Dungeoneer - Interativa

28 Chuvas no deserto são mesmo terríveis.


Notas iniciais
Olá aventureiros! Capítulo novo, com a turma (quase) toda. Também teremos uma pequena participação de uma personagem de uma fic da minha leitora preferida, já sabe de quem estou falando né Lyel? Boa leitura!

Após mais um dia de caminhada, os heróis estavam... com as pernas doendo. Mas fora isso, eles chegaram ao início de um deserto.

– Temos que atravessar O Deserto, então chegaremos à Aldeia da Areia. Vamos checar se temos água e comida suficiente – informou Braquistócrona.

– Eu, o Kon e o primata que te dava uns sacode já atravessamos um deserto, é só cavar e encontrar aquelas lesmas que estamos salvos – contou Junpei.

– Se engana. O Deserto é tão terrível que nem as lesmas sobrevivem nele – disse a mulher.

– E qual é o nome desse deserto? – perguntou Beatrice.

– O nome dele é O Deserto – disse Braqui.

– Não precisamos ter medo, lembram que ontem nós vencemos mais de trinta mercenários que queriam nos pegar a mando da bichona sem nem suar a camisa? Não é um deserto que vai nos matar – falou Loren.

– De toda forma não podemos nos descuidar, lembra que quase morremos com a macumba de apenas uma maga? – lembrou Hyugi.

– Estou checando as provisões, se a Loren e o Junpei não comerem tudo dá pra três dias – informou Sony, enquanto tirava ingredientes de dentro da sacola.

– Tu tá me chamando de comilona? – Loren colocou a mão na cintura, brigando – só por isso não vou mais te dar!

– Calma amor, só estava brincando – o garoto se desculpava, um tanto sem graça.

– Se ferrou hein, tu tem a faca, tem o queijo mas não vai comer X-burguer – zombava Junpei.

– Confesso que não entendi essa analogia – comentou Hyugi.

Junpei foi explicar o que ele quis dizer e logo todo mundo começou a falar ao mesmo tempo, discutindo se o Sony iria mexer sua colherinha na xícara de café da Loren ou não.

– Tá bom, chega chega chega, três dias são suficientes para chegar na aldeia – Bráqui tentava encerrar a discussão.

O grupo se preparou e entrou fundo no deserto, a fim de chegar na tal aldeia.

*****

O juiz do torneio estava no alojamento dos soldados no castelo, vermelho e suando.

– Vocês são uns incompetentes, mais de trinta soldados armados e não conseguiram matar sequer um daqueles moleques? – ele gritava.

– Não temos que ficar ouvindo desaforos – gritou um dos homens – eu sou um tenente e servia diretamente à rainha, e agora que os alienígenas a transformaram em uma planta, sirvo apenas ao senhor Zerus Rose. Você é apenas o bofe dele.

O juiz tentou gritar mais alto, mas todos os homens foram embora, o deixando falando sozinho.

– Tô lascado mesmo, quando o Zerus souber que eu falhei vai me matar. Não vão me deixar sair do castelo, mas posso mandar um mensageiro ir atrás de uma certa pessoa...

*****

Nossos heróis andaram bastante tempo pelo deserto, debaixo de um sol escaldante, bem mais quente do que qualquer lugar que já estiveram antes. Pararam para beber água, comer alguma coisa, descansar embaixo da sombra do Junpei e continuar viagem.

– Aquilo são nuvens? – perguntou Junpei, olhando para algumas nuvens que se formaram rapidamente acima deles.

– Parece que sim, pelo que eu saiba nuvens no deserto nunca são um bom sinal – disse Sony.

– Temos que procurar abrigo rápido, há o risco de cair uma chuva de granito – advertiu Braquistócrona.

– Não seria chuva de granizo? – corrigiu Beatrice.

Antes que a conversa continuasse, uma pedra de granito caiu no chão, não acertado a Beah por poucos centímetros.

