Dream Girl
14 Fall Dance - Part 2
Notas iniciais
Pov Ally
— Ben, sai logo desse quarto! – gritei, já abrindo a porta do quarto de meu irmão, sem nem ao menos bater, rezando para que ele estivesse pelo menos de cueca. – Não que eu esteja animada pra ir, mas eu prometi a Trish que estaria no ginásio pelo menos dez minutos antes do baile começar.
Ben estava de frente ao espelho, penteando seu cabelo e passando gel. Ri discretamente. Meu irmão detesta usar gel no cabelo, ele prefere que fique bagunçado, e, sendo sincera, eu também.
Após parecer satisfeito com seu reflexo no espelho, Ben se virou para mim e colocou as mãos nos bolsos na calça social, dando um sorriso sexy. Revirei os olhos.
— Então, como eu estou? – perguntou.
— Está muito bonito, Benjamin. – respondi, caminhando até ele. Ajeitei sua gravata, que estava torta. – E eu, como estou? Aceitável?
— Deixa eu ver... – ele pegou minha mão e me abrigou a dar uma volta. – Você está linda, maninha.
— Obrigada. – coloquei as mãos na cintura e fiz uma pose, o que fez meu irmão rir. Ben se afastou de mim e andou até seu criado mudo, onde pegou as chaves de seu carro. – Eu esqueci de perguntar, mas, podemos mesmo deixar o Mark sozinho aqui em casa?
— Enquanto existir um Xbox e refrigerante no quarto dele, acho que nosso irmãozinho não vai fazer nada de errado. – ri, concordando com seu comentário. – Mas, só para ter certeza que ele não vá destruir a casa... – encarei Ben, confusa. – Mark, eu e Ally estamos saindo. Se precisar de comida, vá até a cozinha, fizemos compras ontem. Se precisar de outro jogo, uma revista de mulher pelada ou uma camisinha, vá até o meu quarto. Ok, maninho? – ele gritou.
— Vai se foder, Ben! – Mark gritou de volta.
Encarei Ben, que ria.
— Devo ficar preocupada por você ter incentivado nosso irmão de quatorze anos a ter relações sexuais? – perguntei, enquanto saía do quarto de Ben, que fez o mesmo e fechou a porta, sem tranca-la.
— Ally, ele pode ter quatorze anos, mas eu, como um bom irmão mais velho, não quero privar Mark dos inúmeros prazeres da vida. – Ben respondeu. – Eu tenho uma teoria de que Mark vai perder a virgindade antes de você. – soquei seu braço com força, o que não o machucou, é claro. – E eu sinceramente espero que isso aconteça, maninha.
— Então, se quando nós chegarmos, o Mark estiver com uma garota, na cama... pra você tudo bem? – questionei, enquanto descíamos as escadas.
— Claro. Eu apenas fecharia a porta com cuidado para não acorda-los e amanhã, na hora do café, eu o parabenizaria.
Não disse mais nada, apenas revirei os olhos mais uma vez e terminei de descer os degraus.
Quando passamos pela sala, peguei meu celular, que se encontrava sobre a mesinha de centro, e desliguei a TV, que Mark havia esquecido ligada.
Meninos...
O carro de Ben já estava em frente à nossa casa quando saímos, o que adiantou nosso percurso. Entrei no carro, tomando cuidado com minha câmera, que estava pendurava em meu pescoço.
Enquanto Ben dirigia até a casa de Alexa, que havia pedido para ele a buscar, peguei a corrente de Austin no bolso de minha jaqueta. Eu havia guardado comigo desde que a encontrei no chão em Nova York, durante a briga de Taylor e Amber.
Encarei o objeto e, sem poder evitar, sorri. Não sabia exatamente o motivo de ter guardado comigo desde aquele dia. Sempre que via Austin, me lembrava da corrente, mas sempre que tinha a chance de devolver, mudava de ideia.
Acabei me apegando a uma corrente que nem ao menos é minha. Se fosse uma semana atrás, eu provavelmente não entenderia o motivo, mas desde quarta-feira – dia que descobri não sentir mais nada por Kyle e sentir um ciúmes enorme de Amber -, tudo passou a fazer sentido.
