Dungeoneer - Interativa
47 Foi tudo um pesadelo?
Notas iniciais
Junpei acordou em uma cama confortável, com os primeiros raios de sol batendo no seu rosto. Ele ainda estava sonolento, quando começou a lembrar de todas as aventuras que viveu juntos aos seus amigos.
— Isso foi... um pesadelo!
Ele levantou em um salto com um grande sorriso no rosto e quando se preparou para ir ao banheiro, notou que estava liso lá em baixo.
— Puta que pariu, tudo aquilo aconteceu mesmo! – ele gritou, irado.
Logo após o grito do Junpei, os outros heróis, que dividiam o mesmo quarto, acordaram.
— O Zerus voltou? Temos que detê-lo — disse Hyugi, nem parecendo que havia acabado de acordar.
— Cala a boca, eu quero dormir! – reclamou Loren.
— Eu sonhei que tinha alguém apalpando os meus seios – comentou Beatrice.
— Foi sonho? – Kon se pronunciou.
Logo depois, a porta do cômodo que eles ocupavam se abriu e os heróis viram a Matsumoto e o Hitusugaya juntos.
— Ah, é o casal do puteiro, putz aquilo tudo aconteceu mesmo – resmungou Junpei.
— Finalmente acordaram hein. Sabia que vocês dormiram por mais de uma semana? – disse a mulher.
— Então tá na hora de comer! – Loren se levantou.
— Até que enfim uma boa ideia – disse Junpei.
— Vocês parecem bem, venham conosco – Hitsugaya os chamou.
Todos acompanharam o casal de shinigamis conversando amenamente.
— Por um momento eu pensei que você ia me trocar pelo Zerus – disse Beah, fazendo biquinho.
— Foi tudo uma estratégia, eu nunca te trocaria – ele segurou a mão da namorada – eu, o magnífico Kon, salvei o universo!
— Na verdade foi a sua cenourinha que salvou todo mundo – comentou Junpei.
— Desculpe perguntar, mas onde estamos? – perguntou Hyugi.
— No castelo – respondeu Hitsugaya – depois da luta entre vocês e o Zerus ele ficou destruído, mas com magia e operários mamutes, em poucos dias ele estava novo em folha.
— Mais difícil foi consertar vocês. Quando a batalha acabou e viemos buscar vocês, parecia que tinham sido atropelados por uma frota de tartarugas gigantes – falou Matsumoto.
Logo eles chegaram a uma porta e assim que entraram, chegaram a uma sala de jantar. Sentados à mesa estavam o Sortudo com a Braquistócrona, Urahara com a Youruichi e a Soi Fon, a Tomoyo segurando sua câmera e.... praticamente todo mundo.
— Todo mundo tá aqui, mas cadê o Sony? – perguntou a Loren com cara de brava.
— Na cozinha, aproveita que você é rainha e expulsa todo mundo de lá – sugeriu a Bráqui – saindo pelo corredor, segunda porta á direita.
Logo, a loira saiu correndo e entrou na tal cozinha, onde algumas pessoas preparavam a comida, inclusive o Sony.
— Ô cambada, vai todo mundo servir meus amigos que acabaram de acordar e estão sem comer há sete dias, senão eu viro dragão e como vocês!
Com essa convocação, todos eles se apressaram em pegar os pratos e saíram dali, apenas o Sony continuou.
— Tive medo de você não voltar! – disse o rapaz.
— Vaso ruim não quebra!
— Acabei de assar uma asa de avestruz raivoso, você vai adorar.
— No momento eu quero comer outra coisa!
Sony entendeu o recado e não disfarçou que também queria aquilo, partiu com vontade para cima da namorada e matou a sua “fome” ali mesmo. Depois que acabaram, os dois ficaram sentados no chão apoiados um no outro e aí sim a garota começou a comer a asa de avestruz raivoso.
— Esse troço é bom mesmo, você vai cozinhar isso todo dia pra mim.
— É claro. Posso fazer uma pergunta?
— Pode – ela respondeu com a boca cheia.
— Como você voltou à sua aparência de Loren?
— Ah? – ela começou a tatear o próprio rosto, nem ela sabia que não estava mais com o corpo de rainha – não sei bem, talvez eu tenha gasto todo o meu ki na batalha com o Zerus e o meu corpo regrediu pra uma forma mais fraca, deve ser alguma coisa assim.
