Dungeoneer - Interativa

9 Bastão de cetro


Notas iniciais
Continuando a saga Etérnia.

Sony, Beatrice e He-Man no castelo de Greyskull, que não passavam de ruínas de cor cinza e muito escuras, parecendo uma caverna. Eles então andaram até encontrar a tal feiticeira.

– Olá forasteiros, sejam bem vindos!

– Saudações Feiticeira, esses são meus amigos...

– Beatrice e Sony, já sei – a mulher águia interrompeu He-Man.

– Nossa, você parece com a pessoa que falou telepaticamente comigo – falou Beatrice entusiasmada.

– Eu sou a pessoa que falou com você naquela ocasião. Contatei você porque nossos poderes são semelhantes, então é fácil sincronizar nossas mentes. Você possui poderes psíquicos, não é verdade?

– Sim, mas não são muitos bons, nos momentos que mais precisei eles falharam – a garota ficou cabisbaixa.

– Seus poderes são muito bons, talvez você apenas não tenha aprendido a usá-los corretamente ainda. Pode me dizer quando eles falharam?

– Teve uma vez que um tal de Vingativo queria umas armas mágicas, mas nós nem sabíamos do que ele estava falando, então eu tentei convence-lo de que não tínhamos armas e de nada adiantou. A outra vez foi ontem de noite, quando o cara da rosinha petrificou a rainha de Dungeoneer e quase matou a minha melhor amiga, eu tentei induzi-lo a parar e de nada adiantou.

– Entendo. E quando seus poderes funcionaram?

– Foram duas vezes também. Em uma, convenci mentalmente uma menina que estava lutando contra mim a abandonar a luta, e assim ela tomou coragem e enfrentou uma pirata grande e gorda que coagia a pobre garota a servi-la. A outra foi quando eu convenci um stripper de que ele estava ridículo e então ele parou de tirar a roupa.

– Já entendi. Sua habilidade não é hipnose, mas de sugestão. Com certeza o vingativo e o cara da rosinha que você enfrentou tinham grandes convicções que não podem ser desfeitas tão facilmente. Por outro lado, a menina de quem você falou não queria estar naquela luta, então você fez despertar a coragem que estava escondida nas profundezas mais recônditas do seu coração. E tenho certeza de que, no fundo, o stripper sabia que estava ridículo.

– Em outras palavras, não poderei fazer nada para ajudar meus amigos quando estivermos enfrentando um adversário mais poderoso – Beatrice suspirou desanimada.

– Não é bem assim. A sugestão é apenas um dos seus poderes, porém você possui outros. Já aconteceu, no calor da emoção, de você fazer algo apenas com o poder da mente e que nem você consegue explicar?

– Ah, lembra quando o garoto de cabelo laranja tentou beijar a loirinha, você gritou e ele foi, tipo assim, jogado longe? – contou He-Man, inconvenientemente.

– Como você sabe disso se não estava lá? – perguntou Sony.

– Ah... minha espada me dá a visão além do alcance, consegui vê-los mesmo a quilômetros de distância – disfarçou He-Man.

– Isso aconteceu porque, naquele momento, suas emoções foram ao máximo, causando uma explosão de poder psíquico. Seu poder não é baseado na razão, e sim nos sentimentos. Com certeza você nutre sentimentos muito fortes tanto pela sua amiga quanto por aquele garoto – explicou Feiticeira.

– Tá, a Beatrice é amiga da Loren e apaixonada pelo Kon, e como podemos voltar para Dungeoneer? – apressou Sony.

– Ei, apaixonada pelo Sony uma ova, só não queria que aquele safado se aproveitasse da Loren dormindo – protestou Beatrice.

– Bom meus amigos, não tenho muito mais com o que contribuir. A única coisa que posso dizer é que, minha querida Beatrice, seus poderes irão evoluir apenas quando você aprender a usar suas emoções ao seu favor, e deixar de ter medo dos seus sentimentos. Quando você entender isso, se tornará uma feiticeira tão poderosa quanto eu.

– Estou entendendo. Por favor, me mostre o caminho para desenvolver esse poder e poder ajudar meus companheiros.

– Não posso fazer isso, esse é um caminho que você deve percorrer sozinha.

– E como voltamos pra Dungeoneer? – insistiu Sony.

