Dramione - Side Effect

76 Visão de Draco Malfoy: Tentando convencer a mim mesmo


Notas iniciais
Oi, pessoas... Cumpri a promessa, viram só?? Só por isso acho que mereço vários comentários no capítulo, hein? Bjos e boa leitura!

Aproximei-me da cama com cuidado. Estiquei a mão para tocar o rosto sereno de Hermione, mas fiquei amedrontado em acordá-la. Merlim! Às vezes a intensidade do que eu sentia por aquela garota me assustava. Eu não fui preparado para lidar com nada daquilo. Especialmente, com o pequeno ser que crescia no ventre dela. Mas tão grande, ou até maior que o imenso desconhecido que se abria à minha frente, era a certeza de que eu queria os dois comigo e a força com que eu os amava.

— Você sempre quis com mais intensidade aquilo que não podia ter. — a voz de Derick ecoou meus pensamentos e me sobressaltou. Ele estava apoiado no peitoril da janela, tentando parecer relaxado, enquanto observava Hermione e eu. — É compreensível. Sempre foi um menino mimado e cheio de caprichos.

— Hermione não é um caprich-.

— Oh, não. — ele me cortou, entusiasmado. — Ela é sua libertação. Seu caminho para a redenção. A doce Hermione…

Derick deu um passo em direção à cama e eu levei a mão à varinha. Aquilo o fez rir de forma debochada. Achava que eu não era páreo para ele. E, provavelmente, estava certo. Mas eu estava pronto para explodir nós dois ,e quem mais fosse preciso, antes de deixá-lo se aproximar da minha mulher de novo. Procurei por algum sinal de Weasley em minha visão periférica, mas não achei nada. Ele podia não ter nos ouvido ainda, praticamente sussurrávamos.

— Desista, Derick. Não vai sair daqui com vida. — subi minimamente o tom de voz.

— Nunca achei que veria este dia, mas agora sei que está pronto para me matar. Melhor, para se sacrificar, se sua morte for garantir a minha. Por ela. E nada me deixaria mais feliz que privar você desta promessa castanha de felicidade... De conhecer o filho que ela carrega.

— Por que tanta raiva? — a pergunta era sincera. — Eu nunca fiz nada…

— Exatamente. Você teve todas as chances imagináveis e desperdiçou cada uma delas. — ele praticamente sibilou, fazendo uma ideia acender na minha mente.

— Eu não queria ser uma droga de Comensal. — fiz minha cara mais triste e magoada, carreguei minha voz de arrependimento. Derick não era uma pessoa paciente e, especialmente, não sabia lidar com o sofrimento alheio. — Eu não q-

— Chega! — ele gritou e eu quase sorri. Derick perdeu o controle por meio segundo, mas eu sabia que tinha sido o suficiente para chamar a atenção do Weasley. — Estamos andando em círculos aqui. Eu já sei toda a sua triste história de garoto que não teve escolha.

— E eu não tive.

— Pelo Lord das Trevas! Pra cima de mim? Você é Draco Malfoy. Ninguém impõe nada a você! Por que seria diferente com o maior bruxo de todos os tempos, certo?

— Agradeço a admiração. Não sabia que era um fã. Mas, claramente, você não conheceu meu querido pai o suficiente.

— Pare de tentar me enrolar! — os olhos de Derick estavam injetados, apesar da postura aparentemente relaxada e da voz calma. — Pode não admitir, mas você fez uma escolha. Nunca executou nenhuma ordem direito. Fingia uma incompetência que nunca teve. Minou os planos do Lord pelo lado de dentro.

Abri a boca para responder e não consegui. Meu coração esmurrava o peito, as lembranças da guerra se embaraçavam na minha cabeça, sobrepondo-se, surgindo da escuridão esquecida para onde eu as havia banido. Eu queria tanto acreditar nas palavras de Derick, que aquilo até doía. Queria acreditar que, mesmo de forma inconsciente, eu agi como deveria, que, mesmo sem saber, eu fiz a coisa certa. Como eu queria acreditar que sempre estive do lado do bem. Mas eu sabia a verdade.

— Eu estava assustado demais, com medo demais, para executar qualquer ordem. Especialmente as dele. — admiti. — Não sou um herói, Derick. Por mais que sua lógica distorcida te diga isso. Eu nunca fui um herói. — repeti, querendo convencer, principalmente, a mim mesmo.

