Dungeoneer - Interativa
29 Será que tudo dela é rosa? Estou falando de tuuuudo mesmo.
Notas iniciais
Os heróis, quando estavam prestes a chegar ao seu destino, foram interceptados pela Frederica, Ki Lua e garota semi-nua de cabelos rosas cujo nome ainda não foi revelado. O trio de assassinos quer simplesmente matá-los para receber uma gorda recompensa.
Braquistócrona e a garota de rosa estavam se encarando, enquanto Sony estava atrás da sua amiga protegendo sua retaguarda.
– Já escolhi a arma que vou usar para enfrentá-la – a garota retirou de uma sacola de espaço infinito uma espada feita com um punho de ferro, e dessa base, saiam cinco lâminas de cerca de cinquenta centímetros de comprimento;
– Hum, uma espada múltipla, fiz uma dessas por encomenda para cavaleiro há uns anos atrás. Não acha que é uma arma muito pesada para uma garota tão pequena? – falou Braqui.
– Nunca tive problemas em retalhar meus inimigos com ela. Eu e um cavaleiro fizemos uma aposta e se eu ganhasse, levava essa valiosa espada múltipla.
– Então você ganhou dele – presumiu Sony.
– Não, eu perdi, mas quando ele estava distraído eu cortei sua garganta e roubei a espada. Eu não poderia perder a chance de ter uma arma forjada por você, e quando soube que uma das pessoas que deveria matar junto com a Frederica era a grande Braquistócrona, fiquei com muita vontade de usar essa espada para matá-la. Eu uso a sua técnica de usar pouca roupa para distrair o inimigo, fiquei surpresa em te ver tão vestida – contou a menina.
– Apesar de ter criado a técnica Carnis Amostris Pra Inimigus Babaris e Não Prestaris Atenção Na Lutis, eu não a uso há muito tempo, ela é mais apropriada para guerreiras iniciantes entende? Bem, antes de começarmos, gostaria de saber o seu nome, seria uma grosseria não perguntar o nome de uma fã não é verdade?
– Você está certa, o meu nome é Rosa, prazer!
– Você se chama rosa, tem cabelo rosa e usa um biquíni rosa, quanta criatividade...Não importa, vamos lutar!
*****
Não tão longe dali, a uns dez metros pra ser quase exato, Beatrice e Loren estavam de frente para Frederica. A mulher de cabelos verdes colocou um bracelete com uma grossa lâmina acoplada em cada um dos seus antebraços.
– Da última vez em que estivemos juntas você me humilhou, mas agora te rasgarei todinha com meus dragões assassinos – disse Frederica, lambendo os lábios.
– Eu te venci da última vez, por que seria diferente agora, que eu estou muito mais forte? – perguntou Loren, com um sorriso cínico.
– Não é apenas você que está mais forte. Eu tinha um dragão assassino naquela disputa, agora eu tenho dois, esta é a diferença!
– Esta luta não faz sentido, pelo que eu sei você perdeu para a Loren em uma disputa justa, não há motivo para esse desejo por vingança – argumentou Beatrice, secretamente usando suas habilidades psíquicas para tentar fazê-la mudar de ideia.
– Vingança não é minha prioridade, o que eu quero é dinheiro, barras de ouro, jóias, armas mágicas... a cabeça de vocês vale muito, por isso irei matá-las – falou Frederica.
– Não gaste sua saliva com essa lombriga desidratada, vamu cair logo pra dentro!
Loren desembainhou sua espada, ao mesmo tempo em que Frederica armou guarda com suas mãos equipadas com seus tais dragões assassinos e Beatrice ficou observando, a fim de estudar a adversária e agir da forma mais eficaz (e lenta) contra ela.
*****
Nesse mesmo instante, Hyugi e Junpei encaravam Ki Lua.
– Deveríamos trocar farpas, fazer provocações e ameaças antes de começarmos? – sugeriu Junpei.
– As garotas estão fazendo isso, mas eu não vejo necessidade, vocês fazem questão? – perguntou Hyugi.
– Nem um pouco – falou Junpei.