– Primeiro, precisamos de alguém que tenha a habilidade de abrir portais. Porém, como você vieram de um mundo superior, será necessária uma fonte de energia muito intensa, e a única forma de se obter tamanha energia é fundindo uma espada mágica com um bastão de cedro – informou Feiticeira.

– Estamos com sorte, ele sabe abrir portais – Beatrice apontou para Sony.

– É verdade, mas não gosto de ter esse poder – falou Sony em um tom baixo, quase um sussurro.

– Você também tem uma jornada a completar, meu rapaz. Não se envergonhe de seus poderes, e lembre-se, de onde você nasceu não significa quem você é. Agora vaza todo mundo que eu tenho mais o que fazer! – feiticeira expulsou os visitantes.

O trio se retirou e quando saíram do castelo, viram Junpei e Hyugi treinando katás, Loren jogando pedras contra o vento, com o Kon olhando nada discretamente para os atributos físicos da loira, e enquanto isso, Uroro estava sentado e com cara de poucos amigos.

– E aí pessoal, como foi lá dentro? – perguntou Loren.

– Vou fazer um resumão, a feiticeira falou que pra sairmos desse mundo, precisamos de alguém que abre portais e temos o Sony! Agora, precisamos fundir uma espada mágica com um bastão de cetro – contou Beatrice.

– E onde encontramos uma espada mágica e um cetro? – indagou Uroro.

Todos ficaram em silêncio, pensando em uma solução para esse problema, até que o silêncio foi quebrado por Junpei.

– Peraí, vocês lembram que o Uroro tem uma espada que vira um cetro?

– É verdade, nem precisamos fundir, as duas já são uma só – completou Kon.

– Nem vem, de jeito nenhum! Eu sofri muito para conseguir essa zampakutou, não vou arriscar perde-la – Uroro foi taxativo.

– Mas Uroro, precisamos dessa espada para ir para Dungeoneer e depois, para a Terra – argumentou Hyugi.

– Não mesmo!

– Urorinho, não lembra que a rainha foi petrificada... – começou Beatrice.

– Plantificada – corrigiu Uroro.

– Certo, plantificada pelo cara da rosinha? Se não voltarmos para Dungeoneer, ela certamente irá morrer – Beatrice olhou nos olhos do shinigami.

– Está bem, vamos logo com isso – concordou o rapaz.

– A feiticeira falou como fazer isso? – perguntou Loren.

– Ela não entrou em detalhes, mas que tal você – He-Man apontou para o Sony – abre um portal enquanto você, o dono da espada mágica, dá um golpe no portal?

– Vamos tentar!

Sony abriu um de seus portais, então Uroro segurou firme sua zampakutou, armou guarda e deu um golpe em diagonal, do alto para baixo em um movimento muito elegante, como se fosse cortar algo duro como uma rocha. Logo que a espada tocou o portal, ela escapou das mãos do shinigami e foi engolida, desaparecendo para sempre.

– O QUÊ? MINHA ZAMPAKUTOU FOI ENGOLIDA. ISSO É SUA CULPA SONY, APOSTO QUE FEZ ISSO DE PROPÓSITO – Uroro gritou desesperadamente.

– Não bota a culpa nele não, você que é mão furada – repreendeu Loren.

– Fica calmo, é só uma espada – Beatrice tentava consolá-lo.

– Essa era uma zampakutou, um tipo especial de espada que apenas shinigamis conseguem empunhar e, dependendo da habilidade do seu dono, pode sofrer liberações, como a minha que virava um cetro e me dava o poder de voar – explicou Uroro.

– Deve ser igual àquela que o Kon pegou na ilha das virgens não é? – lembrou Junpei.

– E por falar nisso, Kon, onde está aquela Zampakutou que você estava segurando quando entrou no castelo da rainha? – perguntou Uroro.

– Ih, acho que eu esqueci no quarto, quando vieram aquelas gatas chamando a gente eu larguei por lá mesmo – disse Kon.

– VOCÊ É LOUCO? Deixou uma zampakutou largada por aí, e ainda se diz um shinigami – gritou Uroro.

– Eu não digo que sou um xingami, eu nem sei o que é isso – falou Kon tranquilamente.

– Arf, isso deve ser um pesadelo – Uroro não disse mais nada e se afastou do grupo, mas não a ponto de perde-los de vista.

– Tenho que ir amigos, e não esqueçam, segurem bem suas armas – He-Man subiu no gato guerreiro e foi embora rapidamente.

Poucos minutos depois, Adam apareceu, com Pacato andando ao seu lado.

