Duas Mentes e Um Risco
1 Capítulo Piloto
Notas iniciais
Hoje completam exatamente oito dias do nosso confinamento. Entenda, eu não poderia ficar convencido com o pedido espontâneo de Light Yagami para ficar confinado e com isso provar sua inocência. Só posso deduzir que ele premeditou ser inocentado enquanto alguém cumpre ordens suas, agindo como o Kira. Após algum tempo preso, Light insistiu em ser solto, o que me faz crer que ele calculou um tempo certo entre sua prisão e o momento em que teria liberdade e privacidade novamente para agir. Dessa forma, concordei em soltá-lo não só da cela, mas como da corrente que o prendia a mim. O que ele não sabia, é que eu o confinaria junto a mim contra sua própria vontade e sem o conhecimento de ninguém.
Light anda tendo oscilações de humor entre a irritação, o tédio e ansiedade. Acho que ele está irritado porque achava que trazendo dois celulares, um ficaria em meu poder e, o segundo oculto, poderia ser usado livremente. O que ele não sabia é que, para prever esse tipo de coisa, escolhi um local onde não há sinal algum para telefone, televisão ou internet (aí está o motivo do tédio, estamos totalmente fora do alcance de informações e a ansiedade parte do desejo de voltarmos e saber o que o suposto novo Kira anda aprontando).
Na verdade, eu mesmo não sei onde estamos ou quando alguém virá nos buscar. Deixei que Watari cuidasse disso. Partindo do princípio que Kira pode controlar os atos antes da morte, ele poderia facilmente tirar e enviar uma foto minha ao segundo Kira, escrever meu nome no caderno e, controlando meu comportamento, poderia me fazer nos tirar daqui, trazer alguma outra pessoa ou causar algum acidente compatível com o local. Por exemplo, parece que há ursos por aqui. O caderno poderia controlar animais?
Quanto a possibilidade de fotos enquanto durmo, digamos que tropecei e acabei acidentalmente empurrando Light da ponte direto para aquele lago escuro. Como previ, ele havia trazido dois celulares que, depois de molhados, não acendiam a tela. De qualquer forma, acho que até o Kira hesitaria diante da possibilidade de ficar exilado para sempre se um sinal não for enviado por mim para que sejamos resgatados.
– Ryuzaki, quando você vai se convencer de que eu não sou o Kira e pedir ao Watari que nos tire daqui?
Sim, como imaginei. Você deve pensar que eu sou essencial para sairmos daqui, Light. Assim você será forçado a acreditar que só o seu comportamento pode me convencer de que você não é o Kira. O que você vai fazer para que eu acredite nisso? Enquanto você tiver essa certeza e não tiver qualquer contato com o mundo exterior, sei que 1- Você não poderá passar instruções ao novo Kira e se ele não for cuidadoso o suficiente, como suponho, logo se entregará com seus próprios atos; 2- Se Misa Amane for o segundo Kira e tiver lembranças disso, sua farsa irá ruir a partir do momento em que for anunciado a ela e aos demais envolvidos na investigação o assassinato de Light Yagami por um criminoso com execução marcada, cujo nome e informações foram mantidos em sigilo absoluto. Se houver qualquer lembrança sobre ser o segundo Kira, sabemos qual será o fim desse criminoso.
– Você não devia estar ansioso demais. Um garoto tão estudioso e esforçado como você deveria gostar de tirar férias, às vezes, Light.
Ele pareceu aborrecido e voltou ao caça-palavras. Pelo o que contei, ele já havia resolvido pelo menos 247 daqueles. Impressionante.
Nossos cômodos eram bem simples, mas aconchegantes. Tinha o inconveniente de termos que reabastecer a lareira com madeira úmida — lá fora nevava — e toda a comida era enlatada. Pelo menos os doces eram bons, Watari deve ter se encarregado disso.
