Duas Faces - Continuação
14 Capitulo 59
Capitulo 59
(É noite e Victoria liga à Paula para combinarem a troca de maneira mais conveniente)
Victoria – Preciso que fiques a minha espera num parque aqui ao pé.
Paula – E porquê não posso ir ter contigo ao hotel? É mais confortável.
Victoria – Pelo simples facto de os empregados virem duas senhoras Ferreiras.
Paula – Oh, sim! Entendido. Ah, Victoria, ainda estás segura de trocarmos?
Victoria – Sim… eu acho que sim! Mas porquê? Tu já não queres? (desejando ouvir um “não”)
Paula (respira fundo, fecha os olhos, abre-os e já tem uma resposta) – Sim… eu quero!
Victoria (com uma voz, notoriamente, desanimada) – A meia-noite em ponto, eu estarei lá.
Paula – Se te atrasares um minuto que seja, vou-me embora! (desliga antes que Victoria possa responder) Hoje… (gira o olhar pelo Ramalhete) Hoje deixo-te para sempre. (Telmo entra) Meu Telmo, ainda bem que te vejo. Faz as tuas malas e prepara o teu carro! Hoje é o dia final.
Telmo (assustado) – Mas, minha senhora, porquê esta decisão tão repentina?
Paula – Não a tomei sozinha. Victoria deseja regressar à sua casa e… (abaixa o olhar) E ao seu marido. Que mais posso eu fazer, se não aceitar a sua decisão?
Telmo (segura-a pelos dois braços) – Minha senhora, minha rica senhora, não cometa este desfalque, não abandone os seus sonhos, fique com o homem que ama!
Paula (solta-se dele) – Telmo, estás louco? Ora dizes uma coisa, ora dizes outra!
Telmo – Senhora minha, filha da minha alma, não dê ouvidos à este velho ranzinza que nada sabe destes contos amorosos. Eu só quero a vossa felicidade, minha adorada.
Paula – Mas, meu Telmo, Frederico é marido dela, que posso fazer?
Telmo – Sim, é seu marido, mas a sua alma e o seu coração não lhe pertencem se não à vós.
Paula – E isso de que serve, se diante de Deus e de todos, Frederico Moreno é casado com Victoria Moreno? Eu não sou mais que uma concubina… ainda pior por não ser do seu conhecimento. Frederico fez amor com Victoria, ainda que fosse eu ali, sobre aquela cama.
Telmo (insiste) – Mas minha senhora… (Paula solta-se dele e senta-se na cama)
Paula – É a mais pura verdade! São os meus lábios, mas é à Victoria quem ele beija, é meu corpo, mas é à Victoria quem ele abraça todos os dias, pela manhã. Eu não sou nada para ele, Telmo. Frederico pensa estar bem com a esposa e eu… eu sou uma mentira, um engano, uma travessura do destino. (levanta-se e enxuga as lágrimas) Vamo-nos embora esta noite. Ela estará a nossa espera, num parque ao pé do hotel Central.
(Telmo consente as ordens da sua senhora. Faz-lhe as malas e as suas, prepara o carro, tudo sigilosamente para que ninguém percebesse o movimento. A noite cai e já são dez horas. Paula e Telmo pegam nas malas e as põem no carro. Paula entra no Ramalhete, sobe a escadaria de carpete vermelho escuro. Vai ao quarto de cada um dos filhos de Victoria e dá-lhes um beijinho de adeus. Para cada beijo, um pedaço do coração e uma lágrima que se lhe escorria pelas bochechas rosadas, e as mãozinhas frias que se lhes acariciavam os cabelos, fazendo-lhes meiguices de mamã arrependida. Paula volta para o carro e Telmo segue para Lisboa. Enquanto isso, no hotel, Victoria já tinha tudo preparado, as malas estavam prontas, tudo levaria consigo, menos o seu coração pois já não lhe pertencia. Nem se quer pôde dizer adeus aos seus pequeninos novos filhos, não pode se quer abraçar o homem que ama e dá-lhe o ultimo beijo. Olha para o relógio e já são onze e quarenta. Pega nas malas e na tulipa morta, abre a porta e tem uma surpresa… é Cesar, ali parado diante dos seus olhos. Victoria estremeceu e sentiu as pernas falharem. Estava branca como quem vira um fantasma. Cesar apareceu no momento mais inconveniente possível. E agora, como elas fariam a destroca?)
Victoria (Paula) (com os olhos arregalados) – Cesar? Que fazes tu aqui? A esta hora?
Cesar – Sei que é deveras tarde mas… foi a única hora que consegui vir encontrar-te. (vê as malas) E estas malas? (sorri) Não me digas que já ias voltar para casa, meu amor?
Victoria (Paula) (engole em seco) – Sim… pois na verdade… sim! Já ia voltar para casa.