– É chuva de granito mesmo, por isso eu odeio esse mundo! – esbravejou Junpei.

A chuva aumentou rapidamente, e caiam pedras pequenas como bolas e gude até algumas do tamanho de carros. Beatrice usava sua telecinese para parar algumas no ar, mas a quantidade e a velocidade da queda das pedras era grande demais para a psíquica acompanhar, de forma que os amigos tentavam desesperadamente se esquivar, tentando não serem mortos por essa terrível força da natureza.

– Sony, nos teletransporte para algum lugar seguro – gritou Braqui.

Ele acenou com a cabeça positivamente, então abriu um portal, puxou a Loren pelo braço e entrou nele com ela, saindo em algum lugar estranho para a loira.

– Sony seu idiota, eu poderia agüentar bastante tampo ali, você deveria ter salvo a Beah que ela é mais frágil!

– Eu tinha que te salvar primeiro...

– Por que, acha que eu não consigo me virar sozinha? – ela estava muito, mas muuuito brava.

– Não é isso, é que... – ele abaixou a cabeça e disse baixinho – eu te amo e não conseguiria viver se alguma coisa acontecesse com você.

– Oh... – ela amoleceu rapidamente – mudei de ideia, vou te dar de novo e bem dado, agora corre e vai logo salvar os outros!

Ele obedeceu e se transportou novamente para o deserto. Trouxe a Beah e a Bráqui de uma vez, e por último, Junpei e Hyugi.

– Todos salvos, ufa... – Sony estava ofegante.

– Já passamos por muita coisa nesse mundo, mas chuva de granito foi nova – comentou Hyugi.

– Onde estamos Sony? – perguntou Beah.

– Não sei, no desespero vim para algum lugar aleatório, mas com certeza eu já estive aqui antes – falou o garoto.

– Temos que chegar à Aldeia logo, mas por outro lado não podemos enfrentar uma tempestade daquelas. Vamos esperar algumas horas, depois você pode nos levar novamente até o ponto do deserto onde paramos? – disse Braquistócrona.

– Sem problemas, eu já conheço o caminho – ele parou, coçou a cabeça e continuou – mas estou intrigado, não lembro desse lugar, devo ter passado por aqui há muito tempo.

– Só tem um maneira de descobrir, nos separar e procurar pistas – sugeriu Junpei.

– Ou perguntar para aquele pessoal passando ali – Loren apontou para um grupo de pessoas que andavam a cavalo por uma pequena estrada a poucos metros deles.

– Ô povo de cavalo, estamos perdidos, pode nos dizer onde estamos? – perguntou Junpei, gritando dali de onde estava mesmo.

– Humph, pobretões...Não sabem que estamos nos arredores do restaurante Olho Maior que a Barriga? É a única coisa que existe aqui, mato, estrada e o restaurante.

As pessoas empinaram o nariz e seguiram pela estrada.

– Restaurante, pode ser um bom lugar para irmos enquanto esperamos a tempestade passar, podemos nos abastecer, ou pelo menos economizar nosso estoque de comida – falou Braquistócrona.

– Depende, você vai pagar a conta? – perguntou Loren.

– Quando a rainha for salva eu peço o reembolso de tudo que gastei com vocês para ela – a ruiva deu um sorriso para os heróis.

– Nossa, eu nunca tinha visto você sorrir – comentou Beatrice.

– Vamos logo pro tal restaurante então, tô com fome – reclamou Loren.

Eles seguiram na mesma direção que as pessoas que deram a informação. Meia hora depois, viram uma construção de madeira com três andares e uma enorme placa com alguma coisa escrita.

– Restaurante Olho Maior que a Barriga, chegamos! – Sony leu a placa.

Todos entraram, e o lugar era bem grande mesmo, com muitas pessoas comendo todo tipo de coisas que os terráqueos desconheciam. Algumas pareciam apetitosas e outras, nojentas.

