Dungeoneer - Interativa
46 Quem será que vai salvar o dia?
Notas iniciais
Eu e o Urahara nos apresentamos, ele era mais feio do que eu imaginava, mas isso não atrapalharia em nada os meus planos. Mandei o Brutus destruir a máquina lá na Friendzone e logo depois de se recuperar do choque, Urahara me apresentou à rainha e aos seus companheiros shinigamis. Por falar em nisso, eu comecei a pesquisar sobre o que eram esses tais shinigamis e descobri que eles são soldados especiais que caçam uma espécie de monstro chamada hollow e formam a guarda da rainha, mas isso vocês já sabem, principalmente você não é meu cenourinha?
Mas o ponto aonde eu quero chegar é que para alguém se tornar um desses bravos soldados não basta vontade, é necessário ter o DNA shinigami e uma forma de se saber se um candidato possui essa herança genética é pegar numa grande e grossa zampakutou. Você pode ser a pessoa mais forte do mundo, se não for descente de um shinigami não conseguirá erguer a espada, funciona melhor do que exame de paternidade do Ratinho.
Continuando, eu pensei em uma possibilidade. Já que em Dungeoneer existem humanos e alguns animais biologicamente idênticos aos encontrados na Terra, será que existem terráqueos que também possuam a genética de um shinigami? Eu não dispunha de muitos recursos para realizar qualquer teste, o que me deixou bastante agoniado, então em um momento de desespero eu simplesmente peguei na espada do Urahara na frente de todo mundo mesmo e pasmem, consegui segurá-la!
Eu tenho a herança shinigami, mesmo sendo terráqueo. Mesmo o meu espaço amostral sendo pequeno e composto apenas por mim, consegui comprovar minha hipótese. Alguém poderia supor que o DNA shinigami seja mais comum na Terra do que em Dungeoneer, mas eu sei que isso só poderia significar uma coisa, eu sou a mais poderosa do multiverso. É a minha lógica, a lógica correta.
Depois que mostrei na frente de todos que eu poderia ser um shinigami, comecei o meu treinamento. Confesso que foi difícil, atividades físicas nunca foram o meu forte, mas com determinação consegui terminar de fazer o curso A.
O curso B, naquele tempo, consistia em capturar o espírito para colocar na minha zampakutou, que o Urahara já havia forjado. Os outros aspirantes a shinigamis da minha turma foram procurar na Transilvânia, mas achar um espírito na Transilvânia é como achar uma agulha num agulheiro, e além disso, não aceitaria que minha espada fosse habitada por um fantasminha camarada qualquer. Fui sozinho à Living Forest, uma floresta de onde muitos marmanjos fogem chorando, e depois de passar dias sofrendo naquele lugar frio, úmido e assustador, capturei Prometeus.
Eu sou tão fabulosamente espetacular que voltei com meu Prometeus e pouco depois da minha zampakutou estar pronta, liberei aquela bankai que transforma a minha zampakutou em um chicote de rosas e mais tarde, secretamente, sua versão completa que cria a floresta dos horrores conforme vocês vivenciaram. Eu sei que ela está quebrada agora, mas logo depois de contar a minha história eu vou pegar minha durepóxi e consertá-la.
Continuando, nesses dias eu vivia muito bem em Dungeoneer e até poderia passar a vida toda aqui, mas como sou vingativa não abandonei o meu objetivo inicial de voltar para a Terra por simples vingança. Futuquei as anotações do Urahara e também conduzi estudos próprios até chegar a uma conclusão desesperadora: era impossível obter a energia necessária para viajar de Dungeoneer para a Terra.
Deu xilique, depois dei piti e por último, um ataque de pelanca. Eu não poderia simplesmente aceitar que não seria possível concretizar o meu plano, então tive que ampliar meus horizontes. Até então os meus estudos se resumiam à estrutura do multiverso, mas foi pesquisando sobre as rainhas que minha esperança se renovou. Além da Rainha da Matéria, que eu já conhecia, havia outras duas, a Rainha Bestial e a Rainha da Energia e essa última despertou o meu interesse. Segundo constava, ela era a maior especialista em magia do mundo e era capaz de executar feitiços poderosos, inclusive um que poderia banir alguém de Dungeoneer sem necessariamente matá-la. Ora, seria possível ela me banir para a Terra? Se fosse preciso eu poderia irritá-la até ela querer se ver livre de mim.
Foi então que decidi ir atrás dessa rainha e com a permissão da rainha Saori e dos outros shinigamis, segui viagem para a Floresta Amazônica com a desculpa de aprimorar o meu poder de manipulação vegetal. Fiz uma longa e agradável viagem, cheguei à Grande Floresta. Dentro dela me perdi umas três ou quatro vezes e finalmente, encontrei o reino da rainha da Energia que é uma floresta que existe dentro da outra floresta. Ela era protegida por uma barreira de plantas que seria intransponível para qualquer pessoa, mas quem disse que eu sou qualquer pessoa? Com o poder de Prometeus, abri a barreira e a atravessei facilmente.
