Dubai
9 Uma conversa surpreendente - Parte 1
Notas iniciais

Sayed ergueu os olhos surpreso. Por um instante, esperou que a moça olhasse novamente pra ele, mas pela sua expressão, ela não parecia ter a intenção de encará-lo novamente. Ajeitando o keffieyh na cabeça, ele abriu um sorriso largo e encarou Ana. Em seguida, se dirigiu a Ellie novamente.
– Eu te conheço.
No momento em que disse isso, tanto ele quanto Ana, encararam Ellie, o que obviamente, fez com que ela erguesse a vista para olhá-lo. E seu olhar parecia querer permanecer exatamente onde estava naquele momento.
– Me conhece? — Ela perguntou.
– Sim, conheço.
Como Ana estivesse confusa, a amiga olhou pra ela para dizer alguma coisa, mas Sayed se adiantou.
– Você é a moça da feira.
Ellie suspirou e encarou seus olhos novamente. Naquele momento, a música que estava tocando acabou e iniciou-se outra. As dançarinas, por sua vez, prosseguiram com outra coreografia.
– Você não me conhece. Apenas me viu rapidamente e de longe.
Sayed assentiu.
– E isso demonstra que você também se lembra de mim. — Sorriu em seguida, de um jeito que Ellie considerou provocativo.
Mas o que era mesmo que ele estava provocando?
– É claro, eu me lembro de tê-lo visto. Mas é só isso. — Retrucou ela secamente.
Sayed suspirou e olhou para Ana. Sorriu pra ela e perguntou:
– Como você se chama?
Ana levou dois segundos para responder. Quase gaguejou, mas conseguiu evitar esse mico.
– Eu me chamo Ana. — Sorriu e engoliu em seco. — E acho que não vou perguntar o seu nome, não é mesmo? Todo mundo por aqui sabe o seu nome. — Ela sorriu novamente, totalmente sem jeito, enquanto Ellie a encarava com cara de poucos amigos.
Sayed assentiu divertido e olhou novamente para Ellie.
– E o seu nome?
Ellie, que ainda encarava a amiga, ergueu a vista para ele, como quem já esperava pela pergunta. Engoliu em seco.
– Olha, não é por nada não, mas...
– Então não vai tomar um drinque comigo, moça? — Ele a interrompeu.
Até agora, o tom de sua voz parecia de alguém confiante e carismático, porém, ao proferir aquela pergunta, o tom da voz mudou. Tornou-se suave e quase decepcionado. Agora seus olhos pareciam sugerir uma triste aceitação de uma recusa já esperada, embora ninguém se recusasse a nada que ele convidasse.
– Não. Mas agradeço, mesmo assim. — Foi a resposta de Ellie. Em seguida, desviou os olhos dos dele.
Sayed, voltando a sorrir, dirigiu-se para Ana e perguntou:
– Bem, se sua amiga recusa o meu convite, então vou oferecê-lo à senhorita. Gostaria de tomar um drinque comigo?
Ana, embasbacada pelo convite, sem saber o que responder, olhou para Ellie, preocupada em deixá-la sozinha.
Ellie suspirou e disse:
– Não se preocupe. Vá com ele.
Ana não hesitou e em poucos segundos já estava sentada ao lado de Sayed, que pediu um copo de um drinque vermelho, feito à base de morango e maçã. Depois que o garçom foi preparar a bebida, Sayed se dirigiu a ela.
– Bem, me parece que você é mais simpática do que a sua amiga. — E sorriu com olhar travesso.
Ana sorriu de volta e de cenho franzido, negou com a cabeça.
– Só porque ela recusou o seu convite e eu não? — Balançou a cabeça de novo. — Eu não diria isso.
Sayed ergueu as sobrancelhas.
– E será que você vai me dizer o nome dela?
Ana estreitou os olhos para Sayed e pensou um pouco.
– Creio que se ela não te disse o nome dela, é porque não quer que você saiba.
Sayed suspirou com os olhos sorridentes.
– Tem razão. — Então olhou pensativamente para Ellie, porque ambos estavam no bar em frente ao sofá onde ela estava sentada. — Mas deve haver um modo de eu me aproximar dela.
Ao dizer isso, ele olhou novamente para Ana e a viu revirar os olhos.
– Não acredito...
– O quê?
– Você me convidou só pra falar da Ellie e... — Ana fez uma pausa brusca ao perceber que havia dito o nome dela. — Droga.
– Ah, então o nome dela é Ellie. — Ele sorriu.
– É, tá legal, esse é o nome dela, sim. — Ana suspirou. — Então era você que ela estava olhando naquele dia na feira.