Eu me apeguei a corrente pelo simples motivo de ser dele. Austin já havia usado isso em volta de seu pescoço. Era algo importante pra ele.
Sorri mais uma vez, apertando o objeto de prata em minhas mãos.
Eu não estava apaixonada por Austin, mas não negava mais a minha mesma o fato de que ele mexia comigo, e muito.
— O que é isso? – Ben perguntou, parando em um sinal vermelho. Ele apontou com a cabeça para minhas mãos.
— É só uma corrente. – respondi, passando a olhar para a janela. Eu sorria bobamente, e isso não era uma coisa que meu irmão precisaria — ou gostaria — de ver.
— Quem foi o puto que te deu isso?— ri com sua pergunta, mas não a respondi, e ele não tocou mais no assunto.
Meu irmão era ciumento, isso eu já sabia há muito tempo. Desde que Austin chegou em Miami, todas as vezes que chego um pouco mais tarde em casa – por estar com Austin, ou até mesmo com Alexa e Amber -, ele me enche com perguntas. Eu gostava do fato de ele ser ciumento, porque, pra mim, significava que ele se importava muito comigo, assim como eu me importo muito com ele. Mas, não posso negar que me sinto mal por Alexa se eles um dia começarem a namorar.
A casa dos Moon’s não era longe da nossa, então chegamos em no máximo dez minutos. Ben parou o carro em frente a casa de sua amada – que no caso também é minha melhor amiga -, e saiu do veículo com pressa, mas era possível ver que ele estava nervoso.
Também sai do carro, porque pretendia deixar Alexa ir no banco da frente com meu irmão dessa vez, e eu iria no banco traseiro. Iria me entreter com algum jogo estúpido no meu celular para não ter que ver os dois trocando olhares apaixonados, ou ter que ouvir Alexa tagarelando sobre seu vestido ou como demorou em ficar pronta.
Vendo que Ben não faria nada, caminhei até a porta e toquei a campainha.
— Já estou descendo, Ben. – Alexa gritou, provavelmente ainda no andar de cima da casa.
Olhei em meu relógio de pulso. O baile começaria em vinte e sete minutos.
Passei a encarar Ben, que havia se encostado na lataria do carro. Ele olhava para cima, parecendo observar o céu estrelado de Miami, enquanto batia seu pé frequentemente no chão, um sintoma de quando ele está nervoso.
Ouvi o barulho dos saltos de Alexa descendo as escadas e sussurrei para meu irmão “Ela está vindo, mané!”. Ele apenas ajeitou seu blazer e veio correndo até a porta, ficando ao meu lado.
Alexa abriu a porta, com um sorriso em seu rosto, o que destacava e muito o batom vermelho que ela usava em seus lábios carnudos.
Ao ver a loira, a boca de Ben se abriu em um perfeito “O” e eu senti uma vontade imensa de rir da cara dele, mas não podia. Seria muita maldade da minha parte, visto que Alexa está mesmo muito bonita.
— Wow! – meu irmão soltou, em um murmúrio. Ele passou seus olhos por todo o corpo de Alexa, a admirando. – Alexa, vo-você está... wow!
— Obrigada, Ben. – disse a loira, sorrindo, enquanto corava. Os olhares dos dois se encontraram e eles começaram a se encarar sem piscar.
Revirei os olhos, vendo que estava de vela.
— Continuem fingindo que eu não estou aqui... – murmurei, com ironia.
Alexa pareceu acordar e finalmente notou minha presença. A loira sorriu e me abraçou fortemente. Ao nos separarmos, ela sorriu, olhando para meu vestido, mas quando seu olhar parou em meus pés, sua feição mudou drasticamente.
— Ally Dawson, você não vai usar um par de tênis no baile de outono, não é? – ela perguntou, incrédula.
— Sim, eu vou.
(...)
Ao chegarmos ao ginásio, tratei logo de sair do carro, porque, como imaginei, Alexa e Ben ficaram o caminho inteiro trocaram olhares apaixonados. Fico imaginando como irá ser quando os dois realmente começarem a namorar, o que eu sei que vai acontecer mais cedo ou mais tarde, quando eles pararem de ser burros.