– Eu também não, prefiro começar a lutar de uma vez – declarou Ki Lua.
Junpei empunhou o seu martelo igual ao do Thor, Hygui sua zampa...quer dizer, katana e Ki Lua foi na mão mesmo.
O primeiro a atacar foi Junpei, que deu fortes e elegantes golpes de martelo, porém Ki Lua se esquivou com facilidade de todos eles.
– Até que você é rápido hein moleque! – comentou o grandalhão.
– Seus movimentos são lentos e pesados, nunca conseguirá atingir alguém como eu!
Hyugi não quis saber de conversa, pulou para cima do inimigo e deu um golpe de cima para baixo, com o intuito de cortar o garoto em dois. A espadada foi precisa, mas acabou batendo em cheio no chão.
– Ah? Como? Cadê ele? – Hyugi procurava pelo adversário.
– Procurando alguma coisa?
Ki Lua surgiu repentinamente atrás do pequeno rapaz com séria deficiência visual (um nome politicamente correto para ceguinho), abriu seus dedos, exibindo fortes unhas grandes, pintadas com esmalte incolor e com cutículas perfeitamente retiradas, então arranhou as costas dele. Hyugi deu outro pulo para frente, se afastando do agressor, entretanto não conseguiu se livrar de ter suas costas rasgadas.
– Estou vendo que vai ser difícil te vencer – comentou Hyugi, com a parte de trás da camisa tingida pelo seu sangue.
– Tenho que admitir que você é bom, minha intenção era arrancar o seu coração pelas costas!
– Tá se achando hein, duvido você arrancar o coração do Hyugi, ele já pertence a aquela Biska que vira o incrível Hulk – falou Junpei, pronto para voltar as suas investidas.
– Que merda é essa que tu tá falando Junpei? – estranhou Hyugi.
– Não importa, morram logo porque eu tenho um campeonato de ioiô pra ir – disse Ki Lua.
Assim, a luta entre os três continuou.
*****
Rosa segurava a espada múltipla com as duas mãos e golpeava a Braquistócrona insistentemente, e a ferreira apenas se desviava dos ataques.
– Difícil contra atacar Braquistócrona? – provocou Rosa, sem parar de atacar.
– Você realmente me surpreendeu menina, se eu tivesse que escolher uma arma pra você, escolheria uma adaga, ou no máximo uma espada curta, mas você é bem forte pra alguém tão pequena – respondeu Bráqui, se esquivando com tranquilidade.
– Eu sou genial, me mantendo a curta distância, você não conseguirá me atingir com suas flechas!
Nesse instante, Sony se transportou para trás da Rosa, então pegou o seu bastão e deu um golpe na sua cabeça. Porém, antes de ser atingida, a garota se abaixou e girou sua espada, decepando uma das pernas do garoto, que caiu no chão gritando, sangrando e sem uma perna.
– Sua desgraçada! – Braquistócrona gritou, com o semblante mudando de total serenidade para extremo ódio.
– Gostou do que fiz com o seu amiguinho? E agora, vai começar a lutar de verdade? – provou Rosa.
Não longe dali, a luta da Beatrice e Loren contra a Frederica estava apenas começando, ainda na fase de insultos, quando a nossa loirinha viu o que aconteceu com o seu namorado.
– Sony! – Loren abandonou a luta e correu para o campo de batalha ao lado.
– Volta aqui, ainda não terminamos! – Frederica correu atrás da Loren, mas de repente sentiu o seu corpo paralisado.
– Deixe a minha amiga em paz, sua luta agora é comigo – falou Beah, com um tom ameaçador raramente visto nela.
– Está bem, será interessante matar a amiguinha da Loren, com sua pele rosada e macia, belos olhos e seios, cintura fina e aroma de jasmim... O que eu estava falando antes mesmo? – disse Frederica, parecendo não se importar com o fato de não poder se mover.
Enfim, Loren chegou até Sony, que estava no chão.
– Mô, o que aconteceu? – a loira o segurou nos braços.
