Dream Girl
15 Fall Dance - Part 3
Notas iniciais
Pov Alexa
— Posso saber o motivo de não estar dançando com sua parceira? – perguntei a Austin, que parecia estar em outro mundo, enquanto encarava sem piscar a mesa de som do DJ, onde se encontravam Trish e Ally. Balancei minha mão em frente a seu rosto, o despertando. – Acho que Amber está ficando incomodada.
Austin não disse nada, apenas se levantou da cadeira onde estava sentado e caminhou até a ruiva, que no momento pegava dois ponches – a meu pedido. O vi estendendo a mão para Amber e dizer alguma coisa, que apenas sorriu e caminhou com meu irmão até a pista de dança.
Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto ao ver Amber abraçar o pescoço de Austin com seus braços, mas mesmo assim mantendo uma certa distância. Enquanto dançavam no meio dos inúmeros casais ali presentes, os dois conversavam e riam juntos.
— Eles estão juntos? – me assustei ao ver Kyle ao meu lado. Ele não estava ali um segundo atrás.
— Não. – respondi. – Ainda não.
— O que quer dizer com isso?
— Amber é apaixonada por ele desde que tinha dez anos, mas acho que o meu irmão não sente exatamente a mesma coisa. – olhei para o garoto, que tinha um copo vazio em sua mão direita. Ele encarava Austin e Amber com um olhar inexpressivo. – Então, eu estou meio que dando uma forcinha para que os dois fiquem juntos.
Kyle ficou quieto e, por um pequeno momento, pensei que ele estivesse chateado, mas a ideia saiu de minha cabeça quando ele sorriu levemente.
— Eles formam mesmo um belo casal. – disse ele. – Boa sorte!
Apenas sorri para ele, que sumiu de minha vista, andando pela multidão de adolescentes dançando, se beijando, ou apenas conversando.
Voltei a me sentar ao lado de Ben em nossa mesa. Ele me olhou e sorriu, fazendo com que eu me derretesse toda por dentro, um efeito que ele tinha sobre mim. Senti minhas bochechas ficarem quentes, estava ficando corada.
— Já disse que está linda hoje? – Ben perguntou, levando sua mão esquerda até meu rosto, o acariciando.
— Só umas cinco vezes, mas... eu gosto de ouvir. – mordi meu lábio, tentando evitar um sorriso tímido, o que obviamente não aconteceu como eu esperava.
— Bom, você está linda, Lexi.
Sem que eu percebesse, começamos a aproximar nossos rostos. A mão de Ben, que estava em meu rosto, desceu para meu pescoço, arrepiando todos os pelos da região. Eu não havia comigo nada desde o almoço, mas meu estômago parecia ter decidido dar uma festa.
Não era meu primeiro beijo, é claro, e eu tinha certeza de que também não era o primeiro beijo de Ben – até porque eu já o havia visto beijar outras garotas, incluindo Kira.
Mas seria o nosso primeiro beijo, e só eu sabia o quanto havia esperado por aquele momento. Provavelmente desde a sexta série, quando os Dawson’s chegaram a cidade e começaram a frequentar o Marino.
Fechei meus olhos, sorrindo, prevendo o que aconteceria em poucos segundos.
Ao sentir a respiração de Ben se misturando com a minha, meu coração disparou aceleradamente. Nossos narizes se tocaram, o que causou risadas de ambos. Nossas bocas roçaram uma na outra.
— Olá, colégio Marino! – o grito estridente e animado de Kimmy fez com que eu abrisse os olhos imediatamente, com raiva. Olhei para Ben, que mantinha sua mão em meu pescoço e sorri, tentando não deixar que um clima constrangedor começasse entre nós. – Espero que todos estejam se divertindo!
— Eu estava... — murmurei, fazendo o garoto a minha frente rir.
— Chegou a hora de anunciar os vencedores para rei e rainha do baile de Outono! – ouviu-se os gritos e assovios dos alunos, enquanto eu apenas batia palmas. – Antes de coroar nossos rei e rainha, gostaria de dizer a todos que se candidataram que, não importa quem ganhar, você é demais!
Ri discretamente com as palavras de Kimmy. Eu não sabia se era por ela ser líder de torcida e ter sempre que estar animada ou se era uma coisa da garota mesmo, mas o jeito com que sempre dizia palavras positivas era engraçado.
— Ben, se um dia eu ficar como Kimmy, por favor, me interne. – disse.
Meu par riu descontroladamente, atraindo olhares de alguns alunos das mesas ao lado. Não me importei. O dia que eu me importar com o que os outros pensam sobre mim, também precisarei ser internada.
