Martelei o beeper que Amelíe havia me dado, tentando não gritar de dor, que parecia ter piorado infinitas vezes. Em circunstâncias normais, eu provavelmente começaria a filosofar e me perguntar por que dores de cabeças existiam? Por que dores existiam? Por que sentimos dor? Afinal, o que é a dor? Como sabemos que a dor é ruim?

Enfim.

Como a enfermeira não chegava, eu me encolhi em posição fetal, protegendo a minha cabeça e apertando os olhos. Minhas mãos tremiam, minha respiração estava pesada e difícil. Tentei apertar o beeper novamente, mas ele escorregou dos meus dedos e caiu no chão.

E nada da enfermeira.

O beeper estava quebrado? Só poderia ser. Amélie era legal, ela não me daria um beeper estragado. Ela não poderia fazer isso.

Então não me aguentei, dei um berro, o mais alto que podia, para que passasse pela parede anti-ruído do meu quarto.

Nada aconteceu.

Berrei novamente, gritei até que meus pulmões estivessem completamente vazios.

Imagino que do outro lado da sala só poderiam ouvir o que pareciam murmúrios abafados.

Não tinha outra escolha se não encarar a dor, eu tinha que me levantar e avisar alguém sobre o que estava sentindo.

Com minhas mãos tremulas, arranquei o tubo em minha veia e sai da cama. Cada passo exigia um esforço incrível, como se minhas pernas pesassem toneladas.

Tudo começou a ficar meio borrado, a sala começou a girar, mas eu consegui chegar na porta.

Quando finalmente consegui sair da sala, todos na secretaria se viraram para mim, como se estivessem pensando “ Ah, é a menina do falso aneurisma”.

Olhei envolta e não aguentei mais, a dor tomou conta de mim. Só me lembro de ter levantado o braço antes de desmaiar.

Tive o mesmo sonho com a mesma sala estranha que estava tendo antes. Mas havia algo de estranho nesses sonhos. Normalmente, quando eu sonho, não posso controlar minhas ações, como se eu estivesse assistindo a um filme. Nesse sonho, era como se eu estivesse acordada, eu tinha total controle de tudo que eu fazia. Até estranhei, tentei acordar, mas nada parecia funcionar. Acho que tinham me sedado de novo ou, pera, quando você está sedado não sonha.

Comecei a ficar meio preocupada, não havia nada que pudesse fazer e não conseguia acordar de jeito nenhum.

Peguei a cabeça da boneca e revirei-a, examinando cuidadosamente o lugar em que estavam os olhos.

-Mamãe...- “disse” a boneca, eu estava tão surpresa que derrubei o brinquedo, este caiu e fez um barulho que ecoou pela sala inteira.

-Mamãe...- dessa vez, a voz da boneca estava muito mais grossa e mais lenta. Senti um arrepio, a temperatura da sala tinha caído do nada.

-Olá? — tentei, finalmente tomando coragem para saber se afinal, estava sozinha naquele lugar ou se tinha algum tipo de companhia.

Não sei direito o que eu esperava que acontecesse, mas não houve nenhuma resposta. Vendo que não tinha nada que eu pudesse fazer, me sentei no chão gelado, coisa que minha mãe me disse pra nunca fazer, mas acho que em uma situação como aquela, ela não se importaria.

Um longo tempo passou até que eu resolvi me levantar e fazer alguma coisa a respeito da situação. Passei a mão nas paredes umas duas vezes, procurando uma porta, uma fenda, qualquer coisa, mas as paredes eram completamente lisas.

Estava começando a ficar frustrada, então peguei um pedaço de madeira do chão e comecei a bater na parede, o som metálico ecoou em meus ouvidos. Não consegui nem fazer alguma diferença na parede, ela continuava ali, normal.

-Droga! O que querem de mim!?- gritei, ai me lembrei que aquilo era um sonho e que estávamos na minha mente.

Belisquei meu braço até ficar roxo e não acordei. Arranquei um fio do meu cabelo e não acordei.

-Talvez eu não esteja dormindo...-murmurei- Oh, veja, agora você está falando sozinha. Muito bem, Lena, muito bem mesmo....

Então eu senti um aperto na garganta, como se ela tivesse sido trancada. Cambaleei até o chão, tentando respirar, mas o ar não vinha. Eu estava sem oxigênio.

Sei que você não pode ficar sem respirar por muito tempo, seus reflexos te obrigam a puxar o ar. Não sei nem se meus reflexos tinham feito isso, só sei que tudo começou a ficar borrado e escuro. A dor e o desconforto eram de mais para mim, eu acabei desmaiando.

Notas finais
Gostaram? :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.