Dramione - Side Effect

68 Ginevra Weasley


Notas iniciais
Oi gente!!!! Sim, eu estou viva. E NÃO, eu não abandonei a fic. Apesar de saber que era o que todo mundo estava pensando e razão porque estavam todos me odiando. Nem vou listar as razões para a demora, porque vocês estão cansadas de saber... E, no fim das contas, não importa. A boa notícia é: Falta MUITO pouco e tá tudo pronto. Vou conseguir postar regularmente os capítulos finais #dancinhadavitória Ai vocês dizem: - Mas também né, Carol, depois de toda essa demora. Era o mínimo que você podia fazer. Perceberam, né?? Eu sei o quanto estou em falta com vocês e com SD. Por isso, não me azarem, não me matem, não mandem Maldições Imperdoáveis, nem me chamem de nomes impublicáveis. Eu voltarei com as emoções dos próximos capítulos. Chega de blá,blá, blá e vamos ao que interessa... Bjos

Gina fez um desvio repentino para a direita, tirando Katie da jogada, e passou a goles para Cho. A garota de cabelos negros acelerou pela lateral do campo com os olhos fixos em Olívio. O movimento de seu braço foi rápido, fluido e teria enganado um goleiro menos experiente com facilidade. Mas Wood esperou até o último segundo para sair do lugar e conseguiu agarrar a goles pouco antes de ela cruzar o arco central. Draco — que estava jogando como rebatedor — mandou um dos balaços na direção do goleiro. Ele se esquivou, deitando sobre a vassoura, antes de repor a goles para Angelina.

Eu ainda estava meio perdida sobre como me sentir diante daquilo. A cada lance, eu vibrava e ficava decepcionada ao mesmo tempo. Havia pessoas que eu gostava e admirava nos dois times. Amigos, companheiros de estudo, brincadeiras e batalhas. E eu queria que todos eles se saíssem bem. As pessoas nas arquibancadas pareciam compartilhar da mesma desorientação. Estávamos todos abismados, envolvidos, maravilhados. Até mesmo os fãs — vestidos com camisetas de Viktor Krum, Meagan McCormack, Olívio Wood e outros — vibravam com absolutamente todas as jogadas, tendo elas sido realizadas por seus ídolos ou não.

Então, Gina escapou do balaço de George com um movimento ascendente e no mergulho de volta interceptou um passe entre Angelina e Katie. Como se não bastasse, logo em seguida ela tabelou com Cho em uma sequência de passes rápidos e, finalmente, marcou no aro da esquerda. Gritei a plenos pulmões, engrossando o coro da torcida, que chamava o nome dela. A ruivinha estava especialmente inspirada naquela manhã. Espiei a arquibancada dos convidados especiais — onde estavam sentados os professores, jornalistas esportivos, olheiros e técnicos — tentando decifrar os semblantes. Passeei por uma infinidade de expressões com olhos atentos, arregalados, brilhantes de empolgação. Mesmo os que estavam sisudos, apesar da aparência crítica, batiam palmas para a performance.

Sorri abertamente para Luna quando me dei conta de que Gina tinha toda a atenção do mundo bruxo, mais uma vez. Só que, naquele momento, não tinha nada a ver com namorar Harry, ou perder o irmão mais velho, ou ser sequestrada, ou estar grávida de Harry, ou não estar mais grávida de Harry. Ginevra Weasley tinha o mundo aos seus pés simplesmente por ser Ginevra Weasley. Meu peito parecia que ia explodir de tanto orgulho. E a felicidade acabou transbordando pelos meus olhos.

— Herrmione, você está bem?

Ainda acompanhando minha amiga serpentear pelo céu, sorri de novo, antes de responder.

— Você não faz ideia. — suspirei.

— O que?

— Ela quis dizer que está bem. — o rosto de Luna refletia minha alegria.

— Eu estou ótima, René. Eu só estou… feliz. — ri de mim mesma. — Na verdade, acho que vou explodir de tanta felicidade e orgulho.

A francesinha sorriu para mim, de forma bastante honesta e maternal.

— Ronald havia dito que ela jogava bem. Mas confesso… achei que erra só converrsa de irrmão corruja. Agorra entendo o porrque de tanto orrgulho.

Troquei um olhar confuso e desconfiado com Luna, enquanto tentava formar uma imagem de Ronald elogiando Gina para alguém na minha cabeça. Juro que tentei. Mais de uma vez e em diversas situações. Mas simplesmente não consegui. Por um segundo, pensei em contestar a declaração. Então, a empolgação brilhou nos olhos azuis de René e eu apenas balancei a cabeça em concordância.

— Pelo jeito, Harry se sente exatamente como você. — Luna disse, apontando na direção do nosso amigo.

