Dramione - Side Effect

66 Um lado ameaçador


Notas iniciais
Oi pessoas... Quanto tempo?! Já estão querendo me matar? Já desistiram de mim? Por favor, por favor não desistam. Eu não abandonei Side Effect, juro. Estou apenas totalmente, desesperadamente sem tempo/condições de escrever. Perguntem à Srta. Lovegood... Ela vai confirmar o que eu estou dizendo... E, para provar que eu não desisti do nosso casal preferido... E, principalmente, agradecer vocês por esperarem tão pacientemente por mim... Aqui está mais um capítulo de SD. Espero que gostem... espero que me perdoem pela demora. Milhões de bejos

— Oh... Achei que seria uma boa ideia aparecer hoje, para poder conversar com vocês com calma… — ela disse, passando o braço por sobre os ombros da loirinha, que se encolheu tentando fugir do gesto.

Gina revirou os olhos mais uma vez, então, agitou a varinha, fazendo uma das caixas voar até si. E anunciou:

— Sinto muito não poder participar do papo desta vez, mas tenho que decorar as arquibancadas. — quando Annie fez menção de protestar, a ruiva emendou. — Não se preocupe, Hermione e Luna podem te contar tudo o que você precisa saber. É que já estamos em cima da hora com isso aqui. — Gina balançou a caixa para a garota e marchou em direção à porta, decidida, fazendo questão de ignorar os olhares assassinos que Luna e eu lançamos em direção à ela.

— Então… — a esboço de jornalista começou, aproximando-se de mim e trazendo Luna com ela. — De quem foi a ideia deste evento incrível?

Eu juro que tentava ignorar Annie Pottins, no sentido de não me preocupar com o que ela fazia ou dizia, não deixá-la me atingir. Mas tudo o que saía da boca da garota soava falso e forçado. E aquilo me incomodava de uma maneira que eu não conseguia entender. Acho que era por ela me lembrar tanto Rita Skeeter — que foi inteligente o suficiente para nunca mais impor sua presença a nós depois do livro absurdo sobre Dumbledore — mas treinou Annie bastante bem em suas técnicas de inconveniência.

— Da Hermione. — respondeu Luna, finalmente escapando das garras da outra. — Ela só tem boas ideias.

— Acha mesmo que terão público? Quer dizer, estamos no meio do inverno...

— Essa é nossa última preocupação, querida. — Luna deu um sorriso de lado para mim. — As doações não param de chegar e, com certeza seremos capazes de fazer o Natal de milhares de crianças melhor esse ano. Acho que apenas por isso, nosso esforço já valeu muito a pena. Sinceramente... não sei se teremos arquibancadas lotadas amanhã. Muitas pessoas que doaram não poderão comparecer, por uma razão ou outra. Mas sou agradecida a todas elas da mesma maneira.

Mas e os times? Vocês conseguiram reunir um grupo e tanto. Os melhores jogadores de Quadribol da atualidade estão aqui para a partida. Quem vai jogar contra quem?Acreditamos que a melhor solução nesse caso é fazer um sorteio, que vai acontecer amanhã, minutos antes da partida.Os alunos que vão participar devem estar tão animados… — ela disse com falso entusiasmo. Ah, sim. Estão sim. — Luna concordou. Apesar de não ser uma jogadora, ela claramente era uma das pessoas mais animadas com aquilo tudo. Estou bastante empolgada também. Vai ser muito interessante de assistir. — Pottins mordeu a pontinha da unha do dedão e me encarou por baixo dos cílios super carregados de maquiagem. — Como você está administrando isso, Hermione? Quer dizer.. seu primeiro interesse amoroso, seu ex-namorado e seu atual noivo juntos, em um só lugar... O que? — rebati, incrédula.

Até que ela conseguiu se segurar mais tempo do que eu esperava antes de começar a destilar veneno.