— E suas memórias e personalidade, são da Loren ou da rainha Bestial? Quem você é?
— Eu sou eu caramba! Eu lembro tanto da vida como rainha aqui em Dungeoneer quanto como Loren na Terra – ela suspirou – é confuso, parece que eu vivi duas vidas em uma, mas alguma hora vou me acostumar.
— Acho que eu sei como é isso, sou humano e também sou hollow, mas hoje eu consigo manter minhas duas formas em equilíbrio.
— Entendi, você é o Sony humano comportadinho com todo mundo e uma fera selvagem quando está sozinho comigo... adoro isso!
*****
Na sala de jantar, todos começaram a comer. Os heróis estavam sendo tratados por todos como... heróis. Pouco depois as portas se abriram e a rainha Cunegundes, já desplantificada, junto com uma fada loira em tamanho humano usando um microvestido verde entraram.
— Ih, é a rainha que o Zerus transformou em planta – comentou Junpei.
— E quem é a do vestidinho? – Kon perguntou, logo depois recebendo um cascudo da Beatrice.
— Prazer em finalmente conhecê-la rainha – Hyugi cumprimentou.
— Rainhas – corrigiu Cunegundes – essa é Tinker Bell, a nova Rainha da Energia, que cresceu e virou a rainha depois de comer o último cogumelo vermelho do estoque do Zerus.
— Quero agradecer a vocês, heróis da profecia, e também a todos que os ajudaram de alguma forma. Graças a vocês estamos todos salvos – falou a fada.
— De nada, mas quando vamos voltar pra casa? – perguntou Hyugi.
— Receio que seja impossível. Agora que o alinhamento acabou, não há como conseguir a energia necessária para fazer uma viagem de Dungeoneer para a Terra – informou o Sortudo.
— Quê? – Junpei deu um grito e levantou segurando os talheres que usava para comer – você nos trouxe pra cá e não sabe mandar de volta? Vou te matar!
— Calma amigo – Urahara interrompeu – eu consegui descobrir uma maneira de mandá-los de volta para a Terra.
Nesse momento, a Loren e o Sony chegaram.
— E aí povo, o que eu perdi? – a mulher perguntou.
— A rainha Cunegundes voltou a ser gente e aquela outra é a nova rainha da Energia. O Sortudo disse que não dava pra nos mandar de volta pra Terra e o Junpei ficou puto, mas o Urahara falou que tem como mandar sim. O Kon olhou pras pernas da fada e tomou um cascudo da Beah. Deu pra ouvir os seus gemidos daqui — Hyugi resumiu.
— Ah, você deve ser a rainha bestial não é? – perguntou a Cunegundes.
— Que eu me lembre, sou – ela respondeu.
— Que bom que estamos todas reunidas. Foi um grande erro das nossas antecessoras não manter contato umas com as outras, se nos falássemos pelo menos de vez em quando, saberíamos das tramoias do Zerus há muito tempo e certamente ele não teria chegado tão longe, muitas vidas teriam sido salvas. Por isso, estamos aqui firmando o compromisso de nos encontrarmos uma vez por ano, dar uma alô, dizer que está tudo bem e coisas assim.
— Por mim tudo bem – Loren disse sem dar muita importância.
— Espera um pouco – Beatrice se intrometeu – a Loren vai voltar pra casa com a gente, a menos que alguém ache uma maneira segura dela vir pra Dungeoneer uma vez por ano e voltar pra Terra logo depois não vai dar pra vocês se encontrarem.
— Ih, tinha até me esquecido disso – falou a Bestial – tem como fazer isso Sortudo?
— Pelo que eu sei nem tem como vocês voltarem pra Terra – disse o macaco.
— Ninguém me escuta – reclamou o Urahara, com cara triste – eu disse que tem uma maneira de mandar os heróis de volta.
Realmente ninguém o escutou. Logo todos começaram a falar ao mesmo tempo, até que um grito fez todos se calarem.
— Cala a boca todo mundo! – Soi Fon gritou – o visconde de sabugosa disse que sabe como mandar os heróis de volta pra casa!
— Por que não falou antes? – perguntou Junpei, finalmente largando os talheres com os quais pretendia assassinar o Sortudo.
— Eu... Ah, esquece. Vamos lá fora que vou mostrar do que estou falando.