O menino que sobreviveu pairava acima dos outros jogadores, mas não parecia nem um pouco interessado na partida. Krum lançou-se em uma descida vertiginosa para atravessar o campo, na direção da arquibancada, logo atrás do gol de Meagan McCormack. Mas Harry sequer se mexeu. Acho que ele nem mesmo percebeu o movimento. Um sorriso gigante rasgava seu rosto, enquanto ele seguia a noiva pelo campo. Estava hipnotizado, só tinha olhos para Gina.

— Por mais que eu entenda como ele se sente. Acho melhor ele parar de babar e começar a jogar. Se Harry deixar Krum capturar o pomo sem uma boa disputa, Gina vai matá-lo.

Não conseguimos segurar o riso, quando — como se tivesse ouvido minha declaração — Gina avistou Krum. A ruiva deu um giro em torno de si mesma procurando pelo namorado e gritou com Harry, gesticulando na direção do adversário. O búlgaro estava quase chegando ao seu destino quando Harry finalmente disparou atrás dele, e apesar de eu não conseguir ver além da plataforma, não tinha dúvidas de que miravam o pomo de ouro.

A risada de René abruptamente deu lugar a um engasgo, fazendo com que desviássemos os olhos do céu. Ronald vinha em nossa direção, tentando parecer relaxado e displicente. Mas a pequena ruga no canto de sua boca e a vermelhidão que começava a surgir em suas orelhas entregavam seu nervosismo. Sei que era melhor ter arranjado uma desculpa para sair de lá e dar privacidade aos dois. Mas se ele não fosse perfeitamente educado com a francesinha…

— Hey… tudo bem por aqui?

René fingiu não ter escutado o cumprimento e voltou seus olhos para o jogo. Mas eu sabia que a atenção dela estava conosco.

— Oi, Ron. — Luna cumprimentou por todas nós.

— Já se arrependeu de ter abandonado? — perguntei.

— Abandonado? — Ronald retrucou, nervoso. — Eu… Como assim?

— O jogo, Ronald. — segurei-me para não rir. — Estou perguntando se está arrependido de ter desistido do jogo?

— Cara, que partida. — ele relaxou minimamente. — Não dá pra tirar os olhos deles.

— Da Gina, você quer dizer.

— Tem alguns dos melhores jogadores de Quadribol do mundo voando acima da sua cabeça, Luna. — Ron disse aquilo como quem explica algo muito complicado para uma criança.

— E a Gina não deixa nada a desejar a nenhum deles. — pelo jeito, Luna estava tão orgulhosa quanto eu.

— Nunca vi essas crianças tão quietas. — comentei por acaso, para acentuar o brilhantismo do jogo. Desde que a partida tinha começado, eles não haviam, sequer, se movido, estavam colados em seus lugares ao lado de Andrômeda. Mas minha declaração pareceu alarmar René.

— Onde ele está? — ela gemeu.

A pergunta era claramente direcionada a Ronald, já que ela parecia procurar alguma coisa, ou alguém, atrás dele.

— Ele quem? — Ron ficou roxo.

— Mase! Ele deverria estarr com você. — ela passou a mão pelos cabelos, desesperada. — Onde ele está?

— Não o vejo desde o Salão Principal.

— Segundos antes da parrtida começarr nós te vimos do outrro lado do campo. Ele pediu parra irr até você e eu deixei. Eu ainda fiquei vigiando ele contorrnarr os arros… — ela levou as duas mãos trêmulas a cabeça. — Eu… Eu… Merrlim! Tem gente demais porr aqui. Ele é só uma crriança.

Ron cobriu o espaço entre os dois em duas passadas e segurou a francesinha pelos antebraços, fazendo com que ela olhasse para ele. Foi como se todo o nervosismo, desconforto e hesitação que existiam entre os dois evaporassem. Eles se encararam por longos segundos, em que se comunicaram apenas pelo olhar. Até que René inspirou profundamente e soltou o ar devagar, visivelmente mais calma.

— Nós vamos encontrar o Mase. Eu prometo. — o ruivo foi firme e protetor, ao mesmo tempo. — Onde exatamente ele estava quando o viu pela última vez?

— Lá. — ela apontou através do campo, para o espaço ao lado do banco de reservas. — Ele estava quase ao seu lado quando desviei os olhos dele… Merrlim! Eu nunca devia terr desviado os olhos dele. Devia terr segurrado a mão dele e ido até lá com ele.

— Nós vamos achá-lo. — reafirmei. — Vamos nos dividir pra procurar. Assim cobrimos mais espaço mais rápido.

Assim que as palavras deixaram minha boca, Ronald me lançou um olhar discreto, mas preocupado. A irritação e a curiosidade estavam começando a corroer as paredes do meu estômago. Mas respirei fundo e voltei a focar na situação. Afinal, encontrar Mase era mais importante que qualquer coisa que eles pudessem estar escondendo de mim.

