Dungeoneer - Interativa
11 Meu nome não é Zelda
Notas iniciais
Os heróis haviam partido da casa da Braquistócrona há dois dias, nos quais caminhavam do nascer ao pôr do Sol, parando apenas para caçar pequenos animais e comê-los. Em uma dessas paradas, enquanto estavam comendo uma ave parecida com um peru, o grupo começou a conversar.
– Será que nunca vamos chegar nesse vulcão? – Junpei parecia impaciente.
– Ainda estamos longe – informou Sony, olhando para o mapa.
– Se tivéssemos algum tipo de montaria ajudaria bastante. Existem cavalos nesse mundo? – perguntou Hyugi.
– Existem, mas a melhor montaria para distâncias longas são os chocobos, que além de transportarem várias pessoas de uma vez, são rápidos, resistentes e quando não forem mais necessários viram um belo assado – contou Uroro.
– Cruz credo, você tem coragem de ficar com um animal durante tanto tempo e depois comê-lo? – falou Beatrice.
– É a cadeia alimentar, quem não come é comido – concluiu Loren.
– Cuidado, tem alguém correndo em nossa direção! – advertiu Hyugi.
Todos ficaram alertas, empunhando suas armas, exceto Junpei que ainda estava tentando colocar o seu capacete-martelo. Enfim, eles avistaram uma menina de cabelos rosas lisos na altura dos ombros, devia ter em torno de uns dez anos de idade, descalça e com um vestido preto rasgado. Ela – correndo, parecendo muito apavorada.
– Socorro, socorro! – gritava a garota.
– O que houve menininha? – perguntou Beah.
– Ho...hollows querem me comer.
– Será que dessa vez são hollows de verdade? – Kon estava em dúvida.
– Tomara, não vejo a hora de rachar o crânio de um deles – Uroro já estava com sua espada levantada.
Logo surgiram dois hollows idênticos. Eles possuiam um corpo cinza, máscara branca com detalhes laranja, três membros em cada lado do tronco e tentáculos no lugar onde deveria ter cabelos.
– Comiiiiida – os monstros resmungavam com uma voz grave.
– Só dois? Deixa comigo.
Uroro saiu correndo na direção dos hollows feito um louco, deu um salto e acertou a máscara de um deles com uma golpe de espada frontal. O monstro deu um urro, mas enquanto isso, o outro acertou duramente o shinigami com um de seus tentáculos, o arremessando a vários metros de distâncida dali.
– Maldita espada comum, se fosse uma zampakutou eu já teria matado esses desgraçados – praguejou Uroro, que se encontrova ferido, porém sem gravidade.
– Não bota a culpa na espada, você que foi afoito e achou que podia resolver tudo sozinho – repreendeu Loren.
–Cuidado!
O hollow lançou outro tentáculo na direção da Beatrice, e quanto ele estava prestes a acertar o corpo da moça, Kon gritou e pulou, praticamente deu um mergulho, desviando-a da direção do ataque. Com esse movimento, ambos cairam no chão, ficando o Kon deitado por cima da Beah, com seus rostos a menos de um palmo de distância um do outro.
“Ai meu deus, ele me salvou e agora tá quase me beijando, me beije Kon, eu te amo” Era o que passava pela cabeça da Beah naquele momento, acompanhando de uma face vermelha, mãos suadas e coração acelerado.
– Sai de cima de mim! – a garota empurrou Kon para longe dela.
Os hollows continuavam atacando com seus tentáculos, Hyugi e Loren os cortavam, defendendo seus amigos, porém esse era um esforço em vão, pois cada tentáculo cortado crescia novamente logo em seguida.
– Droga, essas coisas não acabam? – reclamou Hyugi.
Sony, que estava logo atrás da Loren e do Hyugi, abriu um portal e entrou nele.
– Fugindo, que covarde – resmungou Uroro, levantando e voltando para o combate.