Trish me esperava na entrada, que estava muito bem enfeitada com algumas flores e folhas – um símbolo do outono. A garota, que eu descobri ter origem latina, estava linda.
Ela me abraçou fortemente, o que eu também descobri ser uma mania dela e de sua família. Abraçar.
— Pensei que não iria usar um vestido chique, Ally. – Trish comentou, nos separando e me olhando de cima a baixo.
— Eu não iria usar mesmo, mas... conhece a Alexa, não conhece? – lhe respondi, revirando os olhos. – Quanta ela quer te convencer a fazer alguma coisa, são poucas as vezes que ela falha.
Trish riu, enquanto entrávamos no ginásio, que estava ainda mais enfeitado. O grêmio estudantil realmente havia caprichado dessa vez.
A pista de dança improvisada havia sido limpa, pois eu não conseguia mais ver o suor dos jogadores do time de basquete, e era iluminada por inúmeras luzes coloridas, que tinham o poder de deixar qualquer um cego.
Próximo ao pequeno palco – que com certeza seria usado para anunciar os rei e rainha do baile -, havia uma mesa de comidas e bebidas. O diretor havia proibido bebidas alcoólicas, para tentar evitar tragédias, como no ano passado, quando ouve uma briga feia. Bom, pelo menos, foi o que ouvi pelos corredores.
A música já tocava em um volume altíssimo e a entrada dos alunos havia sido autorizada, na forma mais organizada possível. O casal pararia para tirar uma foto sob um arco florido, dariam seus nomes caso quisesse concorrer a rei e rainha e, enfim, entraria para curtir o baile.
— Ally, pode tirar fotos da mesa de comida, e depois do DJ? Irei o entrevistar em um minuto. – Trish pediu, enquanto pegava seu gravador dentro de sua pequena bolsa.
— Claro.
Liguei minha câmera e tirei algumas fotos. Dylan, o DJ que o grêmio havia contratado, assim que viu que estava sendo fotografado, fez uma pose engraçada, o que me fez rir. Resolvi fotografar outras partes do ginásio, que ainda me surpreendiam por estarem tão bem decoradas, e limpas.
Voltei meu olhar para a entrada, onde Kyle e Ashley posavam para uma foto. Eles haviam terminado há duas semanas, o que não era nada incomum. Mas, não querendo perder o baile, Ashley – a garota mais irritante do colégio depois de Kira – deve ter convidado Kyle.
Kyle estava lindo, como sempre. Mas isso não soava tão apaixonado mais em minha cabeça. Ele era bonito, isso não mudou, mas meus sentimentos por ele... parecem que nunca existiram. E isso é estranho, querendo ou não.
— Ally, pode vir aqui? – Trish gritou, do outro lado do ginásio. Ela estava com seu gravador apontado para Kimmy, capitã das líderes de torcida e também presidente do grêmio, a aluna mais animada que o Marino já viu.
Caminhei até as duas e, após Trish terminar suas poucas perguntas e ter suas respostas, tirei algumas fotos de Kimmy, que arrasava em um vestido longo e vermelho.
Mostrei as fotos a Trish e Kimmy, que gostaram de todas, mas logo a atenção das duas desviou de minha câmera e foi para a entrada do ginásio, lugar que eu também fui obrigada a olhar.
— E eu achando que não dava para ele ficar mais gato... – Kimmy comentou.
Austin e Amber posavam para uma foto. A ruiva tinha um sorriso enorme em seu rosto e ela estava realmente muito bonita. Austin também sorria, mas um sorriso um pouco mais discreto, sem mostrar os dentes, o que o deixava incrivelmente sexy.
Como eu imaginei, o loiro não usava calça social como meu irmão, e sim uma calça jeans com alguns detalhes rasgados. Ele também usava um blazer por cima de uma camisa branca de botões. Seu cabelo estava um pouco bagunçado, como sempre, deixando alguns fios dourados caírem sobre seu rosto.
Caralho, que gato!
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