Aquela gente toda desceu as longas escadarias do castelo e foram até um jardim, sendo conduzidos pelo Urahara.
— Realmente é impossível conseguir energia suficiente para mandar alguém de Dungeoneer para a Terra através de uma máquina ou mesmo utilizando magia, mas acabei descobrindo que é possível fazer essa viagem através de um buraco de minhoca.
— Aquele corpo celeste que é um buraco negro ligado a um buraco branco? Então eles realmente existem! – falou Beatrice.
— Não é beeeem isso. Deixem eu mostrar, minhoca, vem cá!
Assim que deu um comando, uma minhoca gigante saiu de dentro da Terra.
— Essa é uma minhoca interdimensional, ela irá cavar um túnel daqui diretamente pro mundo de vocês de maneira simples e segura.
— Chupa Sortudo, esse cara aí é mais inteligente que tu – disse Junpei – é isso gente boa, foi bom conhecer vocês mas agora temos que ir.
— Espere – Urahara interrompeu – eu falei que a minhoca vai fazer o buraco pra Terra, mas isso vai levar algum tempo, cinco dias pra ser mais exato.
— Mais cinco dias dá pra aguentar –comentou Hyugi.
— Cinco dias, pode ser a nossa lua de mel não é Beah? – disse Kon.
— Lua de mel? Mas nós nem casamos – a garota estranhou.
— Em algumas culturas a noite de núpcias vem antes do casamento, nunca ouviu falar? – ele insistiu.
— Calado Kon, o assunto aqui é sério!
Assim que Urahara ordenou, a minhoca dimensional começou a cavar um buraco um buraco no chão, porém o túnel que se formava era multicolorido, enquanto todos olhavam maravilhados para aquilo.
— E não é só isso. Yoruichi, me empresta as esferas? – Urahara pediu e Yoruichi, na sua forma humana, entregou uma bolsa de pano para o companheiro.
— Você falou... Youruichi? – Kon deitou no chão e começou a chorar.
— Essas são as esferas do dragão – Urahara abriu a bolsa, revelando sete bolas com desenhos de estrelas – não são as verdadeiras, eu as reproduzi artificialmente, mas deve funcionar.
— Explica que não estamos entendendo – pediu Beah, enquanto tentava tirar o Kon do estado de pânico.
— Quando essas bolas estão reunidas, é possível invocar um dragão que realiza um desejo. Acredito que queiram ressuscitar o amigo de vocês, como era o nome dele... Uroro – explicou o shinigami.
— Eu tenho um desejo melhor, quero o meu bingulim de volta – Junpei se adiantou.
— Não preferem ter o seu amigo de volta? – Urahara insistiu.
— Ele não era exatamente nosso amigo – falou Loren.
— Tava mais pra um conhecido – completou Hyugi.
— Alguma objeção ao desejo ser a minha anaconda voltar? – ninguém disse nada, então Junpei prosseguiu – pode chamar o tal dragão.
— Tá bem. Apareça Fei Long, e conceda o meu desejo!
Assim que declamou, nuvens negras cobriram o céu e um dragão saiu das esferas, encarando a todos.
— Qual é seu desejo? –perguntou o dragão.
— Eu quero meu pênis de volta, e com um tamanho normal! – Junpei se adiantou.
— Está bem, concedido!
O dragão sumiu e o Sol voltou a brilhar. Junpei saiu correndo, e logo todos ouviram um grito vindo de dentro do castelo “Uhulll, deu certo!”
— Desejo concedido e o buraco pra Terra estará finalizado dentro de alguns dias. Aproveitem esse tempo pra se despedir dos amigos que fizeram aqui – falou Urahara.
— O que deu em você, tá tão bonzinho com os heróis – estranhou Bráqui.
— Isso é culpa, noventa por cento das merdas que aconteceram foi culpa dele, tá só tentando se redimir – disse Soi Fong.
— Eu faço o que posso – ele disse tranquilamente.
— Vamos, agora que voltamos a ser a guarda real, temos muito o que fazer – disse Matsumoto – venham Urahara, Yoruichi, Soi Fon, Hitsugaya meu gato e... tenho impressão que ainda falta alguém...
— Impressão sua, estamos todos aqui – disse Yoruichi.
*****
Enquanto isso, no Centro de Entretenimento Adulto Masculino, uma jovem shinigami estava sozinha no salão.