Ora, por favor. Viktor Krum, Ronald Weasley e Draco Malfoy reunidos em uma partida de Quadribol, quando os dois primeiros claramente ainda não superaram, nem esqueceram você e o terceiro é um ex-comensal da morte. Isso é, no mínimo, perigoso. — ela mordeu o lábio e piscou longamente, enquanto soltava o ar pelo nariz, devagar. Claramente perdida em pensamentos. — Mas, tenho que admitir, também é altamente excitante.Ronald não vai jogar amanhã. — Luna respondeu irritada. — E mesmo que fosse… Que tipo de pergunta é essa?Eu não administro, Annie. — lancei um olhar companheiro para Luna, como forma de agradecimento. — Porque não há nada para administrar. Viktor e eu… nós nunca… Merlim! Eu não preciso dar explicações sobre isso. Então, não se arrepende de ter trocado um dos maiores jogadores de Quadribol da história, nem um respeitado herói de guerra por um ex-comensal da morte condenado?E por que ela deveria? — a loirinha praticamente gritou. — Você precisa começar a ler o que seus colegas de trabalho escrevem, nem que seja, sabe... de vez em quando. O ex-comensal condenado salvou a vida da melhor amiga dela e do tal herói de guerra. — Luna cruzou os braços na frente do corpo de forma ameaçadora. Entendi. — Annie recuou, em todos os sentidos da palavra. Deu um passo mínimo para trás, enquanto seus ombros baixaram. Para um observador menos atento esses detalhes passariam despercebidos, mas eu sabia que ela estava com medo de Luna. — Mas, Hermione, meus leitores estão curiosos… Draco está promovendo uma enorme reforma na Mansão Malfoy. Isso significa que é lá que vocês vão morar depois que se casarem? Ainda não resolvemos isso. — disse de forma quase automática.

A verdade é que eu não tinha nenhuma intenção de voltar a colocar os pés naquele lugar. Senti meu estômago se contrair, descontente. Não era só sobre o pingente de pena... Aparentemente, eu tinha muitas coisas para esclarecer com Draco. Tudo aquilo, somado ao fato de eu não tê-lo visto desde o incidente com Astória e Pansy, estava começando a me incomodar de uma maneira nada saudável.

Sei como é. A escola vem primeiro, é claro. — ela disse numa meia risada, divertindo-se com uma piada só dela. E eu revirei os olhos. Quem ela achava que era para, sequer, questionar minhas prioridades? Tem muitas outras coisas que precisam mais da minha atenção, no momento. — rebati irritada.Oh… sim. Devem estar chovendo propostas de trabalho para você. Quer dizer, com todas as suas notas altas, atividades extra-curriculares peculiares e os vários namorados famosos. Isso dá muita visibilidade. — ela piscou para mim de forma condescendente. — Especialmente os namorados famosos.Recebi algumas propostas interessantes sim… — rosnei, segurando-me para não lançar um feitiço ferroante bem no meio da testa dela. — Mas, como disse da última vez em que você me perguntou, estou analisando com cuidado. Então, ainda não tomou uma decisão? Não preciso fazer isso, por enquanto.Não, claro que não. E está mais que certa, querida. É preciso aproveitar o momento antes que ele passe.

Pisquei algumas vezes, encarando o sorriso descarado que emoldurava a cara de pau excessivamente maquiada de Annie Pottins. Por acaso ela estava insinuando que eu pretendia viver da fama que ganhei com a guerra? Ou melhor... que eu fazia isso e queria continuar fazendo? Merlim! Como aquela mulher conseguia viver consigo mesma? Nunca entendi como alguém podia fazer mal às pessoas, insinuar coisas, prejudicar alguém e encostar a cabeça no travesseiro para dormir à noite.

Luna já estava vermelha de raiva. E eu me obriguei a engolir a vontade de socar Pottins antes de responder.

— Sim! Mas é claro! — meu tom pingava acidez, mas a jornalista pareceu nem notar. — Assim como você, aprendi com a melhor das professoras. Sabe que eu estive pensando… Talvez eu também escreva um livro com mentiras sobre a vida de alguém que morreu durante a guerra. Os lucros com certeza me sustentariam por um longo tempo.

Luna colocou a mão sobre a boca para evitar uma risada. Enquanto Annie ficou branca como pó. Ela abriu e fechou a boca, tentando encontrar o que dizer e quando um ruído finalmente escapou da loirinha, a jornalista trocou de alvo.

— E você, Senhorita Lovegood? Quais são seus planos pra depois da escola? Não pense que não sei que está namorando Neville Longbottom. — Luna arregalou os olhos e voltou a cruzar os braços. — Quando seguirão o exemplo dos seus amigos e firmarão compromisso?

