Dreaming Of Shadows
1 So It Begins
Notas iniciais
Acordei gritando, com uma dor de cabeça insuportável, como se meu cérebro estivesse expandindo perigosamente e a qualquer momento sairia escorrendo pelos seus ouvidos.
-Lena?! LENA!- era Anne, minha colega de quarto, provavelmente preocupada com os gritos as três da manhã.
Eu não conseguia falar, tudo fazia minha cabeça doer ainda mais, então tentei de todos os jeitos fazer gestos, apontar para sua cabeça, indicando que estava doendo.
Anne estava parada na minha frente, então pegou o telefone da mesa e discou.
-911? É uma emergência.
Eu não pude ouvir mais nada, a dor era tanta que só podia distinguir o som do sangue pulsando em meus ouvidos. Lágrimas escorriam dos meus olhos.
-Vem, Lena!- gritou Anne, me puxando para fora da cama.
Vários paramédicos entraram pela porta da frente, derrubando uma das mesas.
-Deite ela, rápido temos que dar oxigênio e leva-la de volta à ambulância.- disse um dos médicos.
-Eu vou com ela.- disse Anne.
-Eu não sei se...
-Não foi uma pergunta, foi uma afirmação.
O médico engoliu em seco, vendo que não poderia discutir com ela.
Tudo estava meio borrado. A experiência inteira parecia muito surreal, eu tinha uma mascara de oxigênio no meu rosto. O que não fez muito sentido já que eu estava com dor de cabeça, não falta de ar. Então senti uma agulha perfurar meu braço e um tubo branco ser inserido no lugar.
-Lena? Lena?- ouvi Anne chamando meu nome, mas ainda estava com dor e cansaço de mais para responder.
-Deixe ela quieta por um tempo. Colocamos um sedativo no sistema dela, logo ela vai entrar em um sono profun...
Não me lembro de muita coisa depois que o médico me sedou. Acho que sonhei com a escola, mas o médico me disse que enquanto você está sedado, você não sonha.
Abri os olhos lentamente, a luz invadiu meus olhos, me fazendo fecha-los novamente.
-Agh...- murmurei, levantando a mão para esfregar meus olhos, mas fui impedida, os diversos tubos de soro e remédio me impediram.
-Lena?- eu ouvi, era Anne.
-Oi...- eu disse.
-Nossa, você tá horrível.
-Obrigada.
-Passou a dor de cabeça?- ela perguntou, brincando com seu longo cabelo castanho-escuro.
-Passou...- era verdade, quer dizer, era parcialmente verdade, a dor tinha ido embora, mas minha cabeça latejava.
-Bem... Os médicos não querem me dizer nada no momento, então não sei o que você tem.
-Não sabe nem quanto tempo vou ter que ficar aqui?
-Olha, você acordou gritando de dor de cabeça, acho que não vai ser pouco tempo.
-Ugh.
-Não se preocupe, eu vou ficar aqui com você na maior parte do tempo e...
Ouvimos alguém bater na porta.
-Eu tenho que ir agora, Lena. Eu já volto. – disse Anne.
Uma enfermeira estava parada na porta, ela entrou e começou a mexer nos meus tubos.
-Moça?- eu chamei- Você sabe o que eu tenho?
Ela olhou para mim com uma cara triste e disse:
-Desculpe, querida... Eu sou só a enfermeira aqui.
-Quando vão me dizer o que há de errado comigo?
Ela apertou os lábios e não respondeu.
-Aqui, querida, se sentir dor ou quiser qualquer coisa, aperte esse botão.- ela me deu um tipo de beeper que só tinha um botão vermelho.
-Obrigado... Qual seu nome?
-Amélie.- ela disse, sorrindo. –Eu vou falar com uns médicos.
-Tá.- eu disse.
Não havia absolutamente nada pra fazer no meu quarto do hospital, tinha uma TV, mas estava quebrada. Tudo que eu podia fazer era dormir. Nem ler eu podia, a enfermeira disse que ia fazer mal pra mim.
Tentei pegar no sono, mas era impossível, eu estava ansiosa de mais para saber qual era o meu problema. Queria saber se ia demorar muito para que eu pudesse ir para casa.
Umas duas longas e entediantes horas depois, um homem de jaleco entrou no quarto, acho que ele era meu médico.
-Muito bem, senhorita Dunckan...- disse ele, olhando minha prancheta. – Parece que você teve uma dor de cabeça bem forte ontem, não é?
