Dramione - Side Effect

74 Visão de Draco Malfoy: Você não pode controlar tudo


Notas iniciais
Amores... Parece que estou sempre pedindo perdão pela demora. Mas, dessa vez, venho com uma novidade bem bacana. Side Effect agora tem página do Facebook!!! facebook.com/SideEffectfic Todo mundo curtindo para matar a saudade enquanto eu não posto... Obrigada. Srta. Lovegood por ter embarcado nessa comigo. Amo mais que chocolate. Chega de papo. Bora ler! Curtam! A página e o capítulo. =P

“Eu mandei um Patrono, mas não podíamos esperar mais.” A frase de Luna, martelava sem parar na minha cabeça, depois que eu percebi o que ela podia significar. Havia gelo no meu estômago e algodão nos meus pulmões. Nunca foi tão difícil respirar, pensar ou, simplesmente, manter a sanidade. O que havia por trás que aquelas poucas palavras, o que a loirinha não disse, era ainda mais preocupante.

Eu estava dividido entre voltar, e verificar as milhares de possibilidades que passavam pela minha cabeça, e terminar de chegar ao estádio. Minha preocupação com Neville havia desligado todo o resto e eu sequer perguntei a Luna como Hermione estava, quando deveria ter ido até ela e a segurado em meus braços e verificado cada pedacinho dela para me certificar de que estava bem.

Mas a oportunidade havia ficado para trás. Se eu desviasse meu caminho, com o estádio em chamas e o eco distante de gritos e confusão que chegava até mim, Hermione jamais me perdoaria. Eu jamais me perdoaria. O problema é que eu nunca mais conseguiria encarar a mim mesmo se alguma acontecesse com ela, com eles, enquanto eu não estivesse lá.

Forcei-me a seguir em frente, enquanto tentava sufocar a sensação desesperadora que crescia no meu peito e comprimia meu coração. A cada passo que eu dava, quanto mais eu me distanciava, ficava mais e mais difícil respirar. E, principalmente, manter minha determinação. Então, Renné surgiu apressada, pela curva do caminho, acompanhada de Andrômeda e mais de meia dúzia de crianças. E todos eles estavam cobertos de fuligem. Ela parecia estar fazendo um esforço enorme para acompanhar o ritmo dos pequenos e, de início, imaginei que era porque estava com um deles colo. Mas, ao me aproximar, percebi que o lado esquerdo de suas vestes estava totalmente destruído — a manga do casaco havia desaparecido, deixando exposto um braço enegrecido, com pedaços soltos de pele queimada pendurados aqui e ali, bolhas e feridas vermelhas.

Os olhos da garota francesa se encheram de lágrimas quando ela me encarou. A mandíbula trincada e os tremores que sacudiam seu corpo de tempos em tempos me deram uma boa ideia da dor que ela devia estar sentindo. Tomei em meus braços a garotinha que Renné bravamente carregava e pude ouvir a moça suspirar de alívio. Analisei a criança por um instante, mas ela parecia relativamente bem, apenas extremamente assustada e perdida. Por isso, me concentrei na terrível queimadura.

— O que aconteceu?

— O campo… — ela suspirou. — O estádio… tudo simplesmente… explodiu.

A sensação incômoda em meu peito se avolumou de tal maneira que foi como se meu coração tivesse parado por falta de espaço para bater.

— Havia milhares de pessoas lá. — balbuciei de forma estúpida.

A expressão no rosto de Andrômeda não contribuiu em nada para aplacar o meu desespero, pelo contrário.

— Não sei dizer a real gravidade da situação. Alguém, de alguma maneira, criou um casulo de proteção em volta de nós poucos segundos antes de tudo ir pelos ares. Depois foi apenas gritaria, confusão, fogo e muita fumaça. — a voz da velha bruxa falhou várias vezes enquanto ela falava. — Precisava… Precisava garantir a segurança das crianças primeiro… — ela completou em tom de desculpas.

— É claro que sim. — apressei-me em concordar. — Leve-as para o castelo, Luna e Hermione estão lá. Elas vão ajudá-las.

— E Mase? — Renné perguntou.