Sayed sorriu de novo. Ele sorria sempre. Isso fazia parte de ser particularmente quem ele era.
– Bem, ela me viu e nós trocamos olhares. Mas eu estava indo embora e pensei que jamais a veria novamente, até porque notei que ela não é daqui.
Ana assentiu, um tanto surpresa pela situação. "Só pode ser coisa do destino", pensou. Mas ficou calada.
– Gostei do jeito dela. — Sayed continuou -; ela é diferente. Parece... Parece ter uma personalidade forte.
Ana assentiu novamente. Nesse momento, o garçom trouxe os drinques. Os dois agradeceram e após ela beber um gole da bebida forte, falou:
– Ok, você gostou da minha amiga e quer me contratar como cupido.
– Cu o quê? — Sayed franziu o cenho.
Ela riu diante da pergunta e lembrou-se que em Dubai as pessoas não conheciam aquela expressão.
– Olha, esquece. — Riu novamente. — Acho que se você quer mesmo ela, está perdendo tempo comigo. Ela não é assim tão impossível. É uma ótima pessoa. E uma grande amiga. Então vai lá. — Ela fez uma pausa. — Eu já te ajudei com o nome. — Em seguida sorriu, piscando um dos olhos.
Sayed se levantou e agradecendo, foi na direção de Ellie e sem pedir licença, sentou-se ao lado dela. Piscou para Ana e dirigiu-se novamente para ela.
Ellie sentiu o coração ligeiramente acelerado e o encarou de volta, perguntando-se o que aquilo significava. De repente se surpreendeu com a sensação que o olhar dele lhe causou. Que olhos eram aqueles? O que eles queriam dizer, que a boca calava?
– Eu sei o seu nome. — Foi o que Sayed falou.
Ellie assentiu e olhou rapidamente para Ana, que estava olhando alguma coisa dentro do copo.
– Tudo bem, eu não esperaria outra coisa da minha amiga. Ela te falou meu nome, claro.
– Mas ela falou sem querer. — Sayed disse.
Ellie riu diante do modo quase infantil com que ele defendera sua amiga.
Sayed sorriu também, é claro.
– Que sorriso lindo. Gostei. — Ele falou.
Ela balançou a cabeça e o encarou.
– Obrigada. Mas o que você quer, realmente?
Sayed se endireitou no sofá e respondeu:
– Eu quero conversar com você.
Ellie baixou o olhar e encarou o chão. Por alguns segundos não disse nada. Na verdade ela não sabia realmente NÃO queria... Segundos depois, houve uma certa agitação no andar onde estavam que fez Sayed estremecer ao seu lado no sofá.
– Mas precisamos sair daqui. — Ele exclamou.
Ellie franziu o cenho e o encarou, surpreendida pela urgência em sua voz.
– O quê?
– Temos que sair agora.
– Sair para onde? Por quê?
Sayed olhou para os lados, como se estivesse preocupado que alguém o visse.
– Os paparazzi não podem me ver aqui. Eu já vim pra cá pra fugir deles... — O olhar dele de repente pareceu sorrir, acompanhando o restante do rosto.
– Como é que é? — Ellie perguntou incrédula.
– Por favor, Senhorita, você deve me seguir agora.
Ele fez menção de quem ia se levantar, mas ela nem se moveu.
– Eu não vou a lugar nenhum com você.
Sayed estreitou os olhos pra ela.
– Moça, não seja tão dura comigo. Só quero conversar com você.
– Se quer conversar, converse. Mas eu não vou a lugar algum com você. Eu nem te conheço.
Na voz de Ellie havia uma mistura de sensações que nem ela mesma entendia. Sayed olhou para um lado e viu um fotógrafo procurando por ele.
– Ellie, moça bonita que eu acabo de conhecer, juro por Alah que não vou sequestrá-la ou lhe fazer qualquer mal. Então quero que venha até a conbertura do prédio comigo.
– Você ficou louco?
– A noite está uma beleza. — Ele piscou. — Venha, eu te peço. Creio que você é uma pessoa confiável.
Ellie, um tanto incrédula, olhou pra frente, pensando no absurdo da situação. O que o neto do Sheik árabe queria com ela na cobertura daquele prédio?
Ela decidiu então que não iria com ele até lá de modo algum.
– Me desculpe, mas não posso.
– Por favor. — Sayed falou.
Ellie o encarou. Aqueles olhos pareciam agitados.
– Não, já disse.
– Vamos! Eles estão vindo!
Ellie suspirou e revirando os olhos falou:
– Tá bom, vamos.
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