— E o rei do baile de Outono esse ano é... – Kimmy abriu o envelope em suas mãos, tirando de lá em pequeno papel, que eu imaginei conter o nome do vencedor. – Benjamin Dawson!
Ben arregalou os olhos, surpreso. Bati palmas e comecei a gritar ao mesmo tempo, enquanto o garoto se levantava e caminhava até o palco onde Kimmy estava. Ao subir, os aplausos e gritos aumentaram, já que Ben era extremamente popular.
Ele abaixou a cabeça para que Kimmy colocasse a coroa de plástico em sua cabeça e depois fez uma pequena reverencia aos alunos.
— Obrigado, obrigado... – o moreno brincou, fazendo uma pose engraçada para Ally, que tirava fotos do mesmo para o jornal da escola. – Por favor, Ally, pegue meu lado bom!
Revirei os olhos, rindo.
Kimmy, após rir também com as graças de Ben, pegou outro envelope e o abriu.
— E a rainha do baile de Outono é... – ao ler o que estava escrito no papel, seus olhos se arregalaram em surpresa. – Parece que temos um empate entre Kira Starr e Alexa Moon.
— O QUE?— gritei ao mesmo tempo que Kira, que estava numa mesa próxima a minha.
Nos encaramos ao mesmo tempo.
Eu não sabia dizer realmente quando começou, mas eu e Kira sempre fomos de certa forma rivais. Sempre gostamos de competir uma com a outra em quesitos de melhor namorado, beleza, últimas tendências no mundo da moda, até mesmo em notas, mas nenhuma de nossas disputas nunca acabou em um empate.
— Eu não estou brincando. – Kimmy se defendeu, mostrando o papel, mesmo sabendo que nenhuma de nós poderia ver, já que estávamos em uma certa distancia no palco. – As duas receberam a mesma quantidade de votos. Eu não sou muito boa em matemática, mas acho que isso é um empate.
— Isso é impossível! – gritou Kira, indignada. – Eu não posso ter empatado com essa loira aguada. – ela cruzou os braços, me encarando.
— E eu não posso ter empatado com essa garota de bronzeado artificial e pontas duplas! – retruquei, me levantando de minha cadeira e caminhando até a garota, que agora me olhava com raiva.
— Escuta aqui, garota... – começou ela, mas foi interrompida.
Ally, que havia subido no palco com a ajuda de seu irmão, pegou o microfone da mão de Kimmy – após pedir a permissão da garota – e disse:
— Não precisamos que isso acabe em empate. – minha amiga sorriu. – Fiquei ocupada o baile inteiro e não tive tempo de votar. E, se ainda for permitido, eu gostaria de desempatar essa competição, votando para Alexa Moon como rainha do baile de Outono.
O silencio se estabeleceu pelo ginásio e, mesmo de longe, eu pude ver Austin sorrindo. Meu irmão e Amber estavam próximos a mesa de bebidas agora. O braço de Austin envolvia a cintura da ruiva, que também sorria para Ally.
Olhei para minha melhor amiga, que parecia extremamente desconfortável por ainda estar em cima do palco, em frente a praticamente todo o ensino médio do Marino. Eu, mais do ninguém, sabia que ela odiava ser o centro das atenções. Sorri para a morena, que retribuiu na mesma hora.
— Isso é permitido, diretor? – Kimmy perguntou ao homem que estava ao seu lado.
— Já que eu mesmo tomei conta da votação e não vi Ally colocando seu voto na urna... sim, é permitido. – Ally sorriu cinicamente para Kira, que agora parecia querer a estrangular. – Sendo assim, a rainha do baile de Outono desse ano é Alexa Moon.
Pov Ally
Desci do palco o mais rápido que pude, mas não me afastei no local, já que ainda teria que tirar fotos do casal “real”. Trish estava do meu lado e me parabenizou por ter feito o que fiz. Nem eu mesma acreditava que tive coragem de ficar de frente com os olhares confusos de todos os alunos do ensino médio – que não eram poucos.
Após receber sua coroa, Alexa fez um pequeno discurso como rainha, sem deixar de encarar Kira com um sorriso sínico em nenhum minuto. Mas a atenção da morena não estava em Alexa, e sim em mim.
Eu sabia que teria a raiva de Kira por toda a eternidade agora.
Ben e Alexa desceram no palco e caminharam até a pista de dança de mãos dadas. Uma música lenta começou a tocar, mostrando que a famosa dança lenta do rei e rainha aconteceria.
