Dungeoneer - Interativa
44 Teimosia e uma cabeça muito dura fazem milagres
Notas iniciais
Inúmeras agulhas foram disparadas contra os heróis. Beatrice, usando o poder da mente, paralisou boa parte delas e as restantes foram desviadas por golpes do Kon e do Junpei.
— Até que pra ser o grande vilão esse ataque foi fraquinho – comentou Kon.
— Não comemora muito não, foram apenas espinhos lançados por plantas que ainda estão vivas e nem sabemos onde o Zerus está – observou Beatrice.
Logo após as plantas lançaram mais espinhos, sendo esses mais velozes e numerosos do que os anteriores. A estratégia de defesa se repetiu, enquanto Hyugi estava um pouco atrás dos outros e um tanto intrigado.
— Estranho, desde a luta no Templo dos Alimentos de Gosto Duvidoso que não vejo a minha espada... – ele pensou.
Depois de poucos segundos de calmaria, os heróis foram atacados uma nova onda de espinhos. Beatrice já demonstrava sinais de cansaço e conseguia bloquear cada vez menos espinhos, de forma que começou a ficar difícil para Kon e Junpei bloquear tantos apenas com suas armas.
— Deixa de ser medroso e vem pra luta Zerus Bichona!
No momento em que Junpei esbravejou, foi atingido por alguns espinhos.
— Continua rebatendo! – Kon gritou.
Dessa vez, o ataque das plantas foi contínuo. Depois de algum tempo, Junpei começou a se sentir tonto e não conseguiu mais manejar seu capacete-martelo, o que o fez ser atingido por mais espinhos e ficar ainda mais tonto, até que caiu no chão.
– Junpei! – seus amigos gritaram.
– Tá na hora de virar herói!
Hyugi cruzou seus braços na frente do seu corpo de uma forma bizarra demais para ser descrita e correu na frente dos seus companheiros, usando o seu próprio corpo como escudo para os demais. Quando alcançou as plantas, começou a cortá-las com a lateral das mãos em movimentos de “iá”, até que acabou com todas, entretanto, não conseguiu escapar de ser atingido por inúmeros espinhos.
– Hyugi! – Beah foi até ele – você está bem?
– Descobri que minha espada não desapareceu quando venci a batalha no último templo – ele mostrou seus braços que, apesar de ser atingido por espinhos, estavam ilesos – simplesmente ela se fundiu aos meus braços, loucura não?
– Isso também aconteceu comigo, meu punhal se uniu às minhas unhas.
Apesar dos braços estarem ilesos, todo o resto do corpo do rapaz foi atingido pelos espinhos e logo ele começou a sentir os efeitos do suposto veneno, ficando tonto e caindo.
– Beah, o Junpei tá mal – disse Kon, que estava um pouco atrás com o seu amigo.
– O Hyugi também – a garota falou – eu acho que até posso curá-los, mas gastei muito do meu poder psíquico para segurar os espinhos e só vou poder curar um deles.
– Você tem poder de cura? – Junpei estranhou.
– Não, mas depois que passei pelo Templo dos Alimentos Saudáveis, intuí que meu poder de sugestão pode aliviar os sintomas, não é garantido, mas preciso tentar. O problema é que gastei muita energia psíquica bloqueando os espinhos, só devo conseguir curar um de vocês.
– Pode salvar o Junpei, sua enorme força física vai ser mais útil na luta contra Zeus. Adeus amigos! – disse Hyugi, dramaticamente.
– Beleza, me cura então – concordou Junpei, que apesar de caído, estava bem consciente.
– Perái – Hyugi reclamou – você deveria dizer que não, que eu salvei vocês e que deveria ser curado, é a coisa heroica a se dizer!
– Eu não quero ser herói, só quero sair vivo, você que veio com essa história de salve o Junpei e adeus amigos – continuou o grandalhão.
– Era pra ser heroico, mas quer saber, me cura logo Beah!
– Chega! – Beatrice se irritou – vou tentar curar os dois, vou começar pelo Junpei porque foi atingido primeiro.
A garota se concentrou, tocou no corpo do Junpei.
– Você está bem, você está bem... – ela repetia insistentemente.
Em pouco tempo, Junpei se sentiu melhor e levantou pulando, depois foi a vez do Hyugi, que também sentiu o alívio quase instantaneamente. Assim que os curou, quem ficou cansada foi Beah, que teria caído no chão se Kon não a tivesse segurado.
– Meu príncipe – ela disse suspirando.