— Poderia ter sido.

E se ele estivesse apenas tentando me distrair? Não faria a menor diferença se ele acreditava ou não no que estava dizendo. Derick não estaria despejando em mim seu rancor pela minha incompetência como Comensal, e sim tentando baixar minha guarda. Sorri para ele, o melhor e mais desafiador sorriso que consegui. E as bochechas dele ficaram vermelhas.

— Bajulação? Sério, Derick, isso não combina com você. Está tão desesperado assim? — minha voz derramava sarcasmo. Aquele jogo de provocação e controle emocional podia ser jogado por duas pessoas.

Os olhos de Derick se arregalaram de forma cartunesca e sua mandíbula trincou de audivelmente. As veias das têmporas do sonserino saltaram e as narinas se dilatavam cada vez mais, conforme ele respirava fundo, tentando manter a máscara de calma. Naquele momento, Williams era como um vulcão prestes a entrar em erupção e devastar tudo e todos ao seu alcance.

Pelas cuecas de Merlim! Você acredita mesmo que eu, deliberadamente, atrapalhei os planos de Voldemort.

As palavras saíram antes que eu pudesse perceber e quis morder minha língua. Nada poderia tê-lo deixado mais enraivecido que minha expressão de surpresa, mas ela era genuína. Engoli seco. Tudo nele me dizia que eu iria me arrepender de colocar minha descoberta para fora em voz alta. O frio e a escuridão refletidos nas íris de Derick fizeram cada pelo do meu corpo se arrepiar. Eu já havia presenciado o mal em estado puro e bruto antes. E era exatamente daquele jeito que ele se parecia. Como se toda a esperança fosse sugada do mundo.

— Eu vou te matar, Draco Malfoy. Vou te matar, levar sua mulher comigo para usá-la sempre que quiser, da forma que eu quiser e criar seu filho como se fosse meu.

Como se protestasse diante daquela declaração, Hermione se remexeu na cama, súbita e estranhamente agitada, e emitiu um pequeno gemido abafado. Derick reagiu ao som de maneira nada decente, com um grunido animalesco que fez meu estômago revirar e meu sangue ferver. E destruiu todo o meu autocontrole.

— Morra!

A maldição passou a centímetros do rosto dele e saiu pela janela aberta. Derick devolveu na mesma moeda. Atirei a esmo várias vezes enquanto tentava tirar Hermione do meio do fogo cruzado sem expor os outros pacientes ao perigo. Foi quando, finalmente, vislumbrei uma mecha vermelha entre os biombos do lado oposto do cômodo.

Protego!

Conjurei a proteção na hora certa. O feitiço de Derick atingiu com força o escudo, fazendo-me recuar um par de passos. Alcancei a jarra de água ao lado da cama de Hermione e atirei nele, tentando ganhar tempo e mantê-lo focado em mim. O garoto a afastou com um movimento de varinha desdenhoso.

— Sabe que não pode salvar todos eles. — Derick fez um gesto amplo com a mão para mostrar que falava das outras pessoas na enfermaria. — Em algum momento, terá que escolher… — ele lançou um olhar desejoso para Hermione. — E sabemos quem será a escolhida. Então, por que não ignoramos o restante logo de uma vez e resolvemos a questão?

— Porque eles não tem nada a ver com isso. — os leitos dos pacientes, Hermione entre eles, escorregaram pelo piso de pedra, afastando-se de nós e se aglomeraram contra a parede mais distante, protegidos de vista pelos biombos de pano. — Só mais uma pessoa vai morrer hoje, você.

— Weasley. — ele disse o nome de Ronald como se fosse um palavrão. Como eu costumava a dizer, notei. — Já te falaram que toda essa coisa de nobreza Griffana é um saco?

— Malfoy faz questão de me lembrar, o tempo todo… — Ronald respondeu enquanto agitava a varinha.

Derick teve que se deslocar para a esquerda, para longe da janela a fim de escapar. Adiantei-me e atirei o próximo feitiço no caminho dele. Williams mudou de direção bruscamente e tropeçou, mas não caiu. Quando nos encarou novamente, suas feições sempre calmas e contidas estavam retorcidas pelo ódio.

— Avada Kedavra!

Empurrei Weasley para o lado e tratei de sair do caminho também. Meu ombro protestou ao atingir em cheio a pedra dura.

Estupefaça!— o ruivo gritou ainda de costas no chão.

