Notas iniciais
Oi amores... Tudo bem? Quanto tempo! Esse capítulo é para que saibam que não abandonei Side Effect! Que não desisti de terminar a história. Eu NUNCA faria isso. Obrigada por toda a paciência que estão tendo comigo. Realmente está muito complicado transcrever os capítulos finais (digo transcrever porque eles já estão roterizados em tópicos, escritos à mão). Além do casamento, do trabalho, da reforma do apartamento, ainda inventei de prestar um concurso aqui no meu estado... Então, vocês podem imaginar como anda a minha vida. Huashausuas! Por favor, não desistam de SD, nem de mim. Eu demoro mas eu apareço! Esse capítulo é bem revelador... Só não sei se da maneira como vocês gostariam... haushuahs Bjos Amo vocês

Eu e Luna nos encarávamos através da mesa no Grande Salão em silêncio. Ela não me deu um sermão, não fez nenhum tipo de discurso, sequer insistiu em saber mais detalhes, apenas ficou abraçada comigo até eu me acalmar. Luna não colocou em palavras, mas eu sabia que ela deixaria eu contar, para quem quer que fosse, no meu tempo, quando eu me sentisse preparada. De modo algum, ela me pressionaria ou exigiria qualquer coisa, ainda que não concordasse. Mesmo assim, como eu estava consciente de que Luna sabia, a verdade parecia pesar ainda mais sobre mim, especialmente na presença de Gina e Harry. Eu sentia como se estivesse mentindo para eles, fazendo algo terrível pelas costas deles. Terminar de decorar o Campo de Quadribol foi um desafio, que eu só consegui concluir com a ajuda da loirinha.

— Bom dia! — a voz rouca fez eu dar um pulo no assento.

Automaticamente levei a mão ao pingente de pena, que tinha voltado a adornar meu pescoço.

— Até que enfim resolveu aparecer, não é, Malfoy? — Gina deixou seu café da manhã para olhá-lo.

— Desculpe, Weasley. Sabe que eu não perderia aquele treino se não fosse extremamente necessário. — ele respondeu sério, fazendo um arrepio percorrer a minha espinha.

— Pelo menos vai jogar hoje, eu espero. — a ruiva disse de forma divertida, o que deixou claro que ela havia aceito a desculpa de Draco.

Dirigi à Gina um olhar confuso, mas ela não percebeu o gesto.

— Eu estou de uniforme, não estou?! — o loiro devolveu no mesmo tom. — Desculpe ter sumido ontem. — ele sussurrou no meu ouvido enquanto se sentava ao meu lado.

— Sem problemas. — menti, virando-me para encostar meus lábios nos dele. — Estivemos muito ocupadas, de qualquer maneira.

Draco me deu um meio sorriso e senti uma pontada no estômago. Não estava tudo bem. É claro que não estava tudo bem! O que, pelas barbas de Merlim, ele fez o dia todo que o impediu de treinar com o restante do pessoal ou aparecer por cinco minutos para dizer “Olá, estou bem e vivo. E você, como vai?”. Mas eu não ia exigir explicações e começar uma discussão com ele no meio da mesa de café da manhã. Não horas antes de um evento que passamos semanas organizando. Não onde todos ao redor pudessem escutar e bisbilhotar.

— Uau… Um dia ainda vou aprender a ser tão compreensiva e desapegada de curiosidade. — Luna comentou me encarando.

Bem, talvez ela fosse me pressionar... Um pouco. Mas Gina tratou de sair em defesa do mais novo melhor amigo e tive uma desculpa para fugir do olhar acusador de Luna.

— Acho que ela não pergunta porque sabe que não há nada com que se preocupar.

— E por acaso a Luna tem? — Neville ficou vermelho escarlate e a ruiva riu alto, fazendo todos rirem com ela. Até mesmo Luna.

— Desculpe, Neville. Não foi isso que eu quis dizer. — Gina alcançou a mão de Neville por cima da mesa. — A Luna se faz de durona, mas sabe bem que tirou a sorte grande.