Tínhamos uma cozinha, uma sala ocupada com a lareira que aquecia o resto da casa e uma mesa de madeira rústica e três cadeiras em torno dela. O banheiro era grande e a água aquecida era abundante. O quarto era todo forrado com carpete verde. Muito conveniente, seria incômodo andar sem sapatos pelo chão frio.
Tínhamos apenas um quarto, composto de uma poltrona verde, um abajur sobre o criado mudo, um frigobar com um arranjo de flores em cima e uma cama de casal, onde Light e eu dormimos juntos durante esses dias. Eu particularmente não dei a mínima desde o começo, mas ele apresentou alguma resistência. Depois de um dia, parecíamos até mesmo ansiosos por esse momento em que dividíamos a cama. Deitávamos cada vez mais cedo e levantávamos cada vez mais tarde. Ficávamos um bom tempo acordados na cama.
Há três dias aconteceu algo interessante. Eu estava deitado de costas para ele, muito acordado, encolhido sobre meus joelhos debaixo das cobertas, fazendo algumas conexões provavelmente além da realidade. Senti dedos tocarem levemente meus cabelos, depois ganhando mais confiança e acariciando-os, por fim. O que ele pretendia? Ele queria que eu tomasse consciência de seu ato? Calculadamente me movi bem pouco, fingindo estar reagindo inconscientemente. O toque cessou imediatamente. Hum.
Na noite seguinte, enquanto ele provavelmente fingia dormir, repeti o toque e a carícia exatamente como ele havia feito comigo. Senti ele se retesar, porém não reagiu. Continuou fingindo estar adormecido. Mas ele sabia agora que eu sabia. Nós dois sabíamos. O que isso poderia significar? Não houve qualquer reação ou protesto quem sabe por... Horas? Adormeci acariciando os cabelos de Light e quando acordei, estávamos abraçados. Pelo susto, levantei imediatamente. Não conversamos sobre nada disso nem por um único momento, mas ele não se atreveu a me olhar nos olhos.
Na noite do sétimo para o oitavo dia, fomos para a cama cedo, sob qualquer pretexto e me deitei de costas para ele, atento à movimentação do colchão. Ficamos absolutamente quietos durante um longo tempo. Os únicos barulhos audíveis eram o do vento batendo contra a janela e o crepitar da lareira na sala.
De repente, ele me abraçou. Seu corpo estreitou-se contra o meu debaixo das cobertas e senti a sua respiração em minha nuca. Até onde iria o jogo, dessa vez? Não reagi. Sua mão espalmada percorreu meu peito e foi descendo até encontrar o jeans da minha calça. Ele a desabotoou e abriu o zíper. Light acariciou meu membro por cima da cueca. Isso me excitou imediatamente. Não era embaraçoso. Teoricamente eu estava dormindo, não estava? É claro que sendo tocado daquela forma, provocaria uma ereção mesmo em um homem dormindo. A questão é, o que ele pretendia? Não fui capaz de supor. Aquela situação havia reduzido 90% de minha capacidade dedutiva. Senti um volume se formar atrás de mim. Não era só eu que estava com uma ereção. Então me virei para ele. Nos encaramos por breves segundos que pareceram durar horas. Então, eu o beijei. Sua boca era macia e incrivelmente quente. Nos beijamos devagar e senti a mão dele tocar meu rosto e depois iniciar o ritual de acariciar meus cabelos.
Fiquei por cima dele. Interrompemos o beijo e nos olhamos outra vez nos olhos. Aquele olhar determinado e desafiador pareceu reacender nossa batalha. Um de nós teria que vencer. Cobri seus lábios com os meus uma outra vez, dessa vez com mais paixão, enquanto erguia sua camiseta, sem pressa. Ao tirar a camiseta dele, tirei também a minha camisa de algodão branca, com um pouco mais de demora por causa das mangas compridas. Sorri ao ver o olhar dele para meu corpo. Lembro de já haver dito em algum momento que sou mais forte do que aparento.