— Achei que tinha dito que ia matá-lo! — Conjurei um escudo para nos proteger do próximo ataque de Derick, mas minha vontade era estuporar Ronald Weasley.

Avada Kedavra.— ele gritou em seguida, mirando o peito de Derick.

A tentativa não foi melhor que um feitiço ferroante. E tive que me jogar atrás de uma pequena mesa de cabeceira, que explodiu ao ser atingida pelo raio verde, quando o sonserino contra-atacou.

— Isso não vai funcionar. — constatei o óbvio.

— Por que não faz alguma coisa no lugar de simplesmente reclamar e me desconcentrar? — Weasley respondeu com implicância, entretanto, havia algo mais em sua voz.

— Estou fazendo. Salvei sua vida, mais uma vez… Se é que não percebeu.

— Você me devia uma dessas… — Weasley tinha os olhos fixos em Derick. — ...há muito tempo. — E antes mesmo que ele terminasse a frase, eu sabia o que tinha que fazer.

— Pelo Lord, vocês parecem duas bruxas velhas. — Derick desdenhou, enquanto atacava de novo.

Rolei até a parede para escapar e me sentei sem nem perceber, com a varinha já preparada. Não precisei olhar para o lado. Apenas mentalizei o feitiço e deixei-o fluir do meu corpo, pelo meu braço, até a peça de madeira. Assisti-o se materializar, abrir caminho pela enfermaria e atingir Derick em cheio, ao mesmo tempo que o raio de Weasley. Williams foi jogado com força contra a parede e escorregou pela pedra até o chão.

Troquei um rápido e um tanto quanto espantado olhar com Ronald Weasley. Quase ao mesmo tempo que ele, coloquei-me de pé, mas alcancei Derick antes do ruivo. Chutei a varinha dele para longe e não consegui me conter. As juntas do seus dedos protestaram, a pele das minhas mãos ardeu, minha recém adquirida consciência gritou. Eu estava apenas vagamente ciente de que Ronald falava comigo, depois gritava. Mas eu não podia parar, eu não queria parar. E quando dei por mim, Weasley estava me arrastando de cima do cara.

— Por mais que eu queira deixar você matar o paspalho, teria que explicar isso pro Ministério… — minha vontade era matar aquele ruivo chato também, ele era especialista em me atrapalhar. Mas o que ele disse a seguir me despertou. — ...e, principalmente, para Hermione.

Finalmente abri as mãos, que ainda estavam em punhos e rosnei de dor ao segurar a varinha. Virar o pulso para executar o feitiço do corpo preso no sonserino provocou uma onda ainda mais forte de dor. Escutei Ronald murmurar alguma coisa, então, cordas surgiram do nada e enrolaram-se ao redor do corpo de Derick. Virei-me para encará-lo e Weasley me lançou um olhar indagativo.

— Só pra garantir, ué!

Admirei o rosto ensanguentado e o corpo imóvel de Williams por um momento.

— Claro. — ironizei.

— Ainda bem que você entendeu. — ele disse, cutucando Derick com a ponta da bota de Quadribol.

— Oh, não comece a pensar que temos uma conexão em batalha ou coisa do tipo. — Ronald me olhou feio. — Mas, obrigada.

— Não por isso. Só estava fazendo meu trabalho.

— Claro. — ri.

Ele nunca daria o braço a torcer.

— Vou levar ele para os Aurores. — anunciou fazendo Derick levitar.

— Pode deixar que arrumo as coisas por aqui. — adiantei-me, tirando dele a satisfação de dar a ordem.

Ronald Weasley assentiu azedo e cruzou o cômodo com o corpo de Derick Williams flutuando à sua frente, sem olhar para trás, parando apenas para afastar as camas que bloqueavam a porta.

Logo que ele se foi, devolvi os leitos aos seus lugares, tomando o cuidado de colocar Hermione, Renné e Neville lado a lado. Seria bom para eles ver um rosto conhecido quando acordassem. Então, sentei-me em uma cadeira próxima à cama da castanha e fiquei observando-a dormir; agradecendo mentalmente por qualquer que fosse a poção que Madame Pomfrey havia ministrado — não só nela, mas em todos ali, e que os manteve inconscientes durante todo o tempo; imaginando como seria quando ela acordasse; e, por que não, quando nosso filho ou filha nascesse.

Até que acabei adormecendo também.

Notas finais
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