Um novo portal se abriu quase encostando em um dos hollows, então Sony saiu de dentro dele e enfiou seu bastão no buraco do peito do monstro, que ficou paralisado e urrando.
– Yaaaahhh, morra maldito! – Uroro deu uma nova espadada na máscara do hollow que estava imobilizado, que enfim se desfez em inúmeras partículas.
– Então é assim que se mata esses bichos? Toma! – Beatrice arremessou seu punhal, acertando no buraco do outro hollow (o do peito), que assim como o outro, ficou paralisado e gritando.
– Cabeçada com a cabeça! – Junpei, que finalmente havia conseguido pôr o martelo na cabeça, deu uma bela cabeçada na máscara do hollow, que morreu da mesma forma que o seu companheiro.
– Uhull, conseguimos! – comemorou Kon.
– Arrasou amiga! – Loren se dirigiu à Beatrice.
– Obrigada. Não foi difícil, é como lançar dardos – disse a garota.
– Não é disso que estou falando – Loren sussurrou no ouvido da amiga – eu vi você coladinha no Kon.
– Foi um acidente – Beah ficou vermelha.
– Mandou bem Sony, se você não tivesse descoberto como paralisá-los, ainda estaríamos cortando tentáculos – elogiou Hyugi.
– É claro, os semelhantes se conhecem – implicou Uroro.
– Você me impressionou gatinho, não imaginava que você fosse tão habilidoso em colocar o seu bastão no orifício alheio – provocou Loren, que logo levou leve um beliscão da Beatrice.
– Não seja tão depravada, vai assustar o garoto – sussurrou Beah.
– Eu adoro como ele fica sem graça quando eu falo essas coisas – a loira sussurrou de volta.
– Pessoal, alguém viu a garotinha? – perguntou Kon.
– Já tá de olho nela seu pedófilo? – brigou Junpei.
– Não sou tão tarado assim, só quero saber se ela está bem.
A menina saiu de trás de uma árvore, ainda tremendo.
– Obrigada, vocês me salvaram.
– É sempre bom ter a oportunidade de matar hollows – falou Uroro.
– Está perdida garotinha? Quer que te levemos em casa? – Beah ofereceu ajuda.
– Quero sim. Eu moro em Vila de Cava, é perto daqui.
– Fica no nosso caminho, podemos ir sem problema – disse Sony.
– Vocês são ótimos lutadores. Sabia que o prefeito da Vila costuma dar recompensas para heróis que cumprem missões?
– Uma recompensa será bem vinda, se conseguirmos um bom dinheiro podemos comprar um ou dois chocobos e chegar mais rápido ao Vulcão da Morte Certa – expressou-se Uroro.
– Então me sigam! – chamou a menina.
Logo todos continuaram a caminhada.
– É Beah, bem que a gente podia continuar de onde paramos – Kon se dirigia a Beatrice.
– Quê?
– É, aquele beijo que você quase me deu.
– Bateu com a cabeça? Você é que tava se aproveitando de mim. Te beijar, que nojo!
– Ainda não sabemos o seu nome, garotinha – Loren se dirigiu à menina.
– Eu sou Yachiru, e vocês?
– Junpei, Kon, Loren, Beatrice, Sony, Uroro e eu, Hyugi – Hyugi abreviou as apresentações.
Alguns minutos depois, os aventureiros deixaram a floresta e chegaram em um pequeno vilarejo.
– Chegamos! – Yachiru pulava de alegria.
Eles foram andando pelas ruas, onde havia muitas casas, um pequeno comércio, pessoas transitando e olhando curiosas para os forasteiros que passeavam com a pequena garota.
– Tá menininha, onde pegamos nossa recompensa? – perguntou Junpei.
– Isso é com o prefeito, eu levo vocês até ele.
– Prefeito, estranho, como existe uma rainha achei que Dungeoneer fosse uma monarquia – observou Beatrice.
