Drysteyn
6 Drysteyn Capitulo 2 parte 3
Notas iniciais

Capitulo 2 parte 3
Vou ao sentido contrário do corredor, outro lugar que gosto de ir, paro em frente a sala de treinamento e entro.
Treinar um pouco me faz pensar com mais calma, talvez assim eu possa pensar onde Shayla está.
Pego o arco e a flecha, miro em um alvo e atiro a flecha, que rebate na parede e cai em cima de uma caixa de vidro. Espero que não tenha quebrado nada. Me aproximo e vejo um cajado dourado com uma esfera azul em seu topo com dois aros nas laterais.
— Nossa... que lindo – coloco minha mão sobre o vidro e a esfera do cajado começa a brilhar.
— Derza?
Me viro com um salto, Haicha está parada na porta.
— Desculpe... – digo – é que a flecha... daí o cajado... brilhou...
— Acalme-se – diz ela suavemente e entra na sala – não irei lhe dar bronca por isso, você viu?
— Viu o que?
— Ele brilhou com seu toque, isso prova o que eu lhe disse antes, que você é meio anjo. – Ela toca o vidro – Vê? Com alguém que não tem sangue angelical ele não desperta, agora o toque.
Eu o toco e ele volta a brilhar.
— Haicha... eu nunca tinha visto este cajado aqui antes.
— Ele estava no subsolo, estamos tendo alguns problemas lá, então trouxemos algumas coisas de lá para cá. Este cajado pertenceu a uma tropa de anjos que combatiam demônios por aqui em meio a uma guerra, aí ele se perdeu; foi seu pai que o encontrou e deu as fadas para guardarem, mas muitas delas morreram por causa de renegados, que estavam querendo se apossar dele, então elas o passaram para mim.
Sei, as fadas só não queriam problemas.
— Como não retiraram daqui ainda? Parece tão... simples.
— Está caixa de vidro – ela a toca – tem um selo muito poderoso, só alguém realmente poderoso pode tira-lo daqui, até hoje todos que tentaram retirar o selo viraram cinzas. É isso que acontece – ela sussurra.
Engulo em seco e digo:
— Vou procurar Shayla, Boa noite. – dito isso saio da sala.
Andando pelo corredor me pergunto se Haicha pensava que eu queria retirar o cajado de lá, me deu arrepios quando ela disse aquilo.
Vejo uma figura meio azulada andando pelo corredor, está escuro então não vejo claramente, mas eu a reconheço e corro em sua direção.
— Raiju! – digo e o abraço.
Ele fica imóvel, eu me afasto um pouco.
“Eu não disse para nunca mais me procurar?”. – diz ele nervoso.
— Mais eu não te procurei, você que apareceu na minha frente! – afirmo
Ele suspira.
“Você é tão teimosa”.
Você não tem ideia.
— O que faz aqui? – pergunto
“Há algo estranho acontecendo, e eu vim verificar”.
— Será que é isso que está acontecendo no subsolo? E será que tem algo a ver com Shayla “desaparecida”?
“Talvez; Derza me prometa que não sairá deste lugar e nem ir a cachoeira ou a nenhuma outra parte da floresta, mesmo os corredores não estão sendo seguros, algo está muito errado”.
— Ok, mas e você?
“Eu sou um deus Derza, já encarei coisas piores; bem vou fazer minha ronda, a gente se vê”.
— Até. – aceno e ele desaparece pelo corredor.
Bato na porta de Shayla e ninguém abre e nem dá sinal que tenha alguém ali dentro, tomo medidas de segurança e com um feitiço abro a porta; seu quarto seu quarto está muito bem arrumado, mas a uma grande quantidade de poeira nos móveis. Dou falta de alguns pertences e para confirmar abro seu guarda-roupa, e vejo que algumas peças de roupa estão faltando.
Será que Shayla fugiu? E sim por quê? Para onde e com quem?
Saio rapidamente e tranco a porta como se ninguém estive-se estado ali. Entro no meu quarto e fecho a porta atrás de mim, me deito na cama e penso em Shayla. Faz alguns séculos que nos conhecemos, ou melhor, que eu a conheci, eu ainda penso em Shayla como uma criança de 6 anos, é difícil acreditar que agora ela tem bem mais juízo que eu. Sorrio com o pensamento, e então o sono me vence.