Eles ficaram frente a frente, com grandes sorrisos nos rostos, e se posicionaram: as mãos de meu irmão na cintura de Alexa e os braços da loira em volta de seu pescoço. Ao começarem a dançar, tirei uma foto, sorrindo em seguida. Ben e Alexa eram realmente um casal perfeito.
— Essa foto ficou perfeita! – Trish comentou, pegando minha câmera. – Agora só preciso entrevista-los, e nosso trabalho acabou. Depois disso, podemos ir pra casa.
— Na verdade, eu prometi pra Kimmy que ficaria até o final para ajudar o comitê com a limpeza. – disse. – Por mais que eu queira muito a minha cama e meu travesseiro macio, não estou afim de ver meu irmão e Alexa com olhares apaixonados no carro, mais uma vez.
— Pensei que quisesse que os dois ficassem juntos.
— E quero. – Trish me olhou confusa. – Mas a melosidade deles já está me deixando com diabetes. – revirei os olhos.
— Ally, querida, você precisa de um namorado, isso sim. – após rir, Trish saiu do meu campo de visão.
Dei de ombros, concordando mentalmente com o que a latina disse.
(...)
Kimmy, depois de passar o braço pelo rosto, numa tentativa falha de eliminar um pouco de seu suor, jogou uma vassoura contra a parede e deslizou na mesma até chegar o chão. Ri com sua atitude, enquanto passava os olhos mais uma vez pelo ginásio, ainda com a vassoura que emprestamos do zelador em minhas mãos.
Olhei no relógio em meu pulso.
0:46h
O baile havia acabado há mais ou menos uma hora e, como prometido, fiquei com o comitê e Kimmy para ajudar na limpeza do ginásio, que acabou ficando mais sujo do que imaginamos. Mas todo o comitê acabou indo embora, fazendo com que restássemos somente eu e Kimmy.
Nunca fomos realmente amigas – na verdade, nunca nem mesmo nos falamos. Sempre pensei que ela apenas fingia toda aquela alegria e era uma garota metida e antipática, mas, depois de passar praticamente o baile inteiro conversando com a loira, percebi que estava errada. Kimmy é, na verdade, muito legal.
— Acho que já esta bom. – falei. – Na segunda o time de basquete tem treino, então, tudo vai voltar a ser nojento e suado mesmo. Fizemos nosso melhor.
— Você está certa. – ela se levantou do chão e arrumou seu vestido. – Vou avisar o diretor que terminamos.
— E eu vou ligar pro meu irmão vir me buscar.
— Ok.
Entreguei a loira minha vassoura e outros produtos de limpeza que havia usado, peguei meu celular e observei Kimmy sair do ginásio a passos lentos, bocejando por conta do sono.
Após discar o número de Ben – que eu já havia decorado -, levei o celular até a orelha. Encarei mais uma vez meu relógio. Estava muito tarde, e eu estava com muito sono.
— Se está ligando para o seu irmão, está perdendo seu tempo, querida Ally. – Austin pegou meu celular e encerrou a ligação antes mesmo de Ben atender.
Quando ele chegou aqui?
— O que está fazendo aqui, Austin? – perguntei, pegando meu celular de suas mãos.
— Alexa pediu para eu te levar pra casa, pra minha casa. – arqueei as sobrancelhas, em confusão. – Ela quer que você durma com ela pra te contar cada detalhe da noite mais maravilhosa de todas.
Revirei os olhos, rindo.
— Ok...
Numa tentativa de guardar o celular no bolso da jaqueta, acabei encostando na corrente de Austin e decidi que era a hora de entregar a ele. Peguei o objeto e fechei minha mão em volta do mesmo, mordendo meu lábio inferior sem nenhum motivo.
— O que é isso? – Austin perguntou.
— De acordo com a Amber, é sua corrente. – lhe entreguei a corrente. – Ela achou no chão quando fomos pra Nova York, mas acabou deixando cair enquanto batia na cara da sua ex-namorada, e eu achei. Devia ter te entregado antes, eu sei...
— Não tem problema, Ally. Eu nem me lembrava mais disso. – Austin sorriu levemente, brincando com o pingente em suas mãos. – Meus pais me deram isso quando eu fui pra Nova York, para que, mesmo a quilômetros de distancia, me sentisse próximo a eles. – Austin revirou os olhos, rindo sem humor. – Eu dei isso pra Taylor quando nós... você sabe.
— É, eu sei. – rimos. – Então, você e a Amber...?
— Nem me fale sobre isso. – Austin falou, soltando um longo suspiro. – Eu queria conversar com você e com o Kyle, mas a Alexa... ela parecia estar mais preocupada com o meu par do que eu.
— Bom, o que podemos fazer? Sua irmã quer muito que vocês fiquem juntos. – abaixei a cabeça, encarando meus pés.