– Afaste-se intruso, estou armado – anunciou um homem que segurava dois cipós.
– Me perdoe por ter entrado aqui de forma tão rude, sou Zerus Rose e vim do castelo da Rainha da Matéria, eu vim até aqui para...
– Não interessa por que você veio aqui, tome isso Cipós de Andrômeda!
O fidi uma égua interrompeu minha fala, merecia uma surra! Mas eu não poderia já chegar batendo nos nativos, então apenas movi discretamente a minha zampakutou e fiz os cipós do indivíduo secarem e caírem no chão.
– Reforços, reforços! – ele gritava insistentemente.
Rapidamente chegaram mais homens prontos para me deter. Certamente eram rangers, os equivalentes aos shinigamis no reino da Rainha da Energia, fazendo uma comparação grosseira. Eles tentavam me atacar com flores, espinhos, galhos e cipós vivos e eu dava um jeito de me livrar de todos, provando que o meu poder de manipulação vegetal era muito superior ao deles. Repentinamente, um homem um pouco mais velho chegou ao local.
– Parem com isso! – ele ordenou e todos pararam a luta – Quem é você, o que veio fazer aqui e como manipula plantas tão bem?
– Oh meu senhor – me curvei, percebendo que ele era o líder deles – eu sou um shinigami e faço parte da guarda da Rainha da Matéria. Minha zampakutou possui o poder de manipulação vegetal e vim até aqui, o berço dos poderosos rangers, para aprender suas técnicas e assim ser um defensor da Rainha mais eficiente.
– Não podemos deixar, ele não é confiável – disse um dos caras que me atacaram, que mais tarde descobri que era o segundo em comando dos rangers e seu nome era Allan Yank.
– Venha comigo forasteiro, ainda não te conheço, porém tenho que admitir que se você quisesse teria abatido a maioria dos meus rangers. Suas habilidades são surpreendentes e pode ser bom tê-lo por aqui, meu nome é Lordan e o levarei à nossa rainha, ela quem decidirá se você pode ou não permanecer aqui.
– Prometo que não se arrependerá – eu disse humildemente.
Depois disso ele me levou até o coração daquele reino, onde eu era observado pelos olhinhos curiosos de fadas, gnomos e outras criaturinhas irritantes. Finalmente o sujeito lá me apresentou a uma fada com tamanho de uma humana e cabelos grisalhos e ao lado dela estava outra fada com tamanho humano, mas essa era loirinha e provavelmente uma adolescente.
– Rainha Urubucéia, este homem diz ser da guarda da rainha da matéria e deseja receber treinamento ranger no nosso reino – ele anunciou.
– Não tenho certeza... – a rainha ficou pensativa – como vai a rainha Saori? Na última vez que eu a vi ela era uma garotinha.
– Ela vai bem, vocês brincavam juntas quando eram crianças? Vocês devem ter a mesma idade não é?
– Hi hi seu bobo, eu sou bem mais velha do que ela. Está bem, eu te autorizo a ficar aqui. Lordan, dê a ele o mesmo treinamento que dá aos jovens rangers.
Eu sabia que puxar o saco daquela velha ia dar certo. Comecei o treinamento, fingindo que não sabia aquelas técnicas patéticas que ele queria me ensinar, e entre um treinamento e outro eu dava uma escapada para coletar as informações que eu queria, o que não foi muito difícil já que aquelas fadas eram um bando de fofoqueiras. Em pouco tempo eu descobri a localização da biblioteca secreta da rainha, onde eu imaginava que o feitiço de banimento poderia estar escrito.
Todas as noites eu botava o guarda pra dormir e ia xeretar os tais livros. Era uma leitura difícil, mas aos poucos fui me acostumando e finalmente, ao encontrar um livro chamado “Feitiços Proibidos” constatei que realmente existe uma magia capaz de banir alguém desse mundo. Eu fiquei feliz e saltitante, porém minha euforia deu lugar ao desânimo quando fui ler os detalhes da sua execução. Primeiro, a única pessoa em Dungeoneer capaz de executar o feitiço era a própria Rainha da Energia, até aí nada que eu já não esperasse, mas o pior era o destino de quem fosse banido. Ao contrário do que eu pensava a vítima dessa magia não poderia ser enviada para a Terra como eu queria, ela ficaria presa no vazio entre as dimensões.