“Derza...” alguém sussurra, abro meus olhos. Estou na beira de um riacho, na minha frente se encontra uma mulher de longos cabelos prateados que alcançam seus tornozelos.
— Mãe? Mamãe – eu a abraço, ela acaricia meu cabelo e me encara.
— Derza você precisa fugir daí.
— Fugir de onde Mamãe?
— Do colégio. Você está em perigo, eles te encontraram.
— Quem me encontrou Mamãe? E fugir para onde?
Ela começa a desaparecer.
— Aqui. – ela coloca algo lilás em minha cruz – meus poderes estão em você, assim que lhe dei este colar.
Ela se afasta.
— Não se vá!
— Não se preocupe Derza, eu sempre estarei com você.
Acordo com um estrondo, me levanto e começo a pegar algumas coisas importantes como roupas, alguns alimentos, água e o diário. Colocando-os em uma bolsa; embrulho meu Dimon em um emaranhado de roupas dentro da bolsa.
— Derza! – Alguém grita através da porta – Derza!
É a voz de Kylle.
— Kylle? – eu abro a porta, assim que a abro ele me abraça.
— Ainda bem. – diz ele aliviado – rápido preciso te tirar daqui e ... – ele olha minha bolsa.
— Eu sei. São os renegados e eles estão atrás de mim, então eu ...
— Não precisa explicar vamos. – ele me puxa para o corredor.
Ouço gritos e explosões enquanto corremos pelo corredor, tento avistar Raiju mais parece que ele não está por perto.
Kylle me leva para fora do edifício, eu paro.
— O que foi? – pergunta ele – vamos logo.
— Não posso me aproximar da floresta.
— Com certeza nesse momento, a floresta é mais segura que aqui.
Ele me puxa e entramos na floresta, escuto passos atrás de nós, Kylle me puxa para trás de uns arbustos, eu fico entre ele e os arbustos. Ele se aproxima mais de mim até me apertar contra ele.
— Fique quieta – sussurra ele em meu ouvido, não me contenho e me arrepio toda.
Escuto vozes entre as árvores:
— Eu vi eles indo em direção aquelas árvores. – diz um renegado.
— Vamos – diz outro e eles saem, tudo fica em silêncio.
Sinto um alivio e expiro, rapidamente Kylle tapa minha boca com sua mão, escuto um bater de asas e Kylle olha além dos arbustos eu também olho. Um anjo com uma cicatriz enorme no rosto pousa do outro lado e analisa o território, depois de conferir ele levanta voo e some.
Kylle tira a mão de minha boca, e continua analisando ao nosso redor; acho que ainda não é o momento de dizer alguma coisa ou me sentir aliviada de algum modo. Ele continua próximo de mim sinto seu cheiro de sândalo misturado com suor.
Finalmente ele olha para mim.
— Você está bem? – diz ele preocupado.
— S... Sim.
Ele se levanta e me ajuda a levantar.
— Precisamos achar um lugar para passar o resto da noite, até que seja seguro voltar. – diz ele.
Eu olho em volta, reconheço esses carvalhos, estamos perto da cachoeira.
— Já sei onde podemos ficar. – digo
A caverna estava intacta assim como a deixei, e muito escura, não havia sinal que nos dizia, que os renegados á haviam descoberto ou não.
— Podemos passar a noite aqui. – digo me aconchegando no tapete.
Ele se senta do meu lado exausto.
— Pode dormir Derza, eu fico vigiando.
— Sabe, — digo – eu estava errada sobre você.
Ele me olha espantado e eu continuo:
— Achei que só quisesse brincar comigo, mas você só tem se preocupado comigo, e acabou de me salvar. Você é uma boa pessoa.
Ele me abraça e diz:
— Não vou deixar ninguém fazer mal a você. – diz ele acariciando meu cabelo.
Não sei quando mais acabei dormindo aconchegada em seus braços.
Fale com o autor