– Eu te carrego até lá, seja onde for esse lá.
Com as plantas destruídas, o quarteto pôde continuar correndo pelos corredores do castelo tentando localizar o paradeiro do Zerus.
– Vocês já estiveram nesse castelo antes? – perguntou Hyugi.
– Já, mas foi só um dia, não conhecemos quase nada – respondeu Junpei.
– Kon, para de apalpar minha bunda – Beatrice reclamou.
– Não é de propósito, é o melhor ponto de apoio preu te segurar – falou o rapaz.
– Chegamos em uma escada? – perguntou Hyugi, ao bater o pé em um degrau e ficar com o dedo doendo.
– Na verdade duas, uma subindo e uma descendo – disse Junpei.
– E então, subimos ou descemos? – perguntou Kon, ainda se aproveitando da agradável maciez e calor da região glútea da namorada.
– Ele falou que tinha que quebrar uma plantinha, deve ser a rainha que ele plantificou. Eu lembro que quarto dela ficava no alto – observou Beatrice.
– Para o alto e avante! – Junpei começou a subir as escadas correndo, sendo seguido pelos outros.
Depois de subir muito, finalmente a escadaria terminou e estranhamente, eles a uma floresta cheia de grandes árvores, plantas rasteiras, terra, pedra e tudo que uma floresta tropical possui.
– Chegamos ao lugar certo? – Junpei estranhou.
– Tem até um rio aqui dentro, não tem como tudo isso caber em um nesse castelo, mesmo que seja um andar inteiro – Beah tentava pensar racionalmente.
– Já lutamos com dragões falantes, o Junpei ficou sem pinto, eu já encarei uma garota que vira uma gorilona, pegamos uma chuva de granito, andamos por uma estrada feita de luz, isso é só mais uma coisa pra lista de bizarrices desse mundo – comentou Hyugi.
Assim, todos entraram na floresta.
– Eu já estou melhor, pode me botar no chão – Beah disse ao Kon.
– Tá bom – ele deu uma última apalpadinha e depois soltou a garota.
– Há há há – todos ouviram a risada histérica do Zerus.
– Te achamos seu maldito, a casa caiu, vem lutar – Junpei ficou gritando.
– Vocês sobreviveram aos espinhos envenenados, mas aguentarão o meu jardim particular?
Junpei ficou gritando e chamando em vão, a voz não respondeu mais. Sem alternativa, o grupo começou andar cuidadosamente pelo lugar.
– Cuidado, estou ouvindo alguma coisa muito grande se mexendo – advertiu Hyugi.
– Deve ser a bunda grande do Junpei – brincou Kon.
– Vou te mostrar o grande aqui ó – o guerreiro ameaçou abaixar a calça.
– Tô falando sério – brigou Hyugi.
– Cuidado!
Assim que a Beatrice gritou, ela foi golpeado por um galho de árvore, sendo arremessada e se chocando contra uma parede do castelo. O impacto foi tão grande que a parede se rachou, assim como alguns ossos da garota, que gemeu de dor.
– Desgraçado, você estragou a minha namorada! – Kon estava irado.
Nesse momento, todos puderam ver uma grande árvore andando na direção dos heróis. Ela possuía uns dez metros de altura e caule com cerca de dois metros de diâmetro, muitos galhos pontudos e repleta de mangas.
– Kon, vai ver como a Beah tá, vamos quebrar uma mangueira Hyugi – falou Junpei, emcabeçando (já que não dá pra empunhar) seu martelo.
– Agora falou minha língua, vamos nessa – Hyugi se animou.
Kon foi amparar a namorada, que não conseguia se mover e sentia muita dor, enquanto a outra dupla foi ao ataque. Os dois correram velozmente na direção da árvore lutadora, que atirou mangas contra eles. Os heróis conseguiram desviar das prováveis frutas assassinas e chegaram à inimiga.
– Toma isso!
Junpei deu uma cabeçada-martelada na mangueira. Foi um golpe efetivo que rachou o tronco da árvore, mas como efeito colateral o impacto na cabeça oca do grandalhão foi tão grande que ele ficou tonto e caiu no chão.
– Ai, que dor de cabeça! – ele reclamou.
– Boa Junpei! – Hyugi apoiou.
Enquanto eles comemoravam distraídos, a árvore que, apesar de rachada ainda estava viva, deu duas “galhadas”, uma no Junpei e outra no Hyugi. O ceguinho utilizou suas mãos de espada e cortou o galho que o atacou, porém o outro não deve a mesma sorte, levou literalmente uma surra da pau até ficar desmaiar.