Ficar no vazio entre as dimensões não fazia parte dos meus planos então tive que tentar outra coisa. Apesar de tudo eu ainda me apegava à esperança de encontrar alguma maneira de voltar para a Terra e continuei lendo os textos proibidos da rainha procurando por alguma coisa que pudesse me beneficiar até que um dia eu me deparei com um pergaminho velho intitulado “fragmento secreto da profecia”.
O fragmento secreto de uma profecia? Poderia ser apenas uma crendice, mas também poderia ter alguma informação importante, como a fonte de um grande poder ou quem sabe a chave para eu chegar a Terra. É verdade o que dizem, a esperança é a última que morre, ao contrário de vocês que vão morrer logo logo. Quando eu comecei a ler o texto, a primeira coisa que ele dizia era “Esse pergaminho está escrito na língua ancestral das fadas, se você não conhece esse idioma nem perca seu tempo tentando ler” e a partir daí não consegui entender mais nada.
Eu poderia ter deixado aquele pergaminho pra lá, mas a minha intuição andrógena dizia que eu deveria saber o que estava escrito ali, mas onde eu aprenderia aquela língua? Bem, eu poderia encontrar uma professora ou mesmo tradutora daquele antigo idioma. Depois de conversar um pouquinho e usando da minha grande simpatia, as fadinhas acabaram soltando que só quem sabia o antigo idioma era a rainha Urubucéia e a sua sucessora, a princesa Catenária.
Joguei verde pra colher maduro, mas acabei colhendo podre ao tentar fazer com que a rainha ou a princesa me ensinassem o idioma, mas acabei descobrindo que outra fada além delas conhecia o idioma antigo, seu nome era Geodésica. Vocês sabem como é escolhida a sucessora da rainha da Energia, já que todas são filhas dela? Todas as fadas são pequenininhas, mas quando chega a puberdade, uma delas cresce até o tamanho humano e essa é a sucessora, tem algo a ver com ter um corpo que suporta executar feitiços mais poderosos ou coisa assim. Voltando, soube pelas outras fadas que a Geodésica que sonhava em ser a próxima rainha desde que nasceu e era considerada um prodígio, ainda criança ela já era super nerd e aprendeu a conjurar feitiços complexos, todos acreditavam que realmente ela era a sucessora, mas como a natureza é cruel ela continuou com o tamanho de um mosquito enquanto a Catenária cresceu. Depois disso, segundo me contaram, ela passou a viver resmungando pelos cantos.
Um dia ela estava sozinha no bosque da desolação, a parte mais deprimente daquele reino e eu a observava de longe e silenciosamente, lá ela estava executando vários feitiços, alguns bastante surpreendentes.
– Catenária idiota, não sabe nem conjurar um Cortate a língua da fofoqueirus e vai virar a nova rainha, mandar em todo mundo e casar com o príncipe quando ele aparecer.
– E seu eu disser que posso te tornar rainha? – eu apareci repentinamente dando um tremendo susto nela.
– Ah é você novo discípulo do mestre ranger.
– Em carne, osso e gostosura. Sei que sou novo por aqui, mas já percebi que você deveria ser a nova rainha ao invés da Catenária, e já que você ignorou a primeira coisa que eu falei vou repetir ainda mais claramente, eu posso te tornar a próxima rainha.
– Obrigada por reconhecer que eu sou a melhor, mas quem cresceu foi a Catenária e não há nada que você possa fazer a respeito.
– Estamos em Dungeoneer, o mundo onde coisas absurdas viram realidade. Apenas observe.
Eu peguei um passarinho em um ninho e, mesmo contra a vontade dele, o fiz comer um pedaço de um cogumelo que carregava no bolso. Imediatamente ele ficou vinte vezes maior e tanto eu quando a fadinhas tivemos que correr bastante para não ser devorado pela ave.
– Acredita agora? – eu perguntei, ofegante devido à corrida.
– Será que apenas ficar grande vai ser suficiente pra eu ser considerada uma sucessora apta?
– É claro, você é fada e filha da rainha Urubucéia, só faltou comer mais feijão pra crescer não foi? Eu posso resolver esse problema facilmente.
– Muito obrigada – ela esticou a mão para pegar o cogumelo, porém eu dei um olé nela.
– Ainda não. Como prometi eu vou te fazer rainha, mas não acha que seria estranho você aparecer crescida de repente e dizendo que é a sucessora?
– É, nisso você está certo...
– Vamos fazer um acordo. Você faz tudo o que eu disser e quando chegar a hora certa eu te dou o cogumelo.
– É um acordo razoável, eu aceito, e como sei que não está fazendo isso por caridade, o que vai querer em troca? Eu posso fazer um Ajeitar-te a cara Du Viadus pra te deixar mais atraente, o que acha?
– Estou extremamente irritado, uma fêmea como você não sabe o que é ser atraente. Vou deixar isso de lado e ir ao que interessa, você sabe ler a língua ancestral das fadas?