– Nada de mais, foi só um arranhão – disse o garoto com a voz fraca e nada bem.
Hamlet também estava ao lado dele resmungando qualquer coisa.
– Sua vaca, vou te picar toda, plantar uma árvore, usar seus pedaços como adubo e depois botar fogo na árvore – Loren apontava sua espada para rosa, pronta para atacar.
– Nada disso – interrompeu Bráqui – cuide do Sony, eu faço questão acabar com a raça dessa vadia de biquíni pessoalmente!
Braquistócrona colocou uma flecha no arco e atirou, porém Rosa não foi atingida porque ela “mergulhou” no chão, rolou e chegou bem próximo da sua adversária. Então, a menina usou a espada múltipla para tentar cortar as pernas da mais velha assim como ela fez com o Sony, entretanto a Bráqui deu um salto mortal para trás, se livrando assim das lâminas.
– Não teria graça se fosse tão fácil – comentou Rosa.
– Cala essa boca!
Braqui continuou lançando várias flechas, enquanto Rosa ia correndo para perto dela, se esquivando enquanto corria. A garota chegou bem próximo da ferreira e deu novamente uma espadada no seu tórax, porém dessa vez, infelizmente, Braquistócrona não conseguiu evitar o golpe. No momento em a espada a acertou, o choque entre a espada múltipla e o corpo da ruiva criou um brilho muito intenso.
*****
Beatrice andou até ficar frente a frente com Frederica, que estava totalmente paralisada.
– Eu te paralisei com minha telecinese, desista, eu venci!
– Você está certa, eu perdi! Estou indefesa, você pode facilmente me matar.
Beah chegou mais perto e pegou o seu punhal. Ela poderia simplesmente fincá-lo no coração da inimiga e tudo estaria acabado, mas por algum motivo, ela não conseguia, então ela encapou a arma e a guardou no seu sutiã.
– Droga – a garota suava frio, e sussurrava para si mesma – eu consegui com a Maga Lee, mas estávamos em combate e ela podia se defender, já agora é diferente, não posso simplesmente executar uma inimiga indefesa...
– Você é uma bonequinha, não uma guerreira. Porque você não me solta, vai ajudar o seu amigo perneta e deixa a luta pra quem tem estômago pra isso?
*****
Enquanto isso, na luta dos garotos, Junpei tentava em vão acompanhar os movimentos do Ki Lua. Por outro lado, o pequeno assassino acertou vários ataques que fizeram pouco dano no seu adversário devido a sua robusteza.
– Tu é chato que nem pernilongo – resmungou o mais velho.
– E você duro igual a... sei lá!
– Não esqueçam que eu ainda estou vivo!
Hyugi, apesar de ferido, voltou a atacar. Entre várias investidas, Ki Lua segurou a lâmina da espada do inimigo com as mãos, então deu um sorriso que ninguém além dele entendeu. Rapidamente, Hyugi sentiu seu corpo ser percorrido por uma gigantesca corrente elétrica e desmaiou logo em seguida, com o corpo cheio de graves queimaduras.
– Viado, que que tu fez com o ceguinho?
– Apenas descarreguei minha aura elétrica no corpo dele. Eu poderia ter vencido apenas com golpes físicos, mas como já disse, tenho um compromisso e estou com pressa.
– Eu vou compromissar sua cara!
Junpei voltou a dar marteladas, e Ki Lua continuava se esquivando, mas por algum motivo ele parecia mais lento. Depois de vários golpes, um deles acabou acertando o Ki Lua e o arremessou a vários metros de distância.
– Chupa moleque, volta correndo pra mamãe!
– Se minha mãe estivesse aqui você já estaria morto – o garoto se levantou, limpando o sangue do canto da boca – eu gastei muita energia destruindo seu companheiro, então preciso de um tempo pra recuperar.
– Deixa de desculpa esfarrapada, vamos lutar!
Os dois começaram a trocar golpes, e como o Junpei era fisicamente mais forte, Ki Lua estava levando a pior. O pequeno assassino deu uma estrelinha para trás, se afastando do carateca.
