Notas iniciais
Gente... Vocês não fazem ideia da dificuldade para digitar essas poucas e simples palavras. Side Effect mudou minha vida de maneiras que jamais vou conseguir explicar. Me trouxe coisas e pessoas maravilhosas. E ao final dessa verdadeira jornada eu só posso agradecer. Obrigada pela paciência infinita de quem esperou pacientemente pelos capítulos quando parecia que eu não ia mais retornar. Obrigada por não em abandonarem. Obrigada por me darem bronca pela demora. Obrigada por me apoiarem. Obrigada por fazerem Side Effect ser reconhecida... E, tenham certeza, muito mais importante que prêmios, indicações e entrevistas para portais é o carinho de vocês. Que me impulsionou e me manteve ligada a esse projeto quando as coisas ficaram difíceis, agitadas e sem sentido. OBRIGADA!!!! Já estou #chorandolargada... Mas não posso fechar essa nota sem agradecer em especial e principalmente à Tábata, minha querida e extraordinária Srta. Lovegood. Por seu apoio incondicional, por ter buscado no Facebook o perfil de uma autora maluca e a presenteado com uma amizade indescritível... Verdadeiramente mágica. Nossa rainha estava coberta de razão, crianças... "Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remedia-los." AMO VOCÊS!

Abri os olhos e encontrei duas íris azul-acinzentandas me fitando intensamente e havia um imenso sorriso acompanhando-as.

— Bom dia, dorminhoca. — o sorriso se alargou.

— Bom… — não consegui não sorrir de volta. — Bom dia.

— Você está bem? Parecia inquieta durante o sono... — ele acariciou o espaço entre as minhas sobrancelhas.

— Tive um sonho meio estranho. — admiti, espreguiçando-me — Só isso.

— Tem certeza de que não quer me contar o que era?

— Definitivamente, não. — respondi rápido demais. — Não foi nada. — emendei, tentando consertar o estrago. — É até engraçado, se a gente imaginar…

O olhar descrente de Draco me fez suspirar, derrotada.

— Ok… — comecei. — Eis o que me lembro. Eu estava observando o movimento na Plataforma 9¾ com aquela saudade gostosa, sabe, e o calor da nostalgia aquecia meu peito quase se derramando pelos meus olhos. — ele levantou uma sobrancelha, para ironizar o fato que eu estar emocionada durante um sonho. O que eu prontamente ignorei. — Então, eu senti alguém se agarrar às minhas pernas e olhei para baixo. Era uma garotinha de cabelos ruivos e olhos azuis. — Draco ficou extremamente vermelho e dava para ver que estava lutando para não fazer careta, mas ele não me interrompeu. — Ela me olhava com uma ansiedade mal contida e até um certo receio. Ai eu me abaixei para encarar ela, sem nem mesmo me dar conta do movimento. “Até o Natal, mamãe”, ela disse e me abraçou. “Prometa que vai escrever”, eu pedi e as palavras deixaram minha boca sem que eu tivesse sequer pensado nelas, ou mesmo deixado elas saírem. A menininha revirou os olhos para mim. — sorri ao lembrar da expressão exasperada dela. — E suspirou: “Eu vou”.

Limpei a garganta tentando ganhar tempo, antes de continuar. Mas Draco estava extremamente interessado no restante da história.

— E… — estimulou.

— E uma voz conhecida, mas que não consegui identificar na hora falou, bem ao lado e acima da minha cabeça. “Eu ia dizer seja brilhante, mas você nasceu com o cérebro da sua mãe. Então, apenas, entre para a Griffinória”. Eu revirei os olhos pra declaração idiota e neguei com a cabeça, quando a pequenininha me olhou preocupada.

— Acho que sei a quem pertence a tal voz, mas continue… — ele disse de forma meio seca. E eu forcei um sorriso amarelo. É claro que ele sabia.

— Havia um rapazinho de cabelos negros desgrenhados parado ao lado da garotinha. E ele perguntou completamente desesperado: “E seu não for pra Griffinória?”.

Draco riu e quando eu lhe lancei um olhar feroz e questionador, fez um gesto com a mão para dizer que eu devia seguir em frente.

— Então… — minha voz era firme, para demonstrar meu descontentamento. — Harry se ajoelhou para ficar da altura do garoto e passou a mão pelo cabelo dele enquanto falava. Não faço ideia do que ele disse, porque falou em voz baixa, mas, o que quer que tenha sido, deixou o menino maravilhosamente surpreso e feliz. O estado de espírito do rapazinho era outro quando ele embarcou e sumiu dentro do trem. — um sorriso bobo brotou dos meus lábios enquanto eu contava sobre meu melhor amigo. E Draco acariciou as rugas que se formaram no canto da minha boca, sorrindo também.

— Logo ele surgiu na janela, gritando: “Venha logo, Rose, achei uma cabine para nós!”. E a garotinha de cabelos ruivos me lançou um último olhar e correu para o trem também. E eu fiquei ali parada até bem depois de os vagões terem sumido, encarando os trilhos vazios. Sentindo saudade da Rose, sendo que ela havia acabado de partir, torcendo para que ela se desse bem na escola e fizesse bons amigos...