– Com os olhos fechados.
– Então venha comigo, preciso que leia algo pra mim – eu a levei até a biblioteca (era um tronco oco de uma árvore, mas tinha livros dentro então sabe como é), onde o guarda ainda estava dormindo.
– Essa é a biblioteca secreta da minha mãe, não podemos entrar aqui!
– Seja sincera, vai dizer que você nunca deu uma olhadinha?
– Eh.. bem...
– Relaxa, não vou roubar nada e você sabe melhor do que ninguém que eu sou incapaz de executar qualquer feitiço que esteja ali. Só preciso algumas informações, nada mais que isso.
Convencida, entramos na biblioteca. Não fiz rodeios, fui direto ao pergaminho que eu queria que ela lesse, o peguei e entreguei a ela.
– Fragmento secreto da profecia... vai ser moleza traduzir isso – então ela começou a ler o seu conteúdo.
Em um futuro distante, um ser maligno ameaçará destruir nosso mundo. Poucos tentarão e ninguém em Dungeoneer será capaz de vencê-lo, por isso, quando o tempo estiver chegando, quatro heróis deverão vir de um mundo chamado Terra e serão capazes de salvar os nossos rabos.
O dia citado será conhecido como alinhamento, quando a Galáxia Muito Distante e o Planeta Vegeta irão se alinhar e assim que isso acontecer, os diferentes universos ficarão mais próximos e será mais fácil transitar entre eles. O primeiro problema que isso trará será a invasão de Dungeoneer por seres estranhos de outros mundos.
Até aqui não é nada que não esteja escrito nos trechos não secretos da profecia. Mas o que mais ninguém sabe é que nesse dia as rainhas poderão ser mortas sem que o mundo seja destruído. Se todas as rainhas e suas eventuais sucessoras forem mortas durante o alinhamento, Dungeoneer não explodirá, ele irá se fundir aos outros mundos e o multiverso vai virar tudo uma coisa só. Não há como saber o que vai acontecer depois dessa fusão, mas certamente será desastroso para todos os universos.
Para finalizar o fragmento secreto, falta dizer que terrível ser maligno é esse. Assim como os heróis, ele também é nativo da Terra e almeja chegar até lá novamente, vai acabar descobrindo que se ele matar as rainhas durante o alinhamento os mundos irão se fundir e automaticamente ele e todos de Dungeoneer chegarão até lá. Ele poderá vencer a rainha da matéria e a rainha da energia facilmente, porém precisará de uma estratégia elaborada para se livrar da rainha bestial, pois antes do alinhamento ele será incapaz de matá-la. E como esse vilão vai descobrir que é possível voltar para seu universo de origem dessa maneira? Uma fada filha da puta vai ler esse trecho da profecia para ele.
– Nossa, se um dia eu encontrar essa fada filha da puta eu mato ela – disse a Geodésica, logo depois terminar sua tradução.
– Foi uma historinha legal. Eu ainda vou te dar o cogumelo mas ainda não é a hora certa, apenas fique atenta que manterei contato.
Me retirei e alguns dias depois a rainha Urubucéia foi envenenada por mim, digo, morreu de velhice. A jovem Catenária assumiu o tronco e foi então que procurei novamente os serviços da Geodésica. No primeiro contato ela tava putinha da vida, reclamando que eu ainda não tinha feito nada para ela virar a rainha, mas eu apenas disse para ela provocar o caos no reino que logo eu entraria em ação.
Aquela fadinha era uma ótima treteira. Em pouco tempo as fadas brigavam entre si, os trabalhadores ficaram mais preguiçosos que o de costume e até mesmo os rangers começaram a não fazer o seu serviço. A rainha Catenária não sabia o que fazer e até mesmo o Lordan se recusou a cooperar com ela. O tempo foi passando e a situação só piorava para a nova rainha e foi então que eu resolvi dar mais uma contribuição. Atraí alguns monstros para a floresta, o que fez o nosso exército ser reduzido piorando a situação geral, e foi depois que eu venci alguns monstros e mostrei que conseguia manter as fadinhas, gnominhos e outros inhos na linha, ela me nomeou um sei lá o que, um cargo de confiança qualquer.
Agora meu plano estava caminhando bem, mas eu ainda precisava de mais um pouco. Saí da floresta por uns dias, fiz um acordo com o rei dos hollows e assim consegui um ataque de uns menos grandes contra a floresta. Os rangers estavam tendo dificuldade em vencê-los, mas quando eu cheguei lá matei todos facilmente.