– Fugindo? – ironizou Junpei.
Ki Lua não respondeu, apontou uma das mãos na direção do inimigo e um raio saiu dela, atingindo Junpei em cheio, que caiu de joelhos no chão.
– Merda, esse moleque me deu um choque do trovão... tô dolorido, e meu corpo está queimando.
– É incrível você ainda estar consciente, mas com certeza não sobreviverá ao próximo raio. Adeus Junpei, é uma pena alguém tão grande não ter nada no meio das pernas.
– Quê? Como você... – Junpei engasgou com a própria saliva, sem entender como o garoto sabia de sua condição.
– É um costume meu observar o volume nas calças dos meus inimigos, e vi que você não tem volume algum. Agora vou te dar meu falatity e acabar com isso.
Ki Lua colocou uma mão de frente para a outra, e era possível ver raios azulados se movendo entre elas. Junpei observava, mas não tinha reação, ele mal conseguia se mover devido ao choque que recebeu instantes antes. Enfim, o garoto concentrou energia suficiente e lançou outro rápido e potente raio, Junpei, sem ter como fugir, por reflexo colocou o martelo na frente do seu corpo para tentar se defender, e assim, o martelo funcionou como um para-raio, conduzindo a corrente pelo martelo até atingir o corpo do karateca, que caiu no chão tremendo e babando.
– As presas estão paralisadas, só falta o abate – Ki Lua preparou suas garras – espero que as mulheres parem de frescura e acabem logo com as lutas delas.
Quando o Hyugi, Ki Lua ouviu o som de passos pesados se aproximando dele, então olhou para trás e viu Junpei se aproximando dele, segurando seu martelo que estava diferente, ele se tornou dourado e maior, o cabo ficou com cerca de dois metros de comprimento e a cabeça do tamanho de um galão de água de vinte litros.
– Impossível...
– Já ouviu falar naquele ditado que diz “Cuidado com o cara grande que não tem nada no meio das pernas porque ele vai te descer o cacete?” Se não ouviu, vai conhecer agora!
Apesar do martelo ser muito grande e pesado, Junpei conseguia movimentar-se com facilidade. Ele se aproximou mais um pouco do Ki Lua, ergueu o martelo e fez um movimento de cima para baixo como quem quer dar uma chinelada em uma barata. O garoto de cabelos brancos tentou escapar, todavia ele havia gastado todas suas forças disparando aquela descarga elétrica, então ele foi esmagado pelo colossal martelo do nosso herói.
– É assim que se luta seu moleque baitola – ao fim da luta, o martelo voltou à sua forma anterior, tirando o fato de que o cabo estava totalmente quebrado.
*****
A espada múltipla acertou o tórax da Braquistócrona, emitindo um intenso brilho. Quando a luz se dispersou, foi possível ver que as roupas da mulher se rasgaram, e em baixo dela, havia uma armadura prateada com a forma de um body. Rosa olhava para suas mãos e percebeu que sua espada se quebrou em vários pedaços.
– Mas... o que foi isso? – Rosa não acreditava no que acabou de acontecer.
– Já que você me admira tanto, vou explicar. Por baixo da roupa, eu uso uma armadura feita com um metal chamado Cristal de Prata, e qualquer artefato fabricado com ele possui a capacidade de evoluir de acordo com quem o utiliza. Eu tenho essa armadura há muito tempo e ela tinha evoluído uma vez, e essa é a sua segunda evolução. Talvez ela ainda sofra mais transformações, ninguém sabe os limites dessas armas nem dos seus donos, mas você continuará sem saber já que morrerá agora mesmo.
– Interessante – a garota sorriu – eu estou em desvantagem, desarmada contra uma guerreira com uma armadura tão poderosa, mas não estou vendo você usar seu arco, será que suas flechas acabaram?
Braqui se moveu rapidamente em direção à inimiga, então simplesmente deu um soco na direção da face da garota. Rosa cruzou seus braços na direção do rosto, a fim de bloquear o ataque, mas a potência do golpe da ruiva foi tão grande que quebrou os dois antebraços da assassina, que gritou agoniada.