– A honorável, magnânima e necessária rainha da matéria Cunegundes é a personificação do aspecto material da Deusa e garante a estabilidade do nosso mundo, mas cada localidade tem seu próprio governo independente – contou Uroro.
Yachiru levou os heróis até uma construção de dois andares, toda rosa e com muitas janelas de madeira.
– Aqui é a prefeitura, vamos ver se o prefeito está.
Todos entraram e subiram escadas até o segundo andar, onde havia um grande salão com uma grande mesa e dezenas de cadeiras. Em uma delas, estava sentado um gato do tamanho de um humano, coberto apenas por seus próprios pelos e usando uma gravata e cartola.
– Vamos voltar outra hora, parece que o prefeito não está – falou Kon.
– Ele é o prefeito. Senhor, esses são Cabeça de Martelo, Fracote, Pelada, Cabelo de Abóbora, Resmungão, Ceguinho e Sony.
– Por que eu sou a fracote, eu que paralisei o hollow – protestou Beah.
– E por que só o Sony ficou com o nome certo? – completou Junpei, ainda com o capacete de martelo enfeitando sua cabeça.
– Como diria um grande intelectual, ceguinho é a mãe – falou Hyugi em um tom bastante calmo.
– Olá forasteiros, eu sou o prefeito De Schrödinger.
Beah começou a rir.
– O que foi? – Loren estranhou o comportamento incomum da amiga.
– Ele é um gato, e o nome dele é De Schrödinger, é o gato de Schrödinger, entenderam? Sempre quis saber, você está vivo ou morto? – a garota ria, enquanto todos olhavam para ela sem entender.
– Eu falei que não era pra você comer aquele cogumelo que encontramos na floresta – falou Loren.
– Ah, esquece, não vou explicar isso agora – Beah encerrou o assunto.
– Enfim, somos heróis e procuramos por recompensa – disse Uroro.
– Sim, dois hollows feios tentaram me comer, então esses doidos mataram os monstros e me salvaram.
– Salvamos a menina, quanto isso vale? – perguntou Loren.
– Infelizmente nada. Se ela fosse filha de um político, ou mesmo de um comerciante, certamente vocês receberam uma boa recompensa, mas ela é apenas uma garota de rua – falou o prefeito.
– Então você está dizendo que a vida dessa menina de rua é menos importante do que da filha de um político? – Kon parecia alterado, como dificilmente fica.
– Exatamente – concluiu o prefeito – mas como vocês mataram dois hollows, levem dois merréus como recompensa.
O gato tirou duas moedas avermelhadas de dentro da sua cartola e entregou ao Uroro.
– Só dois merréus?
– Pelo menos dá pra comer em um restaurante quando estivermos na cidade, ou com sorte, dá pra comprar uma poção de cura no caso de uma emergência – disse Sony.
– Não se preocupem, desde que vocês não estejam com pressa, posso conseguir algum trabalho para vocês. Desde que a rainha ofereceu uma recompensa milionária para quem capturar um grupo de seres de outro mundo, os melhores heróis partiram nessa busca e pequenas vilas como a nossa ficaram vulneráveis a ataques – contou o prefeito.
– Eles não são verdadeiros heróis, heróis arriscam suas vidas pela dos outros mesmo sem receber nada em troca. E não queremos recompensa de um prefeito que não se importa com uma criança – filosofou Hyugi.
– Ele não nos representa, queremos recompensa sim – corrigiu Loren.
– O que tem para fazermos? – perguntou Junpei.
– É só esperar a vila ser atacada, matar o invasor e pronto – declarou o prefeito.
De repente entrou um homem baixinho, gordinho e com um enorme bigode correndo e ofegante.
– O que foi, estamos sendo atacados? – o prefeito parecia preocupado.
– O Zelda acabou de chegar na vila – disse o indivíduo.
– Uaaaaaaau! – Uroro deu um grito quase hisérico.