Depois disso, o mestre Lordan se aposentou e sumiu, me deixando no lugar dele. A Catenária estava comendo na minha mão e comigo no comando, os rangers voltaram fazer o serviço direito, se eu tivesse o objetivo medíocre de passar a vida naquele lugar eu estaria no céu, mas eu queria mais, afinal, eu sou o vilão da profecia. Pra dar seguimento ao meu plano peguei um frasco daquela poção demonizadora que criei quando estava na Friendzone e dei para um garoto que de vez em quando entrava na floresta pra catar umas frutas, assim ele virou um demônio e atacou o reino. Foi uma luta difícil, mas no fim eu entrei na briga e o venci.
Era tudo o que eu precisava, eu era endeusado naquele lugar e mais adorado do que a própria rainha. O meu plano era matar a rainha Catenária, dar o cogumelo pra Geodésica virar rainha, mas nesse cogumelo tinha um veneninho especial que só iria fazer efeito quando eu ordenasse, ou seja, quando eu descobrisse o dia do alinhamento, era só programar o veneno e a fadinha virava purpurina.
Tudo perfeito se não fosse um problema: a rainha bestial. O trecho secreto da escritura dizia que eu precisaria de uma estratégia elegante para vencê-la, e eu encontrei essa estratégia. No dia seguinte eu me reuni com a rainha Catenária, Allan, o único ranger sobrevivente, algumas fadas e gnomos e principalmente, a Geodésica. Um gnomo e também a Geo sugeriram pedir ajuda às outras rainhas e como eu era o único que conhecia o mundo fora dali, disse que a melhor ajuda poderia vir da Bestial.
Eu, a rainha e Allan arrumamos nossas coisas e fomos ao reino das bestas. Eu menti que sabia chegar até lá, mas como dizem quem tem boca faz sexo oral e também vai a Roma. Após uma longa e desagradável viagem finalmente chegamos ao reino. Nos apresentamos, entramos naquela caverna imunda e falamos com a rainha Bestial, a fada contou uma história triste e ela caiu, lembra disso rainha? Ela nos emprestou o Zezinho e voltamos para a floresta.
Com o Zezinho do nosso lado, precisava mostrar para a rainha Catenária e também para o povo da floresta feliz que eu havia acertado em buscar ajuda das bestas. Arranjei mais alguns ataques de menos grandes e não é que o Zezinho batia muito mesmo? Ele virou um monstro de três cabeças e acabou com aqueles hollows super crescidos facilmente.
Todos estavam felizes e as coisas naquele reino estavam voltando à normalidade e foi então que eu entrei em ação novamente. Eu coloquei poção demonizadora na bebida do Zezinho e assim ele virou demônio e começou a atacar todo mundo. Ele acabou com o que restava do exército de rangers e depois de uma luta difícil, euzinha o matei.
Depois desse incidente, eu acabei convencendo a Catenária de que aquilo foi obra da rainha Bestial, assim como todos os ataques anteriores, então elaborei um plano de atrair a Besta para a floresta e emboscá-la com o feitiço de banimento. Depois de tudo combinado mandamos um mensageiro entregar um convite para um festival de frangos gigantes e tempos depois ele voltou dizendo que a rainha confirmou presença.
No dia combinado a rainha Bestial apareceu, lembra disso? Depois de comer, beber e dormir, Catenária executou o feitiço e mandou a bestinha pra algum vazio dimensional.
Depois de executar a poderosa magia, Catenária ficou fraca e imóvel no chão. Agora que havia me livrado da inconveniente Bestial, chegou a hora de cumprir a minha parte do acordo que fiz com a Geodésica, podem falar o que for de mim, menos que eu não tenho palavra. Continuando, aproveitando dessa situação, me preparei para matar a Catenária, mas a Geodésica ficou de viadagem com aquela história de quero ser rainha mas não quero que mate a minha irmã, blá blá blá e do nada apareceu o velho Lordan, eu o matei facilmente mas infelizmente ele me ocupou por tempo suficiente para que a Geodésica usasse um “manter-te viadon donge darrente” em mim, vê se pode?
Fiquei atordoado pela magia e quando me dei conta, estava na Floresta das Amazonas cercado por centenas de mulheres semi-nuas, que nojo! Escapei de lá e quando tentei voltar para a Floresta Amazônica simplesmente fui impedido por uma barreira mágica. Fiquei pelos arredores da floresta por mais uns dias e percebi que ninguém saía de lá, humanos conseguiam entrar porém outras raças também ficavam presas. Resumindo, nenhum nativo da floresta saía, humanos entravam e saíam normalmente e seres não-humanos e eu não entrávamos.
Apesar de ter me livrado da rainha Bestial, não dava pra dizer que minha missão tinha sido totalmente bem sucedida, mas não adiantaria em nada ficar batendo na porta de um lugar que não poder entrar. Nesse contexto decidi voltar para o castelo da rainha da Matéria.