— O pessoal disse que ia salvar uns aldeões e ainda não voltaram, o que será que aconteceu?
Logo, vários clientes chegaram ao estabelecimento.
— Falaram que o CEAM ia abrir em uma semana e até agora nada, cansamos de esperar – um dos homens falou.
— A patroa saiu, o contador e segurança também, as outras não estão vindo trabalhar porque o caixa tá vazio, peço paciência e esperem mais um pouco – a garota pediu educadamente.
— Você tá aqui não é? Vai ter que dar conta de todo mundo!
— Voltem logo amigos, se não vou ficar literalmente fudida – ela clamou baixinho, desejando a volta dos shinigamis que a esqueceram.
*****
No castelo o Junpei, feliz e saltitante, foi falar com o Sony.
— E aí Sony, sabe que você é o meu melhor amigo não é?
— Quer que eu te transporte pra onde? – o meio-humano perguntou.
— Base do Vulcão da Morte Certa, de lá eu me viro.
— Segure em mim.
Sony abriu um portal e entrou nele junto com o amigo, voltando segundos depois e sozinho.
— Agora a minhoca tá cavando o túnel e esse herói que chamam de Junpei já teve o seu desejo realizado, temos que continuar o assunto de antes. Rainha Bestial, estávamos falando que apesar de estarmos cada uma em nossos reinos, devemos nos encontrar e mandar notícias frequentemente, para evitar que coisas como as filhadaputagens do Zerus aconteçam novamente – disse a rainha fada.
— Escolham outra rainha, a Loren vai voltar com a gente – insistiu a Beatrice.
— Com esse buraco fica fácil ir e voltar de Dungeoner não é? – supôs Hyugi.
— Na verdade não. Como é um caminho longo, a minhoca dimensional vai morrer assim que terminar de cavar o buraco e vocês terão que correr desesperadamente pra chegar em casa antes do buraco se fechar novamente – informou Urahara.
Todos começaram a falar ao mesmo tempo de novo. Incrivelmente, a única pessoa em silêncio era a Loren, que estava pensativa. Em meio a confusão, um dos poucos guardas do castelo que sobreviveu à ascensão do Zerus chegou correndo e gritanto.
— Calamidade! Estamos sendo invadidos por monstros feios!
Logo depois deste anúncio o chão começou a tremer e todos ficaram de prontidão, alguns protegendo as rainhas e outros já começando a partir para um ataque. Repentinamente, todos ouviram um grito com uma voz já conhecida por alguns.
— Rainha!
Biske acenava freneticamente, sendo seguida por alguns monstros cheios de braços e chifres. Ela correu até a Loren.
— Rainha, todos nós da caverna das bestas sentimos sua falta! – disse a “garota”.
— Ela sumiu por uns dias não foi? – perguntou um dos monstros.
— Foram mais de cem anos seu retardado – brigou Biske.
— É bom vê-los – disse Loren – como estão indo as coisas por lá?
— Chatas sem você. Ah, e eu encontrei uma surpresinha quando estava saindo da floresta das fadinhas felizes, olha!
Rapidamente um homem saiu de trás de um arbusto do jardim do castelo.
— Ah tá, é o meu ex quase futuro marido— Loren disse sem qualquer entusiasmo.
— Meu amor, sei que você me mandou pra Friendzone, mas eu te perdoo, vamos seguir com o nosso plano e fazer logo a futura rainha Bestial, sabemos que você não vai viver pra sempre!
Sony segurou seu bastão e começou a rosnar.
— Eu não deixava! – Kon provocava.
— Sony, venha aqui comigo, precisamos conversar – Braquistócrona o segurou e o arrastou para longe dali.
— Nossa, você voltou da Frindzone, que empolgante – disse Loren da maneira mais irônica possível.
— Foi empolgante mesmo – ele falou empolgado e sem entender a ironia – o rei recrutou soldados para tomar Dungeoneer e eu me ofereci, mas quando cheguei aqui em vez de atacar as cidades como ele havia mandado, eu fugi e fiquei escondido esperando a poeira abaixar.
— Esse é o seu príncipe? – perguntou Tinker Bell.
— Pode-se dizer que sim – confirmou Loren.
— Então é claro que vocês devem casar logo. Se quando o meu príncipe aparecer ele for tão gato quando esse, eu nem vou esperar casar pra começar a produzir herdeiras – falou a fada.