Kon estava com Beatrice nos braços. Ela sentia muita dor, mas estava consciente.
– Kon, vai ajudar os garotos, parece que o Junpei caiu e o Hyugi tá sozinho! – ela disse.
– Não, você tá machucada...
– Por acaso você é médico ou tem magia de cura? Eu não corro risco de vida, e tenho a impressão de que logo teremos uma surpresa – apesar da dor, a garota deu um sorriso.
Apesar de relutante, Kon acatou decisão da Beah e foi lutar. Hyugi já havia cortado alguns galhos da árvore, entretanto ela ainda tinha alguns e continuava a atacar, então o shinigami usou um shunpo, praticamente desparecendo e reaparecendo atrás da árvore e com sua zampakutou, cortou o seu tronco, que caiu em cima do Junpei.
– Fudeu, matei o Junpei! – Kon ficou espantado.
Os amigos foram ver a panqueca de Junpei, porém antes de chegar, seus pés foram agarrados por plantas rasteiras. Elas rapidamente começaram a jogar os heróis para cima e para baixo, os golpeando repetidamente contra o chão.
Os rapazes, mesmo em desespero, conseguiram cortar as trepadeiras, todavia isso não quer dizer que eles escaparam bem, na verdade, ficaram caídos no chão e totalmente estropiados.
– Será esse... o fim? – perguntou retoricamente Beatrice.
– Não pode ser, o vilão não pode vencer no fim – disse Hyugi, quase sem forças.
– Não acredito que eu vou morrer virgem – reclamou Kon.
A árvore e as plantas rasteiras estão mortas, mas será que essas são as únicas ameaças do jardim dos horrores de Zerus? E será que o Junpei ainda está vivo? Veja essas respostas ainda nesse capítulo, pensaram que iam ter que esperar o próximo? Se houver próximo há há há.
*****
Depois de voar por meio mundo, finalmente a Loren em forma de rainha dragão chegou ao castelo.
– Esse castelo tá largado mesmo, tá crescendo trepadeiras nele todo – ela disse, ao avistar o castelo coberto de cipós, trepadeiras e musgos – tanto faz, se o Zerus está lá dentro é pra lá que eu vou.
Ela aumentou a velocidade do seu voo e então, finalmente, bateu violentamente em uma barreira invisível e ficou com uma terrível dor de cabeça.
– Que merda é essa? Bem, eu suponho que seja uma barreira mágica que o Sortudo criou e que foi ativada quando ocorreu o alinhamento, com a desculpa de manter o Zerus dentro do castelo, mas sua real intenção era me manter fora – ela suspirou – não, seria burrice, deve ser uma cúpula de vidro da Cargil S.A e vou quebrá-la agora.
Ela começou a dar cabeçadas na barreira invisível, e depois que já não aguentava de dor, começou a dar golpes com suas grandes e afiadas garras, até elas sangrarem.
– Não faça isso Tbhsrsjw, você vai acabar morrendo— uma voz feminina disse diretamente no cérebro da rainha.
– Eu tenho que matar aquele desgraçado! – ela continuava golpeando a barreira e ficando ferida com os ataques.
– Assim você vai acabar morrendo e o esforço dos heróis será em vão!
– Eles não são apenas heróis, são meus amigos e preciso ajudá-los. A Beah é muito delicada e não vai aguentar lutar por muito tempo, o Kon e o Junpei são fortes mas são burros, se o inimigo apontar e disser “A lá um balão sorvete” no meio da luta eles vão olhar, e o Hyugi é capaz de jogar sua arma fora se o inimigo estiver desarmado só pra lutar em condições iguais. Eles não funcionam sem mim.
Loren, em toda sua teimosia, continuou com os ataques, que não surtiam qualquer efeito sobre a barreira.
– Como eu sou burra!
– Isso não é novidade— disse a voz misteriosa.
– Calada! Eu vou dar uma super Star Fall e duvido que essa cúpula aguente!
Ela se concentrou e o seu corpo começou a emitir um intenso brilho dourado. Depois, ela fez sua energia fluir até uma das suas unhas, a única que estava inteira, e emitiu uma poderosa rajada de energia contra a barreira, e enfim quebrou.
– Finalmente...
Depois de dar esse golpe, ela ficou sem forças e, incapaz de manter sua forma de dragão, voltou à sua forma humana de rainha e começou a cair.
– Puta que pariu, na forma humana eu não sei voaaaarrr....