Assim que voltei fiz o meu teatrinho e convenci a todos de que a rainha bestial enlouqueceu e tentou matar a rainha fada. Como a bestial foi dada como desaparecida e ninguém da floresta das fadinhas felizes podia sair para contar o que realmente ocorreu, a história “se confirmou” e saí ileso. As coisas iam bem para mim, com a rainha Bestial perdida e a rainha da Energia presa na floresta, ninguém poderia me impedir de matar a rainha da matéria quando chegasse o alinhamento e eu poderia mandar algum capanga humano matar a rainha fada. Eu também acreditava que poderia reaver a rainha Bestial durante o alinhamento, já que as dimensões estariam mais próximas, e matá-la como previa a profecia. Porém, ainda havia um pequeno detalhe que poderia me atrapalhar a acabar com a rainha Saori.
A rainha em si não era o problema, só que ela vivia cercada de shinigamis muito poderosos, então eu precisava me livrar deles o mais rápido possível. Além disso, recebemos a indesejada visita daquele macaco pulguento e da mulher de nome esquisito, mas pelo menos ele conseguiu desvendar o trecho restante da profecia.
Esperei mais um tempo e quando a então princesa Cunegundes já estava crescida o suficiente para assumir o trono, dei um jeitinho de matar a Saori e ainda botar a culpa no Urahara e de quebra culpar a Yourichi, a Soi Fong, a Matsumoto e o Hitsugaya, ou seja, os maiores shinigamis daquele tempo . Ah, e a Momo também.
Começou uma guerra e eu, o único shinigami da guarda da rainha fiel a ela há há há, coitados, liderei o exército. No fim, os shinigamis que se aliaram aos que citei morreram ou tiveram que fugir. Mas ainda havia um problema: Sortudo. Aquele sujeitinho tem tanta sorte que eu não consegui incriminá-lo e ele ainda deixou o castelo prometendo trazer os heróis do outro mundo quando o dia da batalha contra o grande mal estivesse chegando, mas pelo menos a namorada dele foi considerada traidora assim como os shinigamis da turminha do Urahara, que não morreram mas tiveram que se esconder feito baratas.
Depois disso eu me tornei o... pessoa de maior confiança da rainha Cunegundes e chefe dos shinigamis. Para me certificar de que não haveria resistência além da dos heróis da profecia, transformei o treinamento para ser shinigami em uma coisa patética e assim, as gerações atuais de shinigamis são infinitamente mais fracas do que as antigas.
Estava tudo muito bem até que cinquenta anos depois Sortudo voltou trazendo vocês. Ficou claro que o alinhamento se aproximava e eu precisava me livrar dos heróis, então plantifiquei a rainha, coloquei a culpa em vocês e depois disso reinei absoluto.
Depois disso vocês foram pra Etérnia e voltaram com o Hyugi, botei a cabeça de vocês a prêmio, blá, blá, porém ainda faltam alguns detalhes que ainda não sabem e vou contar agora. Uma noite eu estava no meu quarto maquinando terríveis planos para acabar com vocês quando ouvi uma voz me chamando.
— Zerus, responda!
Eu procurei, porém não encontrei o dono daquela voz. Depois de muito refletir, tive uma ideia brilhante: perguntei quem era.
— Não reconhece a voz do seu rei? Eu deveria te dar uma surra.
— Rei Popô? – eu havia destruído o comunicador e o transportador, não entendi como ele conseguiu falar comigo – que surpresa, mas como conseguiu falar comigo depois que o comunicador deu defeito?
– Um moleque gênio chamado Mordecai caiu na Friendzone, ele conseguiu construiu um comunicador. Eu organizei o exército mais poderoso dos universos, liderado pelos generais marinas, e estamos prontos para invadir Dungeoneer. O Mordecai fez um transportador interuniversal de matéria já que o seu foi misteriosamente despedaçado, mas ele não possui energia suficiente para fazer a viagem, como você conseguiu isso?
– Com a energia da minha beleza – eu brinquei.
– Não me venha com essa! Você deixou a Friednzone prometendo que me levaria novamente para Dungeoneer e exijo uma solução!
– Segura a sua onda queridinho! Eu posso trazer você e seu novo exército para Dungeoneer, porém você deverá ser paciente. Se o seu novo amiguinho gênio estiver aí diga a ele que é impossível conseguir a energia para realizar a viagem, mas em um futuro próximo as dimensões irão se aproximar e será fácil trazê-los para cá. Manteremos contato, beijinho beijinho tchau tchau!
Eu não contava em ver alguém da Friendzone novamente, mas até que poderia ser útil. Enquanto vocês estavam lutando por aí com suas arminhas de cristal de prata eu fiz um novo contato com o Poseidon e o seu novo lacaio supostamente gênio. Combinamos de trazer o rei, os generais marinas e mais outros guerreiros para Dungeoneer e quando o alinhamento começou, trouxe a todos com facilidade. Por que eu fiz isso? Dois motivos, alguns dos visitantes atacaram civis a fim de distrair a turminha do Urahara e o principal, eles poderiam entrar na floresta e matar a rainha da Energia. Até tentei usar alguns para matar vocês, porém foi um fiasco como sempre.