Talvez para mostrar que também era forte, Light me jogou para o lado e rolou para cima de mim. Ele tirou minha calça jeans e juntamente minha cueca. Meu pênis ereto ficou completamente exposto, de pé diante do meu oponente. Light, ainda de calças, veio de gatinhos por entre as minhas pernas e tomou meu membro em sua mão, olhando para a extremidade do meu pênis que estava inchada e muito vermelha, como se medisse sua potência. Meu corpo inteiro estremeceu quando seus lábios tão quentes e macios envolveram a cabeça do meu pênis, em conjunto com sua língua, que passeava preguiçosamente ali como se tentasse sorver todo o sabor. Fechei os olhos só por alguns segundos, até me acostumar a esse prazer torturante, então passei a assistir atentamente a performance de Light com a boca. Como em todo o resto, ele era bem habilidoso nisso.
A saliva dele escorria pelo meu falo insuportavelmente endurecido enquanto seus lábios deslizavam facilmente desde a extremidade até a base num movimento frenético. Uma de suas mãos estava se apoiando na minha virilha, enquanto a outra massageava cuidadosamente meus testículos e só parava vez ou outra para massagear seu próprio membro sob a calça que ainda usava. Ele me olhou de relance enquanto me chupava e depois me encarou firmemente.
– Droga, Ryuzaki! Tira esse dedo da boca e pare de agir como se estivesse me analisando! Não me olhe assim!
– Opa. Hehehe. Desculpa.
Ele pareceu acanhado por um momento, mas voltou a engolir com vitalidade a minha ereção. Tomei o cuidado de tocar sua cabeça com as pontas dos dedos, pressionando levemente para baixo. Bom, ele afastou minha mão com um tapa e desabotoou sua calça com uma só mão e colocou para fora a prova de sua latente excitação.
– Vamos ver se você vai parecer tão indiferente agora!
Light mal acabou de falar e já estava jogando todo o peso do seu corpo contra mim, tentando prender meus pulsos com uma só mão e, com a outra, buscava posicionar seu pênis duro entre minhas pernas de forma que poderia me penetrar. Me soltei facilmente de sua mão e inverti o jogo. Prendi ele contra o colchão de bruços, aplicando-lhe uma chave de braço. Se ele fazia menção de se mexer, eu puxava com uma mão o seu antebraço para trás até um pouco antes de quebrá-lo. Com a mão livre, afundei sua cabeça contra o travesseiro e o mantive assim, segurando-o pelo braço e pela nuca.
Sua calça estava abaixada o suficiente para deixar sua bunda completamente a amostra. Ele estava de pernas fechadas entre as minhas abertas, enquanto eu estava sentado sobre ele, então isso foi um pouco difícil. Eu o penetrei, entrei completamente em Light Yagami. Ele havia deixado meu membro completamente babado, então não demorou muito depois de forçar a entrada. Deve ter doído bastante, porque ouvi um rugido poderoso sufocado parcialmente pelo travesseiro, em seguida ele se contorceu embaixo de mim como se eu tivesse cravado uma faca em suas costas. Isso não me fez parar.
Light era quente, apertado, aveludado... Acho que eu não conseguiria parar nem que quisesse. Minhas estocadas eram curtas, energéticas e rápidas. Fiquei daquele jeito por muito tempo, tão imerso no prazer, que mal notei quando ele parou de lutar contra mim. O som abafado agora parecia a expressão de sensações prazerosas. Soltei seu braço e, como pensei, ele não tentou sair de baixo de mim. Soltei também a sua nuca e, como também pensei, ouvi melhor o barulho que ele fazia agora. Gemidos de prazer.
Abri as pernas dele e me encaixei entre elas, sem deixar de penetrá-lo. Agora eu estava deitado sobre o Light de bruços. Isso tornou minhas estocadas mais lentas e mais profundas. Aproximei meu rosto do dele.
