Dungeoneer - Interativa

21 Você quer brincar na neve?


Notas iniciais
É isso mesmo? O autor ficou maluco? Capítulo pequeno e centrado no Junpei, espero que gostem. Ah é, a fanfic acabou de completar um ano, obrigado a todos que sobreviveram até aqui.

Era manhã no castelo agora dominado por Zerus Rose, onde ex-juiz do torneio estava confortavelmente sentado em uma poltrona tomando seu café da manhã. É verdade que ele era um prisioneiro, mas o lugar era confortável, a comida boa, a única coisa que ele precisava era “encarar” o seu patrão de vez em quando.

Foram dadas duas batidas na porta e em seguida orc entrou.

– O que você quer criatura imunda? – perguntou o juiz, se sentindo.

– Trago notícias para o senhor Zerus.

– Ele está há dois dias trancado no seu laboratório e não quer ser incomodado, pode me falar que eu passo o recado a ele.

– Nem pensar, se você der o recado errado quem vira pernil sou eu!

Nesse instante, uma porta menor na lateral do quarto se abriu, e Zerus saiu com seus cabelos esvoaçantes e um sorriso no rosto.

– Zerus, esse orc...

– É o novo encarregado em transmitir minhas ordens. – Zerus interrompeu o juiz – Agora fica caladinho e deixe ele falar.

– O Tô Duro foi derrotado – informou o orc.

– O QUÊ? Impossível, mesmo a Braquistócrona sendo uma grande guerreira não seria páreo para ele.

– Ela não estava sozinha, segundo o olheiro os alienígenas estavam lá. O Tô Duro estava ganhando de lavada, mas apareceu aquela loira esquisita e deu uma rajada de energia saindo da sua espada e o torrou instantaneamente.

– Sempre ela...Sua espada agora lança raios, isso quer dizer que eles conseguiram o cristal de prata. Mas isso não importa, agora que sabemos onde eles estão ataque com os nossos melhores soldados se for necessário!

– Senhor – o orc estava trêmulo – eles não estão mais na Floresta do Medo.

– E o olheiro disse para onde eles foram?

– Ele é um olheiro, não um escuteiro. Os alienígenas conversaram, mas como o olheiro é surdo ele não faz ideia do que estavam falando, a única coisa que ele sabe é que o grupo se dividiu em três. O maior parece que está sozinho, o shinigami traidor e o cabeça de abóbora saíram juntos e os demais foram em outra direção. Acredito que eles tenham brigado.

– Você é um inútil mesmo, não vou sujar minhas delicadas mãos com você.

Zerus pegou uma semente em um pequeno saquinho e quando estava prestes a jogá-la no Orc, uma mulher alta e magra, com cabelos roxos e usando um vestido verde longo, porém decotado entrou apressada no quarto. Uma dezena de guardas fortemente armados vieram correndo atrás dela, então ela simplesmente olhou para eles e todos foram imediatamente paralisados.

– Quem é você e como ousa invadir meus aposentos? – perguntou Zerus, em tom zangado e imponente.

– Me perdoe senhor, os guardas não me deixaram entrar – ela se ajoelhou sob um de seus joelhos, em sinal de reverência – eu me ofereço para tomar a sua poção e liquidar com Beatrice Imogen e seus amigos.

– E como você sabe sobre minha nova poção? Por acaso anda me espionando?

– Eu não sei, eu pressenti. E também posso seguir os passos dos inimigos através dos seus sentimentos.

– Você fala bonito moleca, mas como sei que posso confiar em você?

– Porque eu quero vingança. Aquela que chamam de Beatrice matou a minha mestra.

– Hum, então você é a discípula da Maga Lee, interessante. Eu também quero aquela vadia morta e seus olhos transformados em pingente, eu irei pegar a poção. Está ciente que o seu efeito é irreversível?

– Estou, e não me importo.

– Você é arretada hein, podemos ser boas amigas.

O orc aproveitou a distração de todos para fugir, e Zerus se preparava para pegar a tal poção, quando o juiz sem nome se manifestou.

– Zerus, todas vezes que você atacou com apenas uma pessoa, por mais poderoso que seja, os alienígenas se deram bem, por que não mandar logo um exército atrás deles?

– É senhor Zerus para você, e quem você está pensando que é? Ai que saudades do cenourinha...Enfim, para te lembrar quem manda por aqui, hoje à noite eu vou ser o ativo, e vou comer um cogumelo vermelho. Sabia que eles aumentam mais do que a altura de quem o comer?