– Estão vendo, quando o Adam sumiu, o He-Man apareceu, e agora que o He-Man foi embora o Adam voltou – apontou Junpei.

– O He-Man esteve aqui? Droga queria ter visto, é que tive um probleminha intestinal e tive que me ausentar – falou Adam – mas tirando o He-Man, o que eu perdi?

–Enquanto você tava cagando, a Beatrice e o Sony entraram no castelo de Grayskull, falaram com a feiticeira, que falou que precisamos fundir uma espada com um cetro. Tentamos a espada do Uroro, só que ela escapou da mão dele e se perdeu em um portal dimensional e ele ficou muito puto – resumiu Hyugi.

– Que excitante! Vamos voltar para o palácio, contar tudo para o Mentor e talvez ele saiba onde encontrar a espada e o cetro e como uni-los – falou Adam.

Todos entraram no estranho veículo e partiram de volta ao palácio. Durante o percurso, sentiram um impacto como se tivessem sido atingidos por alguma coisa.

– Estamos sendo atacados! – Pacato ficou tremendo e se encolheu em um canto.

– Será que não passamos por um buraco, ou quem sabe uma pedra? – supôs Beatrice.

– O Pacato está certo, os sensores dizem que o veículo foi danificado e temos que parar – falou Adam, que parou e saiu, sendo logo seguido pelo restante do grupo.

Do lado de fora, todos perceberam que havia um enorme buraco na lataria. Adam e Hyugi foram avaliar o dano e se havia possibilidade de seguirem viagem, então repentinamente surgiu um esqueleto vestindo um roupão com capuz azul, sentado em um coisa parecida com um jet-ski voador.

– Rendam-se extra -planares, ou encarem as consequências! – ameaçou o monstro.

– Que consequência, nos assustar com essa cara feia? – zombou Loren.

– Cuidado, esse é o terrível Esqueleto, o vilão mais perverso de Etérnia – advertiu Hyugi.

– Eu sei que o momento é crítico, mas preciso perguntar, se você é um esqueleto, como é tão musculoso? – perguntou Junpei.

– Engraçadinhos, eu que abrirei o portal para o outro mundo e o dominarei. Toma!

Esqueleto apontou um bastão com uma caveira esculpida em sua ponta que disparou um raio na direção dos heróis. Hyugi, em um movimento muito rápido, bloqueou a rajada com sua espada de madeira, evitando que seus companheiros fossem atingidos, porém a espada virou cinzas após essa defesa.

– É guerra que você quer? Então vem pra mão – Loren criou sua armadura e espada.

– Como vocês são corajosos – todos puderam sentir a ironia do Esqueleto – mas o único em Etérnia que pode me vencer não está aqui, a vitória já é minha.

Enquanto isso, Adam tentava escapar sorrateiramente, quando foi impedido por Junpei.

– Aonde pensa que vai?

– É que...eu sou muito fraco, então vou me esconder.

– Não vai não! – Junpei foi taxativo.

Adam tentou correr, porém Junpei o imobilizou, agarrando o loiro pelas costas e imobilizando seus braços.

– Veja bem Junpei, estou adorando ser encoxado por você, mas essa não é uma boa hora pra isso.

– Não vem com essa desculpa, você está tentando fugir pra se transformar no He-Man.

– Já falei que eu não sou o He-Man, me solta por favor.

– Não mesmo.

Adam ficou tentando se livrar da “encoxada”, e simultaneamente, Esqueleto continuou a alguns metros acima do solo montado em seu veículo, lançando rajadas de energia com o seu bastão. Felizmente, Sony conseguiu evitar que ele e seus amigos fossem feridos abrindo portais, nos quais os raios entravam e desapareciam.

– Mas que diabos seu moleque, pare de ficar engolindo meus raios – praguejou Esqueleto.

– ENGULA MEU PUNHO!

Uroro gritou e saltou, tentando esmurrar o esqueleto. Pouco antes de atingi-lo, o vilão lançou outra rajada que acertou o shinigami praticamente a queima roupa, fazendo com que ele fosse ao chão ferido, mas ainda consciente.

– Há há há, vocês são muito fracos – provocou.

– Arrg, se eu ainda estivesse com a minha zampakutou – lamentou Uroro, junto com um gemido.

– Não adianta, eu posso atacar à distância, e aqui de cima nenhum de você conseguirá me alcançar a tempo – gabou-se o Esqueleto.