– Ótimo, vamos pegar esse Zelda e ganhar a recompensa – falou Junpei.
– Tá louco, matar o Zelda? De onde vocês vieram? – estranhou Yachiro.
– De um mundo chamado...– Hyugi estava começando a falar, até que teve sua boca tampada pela Loren.
– De um reino distante – mentiu Sony.
– Venham forasteiros, pelo visto nem todos vocês o conhecem o Zelda, um dos maiores heróis de Dungeoneer. Vamos saudá-lo! – o prefeito convocou.
– Você conhece esse cara? – Beatrice perguntou apenas para o Sony ouvir.
– Já ouvi falar, mas nunca o vi pessoalmente – respondeu Sony, sussurrando.
Todos desceram e saíram da prefeitura. Do lado de fora, um garoto de cabelos longos e loiros e orelhas pontudas, usando um gorro verde e uma roupinha a la Robin Hood também verde se aproximava, e conforme ele andava, mais e mais pessoas apareciam para tietá-lo.
– Seja bem vindo Zelda, é bom vê-lo novamente em nossa humilde vila – saudou o prefeito.
– Obrigado, mas meu nome é Link – corrigiu o garoto, bem bravo.
– Zelda, sou seu fã desde pequenininho, me dá um autógrafo? – Uroro estava com um papel e uma pena que ninguém sabe de onde ele tirou.
– Eu te dou, mas meu nome NÃO-É-ZEL-DA! Porque ninguém chama o Mário de Peach? – Zelda, quer dizer, Link deu o autógrafo, porém uma veia saltada na testa mostrava o seu nervosismo.
Aos poucos toda a cidade se aglomerou, todos queriam ver o famoso herói e nem deram atenção para os forasteiros.
– Acho que não vamos arrumar nada nessa vila agora que o Zelda chegou – falou Junpei.
– Então vamos seguir viagem, se pelo menos fosse uma Zelda compensava ficar aqui, mas é só um moleque de roupa verde – declarou Kon.
– Tá louco? Ele é o Zelda, ele salva princesas, mata vilões e sua roupa está sempre bem limpa e passada e seus cabelos brilham como o primeiro raio de sol da manhã – retrucou Uroro.
– Deixa de viadagem Uroro –disse Junpei.
– Como ousa falar comigo assim, um grande shinigami da guarda real? Vamos duelar!
– Quando você quizer!
Uroro desembainhou sua espada, enquanto Junpei ficou fazendo estranhos movimentos com a cabeça. Os dois ficaram se ameaçando mutuamente, mas não chegaram ao combate.
– Estranho, alguém viu a garotinha? – perguntou Kon.
– Eu ainda sinto o cheiro dela, mas também ouço passos de alguma criatura muito grande se aproximando rapidamente – informou Hyugi.
O chão começou a tremer, e logo todos viram um monstro humanoide com uns cinco metros de altura. Ele segurava Yachiro em uma das suas mãos, e a menina gritava desesperadamente por socorro.
– Uaaahhg, entreguem todos o seu ouro senão eu esmago essa menininha – ameaçou o monstro.
– Será uma pena pequena Yachiro, sempre lembraremos de você com muito carinho – falou o prefeito.
– E também vou destruir a prefeitura.
– Peguem esse monstro maldito! – o prefeito ordenou.
As pessoas entraram em pânico, correndo e se escondendo nas casas. Em pouco tempo, apenas nossos heróis, o monstro e o Link estavam na rua (percebe-se que o prefeito também deu no pé).
– Vou pegar esse desgraçado!
Kon saltou em direção ao monstro, movendo sua espada visando acertar sua cabeça, porém, pouco antes de atingi-la, o monstro colocou a Yachiro na frente da sua face, usando-a como escudo. Para não ferir a menina, Kon jogou sua própria espada fora em um movimento desesperado, colidindo com a garota e caindo no chão.
