Notas iniciais
Espero que goste.

Os gritos ecoavam por todo o lugar. Não havia alma alguma em paz e ninguém poderia pensar sobre isso, afinal, os gritos atrapalhavam os sons dos pensamentos. Já tentaram amordaça-lo, mas ele mastigou e cuspiu a mordaça. Já tentaram espanca-lo, mas só resultou em uma crise de risos. Já tentaram cortar sua língua, mas ele não tinha uma. A vida naquela prisão era sem descanso.

O lugar era chamado de Aquário do Monstro e assim como Portão Negro e Torre Silenciosa, foi criado para abrigar um ser vil que encarnou em forma humana, se bem que aquilo talvez nem pudesse mais ser chamado de humano.

Seus gritos e choros nunca sessaram desde sua prisão e ao contrario do que diziam sobre ele, esses barulhos eram repletos de emoções. A tristeza e o sofrimento eram palpáveis e com certeza, se você não ouvisse as histórias e rumores, dignos de pena.

Jack estava suspenso por grilhões e correntes, como uma marionete pelo fios. Braços, pernas, tórax, pescoço. Onde foi possível engatar um grilhão foi engatado. O motivo dele não tocar o solo era por causa de sua imprevisibilidade. O "Ceifador Risonho" era uma criatura terrível e volátil, muito disso se devendo a sua aparência.

Ele era magro e não muito alto, tinha um jeito esguio. Os braços e as pernas pareciam ser mais longos que o corpo e os cabelos cor-de-palha bagunçados davam um ar de maluco aquela figura. Seus olhos de um tom castanho profundo gritavam "eu vou te matar", diziam aqueles que vislumbram o monstro em batalha. Mas o que fechava a obra eram as cicatrizes pelo corpo. Não eram cicatrizes de batalha, como aquelas que se consegue em um duelo de espadas, eram cicatrizes de costura, daquelas que só bonecas de pano tem. O corpo de Jack era remendado, como um trapo velho. Varias suturas espalhadas em seu corpo, incluindo o rosto e mais notável ainda, nos lábios. Ele se intitulava de Espantalho, e seus companheiros o chamavam assim, mais em tom jocoso do que a pedido do amigo, mas acabou fixando.

Agora, esta aberração costurada está trancada, sem água e sem comida, sobrevivendo sabe-se la como, gritando e se debatendo. Antes ele tinha uma melodia que sempre cantarolava, agora, apenas os urros de sofrimento saiam de sua garganta.

—Anabelle! Onde esta Anabelle?! O que vocês fizeram com ela?! Me devolvam meu amor! Eu imploro! Anabelle! — E não havia pausa. Muitos guardas se perguntavam: "Quem torturava quem nessa prisão?"

Notas finais
Obrigado por ler! Por favor, comente o que achou! Ps: Se achar algum erro, me avise por favor.