– Pensa rápido Loren!

Kon segurou convenientemente a loira pelos quadris e deu um enorme salto como só ele conseguia fazer. Loren, mesmo tendo levado um susto, rapidamente entendeu qual era o plano do amigo (além de apalpá-la é claro) e deu uma espadada no tórax do inimigo, que caiu no chão feito jaca podre, enquanto Loren e Kon “aterrissaram” suavemente no chão.

– Maldição! – Esqueleto estava caído no chão e muito ferido.

– Oh não, é nessa hora que o Esqueleto convoca seus capangas e vocês não vão dar conta de todos. Não tem outro jeito, terei que revelar meu segredo – discursou Adam, ainda preso pelo Junpei.

O loirinho bombado ergueu uma espada que ninguém sabe de onde ele tirou e gritou:

– PELOS PODERES DE GAY QUE SOU! EU QUEIMO A ROOOOOSCA!

Enfim, ele se transformou no He-Man, o homem mais poderoso do universo. Na verdade, a única coisa que mudou foram as suas roupas.

– Chuuupa, eu falei que ele era o He-Man, eu tava certo e vocês errados – comemorou Junpei.

– Então você era o He-Man esse tempo todo, por que nunca me contou? – perguntou Hyugi.

– Desculpe garoto, mas esse é um segredo que eu não podia revelar a ninguém, só o fiz porque a vida de vocês é mais importante.

– E o que você faz de tão poderoso? – indagou Loren.

– É verdade, não te vi fazer nada de mais até agora – completou Beatrice.

– Eu sou o mais forte e bonito. Além disso, eu sou o único que pode usar essa espada mágica – ele mostrou sua espada.

– Então deixa de conversa e acaba logo com o esqueleto – apressou Uroro, ainda no chão.

– Se eu matasse o Esqueleto, me tornaria tão mau quanto ele, mas para demonstrar o meu poder, vou apenas rasgar sua roupa com a minha espada.

He-Man pegou a espada, porém quando foi procurar pelo seu alvo, ele havia desaparecido.

– Ué, cadê o puro osso? – estranhou Kon.

– Parece que ele fugiu enquanto ficamos distraídos – concluiu Hyugi.

– Isso não importa, o importante é que ele é o He-Man, vocês estava errados e eu certo – falou Junpei.

– Isso mesmo parceiro, você descobriu o meu segredo, e existe uma regra quando isso acontece: eu devo mata-lo ou então amá-lo, e já vou avisando que eu nunca mato pessoas – contou He-Man.

– Tá me estranhando? Se chegar perto de mim te dou uma voadora – Junpei falou muito sério.

– Foi uma piada – He-Man piscou para o grandalhão.

– Tá bom, ainda precisamos de uma espada mágica – lembrou Sony.

– É verdade, onde vamos conseguir uma? – perguntou Hyugi.

Todos ficaram em silêncio, pensativos, até que a Loren se manifestou.

– Ei, Conan de cabelo chanel, isso que você está segurando é uma espada mágica não é?

– É sim.

– Ótimo, vamos usá-la – decretou a loira.

– Eu concordo, mas apenas depois que falarmos com o Mentor e ele nos explicar perfeitamente o que devemos fazer.

Todos concordaram com a condição do “homem mais poderoso do universo”. Como o veiculo que estavam usando ficou muito danificado e não conseguia dar a partida (como um furo na lataria fez isso?), todos seguiram a pé. Uroro caminhava com dificuldade, mas como era muito orgulhoso, recusou qualquer tipo de ajuda para se locomover.

A caminhada foi longa, de forma que quando chegaram ao palácio já era noite. Antes de entrar, He-Man voltou a sua forma de Adam para não chamar a atenção dos habitantes do castelo.

– Já é tarde, vamos dormir, alguma das empregadas conseguirá quartos para vocês. Já mencionei que eu sou o príncipe de Etérnia? – disse Adam.

– Grande coisa. Não seria melhor procurarmos logo o Mentor e ver o que ele tem a dizer? – sugeriu Loren.

– O Mentor é velho e dorme junto com as galinhas. Amanhã cedo resolvemos isso – falou Hyugi.

Todos foram dormir e, incrivelmente, tiveram uma boa noite de sono sem qualquer imprevisto. Logo ao amanhecer, todos levantaram e foram ao encontro do Mentor, na mesma sala cheia de máquinas que haviam se reunido no dia anterior.

