Drysteyn
9 Drysteyn Capítulo 3 parte 3
Notas iniciais

Capitulo 3 parte 3
Após o ocorrido Kylle me chamou para dançar, eu recusei mais depois dele insistir umas cinco vezes eu aceitei, quando estávamos dançando reparei que Shayla não estava mais ali.
Depois do baile Kylle me acompanhou até meu dormitório, dizendo que minha reação de ciúmes era muito fofa, quando ele disse isso eu dei um soco nele dizendo que eu não sou nada fofa, ele apenas riu e continuou a me acompanhar.
Finalmente chegamos ao meu quarto.
— A noite passou rápido. – disse ele.
— Como assim? Ainda não é nem meia noite. – eu ri e ele riu junto.
— Sabe... eu sempre quis ver seu quarto. – diz Kylle.
— Você já não o viu antes? – pergunto zombando.
— Nunca parei para apreciar.
— Você quer entrar? – perguntei zombando.
— Quero. – ele respondeu com um sorriso nos lábios que me deu calafrios.
Eu abri a porta e Kylle entrou comigo fechando a porta atrás de si.
— Veja – digo a ele – não há nada de mais a não ser alguns livros espalhados.
Kylle nem presta atenção no que eu disse e desfaz meu penteado, soltando meus cabelos entre seus dedos.
— Você não precisa usar este penteado, prefiro você de cabelo solto. – diz ele.
Esse é um daqueles momentos surpresa em que fico envergonhada por qualquer coisa.
— Com licença, vou trocar de roupa. – digo.
— Você quer que eu te ajude a tirar isso? – ele aponta o vestido com um sorriso malicioso.
— Absolutamente não! – digo indo até o banheiro com o rosto queimando.
Depois que coloquei uma roupa confortável (fiz questão de colocar uma calça), voltei e Kylle estava lendo um dos meus livros deitado em minha cama de barriga para cima.
— O que você está lendo? – perguntei me sentando na cama.
— Nada de mais. – ele coloca o livro de lado e me puxa para ele.
Eu me encaixava perfeitamente em seu corpo, agora que reparei que sou um pouco baixinha.
— Você vai ficar aqui? – perguntei.
— Não se preocupe. – disse ele – o máximo que vou fazer é dormir abraçado com você.
— Mais era isso que eu estava pensando.
— Sério? – ele fica vermelho.
Fiquei aconchegada em seus braços conversando com ele sobre Dimons, magia, e o que ele achava daqui, até que acabei caindo no sono.
Algumas horas depois acordei com uma luz forte atravessando minhas pálpebras, olhei em volta procurando a fonte de toda essa luz, e era meu Dimon. Com um salto eu já tinha saído da cama e estava com ele em minhas mãos. Seus símbolos estavam brilhando e sua casca se partindo.
Kylle já estava ao meu lado tão surpreso quanto eu. O ovo se partiu em vários pedaços e dentro dele havia uma luz branca que foi sumindo e dando lugar há uma raposa branca de duas caldas, com uma espiral em sua testa.
— O que é isso? – eu perguntei.
— Acho que é uma Kitsune. – disse Kylle.
— Kitsune?
— Sim. Elas são um dos seres mais sábio que existem, fique feliz Derza pouquíssimos Kaymer conseguem invoca-las.
Eu acariciei sua cabeça e ela abriu os olhos um eram dourados e o outro violeta.
“Olá.” Disse uma voz doce em minha cabeça. Eu olhei para os lados até me tocar que era a Kitsune.
— Olá – digo – como se chama?
“Eu não tenho um nome.”
— então... tudo bem se eu te chamar de Saphy?
“Sim. E você como se chama?”
— Derza.
“Prazer Derza, é uma honra conhecer minha senhora”.
— Não. Não. Não. – digo – Não pense assim, prefiro que sejamos amigas.
“Como desejar.” Ela olha para Kylle.
— Ah! – exclamo – E este é Kylle.
“Tem certeza?”
Não entendo o que ela quis dizer, mas respondo:
— Sim tenho. – ele fecha os olhos.
“Estou Cansada”.
Ela dorme, e eu a coloco em meio a meus travesseiros.
— Acho melhor voltar a meu quarto. – diz Kylle – Melhor você passar um tempo a sós com seu Dimon.
Ele sai. Não acredito que este seja o real motivo dele sair repentinamente assim, a algo estranho a respeito dele; antes foi a mãe dríade que disse e agora Saphy, ele está escondendo algo mais eu ainda irei descobrir.
No dia seguinte “pós baile” Gregório insistiu a Haicha que precisava nos dar uma prova e ela, obviamente, aceitou.
O teste em si, não estava difícil, mas tinha muita pegadinha; em seguida o professor dispensou todos os alunos com aceno que saíram às pressas da sala, deixando o professor inconformado.