– Ah, esqueci de falar, essa armadura não apenas protege, ela aumenta a força do seu portador. Modéstia a parte, eu sou uma mulher bastante forte, então minha força elevada à quarta potência dá... – Bráqui começou a fazer cálculos mentais – sua cara quebrada!
Ela socou a garota inúmeras vezes, que mesmo com os braços quebrados conseguiu se esquivar de alguns ataques, mas acabou sendo atingida por outros. Após vários golpes, Rosa caiu no chão quebrada, tingida por seu próprio sangue, irreconhecível e irremediavelmente morta.
*****
Frederica continuava presa pelo poder psíquico, porém a cada minuto que passava, Beah tinha mais dificuldade em se concentrar e manter sua magia funcionando. A assassina começou a fazer pequenos movimentos, então Beatrice começou a sentir uma forte dor de cabeça e enfim, não conseguiu segurá-la mais.
– Obrigada garota cheirosa, agora fica boazinha que eu cuido de você mais tarde!
Frederica, armada com seus dois dragões assassinos, correu na direção na qual Loren se encontrava distraída tentando estancar o sangramento do Sony. Beah via toda a situação, porém não sabia o que fazer para ajudar.
“Droga, se eu gritar para alertar a Loren, ela pode se descuidar do Sony e ele acabar morrendo, se eu deixar como está a Francisca pode atingir a Loren e matá-la... minha cabeça dói, não estou conseguindo usar a telecinese”
Repentinamente, uma voz começou a falar na mente da Beatrice.
“Você se esqueceu? Seu poder vem do sentimento, se você não fizer nada, duas pessoas queridas podem morrer”
“Eu sei, mas... o que eu faço, tenho a impressão que o meu poder se esgotou”
“Lembre-se do que você tem no peito”
“Ah sim, meu coração, devo usar o poder do amor para vencer.”
“Poder do amor? Acho que você anda vendo animes shoujo demais. Eu estou falando do punhal de cristal de prata que você guardou no sutiã”
“Entendi, obrigada Feiticeira!”
“Feiticeira? Não, eu sou a Beatrice que existe dentro de você”
A voz misteriosa se foi, então Beah pegou o punhal, tirou a capa de couro que cobria a lâmina, evitando que seus melões fossem furados e enfim, arremessou a arma nas costas da inimiga. Ela usou o pouco poder mental que ainda tinha para manipular o punhal e fazê-lo ganhar mais velocidade, de forma que ele atravessou as costas da Frederica, atravessando o seu corpo e saindo pelo lado oposto.
– Bonequinha, você...
– Não sou uma bonequinha, sou uma mulher! Você ameaçou meus amigos, e isso eu não perdoarei.
Foi só então que a Loren viu o que aconteceu.
– Obrigada Beah, você matou a Francisca e me salvou!
– Meu nome é Frederica, e não estou morta! – reclamou a mulher, fraca devido ao ferimento.
– Star Fall! – Loren lançou o raio de sua espada, queimando a Frederica e terminando o serviço que Beatrice começou – Pronto, agora está.
Sony estava nos braços da Loren consciente, porém muito debilitado. As outras heroínas foram ver como ele estava.
– Sony, você está bem? – perguntou Beatrice.
– Ele está sem uma perna e com uma hemorragia, não vê que ele está ótimo? – respondeu Loren.
– É normal ouvir uma voz dizendo “Venha para a luz?” – indagou Sony.
– Temos que ir logo, talvez na aldeia haja alguém que possa curá-lo – falou Braqui – o problema é esse sangramento. Vou ser bem direta, se você ficar na sua forma hollow, suas chances de sobreviver serão maiores.
– Mas Bráqui, isso seria perigoso pra todos vocês, e além disso, eu não controlo a transformação, ela só acontece se eu ficar muito irritado.
– Bem típico de você, um viadinho que tem medo de machucar os amiguinhos – ralhou Loren.
– Boa tentativa Loren, mas você não vai conseguir me deixar com raiva.