Engoli em seco. A última vez que vi o garotinho foi antes de me esconder embaixo da capa da invisibilidade para entrar no vestiário e colocar em prática o plano de Luna. Ele havia se recusado a voltar para o campo, então, decidimos que ele ficaria com a loirinha e ajudaria a levar Hermione até o castelo. Uma irresponsabilidade que, aparentemente, poderia ter salvo a vida dele. Eu não fazia ideia se havia alguma verdade por trás do que eu iria dizer, mas ainda assim...

— Está com elas.

— Graças a Merrlim… — ela suspirou depois de engolir um gemido.

— Vão… — incentivei. — Precisam continuar.

Devolvi a criança a Renné e não me demorei observando elas irem. Coloquei-me em movimento novamente e puxei o ar com força, tentando organizar meus pensamentos e desenvolver algo próximo a um plano de ação. Enquanto uma parte de mim queria alcançar o campo o mais rápido possível, a outra estava aterrorizada com o que poderia encontrar ao fim do caminho de pedras. E por mais férteis que tivessem sido meus devaneios — afinal, eu havia participado de batalhas suficientes para esta e outras vidas — eles sequer se comparavam ao cenário na minha frente.

Fiquei paralisado por alguns segundos, enquanto absorvia tudo aquilo. Alguém havia se livrado da maior parte da fumaça; mas, do céu, Krum e Wood ainda lutavam para combater as chamas que consumiam o que havia restado das arquibancadas; e por todos os lados, pessoas ajudavam umas as outras. A figura altiva de McGonagall se destacou em meio ao caos. Ela tentava orientar as pessoas enquanto Madame Pomfrey corria de um lado para o outro socorrendo quem podia, da melhor maneira que podia.

Eles estavam reunindo os feridos no que restou do gramado logo a minha frente, contudo, estava claro que nada seria suficiente: o espaço, muito menos as provisões para tratá-los de forma adequada. O que um dia fora o Estádio de Quadribol de Hogwarts, naquele momento, era a insana mistura de madeira quebrada, tecido rasgado e queimado, terra revolvida, neve suja, grama, sangue e — um arrepio subiu pela minha espinha quando me dei conta — pedaços de corpos humanos.

O cheiro de carne queimada invadiu minhas narinas, impregnando tudo desde minhas roupas e até minha própria pele. Eu quase podia sentir o gosto de ferrugem ao ver aquele sangue. Meu estômago deu um salto e precisei trincar os dentes para não vomitar. Foi quando os olhos atentos da diretora caíram sobre mim.

— Sr. Malfoy, graças a Merlim!

— Quem foi… — tentei perguntar, mas a frase simplesmente não saiu. — O que posso fazer para ajudar?

— Quem mais faria uma coisa dessas? – ela completou minha pergunta não feita. E eu assisti à uma das bruxas mais corajosas e imponentes, que eu já tive o prazer de conhecer, vacilar. – Como uma pessoa é capaz de tamanha atrocidade?

A culpa, que me corroía há um bom tempo, pareceu dobrar de proporção, decidida a não se deixar ser ignorada. Meu estômago revirou mais uma vez, mas a sensação nada tinha a ver com o odor que se espalhava pelas terras do castelo. Senti a mão da velha bruxa pressionar meu ombro esquerdo.

— Não é sua culpa, sr. Malfoy.

— A frequência com que tenho escutado essa frase é a prova de que não há nenhuma verdade nela.

— Sou testemunha de tudo o que o senhor fez e tem feito-

— Não foi suficiente. – interrompi de forma bastante descortês. – Eu falhei, de novo… Eu deveria ter protegido Hermione... e Gina… Tudo isso… Essas pessoas... Nada disso deveria ter acontecido.

— Sr. Malfoy! — ela foi firme. — Não pode controlar tudo. Especialmente os atos e decisões de outras pessoas. O mal sempre existiu no mundo, desde muito antes do senhor, e continuará existindo até muito tempo depois que o senhor o deixar. Isto não é culpa sua.

— O problema é que, de alguma forma, ao que tudo indica, eu o atraio. Eu atraio o mal e acabo causando dor às pessoas ao meu redor.