-É...- eu disse, fazendo uma careta. Esse cara tava brincando ou...?
-Hmm... Bem Lena, nós examinamos o seu sangue e fizemos uma autópsia em você. De acordo com os testes não ha nada de errado com você.
-OQUE?!- eu perguntei.- Mas isso é impossível! Tem certeza que eu não tenho algum tumor cerebral ou algo assim? Não pode estar certo!
O médico respirou fundo, acho que ele estava irritado.
-Senhorita Dunckan... Não encontramos nada... Mas por precaução, vamos te manter aqui por mais uma noite.
-Mas...
-Desculpe, senhora Dunckan, tenho outros pacientes para tratar- disse o médico. – A propósito pode me chamar de Dr. Schultz.
Eu ia protestar, dizer que ele estava errado, que os testes estavam errados. Era simplesmente impossível eu estar bem, mas ele não ia me ouvir.
Apertei os lábios e me virei na cama do hospital, procurando uma posição confortável.
Por que?! Por que o médico era o chato e a enfermeira era legal?! Nunca era assim nos programas médicos.
Como lidar com um médico que não acreditava em mim?
-Lena? Você tá acordada?- perguntou Anne, entrando no quarto.
-Tô. E tô morrendo de tédio.
-Ah... Sinto muito.
-Nah, o médico disse que eu posso ir embora amanhã.- eu disse, então suspirei.
-O que foi?
-É que... Sei lá, o médico disse que não tem nada de errado comigo.
-Ele O QUE?
-Disse que...
-Eu te ouvi, só não consigo acreditar. Lena, você acordou gritando no meio da noite de tanta dor! Eu fiquei super preocupada achando que você tivesse tido um aneurisma ou...
-É, eu também... Mas todos os testes disseram que eu estou perfeitamente bem.
-Não acredito- disse Anne, balançando a cabeça e piscando seus olhos marrons.
-É a verdade, Anne, eles tem pacientes muito mais sérios nesse hospital.
Anne não disse nada, só pegou uma cadeira e se sentou ao meu lado.
-Tente dormir, Lena. Sei que deve ter ficado chateada com o que o médico disse, mas não dê atenção a isso.
-Não tem mais nada pra fazer nessa porra mesmo.- murmurei, alto o suficiente para que ela ouvisse.
Acho que acabei pegando no sono, quando dei por mim, estava escurecendo e Anne não estava mais lá. Minha cabeça tinha voltado a doer, mas era tão pouco que nem me dei o trabalho de chamar a enfermeira.
-Ah, você acordou!- disse Anne, segurando um copo do Starbucks – Eu trouxe chocolate quente pra você.- ela deixou o copo na mesa ao lado da cama.
-Você ficou aqui a tarde inteira?
-Na verdade, admito que sai um pouco, a enfermeira tinha que mexer em umas coisas.
-Ah. Bem, valeu por ficar comigo.
-E eles disseram que vão consertar essa TV para você.
-Que diferença faz? Eu vou embora amanhã.
-É, mas ai o próximo paciente vai poder ver televisão!
-Eba...
-Anime-se um pouco, Lena.
-Desculpe, Anne, eu estou sendo chata, não estou?
-Olha...
-Deixa.
Tomei um gole do chocolate quente e me virei na cama.
-Anne, tá ficando tarde, acho melhor você ir pra casa.
-Tem certeza? Eu posso ficar aqui com você se quiser.
-Tenho, Anne, você parece cansada, pode ir pra casa.
-Está bem... Amanhã eu venho te buscar.
Fechei os olhos e ouvi a porta batendo, o sono demorou para vir, mas logo estava dormindo.
Tive um sonho estranho. Muito estranho, na verdade. Parecia uma cena daquele videogame que meu irmão gostava, acho que é Silent Hill. Nunca joguei, mas ficava observando ele jogar.
Bem, no sonho eu estava em uma sala toda escura, sem janelas. Acho que era feita de metal. No chão haviam pedaços de madeira, um martelo, uma faca, um urso de pelúcia de um olho só e uma cabeça de boneca. Eu não fazia a menor ideia de por que eu estava sonhando com algo assim. Mas esse foi o sonho inteiro, eu vagando por aquela sala fechada com objetos aleatórios no chão.
Só sei que quando acordei, a dor de cabeça tinha voltado e dessa vez estava pior.
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