– Bom dia. Soube que a Feiticeira falou que vocês precisam unir uma espada mágica com um bastão de cedro. Também sei que vocês foram atacados pelo Esqueleto e que nessa ocasião o Adam revelou a vocês que é o He-Man – relatou Mentor.

– Eu não tive escolha. Até então, apenas você, o Gorpo e a Feiticeira sabiam desse segredo, mas como você sabe tudo o que aconteceu ontem? –perguntou Adam.

– O Geninho me contou.

– Esse gnomo colorido é bem fofoqueiro hein – comentou Loren.

– Espera , você disse bastão de cedro? Não era um bastão de cetro? – estranhou Beatrice.

– Não existe bastão de cetro. Cedro é uma madeira que provém de uma árvore já extinta e portanto, muito rara – falou o homem.

– Arrrg, eu estou cercado por idiotas, perdi minha zampakutou e nem é de um cetro que precisamos – reclamou Uroro.

– Voltamos a estaca zero. Onde vamos encontrar esse bastão? – disse Hyugi.

– O único bastão de cedro que temos notícia pertence ao Esqueleto – informou Mentor.

– Ih, deve ser aquele bastão que o Cara de Osso tava usando pra atirar “nagente” – lembrou Kon.

– Que merda, ele estava na nossa frente, era só tomar ele e voltar pra nossa quase casa – lamentou Junpei.

– Então é fácil, descobrimos onde o Esqueleto se esconde, quebramos ele todo e tomamos o bastão – planejou Loren.

– Mas que indelicadeza, vocês devem ter vindo de um mundo muito violento! Não é assim que fazemos em Etérnia, vamos esperar até que ele nos ataque e então tentamos convencê-lo a nos entregar o bastão – falou Adam.

– Isso nunca vai dar certo – resmungou Uroro.

– Vamos dar um crédito, afinal, aqui é o mundo deles – incentivou Sony.

– Ele está certo. Eu demorei para me acostumar, mas o que o Adam falou faz sentido aqui em Etérnia – reforçou Hyugi.

– Demorou pra se acostumar? Há quanto tempo você está aqui? – indagou Beatrice.

– Hoje é que dia da semana? – perguntou o Hyugi.

– Quarta feira – disse Mentor.

– Três anos e nove dias – falou o garoto da Terra.

– Caramba, não sei como você aguenta, se eu ficar preso nesses universos doidos mais um mês eu acho que vou morrer – comentou Junpei.

– E agora, como fazemos para atrair o Esqueleto? – perguntou Beatrice.

– Eu tenho um plano – disse Adam.

***

Horas depois, todos estavam em uma espécie de deserto, porém havia pedras escuras ao invés de areia.

– Tem certeza que ele aparecerá? – perguntou Sony.

– É claro, ele quer subir para outro universo e sabe que vocês tem a chave para que isso aconteça – falou Adam, já transformado em He-Man.

– O que será que ele pretende? – Beatrice estava curiosa.

– Ora, ele vem a anos tentando dominar Etérnia sem sucesso, certamente ele quer ir para outro universo para tentar dominá-lo – supôs He-Man.

– Dungeoneer possui guerreiros, magos e vários seres muito poderosos, se ele tentar alguma coisa por lá vai virar espeto de churrasco em pouco tempo – comentou Uroro.

O grupo esperou por horas e nada do vilão aparecer.

– Eu tô com fome. Não tem nem um coelhinho pra comer por aqui? – reclamou Loren.

Sony abriu um portal e entrou nele, desparecendo logo em seguida. Uroro ficou resmungando que o garoto estaria fugindo, mas em alguns minutos, ele estava de volta trazendo comida, que entregou para a loira e depois para o restante dos seus amigos.

– Gatinho e me trouxe comida, assim eu gamo – comentou Loren.

– Onde você conseguiu essa comida? – perguntou Uroro, desconfiado.

– Me transportei para o palácio e pedi na cozinha.

– Eu adoraria ter esse poder. Imagina, poder me teletransportar pro vestiário feminino quando eu puder – Kon suspirou.

– Ouço alguém se aproximando rapidamente, cuidado! – advertiu Hyugi.

O Esqueleto surgiu novamente voando naquele veículo, atirando contra os heróis com seu bastão.

– Vocês me venceram uma vez, mas não terão tanta sorte agora! – bradou o vilão.