— Luna você fica com a parte leste do estádio. Eu pego a parte oeste. Ron você conhece melhor o castelo e é o mais rápido de nós três. René, você fica por aqui para caso ele volte, procura nas barraquinhas de comida e nas arquibancadas mais altas. Ele pode ter subido pra ver o jogo mais de perto.

— Herms… Acho melhor você ficar aqui. — a intensidade nos olhos de Luna deixava claro que havia mais por trás de suas palavras. — O estádio é muito grande, você ainda não está completamen-

— Como eu disse, a René não conhece bem o lugar. — cortei a loirinha antes que Ron se interessasse pelo assunto e levantasse qualquer questão sobre minha saúde. Mas ela continuou me encarando. — Estamos perdendo tempo! — decretei antes de me virar e sair, sem dar a ela oportunidade de argumentar de novo.

Não me atrevi a olhar pra saber se eles haviam seguido meu exemplo e saído do lugar. Não queria abrir nenhuma fresta na minha determinação. Apenas caminhei o mais rápido que pude em direção a parte oeste do estádio. Só que não havia ninguém por ali. O caminho até os banheiros estava deserto, assim como os próprios banheiros. Depois de abrir todas as cabines e procurar até dentro do armário, resolvi tentar os vestiários reservados aos jogadores.

— Mase! Mase, você está aqui? — chamei ao abrir a porta. — Mase, sou eu, Hermione. — continuei.

Não recebi nenhuma resposta. Mas entrei assim mesmo. Eu não acreditava, de verdade, que ele estivesse escondido em algum lugar por ali. Não era o tipo de coisa que uma criança como Mase faria. Ele era decidido demais para isso. Poucas coisas o assustavam. E, mesmo quando tinha medo, ele simplesmente o ignorava e continuava.

Empurrei a porta da primeira cabine só para encontrá-la vazia.

— Se você estiver sentado nas arquibancadas vendo minha melhor amiga fazer a melhor partida da vida dela, enquanto eu perco isso pra te procurar… — murmurei comigo mesma, ao partir para o segundo cubículo. — Mase!

Quando abri a porta, garotinho se encolheu ainda mais no canto da cabine e escondeu a cabeça entre os braços. Meu coração deu um salto no peito. Ele tremia, completamente assustado. Estava vermelho e suado, como se tivesse corrido milhas. E apesar da vontade enlouquecedora de abraçá-lo para nunca mais soltar, aproximei-me com cuidado.

— Mase… Sou eu, Hermione.

Um tremor percorreu o magro e pequenino corpo, mas ainda assim ele levantou um pouco a cabeça e olhou para mim. Havia lágrimas nos olhos castanhos e, por baixo delas, um sentimento que eu daria tudo para não conhecer tão bem: medo, em seu estado mais puro, aquele que paralisa, apavora e deixa sem ação. Mandei o cuidado às favas e puxei-o para o meu colo. Mase se agarrou a mim com força e acariciei suas costas, para tentar acalmá-lo. Vários minutos depois, quando a respiração dele começou a estabilizar, decidi que era hora de sair. René já devia estar surtando sem notícias.

— Você está perdendo um jogo incrível, sabia? — fiz um movimento com a cabeça indicando o lado de fora. Um pequeno sorriso ameaçou surgir nos lábios finos, quando ele balançou a cabeça concordando. Levantei-me ainda com Mase no colo. — Gina roubou a goles do time adversário depois de desviar de um balaço e ainda conseguiu mar-

A frase terminou na metade. Assim como o passo que eu ia dar. Todos os pelos do meu corpo se arrepiaram instantaneamente, meus músculos retesaram e eu não conseguia fazer o ar entrar nem sair pela minha garganta. Senti meus olhos se encherem de lágrimas quando percebi que, com Mase nos braços, seria impossível alcançar minha varinha a tempo. É claro que garotinho notou que havia alguma coisa errada, mas ele não se atreveu a virar para conferir. Outro tremor o balançou e a razão de seu terror ficou clara.

E eu quase pude ouvir o clique assim que os últimos acontecimentos se encaixaram como peças na minha cabeça. Eu detestava ter que admitir que outra pessoa — especialmente se essa pessoa fosse Draco — tinha razão; porém, às vezes, eu também odiava descobrir que estava certa. Sustentei seu olhar — mesmo diante da sensação de que, pouco a pouco, ele estava fazendo meu sangue congelar nas veias. Mas, quando me dei conta que não seria capaz de nos proteger, não pude impedir minhas lágrimas de caírem.

Notas finais
Antes de comentar, lembrem-se: Amo vocês! kkkk