– Vamos sentar e pedir alguma coisa – chamou Braqui.

– Será que eles vendem cachorro-quente aqui? – perguntou Junpei.

– Duvido muito, mas o que tiver aí que nos deixe alimentados e fortes para as próximas batalhas estou topando – falou Hyugi.

Eles sentaram e logo uma orc garçonete veio atendê-los.

– Vão querer o prato do dia? É minhocanada ao molho de tomate.

– Acho que meus amigos vão apreciar mais um javali assado – disse Braqui.

– Canibais. Vou mandar preparar.

A orc (ou seria orca?) anotou o pedido e ser retirou. Algum tempo depois a comida foi servida, e todos comeram ferozmente.

– Engraçado, eu conheço esse cheio – Hyugi fungava igual a um cachorro farejando algo, e logo os outros viram um rosto conhecido.

Biska? – Junpei, Sony e Loren falaram ao mesmo tempo.

– É Biske. Não esperava encontrá-los por aqui, mas foi uma agradável surpresa rever a mulher que me rendeu a melhor luta e o gatinho que me rendeu a sétima melhor transa que eu já tive – disse a moça, sorrindo bastante.

– Sétima? Como assim sétima? – Hyugi se indignou.

– Passeando por aqui? E esse garoto é o seu namorado? – perguntou Loren.

– Não, é só um garoto do meu reino. Diz um oi pra galera.

– Oi pra galera! – disse o menino.

– Paramos aqui pra fazer uma boquinha, estou indo espancar, quer dizer, encontrar uma tal rainha fada – disse a mulher- king-kong.

– Rainha fada? Eu conheci uma...

Antes que a Beatrice terminasse a frase, cortinas se abriram no centro do restaurante, revelando um palco, e em cima dele uma mesa e uma garota mais ou menos da idade dos nossos heróis, branca, magra, com longos cabelos negros e portando garfo, faca e babador. Repentinamente, a juíza com cara de gato apareceu.

– Sejam bem vindos seus famintos, o show de hoje vai começar! Essa é Hisana, campeã absoluta da disputa de comilança do restaurante Olho Maior que a Barriga, e hoje desafiamos qualquer um a comer mais do que ela, todos os participantes não pagam o que consumirem e o vencedor ainda leva um prêmio misterioso – anunciou a gatinha.

– Há, até parece que essa garota magrelinha come mais do que eu. Estou dentro – Junpei pulou da cadeira e foi rapidamente para o palco.

– Rango de graça e ainda posso ganhar um prêmio? Tá pra mim – Loren também foi para o palco.

– Pu pu pu pu – um monstrinho que parece um bicho de pelúcia branco também se juntou à disputa.

– Muito bem, e qual é o nome dos desafiantes? – perguntou a juíza.

– Eu sou Junpei!

– Meu nome é Loren Raisen.

– Eu lembro de você, já narrei uma luta sua – disse a gata – e você estranho amiguinho?

– Pu pu!

– Está bem, esses são os desafiantes Junpei, Loren e Pu pu!

– Com licença juíza, ele falou que o nome dele é Bocona. – interrompeu Hisana.

– Não vou discutir isso. Bem, as regras são as seguintes: comam tudo o que os garçons trouxerem, aquele que não desistir ou morrer vence. Comecem!

Imediatamente, garçonetes orcs ofereceram aos competidores uns animais assados, que todos comiam com voracidade. Até o pequeno Bocona abria sua boca como se fosse uma cobra e engolia coisas bem maiores do que ele. Os clientes apreciavam o show, enquanto as garçonetes passavam vendendo bilhetes de aposta.

– Vai querer fazer uma aposta? – perguntou a orc para os heróis.

– Bem, acho que vou apostar no Junpei – disse Braquistócrona.

– Não faça isso senhora Bráqui, ele possui um ponto fraco que pode derrubá-lo. Se for apostar em alguém, escolha a Loren – sugeriu Beatrice.