— Oh… Não temos pressa nenhuma. Ainda não é tempo para isso. Há muito trabalho pra ser feito. É como a Hermione disse, muitas outras precisam da nos-

— Sei, sei… Da atenção de vocês. — ela interrompeu Luna, de forma grosseira e sem cerimônia. — O que pode ser mais importante? — pareceu questionar a si mesma, em tom de sussurro conspirado, antes de nos encarar com os olhos brilhando de expectativa. — Como Gina e Harry estão lidando com a perda da pequena Lily? — ela perguntou de repente, como quem analisa o tempo. — Eles estão tendo problemas pra superar, não é mesmo? Claro! Foi um choque para todo o mundo bruxo. Oh, Merlim! As pessoas vão ficar ainda mais arrasadas quando soube-

— Já chega. — antes mesmo que eu me desse conta de ter feito o movimento, minha varinha pairava a milímetros do rosto de Annie Pottins. Apontada para o pequeno espaço entre as sobrancelhas dela. — Não ouse dizer mais uma única palavra, ES.PE.CI.AL.MEN.TE, sobre Harry e Gina.

De repente, ela começou a tremer de forma patética enquanto revirava os olhos tentando enxergar a ponta da varinha.

— Por… por favor… srta. Granger… E… Eu…

— Saia daqui, Pottins. Encontre outro assunto pra sua matéria. — ela balançava a cabeça positivamente de forma enérgica. Era quase cômico. — Ah… E é melhor eu não encontrar nenhuma palavra sobre isso no jornal de amanhã. Ou você nunca mais vai escrever um linha sequer para qualquer jornal no Reino Unido, nem mesmo notas de falecimento.

Dei uma passo na direção dela, mas a jornalista deu dois para trás. Então, balançou a cabeça positivamente de novo. E balbuciou algo que eu interpretei como, “pode deixar”.

— Espero mesmo que estejamos entendidas. — disse, ainda em tom de ameaça. Ela se virou para sair, mas eu a segurei pelo braço. — Se tiver alguma dúvida sobre o que eu acabei de dizer, se começar a se questionar sobre a validade do meu aviso, pergunte a Rita. Ela vai poder te orientar quanto isso também.

Pude escutar quando Annie engoliu em seco. Mas mesmo amedrontada, ela fez questão de se recompor. Assim que soltei seu braço, empertigou o corpo e nos encarou por cima do ombro.

— Está tudo esclarecido. Muito obrigada, senhoritas. Acho que vou tentar uma entrevista com Viktor Krum agora.

Não pude deixar de sorrir quando ela se apressou para deixar o vestiário.

— Aposto que ela está correndo agora. — disse Luna, quando a jornalista desapareceu pela porta. E eu me permiti uma risada. — Não conhecia esse seu lado.

— Que lado?

— O ameaçador. Até eu fiquei intimidada.

— Eu não quis dizer que ia matá-la! — retruquei chocada.

Luna caiu na gargalhada.

Nunca tinha pensado em mim como uma pessoa ameaçadora, capaz de intimidar outra. Definitivamente, não era algo de que eu me orgulhava. Mas acabei justificando para mim mesma que aquele era o tipo de atitude que precisava ser tomada em algumas situações, contra certos tipos de pessoas. No fim das contas, acho que a guerra tinha me mudado mais do que eu imaginava.

Lancei um olhar de esguelha para Luna, que fingiu ficar com medo, deu dois passos falsamente vacilantes para trás e levantou as mãos em sinal de rendição, rindo ainda mais. Agitei a varinha, fazendo uma pilha de camisas que estava sobre a mesa voar na cara dela.

Ei! Isso é golpe baixo. — resmungou enquanto se desvencilhava das peças.

— Não gosto desse tipo de abordagem. Mas ela mereceu. — disse, ainda na defensiva.

Luna riu de novo e, por alguma razão, meus olhos se encheram de lágrimas. Era irracional e infantil, mas eu meio que me sentia... culpada por ter ameaçado Pottins. A loirinha correu até mim e segurou meu rosto entre as mãos.