— Faz sentido. — Draco disse, tentando soar divertido. — Ela era sua filha. — ele estava claramente receoso, com medo da resposta que poderia receber, mas ainda assim perguntou. — Teve algo mais?

Analisei-o por um instante, o sorriso não chegava aos olhos, era apenas uma tentativa de me animar para continuar. Mas a intensidade nas íris cor de tempestade deixava claro que fosse qual o fosse o restante daquela história, ele o queria. E não me julgaria por isso.

— A voz que sugeriu à minha filha que ela tinha o dever de entrar para a Griffinória chamou meu nome. Foi quando eu finalmente a reconheci e, por isso mesmo, não me virei. Lembro de pensar que aquele era exatamente o tipo de declaração que se podia esperar dele. Mas fiquei incomodada de verdade foi por ele ainda estar ali. Retruquei um “Pode ir. Vou ficar mais alguns minutos.”. E ele respondeu com “Hugo e eu vamos te esperar no carro”. Cada vez a coisa ficava mais estranha e desencaixada. Quer dizer… Me esperar? Me esperar pra que? E quem era Hugo?

Os olhos de Draco escureceram com algo que eu só podia identificar como tristeza. Balancei a cabeça de forma negativa. Eu não iria continuar com aquilo. Era uma idiotice sem tamanho, totalmente descabida e sem razão. Só estava servindo para torturar o loiro.

— Não, não pare agora. Só vai me deixar mais curioso.

— Mas Draco…

— Por favor, Hermione.

— Argh! — cerrei os dentes. — Por que faz isso com você mesmo?

— Eu preciso saber… Eu quero saber.

— Mas o sonho é meu.

— Mas o Weasley está nele.

— Como sabe que era o Ronald? — me fiz de idiota. Draco ergueu uma sobrancelha para mim, desafiando-me a negar. — E daí se for ele?

— Você, Weasley, criança ruiva embarcando para Hogwarts… O cenário é terrível e nada pode ser pior que a minha imaginação, Hermione. Então, por favor?

— Eu disse que ele não precisava esperar. — soltei o ar devagar. — Só que ele me soltou um “Mas, amor, combinamos de almoçar com meus pais, lembra?”. — Draco perdeu o pouco de cor que possuía e achei que o loiro ia desmaiar. Mas ainda assim ele insistiu. — Aquela declaração fez com que eu me virasse imediatamente. Ronald segurava a mão de um garotinho alguns anos mais novo que Rose e também ruivo. Meus olhos encontraram os da criança e meu coração perdeu uma batida. Eram castanhos e extremamente espertos. Foi quando eu comecei a me desesperar. Meu subconsciente sabia que alguma coisa estava muito errada.

— É claro que estava. — o sonserino comentou consigo mesmo.

— Minha preocupação devia estar estampada em meu rosto, porque as sobrancelhas de Ronald arquearam e a boca se torceu. Então, ele soltou Hugo e caminhou até mim. Me segurando pelos ombros, estudou meu rosto por alguns segundos e depois me puxou para um abraço. — parei de novo. O loiro não parecia nada bem. — Draco?

— Continue…

— “Está preocupada com ela, não é? Rose vai ficar bem”, ele sussurrou, tentando me acalmar. Eu bufei e pressionei minha testa contra o ombro dele. Era como se eu estivesse me afogando e não houvesse nada nem ninguém em que eu pudesse me agarrar. “Está tudo bem, Hermione”, continuou falando. E eu fechei os olhos de aflição, porque ele começou a acariciar meus cabelos. — Draco também estava de olhos fechados agora. — Já falei que aquilo parecia estar muito, muito errado, e eu não conseguia entender o porquê?

Ele apenas balançou a cabeça.

— Pois é… — disse um pouco alto demais, tentando fazê-lo voltar a me olhar. Não deu certo. — Quando o Ronald repetiu “Está tudo bem, Hermione”, a voz saiu diferente, rouca, o que instantaneamente me deixou mais tranquila. E quando ele falou “Está tudo bem, estou aqui com você. Te amo. Tanto te amo. Ita hic amor non est in me, Hermione!”, tudo mudou. De repente, fiquei ciente do travesseiro atrás da minha cabeça, das cobertas ao meu redor, da mão que realmente acariciava meus cabelos. — os olhos azul-acinzentados se iluminaram. — Você me salvou, Draco. Você me tirou desse sonho todo errado. Você levou embora a estranheza e a sensação sufocante de que havia algo errado.

Draco me puxou para junto dele e colou nossos lábios em um beijo. As borboletas no meu estômago se agitaram, como sempre faziam, desejosas de mais. O desespero bom começou a ganhar força dentro de mim.

— Rose e Hugo? — ele se afastou apenas o suficiente para olhar dentro dos meus olhos. — A cara do Weasley. Simplório demais.

— Não acho simplório. Acho bonito. — fui sincera.