– Ha ha ha, agora vou te esmagar inseto!
O monstro estava prestes a pisar no Kon, que se encontrava caído no chão e machucado. Apesar dos ferimentos não serem tão graves, sua movimentação estava prejudicada, e assim, não conseguiria escapar a tempo.
– Koooon!
Beatrice gritou e, inexplicavelmente, Kon foi arremessado para longe, escapando por pouco do pisão do gigante.
– Vamos pegá-lo!
Loren, Hyugi, Uroro, Sony e Junpei partiram em um ataque coletivo e, no máximo, machucaram levemente as pernas do gigante.
– Droga, ele é muito forte – comentou Hyugi.
– Se eu estivesse com a minha zampakutou...
– Cala a boca, todo mundo já sabe que com a sua zam sei lá o que você era o bam bam bam, mas aceite, você não tem mais ela – Loren brigou com o shinigami.
– Cuidado, ele vai chutar! – alertou Junpei.
O monstro ficou dando chutes nos heróis, que se esquivavam com dificuldade, até que um deles acertou Loren em cheio, que praticamente voou a uma grande distância dali e se chocou contra uma casa.
– Loren – Beah correu até a loira – você está machucada?
– Só o meu orgulho, mas tenho sorte, esta armadura me protegeu muito bem.
Loren levantou-se com certa dificuldade. Não estava ferida ou sangrando, mas seu corpo doía, por mais que tentasse disfarçar. Enquanto isso, os rapazes continuavam lutando contra o monstro.
– Nossa, ele é muito forte – expressou-se Sony.
– E aí grande herói Zelda, vai ficar parado ou dá pra dar uma ajuda aqui? – Junpei foi bastante irônico.
– Meu nome é Link, e estou analisando o inimigo.
A batalha continuou, com nossos heróis se defendendo mais do que atacando, afinal, o gigante era muito ágil, além de sua óbvia força física.
– Essa luta tá difícil e meu pescoço já tá doendo por causa dessa droga de capacete – reclamou Junpei.
– Tomem isso insetos!
O monstro deu um novo chute que dessa vez acertou Sony, que tentou escapar por um portal, porém o inimigo foi mais rápido, então o meio-hollow foi arremessado para longe, sendo parado pela parede de uma casa. Como ele não usava armadura, o dano ao seu corpo foi bastante significativo, chegando a fraturar alguns dos seus ossos com o impacto.
– Hamlet hamlet! – o pequeno hamster pulou da bolsa da Beah e ficou girando em torno do seu amigo.
– Agora é pessoal!
Loren avançou freneticamente atacando o gigante, que pela primeira vez aparentava sentir dor ao ser atingido pelas espadadas da loira. Em contrapartida, os pisões e chutes do monstro também ficaram mais violentos, ele até que ele soltou a Yachiro a fim de se movimentar com mais liberdade. A menina caiu, mas antes que se esborrachasse no chão feito jaca podre, Kon saltou e conseguiu segurá-la.
– Não adianta garota, você não passa de um inseto! – o gigante provocava.
– De onde eu vim, existe um mosquito com roupa de presidiário que pode até matar, então tome cuidado!
– Então vou te esmagar!
O gigante pisou na Loren, porém dessa vez ela não fugiu do golpe, apenas levantou sua espada com a ponta para o alto. Quando o monstro pisou, seu pé foi profundamente perfurado, então por reflexo ele recuou, urrando de dor.
– Quem é inseto agora? – a loira sorria sarcasticamente.
Sem explicação, o monstro ficou imóvel e em silêncio. Ele parecia paralisado, aparentemente nem estava respirando.
– Será que ele morreu? – perguntou Junpei.
– Acho que não, ainda ouço o seu coração bater – falou Hyugi.
– Talvez a sola do pé seja o ponto fraco dele, tipo um calcanhar de Aquiles ou coisa assim – supôs Loren.