Cesar (entra, sem ela impedir, fecha a porta e beija-a inesperadamente) – Meu amor… então isso quer dizer que tu perdoas-me pela maneira estupida e irracional com a que te tratei?
Victoria (Paula) (treme nos braços dele. Está afogada em nervos) – Ah… sim, sim, meu… meu amor! Eu perdoo-te (Cesar volta a beijá-la, desta vez, com mais pretensão) E… o que te fez mudar de ideia, para me vires pedir perdão… tão rápido?
Cesar (abraçando-a) – Eu refleti e pensei nas coisas com mais atenção. Percebi que não fazia sentido e que provavelmente, a minha tia inventou aquilo tudo… deixei-me levar pelo ciúme.
Victoria (Paula) – Oh… entendo! E como encontraste-me? Eu não disse que vinha para cá.
Cesar (beija-lhe o pescoço) – Segui o meu coração. Deixei o meu amor me guiar… deu certo.
(Victoria olha para o relógio e percebe que faltam dez minutos para a meia noite. Preocupa-se, sabe que Paula é pontual e sabe que ela detesta atrasos. Cesar avista um tabuleiro de xadrez)
Cesar (aponta para o tabuleiro) – Gostas de xadrez? Queres jogar uma partida comigo?
Victoria (Paula) (está aflita com as horas, mas aceita. Não sabe o que dizer) – Está bem.
Cesar – Mas… deixemos um pouco mais interessante. E se… apostarmos algo?
Victoria (Paula) (interessa-se. Se ganhar, pedir-lhe-á que se vá embora, então poderá encontrar-se com Paula) – Ótima ideia. O que vais apostar?
Cesar (olha-a sedutoramente e sorri) – Se eu ganhar, quero uma noite contigo. (Victoria consente e senta-se para jogar) Há vinho? Tenho vontade de beber algo.
Victoria (Paula) (olha para a mesa e avista uma garrafa) – Vinho não tenho… só tequila.
Cesar (rir-se) – Fantástico! (olha-a com desejo, sussurra) Adoro fazer amor depois de tomar tequila. (Victoria arrepia-se toda. Cesar serve-lhe a bebida e o jogo inicia-se)
(Paula e Telmo chegam ao lugar combinado. Preocupam-se por Victoria ainda não estar)
Paula – Então? (olha para o relógio) – Já é meia-noite. Onde ela está?
Telmo – Aguarde um momento, minha senhora. Se calhar já está a vir.
(Entre goles e mais goles de tequila, faz-se lances e movimentos. Os peões já estão pela metade e o rei de Cesar está em perigo, mas logo dá a volta por cima e faz um cheque. Victoria sorri felicitando-o, mas lança-lhe um olhar soberano que demonstra controle total e advertência. Já se passaram vinte minutos e Paula está aflita)
Paula – Onde ela está, que não aparece? (sai do carro e olha para os lados) Eu disse-lhe que não se atrasasse. Um minuto de tolerância eu lhe dei e olha o que me faz?
Telmo – Bem… vinte minutos… acredito que já não venha, minha senhora.
Paula (entra no carro) – Estaciona em frente ao hotel. Se calhar vemo-la por lá.
(Telmo obedece e avança com o carro. Paula vê o Porsche estacionado à porta e reconhece-o)
Paula – Vede, Telmo! É o carro do Cesar. Está lá com ela… então é por isso que não veio. (estranha) Mas… que estarão a fazer, lá sozinhos?
Telmo (sorri e balbucia sarcasticamente) – Se calhar a jogar xadrez! O que a minha senhora acha que um homem e uma mulher fazem, a sós, num quarto de hotel?
Paula (escandaliza-se com a perspicácia de Telmo) – Achas que eles estão a… ora Meu Telmo!
Telmo (irônico) – Já viu, esta situação é muito gozada? A minha senhora sabe que o seu marido está num quarto de hotel com outra mulher a fazer só Deus sabe o quê. (rir-se) Olhe, a minha senhora poderia entrar lá e apanhá-los. (solta gargalhadas) A esposa traída apanha o marido com a amiga. Estou a viver um filme de comédia romântica. (olha para os lados) As camaras?
Paula (indigna-se) – Olha que hoje o menino Telmo está muito engraçadinho! Vai lá e pergunta o número do quarto em que estão hospedados. Pergunta pelo senhor Cesar Ferreira!
Telmo – De maneira nenhuma! Eu não me chamo Ana Rosa!
Paula (olha-o desentendida) – Telmo, quem é Ana Rosa? Em que mundo estás?
Telmo (rir-se) – Desculpe, minha senhora. Esta mulher é duma novela que assisti há uns anos.
Paula (olha para o hotel e franze os lábios) – Esquece! Vamos voltar para Sintra. (sorri) Parece que o destino não me permite separar de Frederico… ao menos não antes dum ano.