– Vou confiar em você, aposto duas boladas na Loren!

A disputa continuou, e todos comeram a primeira rodada sem dificuldades.

– Esse é o fim do primeiro round e todos os competidores continuam firmes e fortes, mas sobreviverão ao próximo? Tragam a próxima rodada! – vibrava a Koto.

As garçonetes trouxeram bandejas e as abriram nas mesas, bem na frente dos participantes.

– Mas que porcaria é essa? – perguntou Junpei.

– Respondendo a pergunta do nosso robusto competidor, isso são pâncreas de baleia cozidas na bile lagarto gigante – falou a juíza.

O grandalhão colocou a comida na boca e logo em seguida cuspiu.

– Argh, isso é horrível, não tem curry por aqui não? – disse Junpei.

– Não é permitido retirar ou acrescentar qualquer ingrediente aos pratos – informou Koto.

– Não existe curry neste mundo, de onde você é? – perguntou Hisana, ainda comendo.

Junpei não respondeu à adversária, apenas olhou para a comida e falou

– Eu desisto, não dá pra comer essa coisa.

– O competidor Junpei desistiu, e os outros estão quase terminando o segundo round. Garotas, tragam o próximo prato!

Assim a disputa continuou por bastante tempo, com a platéia esperando pela conclusão da disputa. Junpei voltou para a mesa dos seus amigos, quando percebeu que o Hygui não estava presente.

– Ué, cadê o ceguinho?

– Não sei, nem percebi que ele não estava aqui – respondeu Braquistócrona.

Pouco depois ele voltou para a mesa, com o cordão da calça desamarrado.

– Onde você foi que nem percebemos? – perguntou Beatrice.

– Eu fui...fui ao banheiro – falou o rapaz.

Logo depois Biske veio da mesma direção que o Hyugi, despenteada, com o vestido torto e um grande sorriso nos lábios.

– Sexta melhor – declarou a mulher.

– Você disse que foi no banheiro seu mentiroso – Junpei se dirigiu ao Hyugi.

– Eu não menti, eu estava no banheiro, só não disse que estava sozinho – confirmou o rapaz.

A disputa continuou acirrada, com os competidores devorando todo tipo de bizarrice que serviam.

– Estamos no décimo terceiro round e nada da disputa terminar – uma garçonete falou algo no ouvido da Koto, que prosseguiu – acabamos de receber a notícia de que a comida acabou, terei que declarar empate!

– O quê? Me recuso a empatar com essa loira siliconada – protestou Hisana.

– Siliconada? Isso é tudo natural, você ta é com inveja – retrucou Loren.

– Pu pu pu pu!

Hisana olhou para o Bocona, então o capturou e comeu.

– Hum, tem gosto de mashmellow – disse a garota, ainda mastigando.

– E a campeã Hisana acaba de eliminar o adversário Bocona de uma forma surpreendente!

– Droga, ela está me ganhando, o que eu faço? – sussurrava Loren.

Repentinamente entrou um estranho ser pela porta do restaurante. Loren observou melhor e viu que era um galo branco de crista vermelha. Ele era enorme, com uns dois metros de altura.

– Ih, acho que é aquele galo que enfiou o cacete no Uroro no torneio...bem, vai servir!

Loren formou seu armamento, fazendo suas roupas sumirem, dando lugar àquela minúscula armadura. Ela empunhou a espada que vem no kit e lançou seu raio.

– Star Fall!

A rajada saiu da espada e atingiu o galo, que não teve tempo nem de se defender, sendo torrado pelo calor do raio. Loren correu até ele e o comeu.

– Hum, franguinho assado e em tamanho família, até que esse mundo não é de todo ruim – dizia a loira, com a boca cheia.

– E agora, quem é a vencedora? Hisana comeu um pequeno bichinho e a Loren um enorme galo, mas por outro lado, o Bocona que a Hisana comeu havia comido muito antes de ser devorado – vibrava a narradora.

