Dueto - Olhares
3 Começando do começo
Notas iniciais
Três semanas haviam se passado, desde o curioso banquete de início do ano letivo e Olivia aprendera a fazer malabarismo entre suas disciplinas.
Flashback On
Quando Minerva a contatou, oferecendo uma das duas vagas, em uma de suas tardes de chá, ficou satisfeitíssima em contar com a confiança da diretora e ponderou a questão por alguns dias e decidiu conversar com a diretora, sobre o assunto, e uma de suas tardes de chá. As duas fizeram muito isso depois da guerra. Em parte porque as duas eram sozinhas e se conheciam de longa data por causa de suas famílias. Não era comum que os professores mantivessem contato e nutrissem amizades duradouras com antigos alunos, a jovem apreciava isso, este privilégio.
Enquanto ambas bebericavam seus chás, o Caldeirão Furado estava estranhamente vazio naquela manhã, Olivia observou.
— Sabe Minerva, lhe seria muito pedir para ocupar as duas vagas? — A diretora McGonagall a fitou, boquiaberta.
— Acha mesmo que daria conta, minha cara? Entenda, não duvido de maneira alguma sobre suas capacidades, caso fosse, não a ofereceria nenhuma das vagas. Acontece que seria um compromisso enorme para seu primeiro ano lecionando em Hogwarts e me preocupo com sua adaptação e suas tarefas intrínsecas à sua chegada…
— E eu, professora, não me atreveria a repreender um julgamento seu, muito justo por sinal. Porém, me conheço o suficiente para entender meus limites, caso contrário, não ousaria me candidatar a tal loucura, você sabe.- Sorriu a jovem.
— Se tens tanta certeza, não acho que seja uma má ideia. Estive pensando na senhorita Anna Abbott para História da Magia, já que sempre teve grande aptidão e tem minha total confiança. Entretanto, devo confessar que me preocupa que ela e seu noivo trabalhem ao mesmo tempo na escola, sabe? Ainda tenho receio quanto a personalidade e reações do mais novo professor, Longbottom. Por Merlin, como essas crianças crescem rápido!
Olivia riu junto à professora ao falar no pequeno, agora nem tanto, Neville. As famílias dos dois eram muito próximas por gerações, e não foi diferente quando Augusta passou a cuidar do pequeno bebê, após a tragédia que acontecera à Frank e Alice. Sua mãe sempre se ofereceu para ajudá-la quando precisasse. Logo os dois eram muito amigos desde sempre.
Mas entendia o receio da professora quanto ao relacionamento de Longbottom e Abbott, poderia apenas citar que ele não era muito “estável”, e Neville, mesmo tendo se tornado um brilhante herbologista, ainda carecia de tato para com as mulheres, não sabia reagir às crises da parceira.
Quando Minerva a contou que havia chamado o garoto para lecionar no próximo ano igualmente, Olivia o enviou uma carta, parabenizando o colega por esta conquista, sua mãe também disse ao garoto o quanto estava feliz e o quanto Augusta estaria orgulhosa dele por ele estar se tornando um homem cada vez melhor.
Como resposta, Neville lhe contou que Anna recebeu ambas as cartas antes dele e as abriu primeiro, com ciúmes de quem lhe escrevia e curiosa para saber o que escrevia. Como conclusão, os dois discutiram quando o bruxo chegou em casa no final do dia e se deparou com Anna escondendo as cartas atrás das costas. Olivia rira muito do amigo, o imaginando naquela situação.
Anna era uma garota muito atenciosa, mas um tanto possessiva para com ele, o que o bruxo não entendia e Olivia sempre voltava a explicar para ele. Não tirava, de maneira alguma, a razão da diretora por estes motivos.
— Seria ótimo para mim, neste ano, me preocupar em prestar atenção nele, somente. Com você, teria muito tempo e ajuda para observá-lo, já que tenho certeza que você se adaptará muito bem, de qualquer forma.
Olivia corou com o elogio da antiga professora de Transfiguração, sua aprovação sempre lhe pesou muito, principalmente por serem de casas diferentes; a professora nunca lhe tratou diferente de qualquer outro aluno, era uma das poucas que conseguia fazer isto, não havia favoritismo nem exclusão de outras casas, mesmo que ela liderasse a Grifinória.
