Duplicidade
19 Medida arriscada
Notas iniciais
— Você entendeu Nessie? – Eu sussurro para a minha irmã que assente silenciosamente. Ela sabe que se eu estou pedindo algo assim é porque é sério e preciso.
— Edward, só tem essa alternativa mesmo? – Ela pergunta me olhando daquele jeito que só quem cresceu junto entende.
— Eu a amo, Ness. Mais que a minha própria vida. – Digo sem reservas, fazendo-a entender que sim, é a única forma de fazer o que tem que ser feito.
— Estarei a postos quando chegar a hora. – Minha irmã diz e se levanta ajeitando o vestido. – Agora vou ver o Alec. Beijo maninho.
Quando ela se vai, Biers senta-se ao meu lado no balcão do bar.
— Cullen, tudo pronto lá fora. Os rapazes agirão conforme combinado. – Ele fala serio, porém tranquilo, o que me faz encará-lo com certa severidade.
— Eles sabem exatamente o que devem fazer, Biers?
— Com toda certeza, Cullen, eu confiaria a minha própria vida a eles. – Ele responde mais sério e eu refreio a vontade de lhe dizer que a vida de Bella é muito mais importante que a dele para mim – Ou a do meu próprio filho. – Ele emenda e meu corpo relaxa quase que automaticamente.
— Certo. Eu vou para mesa de minha família. – Eu digo tragando o último gole do meu copo e ajeitando a minha postura.
Enquanto caminho para a mesa onde está minha família dou uma olhada ao redor. Vejo Aro conversando alguns homens em sua mesa. Seu olhar imponente me alcança e ele acena, me cumprimentando. Eu devolvo mecanicamente sentindo minha bile querer subir. Ah, Aro, você vai me pagar, eu penso e prossigo. Ao chegar na mesa, desvio de minha mãe e engato numa conversa com meu pai e Jonh sobre o andamento da empresa.
Apesar de ter a minha profissão e ser feliz nela, fiz MBA em administração, uma vez que querendo ou não também sou herdeiro da empresa. Enquanto conversamos, a festa vai se desenrolando. Apesar de um pouco mais relaxado, meus olhos não perdem o foco do principal: Bella. Ela acompanha James em algumas mesas, outra vezes senta junta a alguma esposa-troféu e a escuta falar mais do que fala. Meu olhar se encontra com o de Ness que também não tira os olhos de Bella. Até que o momento chega.
James começa a se despedir de alguns conhecido e vem até a nossa mesa para falar com minha família. Ness prontamente entende o meu recado mudo e eu tiro os olhos da direção do casal que se aproxima, apesar da vontade de ficar olhando para Bella o tempo todo.
— Já vão? — Ouço Alice exclamar – Isabella, nem tivemos a oportunidade de conversar mais! – Ela diz e neste momento me permito voltar a olhá-la. Ele sorri minimamente.
— Sim, é uma pena. Teremos outra oportunidade. – Ela diz polida.
— Sim, claro. – Alice diz – Inclusive, vocês me devem um almoço – Ela fala e Bella apenas assente com educação.
— Ah Alice, nada de roubar a aminha cunhadinha... – Ness diz se levantando – Antes que vá, Bella, me ajude um instante com minha maquiagem, por favor. – Minha irmão fala já segurando o braço de Bella que a olha intrigada, mas assente. – É rápido James, prometo.
Bella acompanha Ness animadamente até o caminho para o local onde ficam os banheiros. Meu olhar pousa em Biers que já está no telefone. Sinto a adrenalina me tomar e meus dedos tremerem levemente. Disfarço. Refreio o impulso de acompanhar a mulher que eu amo. Nada pode dar errado agora.
Tomo um gole e depois outro de alguma bebida que passa em nossa mesa enquanto ouço James contar alguma piada sem graça para minha irmã e meu cunhado Jonh. Meu pai comenta algo comigo e eu respondo automaticamente. Com quinze minutos, as coisas mudam. Sinto meu celular vibrar e olho para Biers e assente levemente e sorri. Meu coração dispara. Minha vontade é correr, mas preciso executar o meu papel. Leva mais três minutos para alguém fazer o que eu vinha implorando em meu íntimo.
— Acho que Bella e Renesme estão demorando demais com esta maquiagem, não? – Alice pondera e olha para nossa mãe. – Vamos até lá mamãe?
Minha mãe assente e eu engulo em seco. É agora.
Um, dois.... um telefone toca.
— Alice? – Jonh atende e faz uma cara de puro terror com o que escuta. – James, Sr Cullen, Edward, Alec. Melhor irmos até o banheiro feminino agora.
Todos nos entreolhamos e juntos caminhamos para lá. Ao chegarmos, Encontro minha mãe extremamente nervosa, agachada ao chão, com Ness e nenhum sinal de Bella a não ser seus lindos saltos e um pedaço de seu vestido.