Ela então caiu, quebrando o teto e indo parar em algum dos pavimentos do castelo.
*****
Beatrice e Kon estavam caídos. Se arrastando, eles conseguiram chegar perto um do outro e deram as mãos.
– Pelo menos vamos morrer juntos – falou a garota.
– Vocês tem sorte de terem encontrado o amor, eu tive que me contentar com sexo selvagem e sem compromisso com várias mulheres diferentes, como a Teela, a Biska, aquela garota do cabelo preto lisinho, teve também a .... – Hyugi contava com os dedos.
– Cala a boca! – ralhou Kon.
Nesse instante o teto do castelo se quebrou e uma mulher caiu sentada no chão.
– Ai, essa doeu! – ela reclamou, massageando a própria bunda.
– Loren! – disse Beah, animada;
– Ah? Eu sei que já tô todo fudido, mas ainda enxergo e essa não é a Loren – falou Kon.
– Ele tá certo, o cheiro e a voz são totalmente diferentes – completou Hyugi.
– Como você me reconheceu? – perguntou Loren.
– Achou que eu não te reconheceria? O olhar, o jeito de falar e por aí vai. Aliás, você tá linda!
– Não tô entendendo mais nada – falou Kon.
– Não temos tempo pra explicações. Vocês estão na merda – uma planta carnívora se aproximou da Loren e tentou comê-la, mas rapidamente ela a cortou em pedacinhos – conseguem levantar?
Eles até tentaram, mas aí foi só gemidos.
– Deve ter alguma enfermaria nesse castelo, precisamos achá-la! – disse a rainha.
– Atravesse essa mini floresta, depois tem um corredor, segunda porta à esquerda— disse a voz misteriosa na cabeça da Loren.
– Acho bom ser verdade! – a loira respondeu.
– Ela tá falando sozinha? – estranhou Kon.
– A Loren não é normal, você já devia estar acostumado – disse Beatrice.
– Já volto, tentem não morrer!
Loren saiu correndo, a fim de atravessar o jardim do Zerus. Foi atacada por plantas assassinas ao longo do caminho, mas felizmente conseguiu acabar com todas elas.
– Eu adoro esse corpo, mesmo na forma humana ele é bem mais forte.
Ela passou pela pequena floresta, chegou ao corredor e quebrou a segunda porta à esquerda. Havia um estante com quatro frascos neles escritos “poção de cura”.
– Que conveniente.
A rainha pegou as poções, voltou e entregou aos seus amigos, que beberam e logo ficaram curados. Como o Junpei estava desacordado, ela deu na sua boca e segundos depois ele acordou.
– Eu morri e você é uma anja muito gostosa? – ele perguntou e logo levou um cascudo dela – eu conheço esse cascudo, é você Loren?
– Nossa, você também reconheceu que é ela – Kon se espantou.
– Vamos deixar isso pra depois, temos que encontrar logo o Zerus, salvar o mundo e voltar para casa – apressou Hyugi.
– Depois da poção de cura, meu poder psíquico também se renovou. Consigo sentir a energia malégna do Zerus e não está longe, me sigam!
Beatrice começou a correr pelas escadas e corredores do castelo, sendo seguida pelos seus amigos. Depois de muito correr e combater inimigos não muito fortes, eles chegaram a uma porta em formato de arco-íris.
– Acho que chegamos – disse Junpei.
Todos passaram pela porta e puderam ver Zerus com uma tesoura de jardim e prestes a cortar a rainha da matéria transformada em plantinha.
– Não é que vocês conseguiram chegar? Olá rainha cujo nome não pode ser pronunciado, bom te ver, a última vez que te vi você estava gritando e desaparecendo – ele disse sorrindo ironicamente.
– Vou te matar seu maldito!
Loren deu um dash na direção do inimigo, com sua espada preparada para o retalhar. Zerus, tranquilamente, a golpeou com a tesoura e a jogou novamente para a entrada da sala.
– Você está bem? – Beah foi ficar com ela.
– Doeu – ela resmungou, caída e com a mão no local onde foi atingida.
– Que distraído eu fui, acabei acertando sua armadura quase indestrutível. Mas tanto faz, o alinhamento chegou no seu ápice e já posso matar você e a rainha Cunegundes, e já percebi que a rainha fada e também o ex rei Poseidon estão mortos, o que me poupará um grande trabalho.
– Do que você tá falando? Rainha fada morta? Rei Poseidon? – os heróis estranharam.
– Ocorreu um acidente e... bem... acabei matando a rainha da Energia – disse Loren, sem graça.