— E por acaso a Hermione não? — Draco fingiu-se ofendido.

— Merlim! — todos riram da expressão ofendida de Gina. — Querem parar vocês dois? Não abuse da minha boa vontade, Draco Malfoy. — a ruiva balançou o garfo para ele, que riu.

Teria sido uma encenação convincente, se o sorriso de Draco tivesse chegado aos olhos; se a voz de Gina não tivesse vacilado na entonação, perto do final da frase; se Ronald não tivesse rido da brincadeira também; e se, enquanto admirava a cena, Harry estivesse parecendo mais com o “namorado/noivo apaixonado” do que com o “auror preocupado”.

Corri os olhos pela mesa enquanto meu cérebro trabalhava furiosamente. Draco não faltou ao treino por um motivo qualquer e Gina não deixou isso passar porque de repente havia se tornado uma pessoa compreensiva. O que quer que estivesse acontecendo era do conhecimento de todos eles. Senti a veia na minha têmpora pulsar forte. Alguma coisa estava muito errada e, pelo jeito, eu era a única que não sabia do que se tratava. Então, Luna soltou um suspiro impaciente e ficou claro para mim que ela também havia sido deixada de fora.

— Certo. — disse enquanto colocava as mãos espalmadas sobre a mesa em busca de estabilidade. — Quem vai me-

— RONALD!

A voz aguda e conhecida preencheu o salão e cortou minha pergunta no meio. Apesar da surpresa com a chegada repentina, meu cérebro não deixou de registrar o fato curioso de, entre todos nós, ele ter chamado por Ronald. O garoto ruivo abriu um sorriso genuíno, mais verdadeiro do que a maioria dos que eu me lembrava de tê-lo visto dar nos últimos meses. E se levantou para dar a volta na mesa. A criança correu até ele e os dois se cumprimentaram com uma complicada sequência de batidas de mãos.

— Mase, porr favorr. — o sotaque inconfundível de René fez meus lábios se curvarem para cima. Ela já estava corada pelo esforço de perseguir o garotinho, mas conseguiu ganhar ainda mais cor quando seu olhar cruzou com o de Ronald. — Onde está sua educação? Oh… Olá, Ron. Oi, todo mundo.

O pequeno Mase quase não cabia em si de excitação. Ele, literalmente, pulava de ansiedade enquanto balançava a cabeça ora de forma positiva, ora negativa, respondendo aos questionamentos do mais novo dos garotos Weasley.

— Quero conhecer o Viktor Krum. Você prometeu que me apresentaria ao Viktor Krum. — disse irritado, quando sua pouca paciência, para o que quer que o ruivo estivesse falando, chegou ao fim.

As orelhas de Ronald ficaram vermelhas e ele não conseguiu disfarçar a careta de desgosto diante da declaração sincera do menino. Gina foi a primeira a cair na gargalhada, acompanhada por Draco. Harry até que tentou se conter, mas não conseguiu.

— É como se o propósito de algumas pessoas no mundo fosse atormentar a vida de outras. — Ronald murmurou alto o suficiente para ouvirmos, lançando um olhar cortante para Draco no fim da frase.

— Tenho certeza que durante 110% do tempo ele nem sequer lembra da sua existência. — rebati, como quem não quer nada.

Até mesmo Luna e Neville riram dessa vez. Mas Ronald simplesmente ignorou minha resposta. Ele suspirou um zangado “Vamos nessa”, segurou Mase pela mão e caminhou de encontro ao restante das crianças, que entrava no Grande Salão acompanhado de Andrômeda.

— Quem quer conhecer os jogadores? — perguntou ao se aproximar do grupo.

A pergunta causou uma explosão de gritinhos animados, respostas efusivas, pulos de alegria e risadas nervosas.

— Ok…Ok... Mas vamos fazer isso de forma organizada e educada, certo? Da maneira como combinamos. — Andrômeda tentou conter um pouco os ânimos.

Ainda era cedo e havia poucas pessoas tomando café da manhã. Mas grande parte dos jogadores já estava na mesa montada para eles, próximo ao tablado dos professores, no fundo do salão. E, claro, havia notado a chegada dos pequenos.