— Ora, por favor! Além do mais, eu acredito que Potter e Weasley conseguirão capturá-lo.

— Potter e Weasley estão bem? — Nunca conseguirei descrever o real significado daquelas palavras, a intensidade com que me atingiram. Um alívio, extremamente egoísta perante toda a situação, mas ao mesmo tempo, encorajador, me invadiu de forma avassaladora e reconfortante. Eu estava feliz até mesmo pelo Weasley. — Eles estão… vivos?

McGonagall não respondeu de imediato. E antes que eu pudesse sequer pensar no que fazer, em como agir, ela agitou a varinha. Encarei-a por alguns milésimos de segundo, então, escutei o zumbido da madeira cortando o ar. Se a situação fosse outra, certamente, eu teria sorrido.

— Perguntou o que podia fazer para ajudar…

— Obrigado. — sussurrei, enquanto passava a perna por sobre o cabo.

Não esperei por uma resposta, apenas inclinei a vassoura para cima e acelerei. Meu cérebro trabalhava furiosamente enquanto eu avançava. Eu não fazia ideia de por onde começar a procurar, então, resolvi subir o máximo que podia e tentar captar ao menos um vislumbre de alguma coisa. Quando atingi altura suficiente, pairei por alguns instantes, procurando alguma pista de que direção seguir. E precisei agarrar o cabo da vassoura para não cair. Se do chão as coisas pareciam ruins, não haviam palavras para substantivá-las de cima.

Foi quando um lampejo, vindo da direção das estufas, chamou minha atenção. Cautela foi a última coisa em que pensei. Eu só queria me juntar a Potter e Weasley para garantir que Derick não escaparia. Contornei o corujal, exigindo o máximo da velha Comet 260, e quase atingi o telhado da Torre de Defesa Contra as Artes das Trevas, quando um raio vermelho surgiu do nada. Era um ricochete, não havia como nenhum deles ter me visto. Mas serviu para fazer eu me lembrar de com quem estávamos lidando. Então, alguém atravessou o jardim em direção à ponte. Desacelerei com intuito de me virar para segui-lo e a manobra veio em tempo para me tirar do caminho de outro feitiço. Fiz uma curva para a direita e segui ladeando a parede da torre. Então, Potter surgiu ao meu lado.

— Que droga, Malfoy quase te acertei.

— Desculpa?

— Viu pra que lado eles foram? Tive que mergulhar atrás do muro para não ser atingido e os perdi de vista.

— Pra ponte.

Aceleramos juntos e alcançamos Weasley no momento em que ele tentava usar as vigas para se proteger e contra-atacar. Olhei para Potter e soube que ele estava pensando exatamente o mesmo que eu. Mergulhei pelo lado esquerdo e, com uma guinada para a direita e para cima, acabei bem embaixo de Derick. Senti a energia percorrer meu braço, quando pensei no feitiço; e fluir pela varinha, assim que o verbalizei. Mas atingi apenas as cerdas da vassoura. Ele se desequilibrou e o garoto que sobreviveu aproveitou para fazer sua tentativa. Mas Williams voava tão bem quanto qualquer um de nós. Ele conseguiu afastar o ataque de Harry e ainda o jogou contra a passarela. Embiquei a vassoura para ajudá-lo, porém recebi um aceno frenético de negação em resposta.

— Vai… — ele gemeu.

Obedeci, à contra gosto, e tive que apertar os olhos quando Derick virou-se na direção das estufas. Os vidros refletiam a luz, decompondo-a em milhares de feixes coloridos que dificultavam a minha visão. Quando consegui um relance de sua posição, ele já estava passando pelos beirais de ferro da porta, seguido de perto por Ronald. Eu mal havia adentrado a construção, quando Weasley parou, tão depressa que quase deu um giro completo com a vassoura. As palavras nem chegaram a deixar sua boca, mas eu tive certeza que eram um aviso. Então, com um estrondo, os vidros estouraram.

Notas finais
Todo mundo passando pela página do Face... Nem que seja pra azarar titia. facebook.com/SideEffectfic Bjos Titia ama vocês!