— Merda, o que aconteceu? – James urra furioso e olha tudo e todos ao mesmo tempo. Alec corre até Ness e eu faço o mesmo.
Minha irmã está com o cabelo bagunçado os olhos lacrimejantes e alguns rasgos em seu vestidos. Ela abraça o noivo e olha para mim. Meu olhar suplica que ela me dê algum sinal de que tudo está bem com Bella. Ela estende a mão para me puxar também para um abraço triplo. Escondida entre mim e seu noivo, ela me entrega um pequeno bilhete.
— Não sabemos o que aconteceu, quando chegamos ao banheiro encontramos Ness deitada aqui e toda essa bagunça. – Alice exclama.
— Vou chamar a segurança da festa, Jonh se posiciona.
— Vou chamar meus seguranças que estão lá fora. – James exclama e começa a telefonar.
— Ness – Alec desconecta o nosso abraço e segura minha irmã pelo rosto. James se aproxima
— Fale onde está a minha mulher!
— Ei, calma aí! – Eu digo refreando James – Ness está abalada. Gritar com ela não vai ajudar! – Eu digo e ele me olha com puro ódio. – Maninha, você consegue nos dizer o que aconteceu?
Ness engole em seco e assente.
— Nós estávamos aqui conversando – Ela começa devagar, como se estivesse fazendo muito esforço para lembrar – De repente a porta abriu com um estrondo e eles entraram e..
— Eles quem? – James pergunta
— Quantos? – Meu pai pergunta
— Não sei bem, lembro de ver uns 2, depois mais um. – Nees exclama – Eles nos puxaram pelos braços e nós começamos a bater neles e eles revidaram. Ouvi Bella gritar, quando me virei só vi ela desmaiando no colo de um e então senti uma pancada e tudo escureceu...
— Ah meu Deus! – Minha mãe exclama e então começa um falatório sem fim.
Minha mão onde está o bilhete arde, eu jogo o bilhete para o meu bolso e começo a vasculhar o local em busca de pistas.
— Teremos que acionar a policia – Eu digo e todos me encaram
— Não se eles não tiverem saído da festa ainda – James diz – Merda, ninguém atende! Vou ter que ir lá fora.
— Você ta louco, James? Bella está correndo perigo e você quer esperar? Que tipo de marido é você – Alec exclama – Ness está machucada e abalada, estes loucos vão ter que pagar por isso. – Ele emenda – Chame a polícia agora Edward!
Chamamos a polícia e enquanto a segurança da festa tenta entender como tudo aconteceu, eu consigo uma brecha e abro o pequeno bilhete.
Rodovia 53, Km 14, 03h. Olho para meu relógio de pulso, 01:22h.
Daqui a pouco, meu amor, estaremos juntos, eu penso.
Volto para a minha família e faço todo o acompanhamento detalhado do depoimento de Ness. Minha irmã é impecável nos detalhes, mesmo visivelmente abalada. Se havia alguma dúvida sobre a índole de Alec, ela cai totalmente por terra ao ver como ele cuida de sua noiva. Ele não a deixa um só minuto e se mostra um verdadeiro protetor.
Após o susto inicial, ao ver Nessie bem e segura, meus pais relaxam um pouco e vão para casa tranquilos, assim como Alice e Jonh. Alec se responsabiliza por Ness, levando-a para seu apartamento e James, que contra a vontade teve que abrir um inquérito para o desaparecimento da esposa, logo seguiu seu próprio rumo investigativo. Filho da puta!
Assim que me vi livre que continuar meu papel, me direcionei para a rodovia 53 correndo como um louco pelas ruas de Chicago. Meu peito inflamava e ardia quando enfim avistei a placa que anunciava o início da rodovia. Meu celular vibra numa ligação de Biers e eu atendo no modo viva-voz
— Cullen?
— Estou a caminho. – Digo
— Perfeito. Ela está num furgão vermelho. Você para atrás, abre o furgão retira ela de lá e fecha a porta. Eles vão arrastar o carro e pronto. Sem contato.
— Certo. Estou no Km 5. Até breve.
— Até, Cullen.
Km 7... Km 10... Km 13...
Avisto o veículo e meu coração salta no peito. Estaciono logo atrás do carro e salto do meu Volvo. Respiro fundo antes de abrir o fundo do furgão.
— Edward! – Bella pula em meus braços e uso todo o meu equilíbrio para não caímos.
— Eu te amo Bella. – Eu digo e nos beijamos, ao mesmo tempo o furgão arrasta cantando pneu. – Me perdoe por tudo isso, mas era a única forma de te proteger.
— Tudo bem, até porque acho que sou capaz de matar James agora – Bella fala e pela primeira vez a vejo transtornada.
— Como assim?
— Aquela noite, 17 de outubro... eu lembro! – Bella diz e sinto o poder do significado disso.
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