– O que está achando disso, Light?
– Eu vou gozar. — Ele me respondeu, o rosto contorcido pelo êxtase. — Eu vou...
O corpo dele estremeceu por inteiro, seu orifício se contraiu com uma força incrível em torno do meu pênis. Saber que Light estava gozando pelo fato de ser penetrado por mim — pois eu não havia tocado seu membro uma única vez — me provocou uma excitação a um nível que não pude me conter e gozei. Jorrei quente e demoradamente para dentro dele.
Estando tudo acabado, deitei ao seu lado e ele se virou para mim. Não dissemos absolutamente nada.
Light, você faria amor comigo para que eu me sinta íntimo e assim minhas suspeitas de que você é o Kira diminuam? Sim. Mas até que ponto você está fingindo? Eu sei que você, Light Yagami, gosta de vencer e gosta de poder e esses dois fatores associados são a fonte de prazer do Kira, que pode controlar, julgar, e tirar vidas segundo suas convicções. Poder e domínio absoluto. Mas hoje você ficou totalmente sob o meu poder, controle e domínio. E sentiu prazer.
– Light?
– Sim?
– Dominei você. Eu venci.
– O quê?! Do que você está está falando? Isso não foi uma competição!- Olhando nos seus olhos, tenho quase certeza de que você é ou se julga inocente ou atingiu um nível de atuação impassível de suspeitas. Seu rosto ficou vermelho. Vejo indignação e... Decepção? Decepção em seus olhos. — Isso não é sobre nós dois, não é? Isso é sobre o Kira! Quantas vezes vou ter que repetir que eu NÃO SOU O KIRA? Lide com isso, com o fato das suas suposições estarem erradas, Ryuzaki. Pense bem, se eu fosse mesmo o Kira, você acha que eu iria correr o risco de me tornar tão... íntimo de você? Você deve estar pensando que, como Kira, eu estaria cuidando de afastar suas suspeitas criando um laço entre nós dois. Mas o risco também seria meu, nós dois estamos estreitando o espaço desconhecido entre nós. Se há riscos pra você, se eu fosse o Kira, também haveria para mim. Mas se você acha que os riscos são apenas seus, significa que está envolvido o suficiente para saber que não "venceu" seja lá que tipo de jogo em que você estivesse pensando jogar.
Por alguns instantes apenas deslizei o polegar sobre meu lábio, absorvendo aquilo que ele havia me dito. Ele poderia estar certo, ainda assim eu sabia que o Kira apostava que podia ganhar contra mim nas investigações, não importando os riscos. Não era assim que Light estava apostando agora?
Me levantei e vesti minhas calças, dispensando a cueca.
– Interessante. Você fica bem bonito mesmo quando está irritado, não é? Entendo a sua popularidade com as garotas, Light. Pode se tornar difícil se concentrar perto de você. Ainda mais quando está nu.
Ele riu bastante. Fiquei apenas assistindo sua convincente demonstração de humor e descontração, até que as risadas cessaram e aquele emaranhado de cabelos castanhos pousou novamente no travesseiro. Ele bateu a mão no colchão, me convidando silenciosamente para deitar ao seu lado.
– Hahaha... Não seja idiota, Ryuzaki. Ninguém consegue me irritar como você. Nu e irritado? Estou quase certo de que só você consegue causar essa combinação em mim.
Antes de aceitar o convite silencioso dele, fui até o frigobar e procurei algum doce especial, enquanto disfarçadamente verifiquei o meu celular escondido entre o arranjo de flores. Ele ainda estava gravando. Não era bem esse tipo de coisa que eu pretendia que ele gravasse, mas admito que essa gravação saiu bem mais prazerosa do que se fosse a do meu assassinato e a prova definitiva de que Light é o Kira. Voltei para a cama com alguns bolinhos. Pouco tempo depois adormeci no peito de Light Yagami, enquanto ele acariciava meus cabelos.
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