Enfim, o Poseidon e os generais marinas foram mortos, mas quem diria que você, rainha loira quase pelada, faria o serviço de acabar com a rainha fada? A rainha da Energia está morta, você morrerá logo logo e quebrar a Cunegundes vai ser fácil. Depois disso as dimensões vão se juntar, eu serei o imperador do multiverso e principalmente, vou me vingar do meu ex namorado!
FIM DO DE VOLTA PRA MINHA TERRA FINAL
– Finalmente entendi como fui parar em Etérnia. Depois de um fora dos mais humilhantes que alguém pode levar, eu caí no túnel para essa tal Friendzone, mas durante a queda eu me dei conta de que é idiotice sofrer por causa disso, então parei de cair e nesse momento eu estava no nível energético de Etérnia – concluiu Hyugi.
– É, foi isso mesmo – disse Zerus, tranquilamente.
– Não entendo, eu nunca fui parar na Friendzone e já cansei de levar fora da Loren. Quantas vezes foram mesmo? – Junpei perguntou para a amiga.
– Duzentas e cinquenta e cinco – informou Loren.
– E então rainha, eu tô despirocado mas os dedos e a língua tão funcionando bem, deixa eu chupar a sua mexerica?
– Prefiro enfiar um prego na minha cabeça – respondeu a rainha.
– Viu, eu continuo no mesmo lugar!
– Você não entende, a primeira coisa que é preciso é amar realmente a pessoa que o dispensou e está claro que a única coisa que você quer é comer a sua colega, eca! Segundo, no momento do fatídico fora, é necessário que um portal entre os mundos esteja aberto naquele instante e local, não é tão raro portais desses se abrirem mas se não houvesse essa condição, praticamente todos os seres do multiverso estariam na Friendzone, entendeu querido burrinho? – explicou Zerus.
– Esperem! – Beatrice se levantou e começou a gritar – Vocês estão discutindo como se faz pra ir pra essa sei lá o que zone e esqueceram que esse desgraçado nos fez vir parar nesse inferno, matou tantas pessoas e tentou acabar comigo e com os meus amigos tantas vezes só pra se vingar do boy que o trocou? Zerus, você é... é... um bobo, um feio!
Todos ficaram boquiabertos, ninguém nunca tinha visto a Beah tão irritada.
– É isso mesmo, você fez a minha linda e delicada garota ficar nervosa, vou chutar o seu saco! – bradou Kon, se levantando também.
– Vou puni-lo por ameaçar o mundo e por todas as pessoas que matou! – Hyugi também se levantou, com sua espada preparada.
– A comida desse mundo é horrível e ainda fiquei liso lá em baixo por causa de você! Vou usar o poder do protagonismo, eu fui o primeiro a aparecer na história e o protagonista dessa joça sou eu! – Junpei também se preparou para lutar.
– Ei, nós entramos na história juntos – protestou Kon.
– Você manipulou, matou, desestabilizou o meu reino e meu mundo. Me fez ficar no vazio interdimensional, que tenho certeza que é um milhão de vezes pior do que a Friendzone. Se eu cheguei na Terra foi pelo meu próprio esforço, se voltei pra Dungeoneer foi pelo acaso, mas não por acaso vou fazer picadinho de você! – Loren finalizou.
Os heróis estavam todos de pé, reunidos e prontos para acabar logo com isso. Todos tinham motivos mais do que suficientes para dar cabo do Zerus e esse é o maior poder que existe no multiverso, o poder da determinação que os fez ignorar os ferimentos e se levantarem. Eles passaram por muita coisa juntos, evoluíram muito além do que jamais imaginaram, superaram todas as adversidades e finalmente, o momento final chegou.
– Pelo poder da amizade!
O quinteto deu o seu grito heroico improvisado e cada um atacou com a arma que possuía. Com força e determinação infinitas, eles partiram para cima do inimigo e foram novamente atingidos por uma grande cusparada de fogo do Zerus, de forma que eles foram novamente ao chão, queimados e mortalmente feridos.
– Isso tá errado... nós somos os heróis. – reclamou Hyugi.
– Meu lindos, esse é o mundo real e não existe essa história de poder da amizade. – Zerus pegou um caixinha de durepóxi e colou a lâmina da sua zampakutou – Agora que já conhecem a minha história e meus planos, irei matá-los.
Kon estava quase desmaiando, mas chegou a ouvir a última frase dita pelo vilão. Pouco depois, ele se viu deitado em uma cama redonda nos espelhos colados no teto do quarto onde estava.