— Ei, Weasley. Traga eles até aqui. — Olívio chamou ficando de pé e agitando o braço no ar.

Mais palmas, gritos, risadas e pulos irromperam entre as crianças enquanto elas corriam na direção dos ídolos. E, dessa vez, até Andrômeda acabou contagiada pela onda de alegria. Draco passou o braço pela minha cintura, trazendo-me para perto e encostei a cabeça em seu ombro enquanto admirava a cena de longe.

Eu sabia que ela havia dito algumas coisas, que estava conversando comigo. Mas, admito, não prestei atenção em nada. Até ela dizer aquilo. Foi como se a frase de René me despertasse de um transe. Já que eu havia, literalmente, me perdido na visão das crianças.

— Jurro que ele erra a última pessoa que eu esperrava verr naquele Instituto, especialmente nos fins de semana.

— O quê? Desculpe… Eu estava… distraída.

— Gosta de crianças, srrta. Grrangerr?

— Quem não gosta de crianças? — respondi incerta, sentindo meu rosto corar e apressei-me em retomar ao assunto inicial. — O que quis dizer com “a última pessoa que você esperava ver no Instituto?”

— Oh… Rronald tem nos ajudado durante os fins de semana. — ela respondeu corando. Por alguma razão, Draco não pareceu surpreso. — Pensei que soubessem. Ele é tão atencioso, educado e prrestativo. — ela continuou.

— O quê? — repeti, espantada, para divertimento de Draco.

Aqueles eram adjetivos que eu não associaria a Ronald Weasley, nem em um milhão de anos. Mesmo antes de tudo o que aconteceu. Ron era uma das pessoas mais desligadas que eu conhecia. E apesar de todo o esforço de Molly, bem… Ele certamente também não era nenhum modelo de educação. Não tinha como René e eu estarmos falando da mesma pessoa.

Então, Ronald colocou Mase nos ombros e a francesinha sorriu para a cena, quase hipnotizada. Tenho certeza que meu queixo caiu, literalmente, e eu fiquei com a boca aberta por alguns vários segundos enquanto me dava conta do que estava acontecendo ali. Merlim! Por que nós garotas tínhamos esse péssimo hábito?

René ia odiar o que eu ia dizer. Eu estaria sendo a pessoa mais mal educada, grosseira e intrometida de que se tinha notícia. Mas eu precisava falar. Ela era doce, boa, quase maternal. Não merecia. Eu não podia deixá-la se iludir assim.

— René, desculpe me intrometer assim… — comecei de maneira incerta e encarei minhas próprias mãos em busca de coragem. — Sei que isso não me diz respeito. Mas como alguém que já esteve no seu lugar, sinto que tenho a obrigação de-

Interrompi meu discurso de maneira abrupta quando percebi que ela não estava prestando a mínima atenção. Na verdade, assim como, instantes antes, René não estava sequer me escutando. Ela olhava fixamente para o outro lado do salão. Os ombros estavam retesados, tensos, enquanto ela abria e fechava as mãos ao lado do corpo. Procurei pela razão de tamanho nervosismo, já preocupada que uma das crianças tivesse se machucado ou algo parecido, quando avistei Annie Pottins perto de onde elas interagiam com os jogadores.

Senti ainda mais pena de René. E, como se fosse possível, mais raiva de Pottins. Então, desvencilhei-me do braço de Draco e me aproximei da francesinha.

— René… — chamei com cuidado, enquanto tocava seu ombro. Mas era com se ela não estivesse ali. — René. — dessa vez, aumentei a pressão do toque.

Quando me percebeu ali, ela se assustou com nossa proximidade e ficou escarlate por ter sido pega. Seus grandes olhos azuis me encararam arregalados por um segundo, enquanto a francesinha decidia se tentava se explicar ou não. Um amontoado de palavras prestes a se derramar de seus lábios meio abertos.

— Vá até lá. — incentivei.