— Hermione… Tá tudo bem. Eu tava só brincando. Desculpa. — disse, enxugando uma lágrima fujona. — Você agiu bem.

Respirei fundo e balancei a cabeça para mostrar que sabia, que concordava. Mas quando voltei a encarar Luna sua expressão era de extrema preocupação. E algo me dizia que aquilo não tinha nada a ver com como eu me sentia em relação à Annie Pottins.

Eu sabia que Luna vinha me observando de perto desde que voltamos do Instituto. Na verdade, ela estava fazendo isso com todos nós. Sempre atenta, cuidando, certificando-se de que estávamos comendo, bebendo, nos exercitando, acompanhando as aulas; de que tínhamos voltado à vida normal, ou o mais próximo disso que podíamos. E eu jamais conseguiria agradecê-la o suficiente. O problema era que ela era esperta demais para ainda não ter percebido. E eu estive preocupada demais com Draco e o colar, a Mansão, as sonserinas e todas as outras coisas sem importância para notar que; obviamente, sendo quem era; Luna Lovegood já sabia de tudo.

Era o que ela pretendia perguntar pouco antes de Annie Pottins chegar ao vestiário, quando Gina ainda estava conosco. Gina teria escutado, ela teria... Minha cabeça começou a girar só de pensar em como poderia ter sido. E por um milésimo de segundo, arrependi-me de ter mandado a jornalista embora.

Mione… — Luna começou insegura.

— Sabe que essa história do livro não é uma má ideia?! — interrompi. Apavorada com a possibilidade de Luna me perguntar o que eu achava que ela ia perguntar.

— Que? Como assim? — perguntou confusa. — Hermione, me escuta….

— Escrever um livro, sobre a guerra. — expliquei rápido, cortando-a de novo. Se eu deixasse ela dizer aquilo em voz alta, se tornaria real. E eu teria que parar de ignorar a voz na minha cabeça. — Sobre as pessoas incríveis que deram suas vidas pra garantir nosso futuro. Tonks, Lupin, Olho-Tonto… O Sirius e o Snape morreram por nós e as pessoas ainda nem sabem toda a verdade, que eles estavam… que sempre estiveram do nosso lado. Eles merecem isso… Por quem eles foram, por tudo o que eles fizeram nos últimos 19 anos.

Quando finalmente parei de falar, estava sem fôlego. Luna me encarou por alguns segundos, tentando processar as informações.

— Harry… — balbuciou depois de alguns segundos.

— Sim, precisamos perguntar ao Harry. — completei. — Ele é quem deve decidir ou autorizar... Acha que ele vai gostar da ideia?

— Hermione, para! — Luna me segurou pelos ombros, obrigando-me a olhar para ela. Senti como se uma pedra de gelo escorregasse pela minha garganta e caísse no meu estômago, fazendo-o arder de frio e expectativa.

— Não gostou da ideia? — perguntei, numa última tentativa de desviar o foco.

— Sabe que eu gostei. E sabe que os outros vão ficar super animados quando ouvirem. — a voz dela soou firme, decidida, carregada de seriedade. — Mas, por favor, pare de tentar me distrair do que eu quero te perguntar.

— Não, Luna. Por favor… — implorei.

— Eu sei, eu sei. Acabei de me dar conta... — ela disse, passando os braços em volta de mim e eu me aconcheguei em seu abraço apertado, protetor e cheio de carinho. — Agora eu sei que não têm ignorado os sintomas. — seu tom havia suavizado. — Estava preocupada pensando em como alguém tão esperta como você ainda não tinha percebido. Mas agora, finalmente, me dei conta de que você sempre soube.

— Você não entende? Eu não posso, Luna... — senti como se uma mão gigante envolvesse meu coração e o apertasse, impedindo-o de bater. A dor parecia que ia me rasgar de dentro para fora. — Harry e Gina, eles… Eu simplesmente não posso… — lutei com meus pulmões por um pouco de ar. — Não é… não é justo... — meus olhos estavam cheios de lágrimas de novo. Mas dessa vez, eu sabia bem o motivo.

— Ah, Hermione… — ela suspirou apertando-me os braços em volta de mim e tentando conter as próprias lágrimas.

Notas finais
Se tiver algum errinho me avisem... Tava morrendo de saudades.