Após uma breve pausa para bebericarem seus últimos goles de chá, a diretora olhou para Olivia, ponderando o que diria.
— Confio muito em você Livi, e somente por isso permitirei que, neste trimestre, você faça um teste lecionando as duas matérias. De qualquer forma, assim terei mais tempo para encontrar alguém para o cargo de Estudo dos Trouxas, se necessário for. No entanto, tenho uma condição: se em qualquer momento você se sentir sobrecarregada, irá me dizer no mesmo instante, certo? — Olivia sorriu de uma ponta a outra, sem demora.
— Muito obrigada Minerva, não irá se arrepender de sua decisão, isso eu posso garantir!
A diretora suspirou e espreitou os olhos ao murmurar “você não confirmou minha condição”, olhando por cima do aro de seus óculos.
— Está bem! Eu prometo, okay?
Minerva bufou e assentiu levemente, ainda pensando se realmente era uma boa ideia deixar que Olivia carregasse tanta responsabilidade de uma vez, não seria um ano fácil, haveriam novos eventos e novas demandas, que certamente não seria qualquer um a arcar com todos esses afazeres.
Por fim as duas se despediram, Olivia agradeceu novamente pela oportunidade que lhe foi concedida e assim se foram, cada qual para seu destino, que muito em breve, na verdade, seria o mesmo.
Olivia não via a hora. Sentia saudades do castelo, desde as paredes gélidas e úmidas, até os corredores que cheiravam a livros e antiguidades. Sentia falta até do cachorro de Hagrid, babando por todo o lugar. É…de Filtch e Madame Norra nem tanto, isso era fato. Mas, em geral, considerava aquela a sua melhor e mais aconchegante casa, onde ela amava estar, onde tinha amigos que a queriam bem e problemas infinitamente mais simples de se resolver.
Flashback Off
Estava agora à frente da porta de seus aposentos, no segundo andar, seus pés a guiavam por instinto, já que sua mente se encontrava exausta. Entrou, deixou seu material na mesa de escritório, no fundo da sala de entrada. Seus aposentos não eram nada extravagantes e luxuosos, mas era com certeza, um espaço enorme e muito confortável. Haviam prateleira nas paredes laterais da sala com livros do chão ao teto, o que a intrigava, pois quando chegou ali, o quarto parecia não ser usado a décadas, e de fato não era, o professor Binns nunca precisou utilizar este aposento, por razões óbvias (ele era um fantasma) então tudo estava em estado de preservação digno de um museu.
A mesa, que ficava ao lado esquerdo da enorme janela, de frente para a porta, tinha o tamanho proporcional ao cômodo, haviam três gavetas de cada lado e eram mais do que necessárias para seus materiais. Na frente da mesa, dois degraus abaixo, ficava um sofá de dois lugares e uma poltrona de veludo que era da cor verde oliva, fato que a fez sorrir quando entrou ali pela primeira vez. Alguém achara engraçado brincar com o seu nome e, provavelmente, a sua casa. Ele não discordava de maneira alguma. Os dois móveis ficavam em diagonal para a lareira e lembravam muito a sala comunal da Sonserina em disposição de móveis.
Na parede mais distante de sua mesa, na mesma direção, ficava a porta de sua suite. O ambiente tinha as cores verde escuro e castanho por toda parte e sua iluminação era de tons quentes, o que tornava o quarto muito agradável para descanso. Lá também tinha uma enorme janela, à direita, com exatamente a mesma paisagem da outra. Depois de passar tanto tempo nas masmorras observando o fundo do Lago Negro, era reconfortante mudar de cenários, mesmo que ela gostasse muito do anterior.
No lado oposto à janela, havia a porta para o banheiro, que não tinha nada de especial, se parecia muito com os outros banheiros do castelo, porém com proporção individual. Mas a semelhança não o tornava ruim, Olivia gostava destas pequenas semelhanças que a ajudavam a se acostumar com a nova posição.
Por fim, deitou-se na grande cama, após seu banho e , sem levantar para o jantar, adormeceu.
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