O Juiz ficou encolhido, com sua musculatura contraída e totalmente apavorado. Zerus foi ao laboratório pegar a misteriosa poção, enquanto sua cobaia voluntária o esperava ansiosamente.

*********

Junpei acordou após ter passado a noite na base do Vulcão da Morte Certa. Ele tinha dores por todo o corpo por ter dormido em um confortável chão de pedras e areia quente, mas quem liga, ele finalmente iria resolver seu problema e quem sabe, pegar alguém.

– Arrrr – ele bocejava e se espreguiçava – hoje é um belo dia e vou procurar o Brejo Forasteiros Serão Decapitados que o baixinho lá do puteiro falou. Mas pra que lado ficava mesmo?

O carateca havia se esquecido totalmente qual direção a partir do Vulcão ele deveria seguir. Sem saber para onde ir, apenas pegou um caminho aleatoriamente e andou, andou, andou até encontrar um vale, e mesmo ainda estando longe, ele conseguia ver que havia várias construções e que tanto o chão quanto as casas eram quase totalmente brancos.

– Duvido que aquilo seja o brejo, mas chegando lá eu pergunto pra alguém.

Ele andou mais um pouco e começou a sentir muito frio. Mais de perto, percebeu que aquela brancura toda era neve, e que talvez por conta disso, não havia ninguém nas ruas. Ele então começou a bater na porta das casas, porém ninguém o atendia. Quando ele já estava prestes a desistir, ele avistou uma mulher de cabelos castanhos e um belo vestido vinho, então ele correu desesperado até ela.

– Olá garota, meu nome é Junpei e preciso chegar ao Brejo Forasteiro Serão Decapitados, você sabe onde fica?

– Você quer brincar na neve? – perguntou a garota, cantando.

– Desculpa, tô com muita pressa, você poderia me dizer onde fica o brejo?

– Você quer brincar na neve? – ela insistiu, com olhar pidão e ligeiramente psicótico.

– Já entendi, eu brinco e depois você me fala pra onde eu tenho que ir.

A garota sorriu e os dois começaram a brincar. Fizeram bonecos de neve, atiraram bolinhas um no outro, Junpei sem ter muita noção da sua força fez alguns hematomas nela, porém a garota não se zangou, parecia estar muito feliz com aquele momento. Mais para o fim da tarde, o frio começou a se intensificar e o grandão voltou ao seu objetivo.

– Pronto, já brincamos na neve, agora me diz onde fica o Brejo que falei.

– É que ... – a moça estava hesitante – eu não sei.

– Ahh, só faltava essa, perdi a tarde toda a toa! – o grandão gritava, nervoso.

Os olhos da garota começaram a lacrimejar, fazendo com que ele ficasse com sentimento de culpa.

– Tá bom, me desculpa, foi legal brincar com você, eu até te daria uma noite de amor grátis mas o problema é que você é muito pequena e magrinha, não ia dar certo. Agora eu tenho que ir, boa sorte e qualquer dia brincamos de novo.

– Eu sei quem pode te ajudar amiguinho.

– Ah é? Por que não falou antes?

– É a minha irmã, ela sabe tudo, certamente vai poder te ajudar.

A dupla se dirigiu até uma mansão com dois andares, toda feita de madeira. Não chegava a ser um castelo, mas era grande e bonita. A garota que brinca na neve abriu a porta e mandou o Junpei entrar, então eles subiram longas escadas até chegar a uma porta, na qual ela deu algumas batidas.

– Lerigou, lerigou – ela chamava.

Não houve resposta alguma, o silêncio reinava.

– Lerigou, tem um amigo que eu quero que você conheça!

A porta se abriu e uma mulher loira, com longos cabelos trançados e um longo vestido azul saiu de dentro do quarto.

– Ana, já falei que o meu nome não é Elsa e não Lerigou e eu não quero brincar na neve! Espero que esse sujeito seja o seu namorado, quem assim você me deixa em paz!

– Ele é só meu amigo, brincamos na neve a tarde toda. Ele quer ir...pra onde você quer ir mesmo?

– Brejo forasteiros serão decapitados – respondeu Junpei.

– Não é longe, entretanto bem perigoso. Siga para o leste, fica logo depois da Vila Pinguim – informou a loira.

– Brigado dona Lerigou, você salvou minha vida! – agradeceu o grande herói.

– Que bom que ajudei, se algum de vocês precisar de mais alguma coisa, não hesitem em ir se danar – Lerigou fechou a porta na cara da irmã e do seu novo amiguinho.

– Valeu pela ajuda, vou partir agora mesmo!