Telmo (suspira de alivio) – Graças ao bom Deus! (liga o carro e os dois voltam para Sintra)
(Victoria e Cesar estão concentrados no tabuleiro, entregando-se à tequila e às peças. Victoria faz um cheque e olha Cesar com um ar vencedor e poderoso)
Cesar – Bom… muito bom, meu amor, incrível… és divina! (move uma peça) Cheque mate! Eu venci. (olha-a com soberania) Acredito que alguém me vá proporcionar uma linda noite.
Victoria (Paula) (estremece só de se imaginar nos seus braços. Olha para o relógio e dá-se conta de que já são meia-noite e meia. Paula já se foi) – É… eu estou disposta a pagar a minha aposta como boa jogadora que sou. (levanta-se e tira o casaco… começando a despir-se. Cesar levanta-se e segura nas suas mãos impedindo-a de continuar)
Cesar – Deixa! Não é preciso. (Victoria olha-o sem perceber) Eu não quero fazer amor contigo por uma aposta. Se não desejas, eu não desejo também. (Dá-lhe um beijo na testa) Boa noite, minha adorada! Vou para casa, se quiseres podes ficar cá. (Vai em direção à porta)
Victoria (Paula) (antes que Cesar pudesse sair, ela abraça-o por trás, sussurra) – E quem disse que eu não desejo? (Ouvir: Laura – Viveme com Alejandro. Victoria beija-o e Cesar leva-a para o meio do quarto, ainda aos beijos, beija-lhe o pescoço arrancando suspiros de Victoria que se deixa derreter naqueles braços, tira-lhe o paletó enquanto Cesar despe-lhe a camisa de seda, como relíquia de santa que tivesse transpassado donzelas, deixando-a apenas com o seu soutien negro. Cesar vem de espirito aceso, estimulado pela conjunção mística do dever carnal. Victoria desata-lhe a gravata e lança-lhe sorrisos sedutores que são retribuídos por Cesar que, quase com os lábios, abaixa-lhe a alça do soutien. Os beijos, quentes fazem o quarto frio arder no fogo da paixão. Victoria quase não se pode ficar em pé, deseja descair naqueles braços e permitir que a lance sobre a cama. Já despidos, no meio do quarto romântico, os beijos cálidos reinam, Cesar beija-lhe o pescoço, acaricia-lhe as costas nuas, aperta-a nos seus braços, prendendo-a para si. Victoria deixa-se beijar como se fosse a sua prisioneira, já não tem controle sobre o seu corpo e, finalmente, cai nos seus braços, Cesar conduz Victoria ao leito, leva-a pela mão como no baile o cavalheiro à dama. Esta é a cama que veio da Holanda quando a rainha veio da Austrália, mandada fazer de propósito pelo rei, a cama, a quem custou setenta e cinco mil cruzados, que em Portugal não há artífices de tanto primor. Victoria estende à Cesar a mãozinha suada e fria, que mesmo tendo aquecido debaixo do cobertor logo arrefece ao ar gélido do quarto, e Cesar ergue-a e deita-a sobre os lençóis famintos e cúmplices daquele amor proibido. Põe-se sobre ela e fá-la sua. Rolam sobre a cama, soltando gemidos e soluços prazerosos, sem se importar com a nudez ou os corpos suados, colados um ao outro, esfregando-se os seios femininos ao peito másculo e forte que a mantinha sob controle enquanto fazia os movimentos necessários para que se obtivesse prazer e desejo. Victoria põe-se sobre Cesar e demonstra-lhe poder sobre si, beijando-o e conduzindo-o a sua vontade. É lançada para o lado e presa pelos pulsos enquanto lhe é beijado o pescoço macio. Arranha-lhe as costas enquanto se lhe penetra o membro rijo provocando-lhe suspiros acelerados. Entrelaça-lhe a perna para que não saísse de cima do seu corpo que gritava por aquele momento de amor)
(Paula e Telmo Chegam ao velho Ramalhete. Sobe rapidamente para o quarto, guarda as malas e quando se vira, depara-se com Frederico que possui uma postura rígida e julgadora)
Frederico (olha para o relógio) – São quase três da madrugada. Onde estavas a esta hora?
Paula (Victoria) (nervosa) – Eu… ah… bem.. eu… (Frederico agarra-a pelos braços)
Frederico – Porquê tão nervosa? Hã? Onde estavas até as três da madrugada, onde estavas?
Paula (Victoria) (solta-se dele) – Magoaste-me o braço, outra vez! Estás maluco, ou o quê?
Frederico (aumenta a voz) – Pela última vez, onde estavas até esta hora? (Paula afunda-se em nervos. Como fará para explicar-lhe? Como escapará desta enrascada?)
FIM (DO CAPITULO 59)
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