– Tem mais coisa estranha, só eu percebi que ele te chamou de rainha? – observou Hyugi.
– Ai ai, como vocês são desinformados – Zerus riu – a amiga de vocês não é a amiga de vocês, é a antiga rainha Bestial que eu mandei para o espaço vazio chegou na Terra sei lá como e voltou de carona com vocês.
– Não entendi nada – disse Kon.
– É claro que eu sou eu!
Loren gritou e o atacou novamente, porém antes de atingi-lo, ele invocou uma barreira de plantas que o protegeu e ainda por cima, a deu uma chapuletada que novamente repeliu a rainha, porém dessa vez, ela caiu no chão ferida.
– Merda – ela resmungou.
– Oh minha querida, você não pode me vencer! Na verdade, nenhum de vocês pode, então é melhor se matarem logo pra evitar a humilhação, menos você Cenourinha, eu tenho uma serventia muito grande pra você! – ele gesticulou com as mãos mostrando o tamanho da serventia.
Nesse momento, Beatrice ficou irada e, usando seu poder mental, conseguiu dispersar a barreira que protegia o vilão. Aproveitando essa vantagem, os garotos o atacaram ao mesmo tempo.
Quando viu o ataque dos três adversários, Zerus empunhou seu florete e o usou para bloquear os golpes. Com uma grande velocidade, ele desviou o golpe do Kon e do Hyugi, porém foi atingido no peito em cheio por uma cabeçada do Junpei.
– Toma essa seu desgraçado! – o grandalhão comemorou.
– Há há há – ele ria histericamente – você me acertou, mas estou certo de que...
Seu discurso foi interrompido por uma cadeira que voou em sua direção e atingiu sua cabeça, o derrubando.
– Você fala demais! – esbravejou Beatrice, logo depois de atirar a cadeira nele.
– Amiga, estou orgulhosa! – elogiou Loren, enquanto se levantava.
Os ataques contra Zerus continuavam. Kon, utilizando sucessivos passos relâmpagos, deu inúmeros golpes de espada nele, Junpei deu mais uma super cabeçada-martelada e Hyugi, algumas espadadas-braçadas. Depois de tanto apanhar, Zerus ficou no chão feito tomate atropelado.
– Chuuuupa! – comemorou Junpei.
– Eu achei que ia ser mais difícil – disse Kon.
– Não acabou! – gritou Beah.
Todos ouviram uma risada, e em seguida, Zerus se levantou.
– Admito que machucou, mas como uso uma super saia jeans, fico mais forte quando chego perto da morte – ele rasgou sua calça, mostrando que usava uma saia por baixo, ao som de um “eca” coletivo.
– Nessas horas que eu agradeço por ser cego – comentou Hyugi.
– Está sendo divertido brincar com vocês, contudo o alinhamento não espera então BANKAI!
Ele jogou sua espada no chão, deixando os heróis sem entender nada.
Após dizer tais palavras, uma raiz retorcida brotou do chão e envolveu o corpo do vilão, que começou a gritar alucinadamente.
– Ih, as plantas tão se virando contra ele – falou Junpei.
– Não sei, ele falou bankai e pelo que eu aprendi com aquele gato assassino, isso libera o verdadeiro poder da espada de um shinigami – disse Kon, com uma sabedoria incrível se tratando dele.
– A dor glorifica... MORPHEUS! – Zerus gritou e sem seguida, seu corpo se fundiu à raiz, galhos saíram dele, cheios de espinhos, cipós e ninhos de pássaros.
– Nunca achei que você poderia ficar mais feio – comentou Loren.
– Aproveite seus últimos momentos “rainha”!
Antes que os heróis pudessem ter qualquer reação, eles levaram tapas de galhos, foram furados por espinhos e agarrados por cipós. Em pouco tempo, estavam todos feridos e presos.
– Quem eu mato primeiro... se eu for pensar racionalmente deveria matar aquela cujo nome não pode ser pronunciado, mas eu nunca gostei da vadiazinha metida a santa então vou te enforcar logo, não durará mais que alguns segundos.
O cipó que prendia a Beatrice começou a enforcá-la, fazendo a garota ficar vermelha e, em seguida, roxa. Ela não conseguia respirar e se debatia, tentando inutilmente se soltar. Seus amigos também estavam desesperados e procuravam se soltar para ajudá-la.
– Tenho... que usar... minha telecinese... – sussurrava Beah.
– Não adianta queridinha, meus cipós são muito mais fortes do que sua mente – falou Zerus.