— Se gostou tanto fica com ele pra você – disse Beatrice.
— Não é tão simples assim, você não entenderia – Cunegundes se pronunciou.
— Rainha, podemos falar a sós por um momento? – Biske a puxou para outro lugar, um banheiro pra ser mais exato.
— Por que você o trouxe aqui? E por que ME trouxe aqui? Odeio essa mania de ficar conversando em banheiro, esse lugar fede – reclamou Loren.
— Precisava falar com você em particular. Poxa, eu sei que você já deu um fora nele há... sei lá, uns duzentos anos, mas vocês são os únicos draconianos que sobraram, precisam ter uma filha.
— Meu namorado é o Sony!
— E pode continuar sendo. Você pode levá-lo pro nosso reino, fica oficialmente com o seu ex que agora é o atual futuro, mas pode continuar com o seu relacionamento normalmente com o Sony. Depois que você tiver uma filha draconiana pode dispensar o príncipe, um plano perfeito.
— Não acho que o Sony vai aceitar algo assim e além disso, ainda não inventaram inseminação artificial em Dungeoneer? Vou ter mesmo que dar pra aquele palerma?
— Não sei como funciona nos outros mundos, mas aqui o único jeito de se ter um filho é colocando a minhoquinha do bofe dentro da sua conchinha.
— Mas eu nem sei se vou continuar nesse mundo... – Loren praticamente sussurrou.
— Tá louca? Eu sei que você deve ter criado laços no mundo onde você estava antes, mas o seu lugar é aqui! Não esqueça que você é a rainha e que ainda não tem filhas, se você morrer nessas condições o mundo acaba!
— Acha que eu não sei disso? Me dá um tempo, é muita informação.
Loren saiu batendo o pé e voltou ao jardim, onde todos estavam quietos com ouvidos fofoqueiros bem abertos.
— Quê que vocês querem? E você seu meio-dragão inútil, nem chegue perto de mim! – ela saiu correndo, se afastando de todos.
Enquanto isso, em outra parte do castelo, Sony e Bráqui conversavam.
— Eu sempre procuro evitar brigas, mas esse cara de pau veio aparecer logo agora?
— Desde quando ela recuperou suas memórias como rainha, sabíamos que isso ia acabar acontecendo. Quando a energia dela se recuperar, provavelmente ela assumirá definitivamente sua forma original e deixará de ser Loren para sempre.
— E o que eu fui nessa história toda, um brinquedo pra ajudar a passar o tempo entre as lutas?
— Não foi bem isso, mas o panorama agora é outro. E tu tá reclamando de quê, você transou com uma rainha, quantos homens já tiveram essa oportunidade? – logo depois de dizer isso, ela se arrependeu – olha, eu sei que você gosta dela e ela também gosta de você, então porque vocês dois não têm uma boa conversa e acertam tudo o que tem que acertar?
O rapaz acenou a cabeça discretamente concordando e logo voltou para o jardim que mais parecia uma sala de reuniões misturada com programa de fofoca.
*****
Assim que foi deixado na base do Vulcão da Morte Certa, Junpei começou a correr rumo à Vila Pinguim. Mesmo tendo passado por lá há bastante tempo, ele ainda sabia bem o caminho e antes do fim do dia, havia chegado à cidade congelada.
— Tá frio, mas logo logo eu vou estar bem quentinho!
Ele se dirigiu a uma casa enorme, bateu na porta e foi atendido por uma bela moça com cabelos trançados.
— Pois não? – ela perguntou.
— Você quer brincar com o meu boneco de neve?
A garota se lembrou dele e ficou muito feliz.
— Você voltou! Vamos poder casar?
— É claro!
— Vou falar com a minha irmã, temos que fazer os preparativos!
— Espere! – ele interrompeu – sabia que em algumas culturas a noite de núpcias vem antes do casamento? Passamos essa noite juntos e amanhã combinamos a cerimônia.
A garota achou estranho o argumento do seu futuro marido, mas como ele foi tão convincente ela acabou o convidando para entrar. Ela o levou para o seu quarto e finalmente, depois de tantas tentativas frustradas, depois de não poder pescar por não ter uma vara, o azarado Junpei conseguiu se dar bem.
