Drysteyn
8 Drysteyn Capítulo 3 parte 2
Notas iniciais

Capitulo 3 parte 2
Haicha nos recebeu de braços abertos, eu entreguei o cajado a ela mais ela recusou dizendo que ele estava melhor comigo. Logo em seguida perguntei a Kylle o que aconteceu com ele no salão da mãe dríade, mas ele apenas me ignorou, não me disse uma só palavra ou me olhou. Na mesma noite Haicha anunciou que aconteceria um baile neste fim de semana, segundo ela seria um ótimo meio de tentar sair um pouco da tenção.
Logo em seguida encontrei Shayla e Dilan, de mãos dadas? Ela me disse que na semana que fiquei trancada em meu dormitório, ele a pediu em namoro, e então os dois foram fazer um piquenique e esqueceram de voltar. Eu dei um bom soco em seu ombro por ela ser tão desligada assim, mas em seguida eu a abracei e disse que fiquei preocupada.
Depois de todo esse ocorrido eu fui para meu dormitório guardar minhas coisas, e então resolvi andar um pouco pelos corredores. As salas e os dormitórios ainda tinham a mesma localização o que mudou foi a decoração festiva para o baile.
Continuei andando até chegar em um quarto escuro; como a porta estava escancarada, resolvi espiar, havia uma ponta de curiosidade em mim. O quarto era quase parecido com o meu tinha pouca mobília, e era todo bagunçado e nas paredes tinham arranhões, sem me dar conta eu já estava dentro do quarto analisando os arranhões, eram recentes, parecia ser obra de algum animal selvagem.
Alguém bateu a porta com tudo e eu me virei com um salto.
— Quem disse que você pode entrar aqui?
Estava escuro mesmo com toda a luz da lua cheia, mas eu conseguia saber de quem era aqueles olhos azuis em qualquer lugar.
— Kylle. Este quarto é seu?
— Sim. – diz ele se aproximando.
— Por que tem arranhões nas paredes? – eu eu recuei até não ter mais espaço para fugir, sei que ele está furioso.
— Você não me respondeu. – diz ele.
— Você também não me respondeu. – digo – O que aconteceu no salão da mãe dríade?
— isso não lhe diz respeito.
— Claro que sim. – digo – Você me ignorou, mereço pelo menos uma resposta.
— Me desculpe – ele para e reflete um pouco sobre a situação – Não devo pedir desculpas você invadiu meu quarto acha que vai sair imune dessa? – diz ele bravo.
— Bem... eu acho. – respondo confiante – você não me faria mal.
— Quem te garante isso? – ele me pressiona contra a parede.
— Para está me machucando. – digo o empurrando – Você me disse que não faria nada sem eu querer.
Ele me joga na sua cama e me prende contra ele, não sei se estou nervosa, envergonhada ou com medo, mas acho que os três.
— E você quer? – diz ele com um sussurro.
— Eu não sei. – digo olhando para os lados, provavelmente ele consegue sentir meu coração acelerar – eu quero que você para de brincar comigo.
— Eu nunca estive brincando com você.
Ele se aproxima seu rosto do meu e me encara como se eu tivesse que decidir alguma coisa. Por impulso eu o puxo para perto segurando seu pescoço, ele me beija suavemente, e depois o beijo fica mais feroz como se ele precisa-se disso como se fosse uma droga. Ele beija todo meu rosto e pescoço me acariciando, eu apenas reajo de volta; até que ele começa acariciar minhas pernas e então sobe para minha coxa eu me lembro que estou de saia e que as coisas não deveriam passar daqui, na verdade não deveriam nem ter começado; eu o chuto de cima de mim e corro até a porta, então me certifico que o nocauteei.
Saio em disparada pelo corredor, espero que ninguém tenha visto que acabei de sair dali, chego ao meu quarto e tranco a porta.
Me desabo em minha cama e reflito sobre o que aconteceu, não sei o que meu deu, onde estava com a cabeça? Será que o que ele disse é verdade? E se não for? Como vou reagir amanhã? Será que alguém me viu? Espero que não.
Tomo um banho, e antes que eu possa fazer mais perguntas a mim mesma caio no sono.
Acordei com Shayla berrando atrás da porta para mim abrir, por um lado queria que ela ainda estivesse em seu piquenique do amor, por outro fico feliz que ela esteja bem e que apenas uma porta nos separa.
Eu abro a porta e ela imediatamente.
— Derza preciso muito da sua ajuda. – diz ela.
— Para quê? – pergunto bocejando.
— O baile horas. – ela me responde como se fosse obvio – é amanhã, e eu preciso de um vestido. – diz ela me reprovando.
— Ah sim... – digo sem interesse algum – eu só vou me trocar e já volto.
— Ok.
Andamos pelos corredores até a sala de vestimentas (uma sala criada recentemente por Haicha). Shayla escolhe um tecido azul que combina com seu cabelo e começa a costurar; eu não sou boa em costurar, mas posso ajuda-la com os detalhes.
— Com qual você vai? – pergunta Shayla.
— Qual o que? – pergunto sem entender.
— O vestido. Você ainda não escolheu o tecido.
— Eu nem sei se vou.
— Claro que vai. A gente sempre vai juntas.
— Mais desta vez eu não vou precisar ir, pois agora você tem Dilan para ir com você. – me justifico.
— Eu sei, mas eu queria que você fosse. – Ela me olha com aquela cara de criança que eu sempre me entrego.
— Está bem. Eu vou. – me rendo.
— Ebah. – ela bate palmas e nós rimos – Qual você irá usar?
— Eu irei usar um antigo mesmo. – respondo.