– Onde estou?
– Já se esqueceu? É por isso que o Zerus está sentando o pau em vocês, ele sempre está em sintonia com a zampakutou dele enquanto você mal lembra que eu existo – disse uma mulher atraente usando um vestido branco esvoaçante, logo na frente dele.
– É você Marta? Desculpa não te visitar mais vezes, a Beah é ciumenta, sabe como é.
– Ai eu mereço, era melhor ter sido capturada pelo Uroro. Enfim, você é o único que pode vencer Zerus e o meu poder é a chave disso. Pronto, é tudo o que eu posso dizer, eu já sou morta mesmo e não tô nem aí se você morrer.
Logo o Kon saiu do seu mundo interior e viu seus amigos caídos e Zerus andando e apontando sua espada para cada um deles.
– Quem eu mato primeiro? Seria mais sensato começar pela rainha bestial, mas eu não gosto dessa vadia de olhos violeta então vou acabar com ela agora mesmo.
– Zerus! – Kon chamou, se apoiando em sua espada em um esforço sobre-humano para se manter em pé apesar dos graves ferimentos.
– O que quer Cenourinha?
– Sabe, bem... – ele hesitou por um instante, suspirou e prosseguiu – eu posso te dar uma chance.
– Me dar uma chance? Não seja ridículo, seus amigos estão no chão e você mal consegue se aguentar em pé.
– Não é disso que estou falando. Quero dizer, uma chance pra nós dois, esquece essa história de se vingar do seu ex e vamos ficar só eu, você, dois filhos e um cachorro.
– Você está dizendo isso só pra salvar os seus amigos .... – o tom do vilão começava a amolecer.
– Não tô nem aí pra eles, tô fazendo isso pra salvar o meu couro. Nós dois sabemos que eu gosto de mulé, mas do que adianta isso e estar morto? E quem sabe você não me mostra algo que acabe me interessando e sim, estou falando de sexo.
– Está bem, mas primeiro vou matar essa garota.
Zerus voltou a sua atenção para a Beatrice, que estava consciente, apesar de não conseguir se mover.
– Tu comeu merda Kon, vai virar viado pra se salvar? – brigou Junpei, tentando em vão se levantar para dar uma surra no amigo.
– Seu traidor! – disse Hyugi, trincando os dentes.
– Tomara que ele seja o ativo e tenha uma jeba bem grossa só pra tu aprender – falou Loren.
A Beah não disse nada, apenas chorava. Zerus estava prestes a dar o golpe de misericórdia, quando Kon o chamou.
– Zerus, eu estou falando sério – disse o shinigami – e pra provar isso...
Kon segurou sua espada com suas mãos trêmulas e quase perdendo a força nas pernas.
– Bankai. Tudo que é bonito é pra se mostrar... Dispa Marta!
A espada do Kon se desfez, se transformando em inúmeros insetos e ao contrário do que todos imaginaram, os insetos atacaram o seu próprio invocador.
– Suicídio? Que saída covarde – comentou Hyugi.
Depois de poucos segundos, os insetos se afastaram do Kon e ele estava... nu.
– Estou sem roupa pra te seduzir. Vem ni mim que tô facinho Zerus – o rapaz convidou.
– Não, eu tenho que acabar com os heróis primeiro... – Zerus tampava os próprios olhos com as mãos, embora mantivesse os dedos bem abertos. Apesar de ferido e queimado, o pirulito do Kon estava intacto de forma que o vilão começou a sentir o corpo quente a o seu nariz começou a sangrar – ai ai ai, é rapidinho, preciso tocá-lo.
Zerus foi para cima do Kon cheio de mão, todavia pouco antes de ser tocado, Kon se esquivou da investida.
– Há, pegadinha do malandro! Eu não quis saber de você no passado, não quero no presente e não vou querer no futuro. Você é a pessoa mais escrota que eu já vi e mesmo se eu fosse gay não deixaria alguém tão horrível como você me tocar, não me admira que tenha sido trocado por aquele cara.
Zerus ficou chocado, mas logo o choque virou raiva. Ele segurou sua espada e partiu violentamente para cima do Kon, quando repentinamente o chão se abriu debaixo dele e o vilão caiu em um túnel multicolorido.
– De novo nãaaaaao!
Logo em seguida o buraco se fechou.
– Fiz minha parte – os ouvidos do Kon zuniam e sua visão começava a escurecer – eu já devo estar morrendo, mas antes disso...
Ele ordenou que os insetos comessem as roupas da Beatrice e logo depois, as da Loren. Como estavam sem conseguir se mexer direito, as mulheres não conseguiram ter qualquer ação para impedir isso.
– Agora já posso morrer feliz!
Kon caiu inconsciente e logo depois aconteceu o mesmo com os outros.
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