TRÊS MINUTOS DEPOIS
— Essa foi a melhor coisa que eu já fiz – disse o grandalhão, ainda sem roupa e com um enorme sorriso no rosto.
— Sério? Não quero nem imaginar a pior – falou Anna, com cara de tédio.
— É claro que foi, você não tem noção do que eu passei até chegar aqui.
— É verdade, se durasse mais um pouco seria o tempo de cozinhar um ovo – os dois ouviram o som de uma porta batendo.
— Que barulho foi esse?
— É a minha irmã chegando. Eu vou falar com ela que vamos nos casar!
Junpei colocou as roupas pelo avesso mesmo e foi para a janela.
— O que você tá fazendo? – ela perguntou.
— Eu vou convidar a minha família, um dia eu volto!
— Mas estamos no terceiro andar.
— Eu agueeeeeentoo ...
Ele pulou e logo que se recuperou da queda, saiu correndo pra bem longe dali.
— Nunca achei que o argumento que aprendi com o Kon ia funcionar – ele pensou enquanto fugia.
*****
Sony voltou para o jardim e informaram que a Loren estava em algum lugar do castelo. Ele foi procurá-la e o resto das pessoas cassou o que fazer.
Aquela construção era enorme, de forma que o casal só se encontrou horas depois. Loren estava com uma espada, não aquela que faz parte do seu poder, mas uma que algum guarda dele ter abandonado ao fugir da loucura do Zerus. Ela golpeava insistentemente um bloco de pedra, deixando a lâmina da arma totalmente amasada.
— Pensei que você não estava mais nesse castelo – disse o garoto.
— Bater em coisas me relaxa – ela disse – cadê o Hamlet? Faz tempo que não ouço falar nele.
— No meu bolso.
— Hamlet! – ratinho saiu do bolso do seu amigo.
— Vai procurar um queijo por aí, queremos privacidade – disse a loira.
Hamlet atendeu, então saiu correndo pra longe dali.
— O que você vai fazer? – Sony perguntou.
— Acho que eu não tenho escolha, tenho que assumir o me posto.
— Então isso é uma despedida...
— Vem comigo, você é meio-humano-meio-monstro, será o melhor guerreiro do meu reino – ela segurou sua mão.
— E quanto àquele homem que dizem que é o seu príncipe ou coisa assim?
— Bem... – ela coçou a cabeça – eu ainda não sei, ele é o único meio-dragão além de mim, é um problema difícil de me livrar.
Nesse momento eles ouviram gritos e som de coisas quebrando, então saíram correndo para ver o que era. O resto do pessoal, heróis da Terra, shingamis, bestiais e afins também foram procurar pelo que era e ao chegar, viram um bando de hollows muito feios.
— Hollows! — todos da guarda real empunharam suas zampakutous.
— Viemos em paz – um dos monstros levantou uma bandeira bege – viemos falar com aquele que vocês chamam de Sony.
— Eu? – o rapaz estranhou.
— É você mesmo! Você sabe qual é o critério para alguém ser o rei dos hollows? – o hollow perguntou.
— Ser o mais forte da espécie – falou Sony.
— Sim, e apenas hollows que atingiram a forma humana chegam ao tal nível de poder. Você é o único com forma humana e venceu o antigo rei Szayel APorra, é o nosso novo rei.
— Viva o rei! – os outros hollows o ovacionaram.
Sony ficou em silêncio, pensativo. Ele olhou para a Loren, porém ela desviou o olhar.
— Eu vou com vocês para o Eco Mundo – Sony anunciou.
— Você tá maluco, e a Loren? – Beah se meteu – Faz alguma coisa Loren, leva ele pra Terra com a gente!
— Eu não vou voltar pra Terra! Vou comer alguma coisa lá dentro, a viagem até a minha caverna é longa – a rainha bestial entrou rapidamente no castelo, sendo seguida pela melhor amiga.
— Hamlet! – o ratinho reapareceu e falou alguma coisa com o Sony.
— Eu sei – Sony se abaixou e estendeu a mão para que ele subisse nela – mas o lugar onde eu vou é horrível para alguém tão comestível quanto você. Fique aqui nesse castelo ou vá para a floresta das fadas, é o melhor para você.
O hamster sorriu e desceu da mão do amigo. Sony se despediu rapidamente da Braquistócrona e deixou o castelo acompanhado pelos outros hollows.
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