— O que?
Voltei a levantar minha cabeça, encontrando o olha confuso do loiro. Me repreendi na mesma hora.
— Droga! Falei demais. – praguejei, batendo em minha própria testa. – Quer saber? Esquece.
Austin riu e suspirou, parecendo ter uma ideia.
— Dança comigo? – perguntou, me pegando de surpresa.
— O que?
— Dança comigo? – repetiu, pegando minha mão e me puxando para mais perto. – Durante o baile inteiro, eu só dancei com a Amber. Ela até dança bem, mas eu não queria dançar só com ela. Você agora é minha melhor amiga e eu quero dançar com você, Ally.
Tentei evitar um sorriso bobo, mas falhei em minha missão.
Enquanto sorria como uma boba, pensei em uma desculpa.
— Sou sua melhor amiga agora? – questionei, apertando suas bochechas. – Acho que Amber não ficaria muito feliz em ouvir isso...
— Ultimamente ela só tem tempo para ser melhor amiga da Alexa, e acho que nós podemos concordar nisso, não acha? – concordei com a cabeça. – Se eu soubesse que voltando pra Miami, eu conheceria uma garota como você e me tornaria o melhor amigo dela, teria voltado há muito tempo.
— E quem disse que você é meu melhor amigo?
— Eu.— respondeu, convencido. Revirei os olhos. – Contamos tudo um para o outro, saímos o tempo todo, temos várias coisas em comum, e.. você me ama. Acho que isso me faz seu melhor amigo, Allycia. – ri, concordando. – E então, vai dançar comigo?
— Austin, está tarde e eu estou com muito sono. – resmunguei, tentando o fazer desistir da ideia.
— Eu não ligo. – disse ele, dando de ombros. – É só uma música. Por favor...
Ah não! Esse biquinho não!
— Austin...
— Ally...
— Meus pés estão doendo, loiro. – disse rapidamente, torcendo para que o garoto acreditasse.
— Nem tente essa comigo, morena. – Austin apontou para meus pés, que estavam confortavelmente aconchegados no par de tênis. – Sua ideia foi bem original, tenho que admitir. Adorei.
— Sua irmã não gostou tanto assim... – ri de mim mesma, lembrando da reação de Alexa ao me ver mais cedo.
— Dança comigo. – falou, dessa vez com mais autoridade. Não soou como um pedido, e sim como uma ordem. Neguei com a cabeça. – Por favor, Ally!
Suspirei frustrada, sem mais desculpas.
— Austin, por que você acha que eu não gosto de bailes? – olhei em seus olhos, que demostravam confusão. Ele fez um sinal com cabeça, como se me pedisse para continuar. – Eu não sei dançar.
Austin começou a rir, fazendo com que eu me arrependesse na mesma hora de ter o contado meu grande e obscuro segredo. Revirei os olhos e comecei a andar em direção a saída do ginásio, mas o loiro parou de rir e me pego pelo braço, me levando novamente para perto dele.
— Ei, eu não estou rindo por você não saber dançar. Eu mesmo passei a manhã inteira ensinando a minha irmã, e ela demorou e muito pra aprender alguma coisa. – ri, imaginando a cena. – Eu não me importo se você pisar no meu pé, até porque eu nem sinto mais meus dedos por causa da Alexa, só quero dançar com você.
O encarei mais uma vez e, soltando um longo suspiro, concordei:
— Tudo bem.
Um sorriso maravilhoso se abriu nos lábios de Austin. Ele pegou seu celular rapidamente no bolso da calça jeans e escolheu uma de suas milhares músicas. Era lenta, o que me fez rir ao perceber o quanto aquela cena era clichê.
— Agora... – Austin pegou minhas mãos e as levou de encontro a sua nuca, deixando evidente nossa diferença de altura, o que piorava ainda mais pelo fato de eu estar usando tênis.
Ao sentir suas mãos quentes em volta de minha cintura, arfei. A sensação era nova. Ninguém jamais havia me tocado assim, mas era uma sensação maravilhosa, eu não podia negar.
Começamos a nos movimentar a passos lentos ao ritmo da música, sem nunca desgrudar os olhos um do outro. Era impossível desviar o olhar daquelas pupilas castanhas esverdeadas.
Eu estava sorrindo mais do que devia, e isso fez o loiro sorrir também, me encarando com confusão.
— O que foi? – perguntou.
— Nada. – Austin arqueou uma das sobrancelhas, não acreditando em minha resposta. – É só que... eu te adoro, girafa loira.
— Eu também te adoro, baixinha.
Fale com o autor