– Ô Esqueleto, você poderia nos emprestar seu bastão só um pouquinho? – pediu He-Man.

– He he he, tu é burro? Eu nunca empresto o meu bastão, muito menos a você.

– O plano falhou, já posso bater nele? –pediu Loren.

– Calma amiga, vou tentar mais uma vez – Beatrice se concentrou e tentou mentalmente fazer com que o inimigo entregasse voluntariamente o seu bastão, sem sucesso.

– É, deu errado – a psíquica deu um sorriso sem graça.

– Beleza, vamos cair pra dentro. VÔO DO DRAGÃO! – Junpei deu uma voadora tentando acertar a moto voadora do Esqueleto, porém não conseguiu alcançá-la.

– Se eu estivesse com a minha zampakutou eu já teria desmontado esse esqueleto – resmungou Uroro.

– Vou te pegar! – Loren se transformou e jogou a espada no Esqueleto, que o acertou e o fez cair ao chão. Sem explicação, a espada voltou imediatamente para a mão da sua dona.

– Passa isso pra cá – Hyugi pegou o bastão.

– Malditos – praguejou o vilão – e agora, o que farão comigo.

– Se fosse em Dungeoneer, você seria imediatamente executado, mas como estamos em nesse universo fraco, deixo que as autoridades locais decidam o seu destino – discursou Uroro.

– Considere que a perda do bastão já é o seu castigo. Agora pode voltar para o seu esconderijo – ordenou He-Man.

Esqueleto já estava se preparando para fugir, quando foi interrompido pelo Junpei.

– Espere, só uma curiosidade – Junpei rasgou o peitoral da roupa do vilão, fazendo cair enchimentos em forma de músculos, e por baixo, havia apenas ossos.

– Ih, você não é bombado, é enchimento – disse Kon, enquanto todos riam.

– Malditos, um dia me vingarei – Esqueleto correu, desaparecendo do campo de visão de todos.

– Não concordo com seus métodos, mas a missão foi cumprida. Vamos ao palácio e mostraremos nossa aquisição ao Mentor – falou He-Man.

Ao retornarem, os heróis mostraram o bastão ao Mentor, que pegou um cartão perfurado e colocou em um “moderno” computador que ocupava uma área de vinte metros quadrados. Após horas apertando teclas aleatoriamente, o homem veio com conclusão.

– Pesquisando em arquivos anteriores ao grande cataclisma, descobri que a única maneira de unir a espada mágica com o bastão de cedro é fazendo a dancinha da fusão – Mentor mostrou no monitor um vídeo onde duas pessoas dançavam, encostavam uma espada e um bastão um no outro e falavam fuuuuusão!

– Ótimo. Eu faço a parte da espada, só precisamos de quem fique com o bastão. Junpei, adoraria tocar minha espada no seu bastão – falou Adam.

– Passo – respondeu Junpei sucintamente.

– Eu posso fazer isso – ofereceu-se Hyugi.

– Ficamos agradecidos, mas rapaz, você já me contou histórias terríveis sobre fome, violência e outras coisas ruins daquele mundo que vocês chamam de Terra, tem certeza que não prefere continuar em Etérnia? – disse He-Man.

– Eu sei disso, mas apesar de ter todos esses problemas, aquele é o meu lugar. Muito obrigado por terem me tratado tão bem durante todo esse tempo, mas existem pessoas que me amam esperando que eu volte pra casa – discursou Hyugi.

– Vamos começar – apressou Uroro.

Cada um dos voluntários pegou sua arma, fizeram a dancinha as tocaram. A espada e o bastão se tornaram um só, virando uma espada com o mesmo formato da anterior, porém toda preta e com um pequeno crânio na ponta.

– Agora Sony deverá abrir o portal e no fim, lance um raio com a espada-bastão que ele se intensificará e poderá leva-los ao universo imediatamente acima do nosso. Sejam rápidos, o portal não ficará aberto por muito tempo – ordenou Mentor.

Sony abriu o portal e imediatamente He-Man disparou o raio energético no portal, que ficou maior. Em seguida, todos entraram nele e sumiram da vista dos nativos de Etérnia.

Notas finais
Aqui acabou essa parte no universo de Etérnia. Eu gostaria de ter explorado mais alguns personagens, como o Gorpo e os capangas do Esqueleto, mas essa fic não é exclusivamente sobre He-Man e preferi me dedicar mais aos personagens dos leitores. Obrigado por lerem e até o próximo capítulo.