Os heróis olhavam o gigante sem entender o que estava acontecendo, enquanto Beatrice tentava amparar o Sony, que estava consciente apesar de muito ferido e Kon estava com Yachiro no colo, que não estava machucada, porém muito assustada.
– Não temam, Link vai salvar o dia!
Link falou sua frase heroica e literalmente escalou o monstro. Quando chegou na cabeça, desembainhou uma espada e cortou sua garganta, fazendo jorrar litros de sangue e, finalmente, o gigante caiu morto no chão, causando um pequeno terremoto.
– Yeahhh, Zelda, você é demais! – gritou Uroro.
Aos poucos os aldeões foram saindo de seus esconderijos e começaram a ovacionar o herói de roupinha verde.
– Peraí, nós é que fizemos todo o trabalho – protestava Junpei, sem receber atenção.
– Assim são os verdadeiros heróis, salvam pessoas sem receber reconhecimento – comentou Hyugi.
– Eu acho que você passou tempo demais com aquele He-Man – Junpei resmungou.
–Atenção Vila de Cava, vamos saudar nosso herói Zelda, que matou o monstro e melhor ainda, salvou a prefeitura! – o gato anunciava em alto tom.

– Zelda Zelda – a multidão gritava, mas Link estava emburrado. Seu rosto ficava cada vez mais vermelho, e as veias em suas têmporas podiam ser vistas a quilômetros de distância.
– MEU NOME NÃO É ZELDA!
Link deu um grito e começou a ter um ataque de fúria, socando algumas pessoas que estavam próximas a ele. A multidão assustada voltou a se esconder.
– O que deu em você Zelda, você é um herói, não deveria atacar inocentes – Uroro tentava argumentar com seu ídolo raivoso.
– Já falei que o meu nome é Link! – o garoto deu um rápido soco na cara do shinigami, que nem teve tempo de reagir e caiu no chão totalmente tonto.
– Olha aqui, posso até aceitar você roubar o nosso crédito por ter matado o gigante, mas sair batendo nos outros só porque tem nome de mulher é foda. Eu já conhecei uma Braquistócrona e uma Cungegundes, Zelda até que é bonitinho – falou Loren.
– Cala a boca! – Link também esmurrou a loira. Ela tentou se esquivar, mas ela ainda estava debilitada pela luta contra o monstro, então ela recebeu o golpe em cheio no seu rosto.
– Você bate em mulheres? Merece a morte!
Uma máscara de osso totalmente branca surgiu no rosto do Sony. Sua voz ficou igual a de um vocalista de trash metal e, ignorando os ossos quebrados, partiu para cima do Link com as mãos nuas, então os dois iniciaram um combate corpo a corpo bastante equilibrado.
– Eu falei que ele não era confiável – comentou Uroro.
– Calado, não vê que ele está me defendendo? Não que eu precise, mas faz bem pra auto-estima de uma mulher – disse Loren.
Sony, em sua transformação hollow, já havia acertado vários socos e chutes no seu oponente, que ficou razoavelmente ferido, porém, em um rápido movimento, Link puxou novamente sua espada e acertou na máscara do garoto hollow, que se quebrou. Imediatamente Sony voltou à sua forma humana e caiu no chão desmaiado.
– Já chega!
Uma voz feminina ecoou no campo de combate. Uma mulher alta e magra, com cabelos roxos e usando um vestido verde longo, porém decotado, chegou andando tranquilamente, olhou para Link e começou a falar com ele.
– Seu nome é Zelda!
– Meu nome é Link – o rapaz gritou, fechando o punho direito
– Seu nome é Zelda, não lembra? O mesmo nome do seu pai.
– Meu nome é...– ele parecia confuso.
– É Zelda!
– Sim, eu sou o Zelda! – Link fez uma pose heroica, mesmo estando todo machucado e sangrando.
– Eu vou te cortar em cinco partes, não importa o seu nome – Loren segurava a espada com força.
