Com certeza vai voltar a ser a Wendy que sempre foi e a namorar garotos como Daniel. Você não faz o tipo dela, doutor. E acho bem feito para você por ter preferido a cobra criada da Wendy do que a gente que te protegeria de tudo e todos.
Nessa hora os policiais entraram na viatura e a levaram. O rapaz ficou em choque por alguns instantes.
— Reid, você não caiu na conversa dessa garota? — perguntou Morgan — ela só está te provocando.
— Eu... — Reid gaguejou e ficou hesitante por alguns instantes até que resolveu falar — eu nunca senti que Wendy gostasse de mim de verdade. É só uma transferência. Ela pensa que eu a salvei naquele dia no banco...
— Para com isso — disse Morgan dando um bronca no amigo.
— Morgan, você precisava ver como a feição de Wendy mudou quando ela descobriu que não havia matado a Rachael. Estava irreconhecível, cheia de ódio.
— Ela foi enganada durante muito tempo. A garota pensava que havia matado uma pessoa. É natural ela sentir raiva — Morgan fez uma pausa colocando a mão no ombro do amigo — e por tudo que ela passou, acha mesmo que ela quer voltar a ser a mesmo de antes. Acredito que ela vai tentar viver da melhor forma possível
— Eu não sei...
— Reid, deixa de ser inseguro ou você vai acabar perdendo a namorada.
— A gente não está mais junto, esqueceu?
— Por que você não quer — respondeu Morgan — pois ela já deu todos os sinais de que quer ficar com você.
— Também tem o ex-namorado dela. Eles namoraram a vida toda. O que vai impedir deles voltarem agora.
— Acho que o Doutor Spencer Reid.
— Morgan, olha para ele e olha para mim. Acho que tenho chance de competir com ele.
— Se te serve de consolo, você faz mais meu tipo do que aquela caricatura do Capitão América.
— Morgan, eu estou falando sério.
— Eu sei que está, só estou querendo dizer que não há com o que se preocupar. Está sofrendo por antecipação. Agora vamos até a ambulância para os paramédicos te examinar e depois vamos ver como Wendy está.
Reid somente concordou com a cabeça e acompanhou o amigo.
Próximo dali, Wendy era atendida por um paramédico. Ele fez os primeiros procedimentos nela, mas ela teve que ser levada ao hospital para exames e procedimentos mais específicos. Elle a acompanhou o tempo todo.
***
Los Angeles — Califórnia.
Hotch respirou aliviado após a ligação de Rossi dizendo que o plano havia dado certo e que Wendy estava a salvo. Logo após, ele foi ver o filho que estava uma incubadora neonatal. Jack com poucas horas de vida, já lutava bravamente para sobreviver. Ele havia nascido com menos de 2 quilos e era minúsculo, podia caber perfeitamente nas mãos de Hotch. Mas já se podia ver que era um guerreiro.
Depois Hotch foi ver a esposa. Ela dormia profundamente depois que foi medicada. Ele quase a perdeu, na verdade a perdeu por alguns minutos. E aquilo foi desesperador para ele. Emily chegou a ser dada como morta por alguns minutos, ela só respondeu aos estímulos praticamente “aos 45 do segundo tempo”.
Ele sentou-se do lado dela e segurou a mão dela.
— Seja forte, querida — pedia Hotch — eu te amo tanto. Eu preciso de ti, eu não sou ninguém sem você.
Ele beijou a mão da esposa e ficou segurando, na espera que ela acordasse.
***
Palo Alto — Califórnia.
— Eu estou bem — dizia Wendy enquanto a enfermeira colocava um colar cervical nela — eu machuquei foi o maxilar, não há necessidade disso.
— Isso é para o seu bem — respondeu a enfermeira ignorando as queixas da jovem.
— Eu posso pelo menos ir embora — voltou a queixar-se a jovem — eu preciso ver a minha mãe e meu irmão... ah, e meu pai também.
— Isso só o médico poderá dizer — retrucou prontamente a enfermeira já saindo depois de terminar de colocar o colar cervical na garota — por enquanto, evite falar o máximo que puder e deite-se para descansar um pouco.
Elle permanecia ao lado dela e acompanhando tudo.
— O que vai acontecer com Phillip dessa vez? — perguntou Wendy sentando-se na cama bem relaxada.
— Ele vai voltar a ficar preso.
— Acho que não vou me sentir segura mesmo com ele preso — completou Wendy abraçando o próprio corpo — eu penso que ele pode fugir a qualquer momento de novo.
— Isso não vai acontecer mais — respondeu Elle — Phillip vai ser mandado para uma prisão de segurança máxima. Lá ele não vai ter contato nem com outros presos e muito menos acesso a telefone. Você pode ficar tranquila.
— Espero que sim — falou Wendy, em seguida mudou de assunto — eu queria falar com meu pai. Quero saber como está minha mãe e meu irmão.
— Os dois estão bem, eu já te disse inúmeras vezes — respondeu Elle — todavia acho que está na hora de você parar de falar um pouco e descansar um pouco. Olha o que a enfermeira recomendou.
Wendy juntou os lábios mordendo estando chateada. Porém ela teve que reconhecer que sua mandíbula doía bastante e que talvez fosse realmente bom ficar calada.
Ela parecia conformada. A garota carregava uma paz dentro de si como já jamais havia sentido nos últimos anos. Saber a verdade sobre a morte da Rachael, lhe trouxe um alívio e lhe tirou um peso das costas. Ela deitou-se na cama do hospital e fechou os olhos, seria o primeiro sono tranquilo depois de tantos anos.
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