— Graças a Merlim, e para sua sorte, minha imag-

O barulho da porta sendo aberta interrompeu a frase do loiro. Trocamos um olhar cúmplice e ficamos em silêncio, apenas escutando os gemidos de esforço da criaturinha de cabelos loiros e encaracolados enquanto ela escalava a lateral da cama de dossel, com seu pomo de ouro de pelúcia na mão. Draco piscou para mim e fechamos os olhos. E, mesmo sem vê-lo, eu sabia que, assim como eu, ele estava se segurando para não rir. O espaço entre nós no colchão cedeu minimamente.

— Eu sei que vocês estão acordados. — ela trinou.

Não consegui mais me segurar e dei um beijo estalado em sua testa.

— Bom dia. — disse Draco, beijando-a também.

— Só isso?

— Como assim? — argumentei, séria.

— Isso é tudo o que vocês tem para me dizer essa manhã? — perguntou chorosa.

— Sim. — Draco foi categórico.

— Não. — contradisse e ela sorriu largamente. — Pare de tentar nos enrolar e vá se arrumar, tia Luna já deve estar chegando.

O sorriso morreu em seus lábios pequenos.

— Mamãe, Papai… — o serzinho praticamente suplicou, com os olhinhos cheios d’água, destruindo toda a minha convicção, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas também.

— Não posso. — anunciei. — Simplesmente, não posso.

Draco suspirou de forma audível e, enquanto eu o encarava com olhos de culpa e remorso, alcançou a varinha no criado mudo. Uma caixa rosa, com laço dourado, gigantesca, se materializou aos nossos pés sobre a cama. Ele sorriu para mim, complacente e anunciamos juntos.

— Feliz Aniversário!

A menina deu um gritinho de entusiasmo e pulou no pescoço do pai. Draco a abraçou com força antes de me puxar para junto deles. A porta se abriu de novo e a voz sonolenta de Mase flutuou pelo quarto.

— Por que tanto barulho?

— OLHA, OLHA, OLHA!

Com um estardalhaço maior ainda, a pequena se desvencilhou de nós para correr até o embrulho. Mase caminhou até lá apenas levemente entusiasmado.

— Mamãe. — ela gritou animada ao analisar o interior da caixa. — Você precisa ver isso.

— Você vai gostar muito mesmo. — o garotinho anunciou.

Engatinhei até eles e aninhei-os sobre as minhas pernas. Quando Draco se aproximou, foi a minha vez de fazer o mesmo contra seu peito.

— São livros. — a menina anunciou o óbvio ao pegar alguns exemplares. — De princesas. — completou ainda mais entusiasmada, folheando um dos exemplares.

Encarei meu marido por sobre o ombro. Não eram apenas livros. Eram as primeiras edições dos mais famosos contos de fadas trouxas. O presente não era só para nossa filha, afinal. “Obrigada”, falei sem emitir som. E ele respondeu com um beijo.

— Ah! — o grito, apesar de alegre, nos desconectou imediatamente.

Passei os olhos pela página tentando descobrir o que causara tanto espanto e tamanha excitação. E não contive a gargalhada quando descobri. Mase correu para analisar o achado da irmã e revirou os olhos quando apontei a palavra em meio ao texto. Ela havia aberto outro livro e, apesar de ainda não saber ler muito bem, reconheceu o próprio nome.

— O meu nome… Ela tem o meu nome.

— Acho que você é quem tem o nome dela. — divertiu-se Draco.

— É por causa dela? — os pequenos olhos castanhos brilharam. — Por causa da princesa?

— Também — adiantei-me quando meu marido demorou a responder. — Afinal você é a nossa princesa.

— Bléh… — Mase implicou, revirando os olhos.

— Mas principalmente… — Draco ignorou a gracinha, lançando um olhar rabugento ao filho do coração. — ...porque Aurora quer dizer o nascer do sol, o recomeço, a luz que rompe a escuridão.

— Ah! — ela respondeu e voltou a remexer na caixa.

Mase não se preocupou em esconder o riso. Eu comecei rindo baixinho, porque não queria magoá-lo, mas logo também estava gargalhando. Aurora não percebeu, é claro. Estava entretida demais com o restante dos livros. Draco, contudo, fez um biquinho ofendido.

— Só para você saber, essa exclamação quer dizer “Não entendi nada”.

— Eu percebi. — ele gruniu. E Mase riu mais ainda.

— Ela tem cinco anos. — constatei. — O que você esperava? Vai demorar um tempo para ela compreender a real importância que tem pra nós.

— Não. — ele me encarou com os olhos cor de tempestade rugindo em fúria. — Ninguém jamais vai entender a importância que vocês três tem para mim.

Quando Mase revirou os olhos de novo, Draco o agarrou com um movimento rápido. O menino começou a gargalhar antes mesmo que os longos dedos do pai tocassem suas costelas. Aurora se juntou à brincadeira, tentado defender o irmão, apenas para que Draco fizesse cócegas nela também. E eu precisei soltar o ar devagar enquanto observava, para evitar que meu coração explodisse de alegria e plenitude.

Notas finais
Por favor... Deixem reviews para o coração despedaçado da titia.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!