– Não faça isso, ele é muito popular e se matá-lo, poderá trazer problemas ao seu grupo. Eu alterei a memória dele, nunca mais irá surtar por trocarem o seu nome – argumentou a misteriosa mulher.
– Está bem – Loren guardou a espada. Normalmente ela não mudaria de ideia assim, mas aquela mulher tinha um poder de persuasão acima do normal.
Com a calmaria, a população voltou às ruas, e voltaram a gritar “Zelda Zelda”, e dessa vez, ele acenava e sorria.
– Vocês estão loucos, ele surtou e saiu batendo em geral e vocês ainda estão babando o ovo dele? Quer saber, esquece, odeio todos vocês do fundo do meu coração – Junpei brigou.
A estranha que convenceu o Link de que o nome dele é Zelda estava saindo de fininho sem ser percebida, então Beatrice foi atrás dela.
– Incrível o que você fez. Eu muito mal consegui convenci um cara feio a não tirar a roupa e você até trocou o nome do elfinho de roupa verde.
– Obrigada. Eu não aguentaria ver a vila sendo destruída, então acalmei o garoto, e além disso, paralisei aquele monstro enorme e deixei o resto por conta dos seus amigos, mas esse é um segredinho nosso tá? – a mulher deu uma piscadinha marota.
– Nossa, você deve ser a maior psíquica do mundo.
– Quem me dera, a maior psíquica do mundo é a minha mestra, a Maga Lee. Eu convenci o garoto de que o nome dele é Zelda, ela teria convencido a cidade inteira de que o nome dele é Link.
– Uau, se ao menos eu tivesse um poder do nível do seu, poderia ser mais útil aos meus amigos.
– Você é talentosa, só precisa ser treinada. Eu sou uma péssima professora, mas se você conseguir convencer a Maga Lee a te treinar, com certeza aprenderá a usar os seus poderes e certamente cumprirá a missão de salvar a rainha e assim, voltar para o seu mundo.
– Ah? Como sabe disso?
– Eu li a sua mente.
“Oh meu deus, o que mais ela leu?” Beah pensava, desesperada.
– Se realmente quiser conhecer a minha mestra, siga o sol poente até chegar ao lago Hylia, mas lembre-se, você não encontra a Maga Lee, a Maga Lee encontra você! Agora tenho que ir, beijinho e boa sorte – a psíquica caminhou até sumir da visão da Beatrice.
Link entrou na prefeitura, sendo seguido por todos que estavam na rua, violando todas as normas da defesa civil. Rapidamente, restaram apenas os heróis e a Yachiro do lado de fora.
– Ei pessoal, uma ajudinha aqui, eu estou todo quebrado, literalmente – pedia Sony, que estava caído no chão.
– Te ajudo, mas só se você disser que me ama – disse Loren.
– Tá bom, eu te amo – falou o garoto, vermelho igual a um tomate.
– Sobe aqui – Loren pegou o garoto e o colocou nas suas costas, com partes duras de um encostando em partes macias do outro, nesse caso, a armadura da loira tocando a pele do rapaz.
– Ai ai, eu também tô todo quebrado e te amo – Kon se jogou no chão e ficou se contorcendo.
– Desista Kon, ela não vai cair nessa – disse Hyugi.
Beatrice voltou para perto dos seus amigos, e com um sorriso no rosto, declarou:
– Eu preciso aprimorar meus poderes, caso contrário, serei um peso morto nessa jornada. Conversando com aquela moça que acalmou o Zelda, ela me contou que há uma maga que pode me treinar, só preciso ir para o lago Hylia, seguindo o Sol poente, para encontrá-la.
– Nós estamos indo para o norte, mas se não for muito longe podemos desviar um pouco do caminho não é pessoal? – propôs Loren.