René imediatamente voltou a vigiar os movimentos da jornalista, que conversava animadamente com Olívio. E quando me convenci de que ela iria ignorar minha intromissão, a garota respondeu.

— Não tenho esse direito.

— Mas é claro que tem… Você é responsável por aquelas crianças.

Tentei usar uma entonação que deixasse claro o verdadeiro sentido da frase. “Você é muito melhor que aquela vaca”. Mas ela apenas suspirou.

— Você não entende.

— Desculpe dizer isso assim, de forma tão direta. — engoli em seco, tomando coragem para continuar. Eu não tinha a mínima intimidade com a garota. E nossas conversas nunca evoluíram para além dos assuntos pertinentes ao Instituto. Ela estaria em seu total direito se me desse uma má resposta. — Mas já deu pra perceber que você está a fim do Ronald. Só vá até lá… E ignore a jornalistazinha. Acredite, é o que ela merece.

René finalmente se virou para mim. Ela parecia ainda mais envergonhada, apesar dos músculos ainda tensos e da mandíbula meio trincada. A garota fechou os olhos e permaneceu assim por alguns segundos. Então, respirou fundo e voltou abri-los.

Eu estava preparada para berros, agressões verbais, ou qualquer outra coisa do tipo. Mas nunca para o que ela disse em seguida.

— Nós dorrmimos juntos.

Encarei-a de olhos arregalados sem conseguir encontrar algo para dizer ou mesmo para pensar.

— Desculpe! — ela espiou rapidamente se alguém estava prestando atenção em nós. — Sei que não temos intimidade parra este tipo de assunto e sei que já forram namorrados, mas porr alguma rrazão sinto que posso confiarr em você.

Consegui forças para concordar com a cabeça.

— Foi só uma vez… Ficamos acorrdados até tarrde no Instituto converrsando, sozinhos. Havíamos trrocado olharres o dia todo... Ele me contou sobrre as coisas que vocês tiverram que fazerr durrante a guerra. E eu fui me deixando envolverrr… — ela pigarreou constrangida. — Não é como se ele tivesse prrometido que íamos ficarr juntos depois ou algo assim. — e deu um suspiro triste.

— Ele… — engoli em seco, sentindo a indignação borbulhar dentro de mim. — Como ele consegue ser tão sujo?

Era a cara dele dizer algo baixo desse tipo.

— O quê? — ela pareceu genuinamente surpresa. — Não. Não! Desculpe. Fiz soarr como se ele fosse um crretino que me iludiu, me levou parra a cama e depois me deu um pé na bunda.

Bem, era exatamente isso o que eu pensava.

— Eu vou matá-lo! — sibilei.

— Tenho mais culpa nisso tudo do que ele. — ela admitiu corando. — Não posso dizerr que fui uma conquista difícil.

— Nunca mais repita isso. — disse com firmeza, segurando-a pelo braço. Merlim! Por que a paixão deixa as pessoas tão estúpidas?

— Mas…

— E daí que você também queria? Quer dizer… Ai dele tivesse forçado as coisas.

René arregalou os olhos para mim, assutada.

— Merrlim! Herrmione. Você não está insinuando que acha que ele…

— Não! Não foi isso que eu quis dizer. Descul-

— Ele não é nenhum monstro!

— Eu sei. Me desculpe. — suspirei arrependida. — É só que… Ele já teve seus dias de cafajeste.

— Estou ciente disso. — ela me lançou um olhar ofendido.

— Ele sequer falou com você no dia seguinte? — perguntei antes de conseguir me conter.

— Quando acorrdei ele já havia saído. Erra segunda e ele prrecisava voltarr parra Hogwarrts logo cedo. — disse em tom de quem encerra a conversa.

— Desculpe. Não queria me intrometer. Apenas… Apenas se lembre que, independente de quem tomou a iniciativa, o mínimo que ele te deve é respeito.

— Claro. — murmurou. Então, virou-se para a mesa dos jogadores mais uma vez e voltou a observar Ronald de longe.

Notas finais
Não desistam de SD... Vamos ter um final! Palavra de escoteira!