– Não é uma boa ideia, as noites na nossa cidade são muito frias, você vai virar picolé. Durma aqui e vá amanhã de manhã – ofereceu Ana.

– Tem certeza, seus pais não vão achar ruim um homem estranho dormindo numa casa com duas garotas bonitas?

– Meus pais morreram quando eu era bem pequena, a minha irmã Lerigou, que me criou. Por favor, fique aqui, podemos assar baratas na lareira.

– Você quis dizer batatas?

– Não, baratas mesmo, uma delícia

Junpei ficou na casa durante a noite. Os dois brincaram, assaram baratas na lareira, que o grandalhão não comeu, e no fim, a moça acabou adormecendo encostada nele. De manhã, quando Ana acordou, Junpei já estava em pé.

– É isso garota, obrigado pela informação e pela noite, mas agora tenho que ir porque depois de amanhã eu tenho que encontrar um amigo.

– Ah tá, já que você tem que ir...mas você não está se esquecendo de uma coisa?

– Deixe eu ver, martelo de batalha, saquinho com moedas, roupas...tudo aqui – disse Junpei após checar seus pertences.

– Você deveria me pedir em casamento.

– O quê? – Junpei engasgou com sua própria saliva devido ao susto.

– Nós brincamos na neve, dormimos juntos, é o curso natural das coisas.

– Vou ser bem direto: você não vai sobreviver à noite de núpcias. Detesto deixar uma garota triste, então vamos fazer o seguinte, quando eu voltar do brejo com o meu problema resolvido eu passo por aqui e te dou um trato.

– Não estou entendendo, mas confio em você.

Ana se pendurou no seu quase futuro noivo e deu um beijo rápido e suave na sua boca.

– Eu volto logo, prometo!

Junpei saiu correndo, querendo chegar o mais rápido possível ao Brejo Forasteiros Serão Decapitados.

– Nunca estive com uma garota que se assanhou tanto pro meu lado – ele corria ofegante, porém sem diminuir o ritmo – Tenho que encontrar o sapo e voltar logo pra acabar com a carência dela.

Ele correu muito, descansou, correu novamente, atravessou a Vila Pinguim, que nada mais era do que um pequeno conjunto de casas com uma estátua de gelo de um pinguim gigante no meio delas. Pouco depois, a neve foi diminuindo e a temperatura aumentando e enfim, ainda no mesmo dia, chegou a um lugar onde havia uma placa de madeira com a inscrição “Afastem-se forasteiros, ou serão decapitados”.

– Deve ser aqui, vou entrar.

O lugar não passava de um pântano, repleto de árvores espinhosas de troncos retorcidos e obviamente, havia muita lama. Junpei heroicamente se embrenhou no brejo, andando na lama e abrindo caminho pela vegetação com seu martelo de cristal de prata com cabo. Ele ficou cheio de espinhos e com muitas sanguessugas agarradas nas suas pernas, até que finalmente, avistou um sapo verde, que tinha o tamanho de uma galinha, sentado em cima de uma pedra.

– Será que esse é o sapo que o tampinha falou? Pelo que ele disse, toda vez que ele falar não pra algum homem, seu amiguinho diminui dez centímetros, vou ver se é verdade.

Ele se aproximou do sapo e foi conversar com ele.

– E aí sapo, você quer brincar na neve?

Não – respondeu o sapo.

Junpei foi checar se aconteceu o que ele esperava, então ele virou de costas e abaixou ligeiramente suas calças, e para sua felicidade, constatou que o seu brinquedinho estava menor.

– “Isso. Cinquenta menos dez, quarenta centímetros. Vamos continuar” – pensou o grande homem.

Ele virou-se novamente para o sapo, que continuava sentado como um eremita.

– E aí sapo, você quer brincar na neve?

Não.

O Junpei fez novamente a aferição e constatou que ele reduziu mais uma vez.

– “Agora tá com trinta, mais um não e fica com vinte centímetros, tamanho maneiro.”

– E aí sapo, você quer brincar na neve?

– Já falei – o sapo estava muito irritado – Não, não e não!

Notas finais
Dando os créditos: A maior parte das piadas que uso na fic foram criadas por mim mesmo, mas essa do sapo é de domínio popular. Quando eu estava no Ensino Médio (deve ter sido na Idade Média) tinha um colega que contava essa piada TODO DIA. Se ele conhecesse alguém, cinco minutos depois já estava contando ela, então, se você é esse antigo colega de escola e estiver lendo isso, sinta-se homenageado. Bom gente, eu já estou escrevendo o próximo capítulo, vai ser maior e com mais pancadaria. Até lá!