– Não há o que se discutir, a vitória é dela – disse Hisana, surpreendendo a todos – eu sei admitir quando sou derrotada, pelo menos hoje ela comeu mais do que eu.

– Sendo assim, a vencedora é...Loren Raisen!

A platéia vibrou, principalmente os amigos da campeã e mais especificamente a Braquistócrona, que ganhou dez boladas com a aposta que fez. Enfim a Loren ganhou o prêmio misterioso, que era apenas um pequeno conjunto de facas de cozinha que ela logo deu para o Sony, que ficou muito feliz com os utensílios novos.

– Você e aquela outra... – Biske olhava para Loren com os olhos arregalados – há muitos anos que eu não via tanto apetite.

– Pelo menos quando a disputa é de comer eu fico em primeiro né... – Loren deu uma risadinha.

– Já comemos e também estou levando comida para viajem, vamos indo porque a essa hora a chuva de granito já deve ter passado – disse Braquistócrona.

– Eu e o meu amiguinho também almoçamos, temos que ir logo que o espanca..., quer dizer, a conversa que preciso ter com a rainha fada é urgente – falou Biske.

– Mas ela é do bem, por que você quer...

– Loren! – Hisana chegou gritando, interrompendo o que a Beah ia dizer – boa disputa, que tal irmos comemorar comendo um sanduba de trinta metros no Highway?

– Você ainda tem barriga pra mais comida? – espantou-se Hyugi.

– Eu adoraria, mas temos uma missão urgente e o mundo depende de nós, fica pra próxima – Loren recusou.

– Está bem. Missão, mundo..., bem, a dica que dou a vocês é que se lembrem de que no mundo de Zefir o que mais vale em uma luta é a força de vontade! – disse a moça.

– Zefir? Nós estamos em Dungeoneer – contou Beah.

– Dungeoneer? Foi mal, lembrem no mundo de Dungeoneer o que mais vale em uma luta é quanta porrada vocês conseguirem dar. Vão lá e chutem a bunda ou o saco de seja lá quem for, sayonará!

Ela se despediu e saiu do restaurante voando, literalmente.

– Essa garota não bate bem da cabeça – comentou Braquistócrona.

– Estranho, tenho a impressão que ela sabe que vocês são de outro universo – completou Sony.

– Tanto faz, só quero chegar logo nessa sei lá o que da areia, vencer aquela bichona e meter o pé desse mundo maluco – dizia Junpei.

– Vamos lá pra fora, vou abrir o portal e voltaremos pro deserto.

Todos saíram e Sony os levou de volta ao local do caminho onde haviam parado. Não estava mais chovendo, e eles andaram por dois dias sem maiores problemas até que, enfim, avistaram algumas construções no horizonte.

– Estamos chegando, acho que em menos de duas horas estaremos na aldeia – falou Braqui.

Ao ouvir isso os heróis se animaram e começaram a andar mais rapidamente. Quando já conseguiam ver com clareza a vila e suas pitorescas casas, um relâmpago caiu poucos metros a frente dele. Isso seria apenas um baita susto, porém o relâmpago caiu do meio de um céu ensolarado e sem uma nuvem sequer, então foi um baita mega fodástico susto.

– Que foi isso, outra chuva de granito? – perguntou Junpei, já pronto para correr.

– Não existe chuva sem nuvens, isso foi obra de alguém – informou Braquistócrona, já preparando o seu arco.

Todos começaram a se preparar, e assim três pessoas se revelaram: uma mulher de cabelos verdes longos e lisos, usando um vestido longo, porém com uma fenda na perna que deixava quase tudo a mostra. Ao lado dela, um garoto de uns doze anos de idade, baixinho, cabelos brancos (ou prateados sei lá) e arrepiados, e também uma garota baixinha e de cabelos rosa usando um biquíni também rosa.

– Uau, vocês vêm sempre aqui? – perguntou Junpei, penteando os cabelos com as mãos.