— Terminei. – Ela sorriu e exibiu o vestido.
O dia passou rápido por eu estar na companhia de Shayla, e eu voltei para o meu quarto o mais rápido possível, pois eu não queria encontrar Kylle.
Na noite do baile Shayla fez um penteado de uma flor em meu cabelo deixando apenas duas mechas de fora, as que contornavam meu pescoço; eu optei por usar um vestido azul escuro que possuía pedrinhas bem pequenas que juntas ao vestido pareciam a noite, acima da minha cruz eu coloquei uma gargantilha do mesmo tom do vestido com uma safira. Olhei meu reflexo na janela, eu estava realmente parecendo uma dama coisa que não sou, isso me fez me lembrar de uma ocasião do passado com Kassandra.
Quando cheguei ao salão Shayla e Dilan vieram conversar comigo, depois de um longo tempo de conversa resolvi deixar eles aproveitarem a sós e sai para fora.
Cheguei ao pátio que ficava no penhasco o mesmo que eu olhava o rio correr, a lua estava cheia, com certeza havia lobos correndo por aí como condenados.
Fiquei um bom tempo encarando a praia e as ondas; quando me virei para sair dei de cara com Kylle que trajava uma roupa preta elegante que destacava mais ainda seus olhos.
— A quanto tempo está aqui? – pergunto.
— Um pouco antes de você chegar, estava naquela árvore. – ele apontou uma árvore bem alta – eu resolvi vir conversar com você, mas você parecia estar se divertindo olhando o mar que resolvi não me arriscar.
— É... estava. – começo a andar mais ele segura minha mão.
— Derza... me desculpe pelo que fiz aquele dia; eu estava apreçando demais as coisas, deveria saber que você não se sentia bem com aquilo.
— Não se preocupe. – digo – Eu nem deveria ter entrado no seu quarto, mas minha curiosidade falou mais alto, não deveria ter acontecido nada.
— Não deveria ter acontecido nada? – ele pergunta incrédulo – mais eu deixei tudo a sua escolha.
— Exatamente – estou perdendo a paciência – não deveria ter acontecido. Obrigada pelo Cavalheirismo mas não fique mais esperando minhas escolhas porque com certeza elas serão o mesmo “nada”.
Dou um passo mais ele me segura de novo.
— O que você sente por mim Derza? – ele pergunta.
— Não sei. – respondo sem olhar.
Ele me solta e eu entro no salão, Shayla e Dilan estão dançando no meio de vários casais. Eu pego uma bebida que me parece vinho e me sento em uma cadeira.
Do outro lado do Salão trajada com Sirena me encara com um ódio mortal nos olhos, sua amiga está dançando com um garoto fada, Sirena trajava um vestido longo cor de pêssego com uma abertura até a coxa, chamava a atenção de todos os rapazes que ali estavam.
Eu beberiquei a minha bebida, parecia que Sirena estava fazendo uma disputa de quem encarava mais a outra, até que eu me irritei e mostrei o dedo a ela que em resposta vez careta.
Kylle entrou no Salão um pouco depois e Sirena foi correndo até ele e pulou em seus braços, em resposta Kylle apenas sorriu. Os dois foram até os outros casais para se juntarem a dança. Eu fiquei só na observação, Sirena olhou para mim com um ar de vitória.
Apesar de só estar observando no início algo começou a crescer dentro de mim, raiva talvez? Por Sirena? Por Kylle que dizia me amar? Eu não sei ao certo. Enquanto os dois dançavam Sirena dizia algo ao ouvido de Kylle, o que ainda me deixou mais aborrecida.
Eu queria mata-lo agora, e esquartejar Sirena. Tenho que manter a calma, eu disse a ele que não sabia o que sentia por ele, agora estou confusa e sem saber o que fazer, estou irritada comigo mesma.
Me levantei e fui em direção ao pátio novamente parei na entrada para olhar para Sirena e Kylle novamente, eles pareciam se divertir juntos, ao contrário de mim Sirena gostava de Kylle e demonstrava se interessar por ele e o tratava bem, ao contrário de mim.
De repente o meu olhar e o de Kylle se encontram, eu viro minha cabeça e saio. Novamente no pátio volto a encarar o rio e a praia.
— Eu vi isso! – Kylle está ao meu lado.
— HUM?? – eu não o ouvi chegar – Você não deveria estar com Sirena?
— Vi como você estava nos encarando. – ele me vira para ele – não minta para mim, naquela noite eu senti seu coração acelerar quando estava em meus braços. Só quero saber se você sente algo por mim.
— Eu não sei, eu nunca senti isso antes. – respondo sem olhar para ele.
— Me diga Derza, agora mesmo você parecia querer me matar quando estava dançando com Sirena, e aí me diz que não sabe. Não estou entendo. – diz ele.
— Kylle... Você me irrita a ponto de querer mata-lo, mas também eu não quero isso, também não quero que chegue perto de outras meninas, que quero você sempre perto de mim, mas quando estou perto de você meu coração acelera e chega a doer. Talvez eu precise de uma cura ou quem sabe um bom repouso ou...
Ele me cala com um beijo e meu coração acelera.
— Meu deus o que foi isso? – coloco a mão em meu peito e meu coração está palpitando descontrolado.
Kylle ri.
Isso quer dizer que você gosta de mim. – lendo minha expressão ele continua – é a mesma coisa que sinto quando estou com você.
Então é assim que é amar, esse é o sentimento que fez meu pai se apaixonar por minha mãe? Acho isso, novo e estranho. Kylle imediatamente me abraça.
— Fica comigo – diz ele — para sempre.
— Ok. – é a única coisa que consigo responder naquele momento.
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