– Se eu estivesse na minha forma draconiana eu acabava com esse cara em dois tempos... preciso usar meu poder do protagonismo – falou Loren.
Beatrice tentava manipular mentalmente os cipós, porém enquanto tentava, perdeu os sentidos por falta de ar.
– Amor, vou te salvar! – gritou Kon, sem conseguir se mover.
– AAAAHHHHHHH!
Loren gritou e em seguida, seu corpo brilhou e assumiu a forma de dragão. Como ela ficou maior do que o próprio quarto em que estavam, ela acabou quebrando o tetos e as paredes, deixando todos expostos ao luar, afinal, já havia anoitecido. Obviamente, os cipós que a prendiam se arrebentaram e aproveitando a liberdade, voou para cima do Zerus em forma de planta e o quebrou com suas enormes e afiadas garras que inexplicavelmente estavam inteiras novamente.
Depois desse confronto, os dois caíram desmaiados. Zerus voltou à sua forma costumeira, deixando assim os heróis livres. Já a rainha voltou à sua forma humana de Loren da Terra que todos estavam acostumados.
– Não vou dar tempo pra você se recuperar, toma isso!
Hyugi partiu para cima do Zerus pronto para degolá-lo, porém antes de atingi-lo, foi acertado com um chute na barriga e devido isso, acabou errando o ataque.
– Essa racha maldita quebrou minha zampakutou – Zerus se levantou – mas como já disse, ela não pode me matar, então poderei usar meu último recurso.
Ele tirou um frasco do bolso da sua saia jeans e bebeu o seu conteúdo.
– Para de tomar todinho e vem pra mão – chamou Junpei.
– Boa ideia prezado cabeça oca, a segunda coisa que farei quando vencer essa luta vai ser comprar um todinho, mas no momento vou ter que me contentar com essa poção demonizadora.
Logo, um par de pequenos chifres cresceu na cabeça do vilão.
– Eu lembro disso – falou Beah – um demônio, se chamava Arlão, me atacou na floresta e o príncipe das fadas teve que se sacrificar pra nos salvar dele.
– Ah sim, eu dei uma das minhas poções pra aquele inútil do Arslan, e o Edward estava mais pra princesa. Mas agora chega de papo.
Zerus fez um espalhafatoso gesto com a mão e um canavial brotou. Em seguida, ele cuspiu fogo, pondo fogo no canavial e provocando um incêndio.
– Peguem ele, eu vou proteger a Loren! – Beatrice pulou e ficou abraçada com a Loren, que estava inconsciente.
– Você é louco, vai nos matar e se matar também! – gritou Hyugi.
– Nada disso, enquanto a poção durar eu sou imune ao fogo – falou Zerus.
O calor estava quase insuportável, além de ser difícil respirar devido à fumaça. Junpei correu e deu uma cabeçada no Zerus, que parece não ter sofrido grande dano. Em seguida, Hyugi e Kon também atacaram, fazendo vários cortes no inimigo.
Zerus estava com vários cortes, então simplesmente deu alguns passos para trás. Os três terráqueos continuaram os ataques, mas estavam começando a sentir os efeitos do fogo e da fumaça e começaram a ficar fracos.
Não muito longe, Beatrice repetia insistentemente “Você está bem, você está bem...”
– Ah? O que aconteceu? – Loren acordou desorientada.
– Você está bem! E voltou ao seu corpo antigo. – disse Beah.
– Preciso matar esse maldito ... – ela tentou levantar, sem sucesso.
– Apenas descanse e agradeça por estar viva, os meninos vão dar um jeito nele.
Mas os meninos não deram. Na verdade, estavam no chão, queimados, com dor e tossindo. Zerus apenas ria e esperava pacientemente que eles morressem, o que parecia que não ia demorar e, além disso, as garotas também começavam a sentir os efeitos do fogo.
– Zerus – Loren se levantou com dificuldade – porque isso Zerus Rose, desse jeito você vai destruir o universo e se matar junto.
– Não tenho mais nada a dizer, vocês já vão morrer, eu vou matar a rainha que eu plantifiquei e pronto, venci! – falou Zerus.
– Mas só isso? – disse Hyugi, buscando forças do fundo do seu ser – todo vilão quando está prestes a acabar com os heróis tem que se gabar e revelar todo o seu plano.
– Ah sim, você está certo. Enquanto seus ouvidos ainda não viraram cinzas, ouçam a minha história. Assim como vocês, eu vim de um mundo distante, um lugar realmente muito deprimente...
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