– Pelo seu tom voz são mulheres bonitas, que droga que não posso vê-las – falou Hyugi.

– Tá reclamando o quê, tu acabou de subir no ranking lá da Biska – resmungou o grandalhão.

– Se olhar demais eu corto suas bolas Sony – ameaçou Loren.

– Mas eu tô quieto na minha – o garoto praticamente miou se defendendo.

– Calem a boca! – gritou a mulher de cabelos verdes – vocês não estão lembrando de mim?

Todos pararam por um instante, olharam, analisaram e chegaram a uma conclusão.

– Nunca vi mais gorda – falou Loren.

– Vou refrescar a memória de vocês. Eu quebrei a armadura dessa lambisgóia no torneio do Mart, deixando esses malditos seios grandes, com mamilos rosas e provavelmente macios e cheirosos a mostra – disse a mulher.

– Ah sim, você é aquela que eu venci no torneio – falou Loren.

– Boiei nessa – comentou Beah.

– É que você tinha se separado da gente naquela época – contou Sony.

– E aí, como tem passado? – perguntou Hyugi, cordialmente.

– Verdade, parece que hoje é o dia de reencontrar o pessoal do torneio, teve a Biska, a narradora neko, o galo que virou frango assado e agora você – comentou Junpei.

– Calem a boca, eu não sou amiga de vocês! Receberei uma recompensa mais valiosa do que a maioria dos tesouros de covis de monstros pela cabeça de vocês. E pra vocês não esquecerem novamente, meu nome é Frederica!

– Frederica? Jurava que era Francisca – comentou Junpei.

– Devo supor que foi o Zerus que as mandou estou certa? – perguntou Braquistócrona.

– Não interessa que foi, vamos lutar! – Frederica falou em um tom ameaçador.

– Por que vocês estão se referindo a nós no feminino, eu sou homem sabia? – reclamou o garoto de cabelos brancos.

– Vamos lutar logo! – gritou Loren, empunhando sua espada.

– Peraí – Frederica começou a contar seus oponentes com os dedos – é gente demais, isso vai ficar confuso. Nós somos três e vocês seis, vamos lutar dois de vocês contra um de nós, aceitam?

– Por mim tudo bem – consentiu Braqui.

– Um contra um seria mais honrado, mas dane-se, vamos dividir as duplas – falou Hyugi.

– Demorô, me ajuda com essa de cabelo verde? Só toma cuidado porque ela é estranha, se cuida pra ela não rasgar sua roupa e ficar babando nos seus peitos, deixa isso pro Kon – disse Loren.

– Sem problema! – concordou Beatrice.

– Senhora Braquistócrona, sou sua fã, uso suas armas e aprendi com você a técnica de usar pouca roupa para distrair os adversários, ficarei muito feliz em matá-la com uma arma que você mesma fabricou – falou a garota de cabelos rosa.

– Você fala demais e luta de menos – Braqui colocou uma flecha no seu arco e apontou na direção da garota – Sony, me dá cobertura!

– Sim senhora – o rapaz consentiu, segurando seu bastão, agora mais largo e pesado devido à evolução, com as duas mãos.

– Sobrou esse moleque pra nóis né ceguinho – falou Junpei.

– Saibam vocês que esse moleque é o Ki Lua Zoldick, o caçula do maior clã de assassinos de Dungeoneer – anunciou o garoto, friamente.

– Assassinos são problemas sérios, mas caçulas não, então empatou. Ah é, e antes que eu me esqueça, ceguinho é a mãe! – analisou Hyugi e logo depois empunhou sua espada, se preparando para o combate.

*****

Após uma longa viajem, Biske e o rapaz de nome desconhecido chegaram à uma das entradas da Floresta Amazônica. O garoto conseguiu entrar livremente, porém a mulher foi parada por alguma espécie de barreira invisível.