– Não mesmo! A Feiticeira, em Etérnia, me falou que eu devo percorrer sozinha o caminho até o entendimento dos meus poderes. Quando ela me disse isso eu não entendi direito, mas agora compreendo que apenas partindo só e enfrentando meus medos, desenvolverei o meu potencial.
– O quê, cê tá maluca? – Loren largou o Sony repentinamente, que caiu no chão e deu um grito de dor – você sozinha nesse mundo vai ser comida rapidinho, e terá sorte se for no sentido alimentar do termo.
– Não se preocupe, eu sei me cuidar.
– Sabe nada. Lembra daquele moleque que ficava levantando sua saia na sexta série e eu tive que quebrar o braço dele?
– Claro que lembro, e lembro que ele teve que ficar faltando aula toda semana para ir às seções de fisioterapia.
– Também tinha aquela grandalhona que te bateu. Aliás, eu nunca mais tive notícias dela.
– Ela saiu da escola. Ouvi falar que ela está bem, só o seu rosto que nunca mais foi o mesmo depois que você usou a cara dela para varrer o pátio da escola – Beah segurou as mãos da amiga – eu agradeço pela sua amizade, você sempre cuidou de mim, mas eu não tenho mais doze anos e alguma hora vou ter que aprender a me defender sozinha, seja nesse mundo ou no nosso.
– Está bem – Loren deu um longo suspiro – mas se você morrer eu te caço até no inferno pra dar na sua cara.
– Combinado.
As duas deram um abraço longo e aperado.
– Woooow, será que rola um beijo lésbico? – torcia Junpei.
– Nessas horas que eu queria voltar a enxergar – lamentou Hyugi.
– Então, onde nos encontramos novamente? – perguntou Loren.
– Que tal na casa da Braquistócrona?
– Ótimo – a loira colou a boca no ouvido da sua amiga e sussurrou – e se o Kon encostar em alguma mulher, eu quebro os dois.
Beah ficou vermelha, gaguejou mas no fim apenas disse “Obrigada”.
Beatrice se despediu dos demais companheiros. Kon, durante um abraço, deslizou “acidentalmente” as mãos até a região glútea da garota e levou aquele típico tapa na cara. Enfim, ela seguiu para o oeste até desaparecer no horizonte.
– E agora pessoal, já é quase noite, o que faremos? – perguntou Hyugi.
– Vamos embora, não quero ficar nem mais um minuto nessa vila – disse Junpei.
– Então vamos! – Loren sorria, tentando disfarçar a preocupação que sentia com a partida da Beah.
Yachiro ainda estava ali, observando tudo e sorrindo, apesar de estar em silêncio. Kon se abaixou até ficar na altura dela.
– Menininha, você é muito maltratada nessa vila, se quiser, pode vir com a gente.
– Fico agradecida, mas uma vez me disseram que devemos suportar o sofrimento e nunca guardar rancor. Não entendi o que é isso, mas quero continuar aqui e quando crescer, vou ser prefeita.
– Um nobre desejo – comentou Hyugi.
– E como prefeita, meu primeiro ato será fazer uma enooooorme fogueira e jogar todos que me trataram mal dentro dela.
– Gostei garotinha, assim que se fala – apoiou Loren.
– Tudo bem. Se cuida, na próxima que te ver quero que já seja prefeita. – Kon se despediu.
Finalmente, o grupo partiu, mas antes de virar a primeira esquina, ouviram o grito de alguém.
– Pessoal, pessoal, eu ainda não consigo levantar! Desse jeito eu pego um portal pra casa da Braqui e deixo vocês sem mapa, e Loren, eu te amo! – Sony gritava desesperadamente.
Loren correu e pegou novamente o garoto na “carcunda”, e no caminho, revezava o peso com Junpei, que o carregava como um saco de batatas. Enfim, eles deixaram a cidade conversando e rindo, exceto Sony, que apenas gemia, e Uroro, que permanecia em silêncio e um pouco afastado do restante do grupo.
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