Andando pelo corredor dos dormitórios coloquei a mão na lateral do meu corpo para sentir a bolsa, porem ela não estava ali. Eu devo ter esquecido ela na sala no meio daquela bagunça e desespero para saírem da sala, e se alguém pegar ela? O diário que Kassandra deixou para mim está lá dentro, tudo bem que só eu posso abri-lo mais é algo importante demais para mim.
Sem pensar duas vezes eu dou meia volta e saio correndo.
Finalmente chego a sala respiro um pouco e entro na sala, porem paraliso com o que vejo. Kylle está beijando Sirena e a pressionando contra a parede, segurando seu rosto. Não tenho coragem de entrar, meu coração dói.
Aquela cena está gravada na minha mente, saí da sala imediatamente chorando, a fúria dentro de mim estava incontrolável assim como a dor, tudo o que quero fazer é destruir. Empurro o primeiro aluno que cai no chão, vou andando pelo corredor empurrando todos que estão á minha frente, ouço xingamentos atrás de mim mais isso parece me motivar mais, me vejo no meu subconsciente quebrando tudo e batendo em todos, entro na sala de treinamento pego uma adaga e saio cortando e retalhando todos os alvos e bonecos; com minhas próprias mãos quebro a mesa, pedacinho por pedacinho, a lasca entra em minha mão, mas eu continuo destruindo tudo.
Pego uma lança e arremesso em uma janela, ela se estilhaça toda, faço o mesmo com todas as outras, Shayla entra e pede para que eu pare, vejo medo em seus olhos, mas eu não consigo parar, ela grita por socorro; logo Sirena e Kylle estão parados a porta, eu pego um pedaço de vidro estilhaçado e ataco Sirena fazendo arranhões e cortes em seus braços e rosto, Shayla e Kylle me puxam para longe dela, mas eu não consigo ficar longe, desejo sangue, uma sede incontrolável por sangue toma conta de mim.
No meio da confusão eu bato em Shayla com o pedaço de vidro, faço um leve corte em seu rosto, e congelo no mesmo instante; olho para ela e para o chão, e através dos pequenos fragmentos de vidro vejo meu reflexo neles; estou com um sorriso paranoico no rosto e meus olhos estão dourados. Olho minhas mãos estão encharcadas de sangue meu e de Sirena, jogo no chão o pedaço de vidro na hora e saio correndo.
Deixo meus pés me levarem para longe da escola, para longe de qualquer lugar, paro na beira de um riacho para ver meu reflexo, meus olhos ainda estão dourados, então continuo a correr.
Chego ao campo de hortênsias, nesse mesmo instante começa a chover, então eu grito e choro me ajoelhando como se isto pudesse me ajudar. Me deito no chão enquanto deixo a chuva me banhar.
“Derza”.
Me sinto e olho em volta.
— Saphy. – digo reconhecendo a voz – Aonde você está?
Ela surge na minha frente e pula em meus braços.
— Como você sabia que eu estava aqui? – pergunto me sentando.
“Eu sinto você Derza, posso te encontrar em qualquer lugar.”
Eu abraço minha pequena Kitsune.
“Derza você está despertando.”
— Como assim?
“Seus olhos... estão dourados!”
Ela se arrepia toda e a espiral em sua testa começa a brilhar, eu me sinto mais aliviada e deito no chão.
Ouço um bater de asas.
— Encontramos ela. – diz uma voz.
“São os renegados Derza, eu não tenho mais forças para lhe proteger.”
Um deles se aproxima é o mesmo anjo com uma cicatriz de antes, seus cabelos loiros apesar da chuva dançam ao redor do seu rosto.
— Olá Derza – diz ele – finalmente te encontrei, acha que podia se esconder para sempre?
Eu não respondo, pois estou tão exausta que não consigo nem falar.
— Sua brincadeira acaba agora! Aqui retirarei o pecado de Nemamiah! Você não devia ter nascido. – ele tira sua espada de entre as asas e a penetra em minha barriga.
Eu não sinto dor, mas sinto minha energia indo embora; agora eu entendo, é uma espada feita para exterminar anjos.
Acabo me engasgando com meu próprio sangue, queria dizer a Shayla que eu sinto muito por te agredido ela, e que eu sempre quis o seu bem, desde que a encontrei na floresta.
“Derza...” sussurra Saphy, provavelmente ela está morrendo junto comigo, já que ela é a metade de minha alma.
Com um estrondo gigantesco um raio cai perto de nós seguido por um rugido.
— Raiju? – diz o renegado.
Raiju? Penso. O que ele está fazendo aqui? Ele deve ir embora.
Minha visão se apaga e a escuridão me vence.
Então assim que é morrer?
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