– Venha senhora Biske, pelo que ouvi falar a caverna, castelo ou sei lá o que for das fadas fica no interior dessa floresta!

– Eu quero entrar, mas alguma coisa está me prendendo, não estou entendendo.

– Sei lá, será algum tipo de magia?

Logo um garotinho de uns oito anos saiu correndo da floresta, sendo seguido por um gnomo verde que corria atrás dele, porém não conseguiu sair.

– Ná ná ná, não me pega! – zombava o menino.

– Moleque desgraçado, está se aproveitando que criaturas da floresta não podem sair da floresta! – esbravejava o gnomo.

O moleque foi embora e o gnomo ficou ali mesmo, resmungando.

– Ô baixinho, eu estou tentando entrar na floresta e não consigo, já o meu amigo conseguiu. Também percebi que você falou alguma coisa sobre criaturas da floresta não poderem sair da floresta, pode me dizer o que está acontecendo? – perguntou Biske.

– Bah, é muito simples: há muito tempo uma fada burra lançou um feitiço que deu errado, quem estava na floresta na época não pode sair, quem estava fora não pode entrar. Humanos podem entrar e sair livremente, igual àquele moleque que entra aqui, me chama de baixinho e depois sai correndo, entendeu?

– Entendi baixinho, então vamos! – falou Biske.

– Eu não sou baixinho! – gritou o gnomo.

O amigo da Biske saiu da floresta e se juntou a ela.

– Me desculpe senhora, se eu fosse mais forte eu resgataria a nossa rainha – lamentou o rapaz.

– Não esquenta, eu não ficaria feliz se você tirasse o meu prazer de dar uma sova nessa tal rainha fada. Só uma coisa me intrigou, você conseguiu entrar livremente na floresta, por acaso é humano?

– Apesar de morar no reino dos monstros, eu sou um humano. Como todos nós sabemos, os mais fortes guerreiros do nosso reino são metade humanos metade outra coisa, você mesma é metade mulher metade gori... – Biske lançou um olhar assassino para ele, que se corrigiu – metade mulher forte. Meu pai era metade homem de gelo e minha mãe, metade dragão de fogo.

– É raro um homem de gelo se casar com uma dragoa de fogo – comentou Biske.

– Pois é. Minha mãe contou que ele morreu na noite em que fui concebido, segundo ela as coisas esquentaram tanto que ele derreteu. Mas por conta de todas combinações genéticas, seja lá o que isso for, eu nasci totalmente humano.

– Entendo. Bom, já que um feitiço não me deixa entrar, precisamos encontrar alguma bruxa ou coisa do tipo que possa quebrá-lo não é verdade? – Biske sorria.

– Infelizmente ninguém no nosso reino possa ajudar, nossa especialidade é combate corpo a corpo e não feitiços...

– Eu já andei o mundo inteiro garoto, e tenho certeza que uma magia que impeça a entrada de não humanos em uma floresta tão grande não será desfeita por qualquer um. Eu ouvi dizer que alguém no castelo da rainha da matéria é especialista em feitiços, poções e outros troços desses, a coisa anda bagunçada por lá, mas não custa nada conferir não é verdade?

O rapaz concordou, então eles partiram rumo ao castelo da rainha da matéria, agora dominado pelo Zerus Rose. Será que Biske e Zerus se encontrarão? E qual será o resultado da luta dos heróis contra Frederica, Ki Lua e a garota semi-nua de cabelos rosas? Kon chegará em segurança à Aldeia da Areia? Não perca o próximo capítulo de Dungeoneer.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Aquela parte do restaurante pode ter parecido encheção de linguiça, mas algumas coisas que aconteceram ali serão importantes lá na frente, no fim, todas as peças irão se encaixar! Se alguma peça sobrar, farei igual a quando eu estudava eletrônica, desmontava algum aparelho e quando eu ia montar novamente sobravam componentes: jogava na lixeira e fingia que elas nunca existiram. Bom fim de semana para todos!