– Eu não vou ficar sem namorado, se você morrer eu vou agarrar o primeiro cara que eu encontrar, nem que seja o Junpei.
– Então posso morrer tranquilo, ele não tem nada pra colocar dentro de você – o garoto deu uma risadinha.
– Eu ouvi essa hein! – gritou Junpei, lá de onde ele estava.
– Agora vou apelar, se você virar hollow eu...
A loira falou alguma coisa bem baixinho no ouvido do seu namorado. Imediatamente a máscara de osso se formou, assim como o buraco no peito, e sua transformação hollow ficou completa.
– Alguém me ajuda aqui, não dá pra ir pulando que nem saci até essa maldita aldeia! – solicitou em um tom imperativo, bem diferente da sua forma humana.
Todos sorriram, então a Loren o ajudou a andar, enquanto a Braquistócrona guardou sua perna amputada. Junpei acordou o Hyugi com vários tapas e ajudou o seu colega a se locomover, pois o mesmo também estava muito ferido. Assim o grupo, apesar de vitorioso, seguiu apressado para o seu destino, pois dois dos amigos ainda corriam perigo de bater as botas.
*****
Em um dos corredores do castelo, o juiz do torneio havia acabado de receber a notícia de que os assassinos ridiculamente caros que ele contratou foram derrotados pelos heróis do outro mundo.
– Droga, se o Zerus descobrir que os mercenários...
– Olá meu amor, estava falando sozinho? Ouvi você citar o meu nome, por acaso é saudade?
– É... sim, eu estava com saudade.
– Eu estou lembrado de ter te incumbido de acabar com os malditos alienígenas não é verdade?
– Sim – o loiro suava frio – meus espiões descobriram a rota que eles estão seguindo, então enviei três mercenários altamente capacitados para pegá-los, imagino que nesse momento eles já devem ter matado os inimigos de Dungeoneer.
– Sabia que mentira tem perna curta querido? Esse castelo está cheio de fofoqueiros e já estou sabendo que os seus poderosos assassinos estão mortos. Você já sabe o que acontece com aqueles que fracassam quando estão me servindo não é verdade?
– Me perdoe senhor!
– Venha comigo para o quarto.
O juiz o acompanhou até o quarto, tendo a certeza de que o seu brioco não seria perdoado. Quando já estavam instalados, Zerus voltou a falar.
– Não fique com medo, todos cometemos erros.
O loiro suspirou aliviado, então Zerus jogou uma semente no seu pé, a qual eclodiu imediatamente. Inúmeros cipós surgiram e começaram a sufocar o homem como uma cobra constritora, que rapidamente parou de respirar. Seu corpo permaneceu de pé entre os cipós, como se fosse um bizarro túmulo.
– Como eu estava dizendo, todos comentem erros, e o meu foi confiar em você, e erros devem ser eliminados não é verdade? – ele deu uma estridente risada maléfica – você foi um bom passatempo, mas o meu amor verdadeiro é o Cenourinha, ou seria Cenourão, quem sabe? Pelo menos agora eu sei que eles estão indo para a Aldeia da Areia, provavelmente estão procurando aquela velha... ai, como eu odeio gente velha fedendo a naftalina. Também preciso corrigir outro erro meu.
Zerus saiu do quarto e mandou que uma empregada chamasse o chefe da guarda, que minutos depois compareceu diante dele.
– O que deseja senhor Zerus?
– Cancele a recompensa pela captura dos alienígenas.
– Como assim senhor, não quer mais matá-los?
– Cala a boca e faz logo o que eu mandei.
– Sim senhor!
O homem se retirou, e Zerus voltou ao seu monólogo.
– Veja bem meu finado boy magia, de todas as pessoas que caçaram meus inimigos, a que chegou mais perto de matá-los foi a Maga Patológica, lembra dela? E sua motivação não era dinheiro, era vingança. A verdadeira motivação vem do ódio e também da ideologia, então os próximos que mandarei atrás daquelas pessoas ignóbeis não buscarão recompensas materiais. Agora vou deixá-lo sozinho, tenho muito trabalho a fazer.
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