Notas iniciais
Oi pessoas?! Sentiram saudade? Porque eu senti muita! Olha... Preciso dizer que estou um pouquinho triste. Todos os dias recebo reviews cheias de elogios à história - acompanhadas de ameças de morte, é verdade, mas ainda assim, elogios - mas faz um tempão que não ganho nenhuma recomendação! :( Eu me esforço tanto... #drama #caradegatodoShrek Mais um capítulo para vocês! Aproveitem...

— Não me entenda mal, Hermione. Eu, realmente, adorei a recepção, mas achei que você seria mais… relutante. Sabe como é… depois de tudo o que eu fiz! — ele disse em meio a uma risada.

— Eu ainda não te perdoei. — respondi ainda com o rosto colado ao peito dele.

Afastei-me e comecei a tatear por seu peito, sua barriga, empurrei seu ombro fazendo com que se virasse, levantei a camiseta manchada e inspecionei suas costas. Mas, graças a Merlim, não havia nada. Peguei as mãos dele nas minhas, a única parte que estava machucada, com feridas amarronzadas nos nós dos dedos. Só que isso não explicava todo o sangue. Ouvi a risada de Neville atrás de nós.

— Eu já fiz isso, Hermione. Assim que percebi que ele não estava… você sabe. O sangue é de outra pessoa. — ele levantou a voz para explicar a situação aos outros. — Nós o achamos desacordado em uma das celas lá em cima. O cenário ao redor não era bonito.

— Como assim? Nenhum sinal dos comensais? Só ele.. simplesmente deixado para trás?

Ronald fez uma careta para a última frase de George. Mas eu entendia o que meu ex-cunhado estava tentando dizer. Não fazia sentido abandonar Ron ali, onde seria facilmente encontrado por nós, ainda mais vivo. Meu coração pulou uma batida ao registrar a palavra vivo.

— Talvez tenham pensado que ele estava... quer dizer, se até nós pensamos. A pergunta mais importante aqui é: se o sangue não é do Ron, de quem… — um calafrio percorreu a minha espinha. — Você não consegue se lembrar de nada do que aconteceu? Ontem à noite, Rodolfo disse que estava tendo problemas para te controlar, talvez se você se concentrar um pouco…

Ronald estava contemplativo, como se decidisse sobre algo. Ele demorou vários segundos encarando o mar, depois, olhou para Molly, então para Arthur e, finalmente, para mim.

— Neville disse que eu estava sob a Maldição Imperius… — ele coçou a parte de trás da cabeça com a mão direita, num sinal claro de desconforto. — Eu não sabia ao certo… quer dizer, eu tinha uma vaga noção do que estava acontecendo, mas não o tempo todo. Quando penso sobre isso, está tudo embaralhado, confuso. A última coisa de que me lembro bem é prender Zabini e Notte naquela cabana abandonada. Depois disso, apenas flashs. Por exemplo, lembro de encontrar você parada na porta do salão principal, de muletas. É estranho, mas de alguma maneira sei que foi real. — recordei-me de como ele parecia perdido naquela noite, logo após eu ter mexido com as lembranças dele enquanto ele estava sob o jugo da Maldição Imperius. Não dá nem para imaginar a bagunça.— Mas tem coisas que não parecem verdade, simplesmente porque não fazem sentido nenhum… Como achar que vi a Gina anunciando para todo o castelo que estava grávida. É ridículo. Impossível!

Neville engasgou e Harry adquiriu uma coloração vermelho vivo. Olhei desesperada para Luna procurando por ajuda. Não estava em condições de passar por isso de novo. De discutir com Ronald pela ducentésima vez por causa do mesmo assunto. Além do mais, não foi tudo culpa da Maldição. Muito do que aconteceu, do que foi feito e dito para ferir e magoar — como o soco em Draco, a briga no salão principal quando ele rompeu comigo — aconteceu antes de Rodolfo começar a tentar controlá-lo, antes da primeira missão com os aurores. Eu estava aliviada e feliz por ele estar vivo, mas isso não o isentava das coisas que tinha feito.

— Teremos tempo para conversar mais tarde, quando encontrarmos a sua irmã. Por isso, trate de se concentrar no que é importante e lembrar do que viu e ouviu enquanto estava com eles. — a senhora Weasley desviou o assunto de forma ríspida e caminhou na nossa direção.

Ronald se encolheu diante da mãe, encarando-a com os olhos arregalados e balançando a cabeça em concordância. Todos o encaravam em expectativa. Ele fez uma careta e encarou Percy.

— Acho que fui enfeitiçado durante minha primeira missão com os aurores…

— É, você foi. Rodolfo deixou isso claro quando levou Gina. — disse sem paciência. Ronald estava tentando ganhar tempo e tempo era algo de que não dispúnhamos. — Sei que deve estar confuso e cansado. Mas poderá descansar o quanto quiser, assim que Gina estiver em segurança.

— Tudo bem… Depois disso… — ele apertou os olhos e a testa ficou vincada com a concentração. — Depois disso você me estuporou em plena sala de aula. — ele acusou. — Para defender o Malfoy!

Dei um passo atrás, com a respiração já presa na garganta. Eu sabia tudo o que eu tinha feito. Eu tinha consciência de que era uma traidora suja e desprezível. Neville, Luna e Harry também estavam cientes da minha culpa, apesar de terem decidido ignorá-la ou, pelo menos, colocá-la em segundo plano até recuperarmos Gina. Mas eu não estava preparada para que os Weasley e as outras pessoas soubessem.

Hagrid olhou para mim espantado e lembrei do beijo no meio do salão, durante a festa de Halloween. Parecia ter acontecido a mil anos. E ainda assim, foi como levar um tapa na cara. Ronald não precisava contar, todos ali já deviam saber que eu era a responsável por Gina ter sido levada. Quer dizer, eu esfreguei minha falta de consideração no nariz de todos pouco antes.

— Ela estuporou a Patil! — Luna saiu em minha defesa. — Você só estava no lugar errado, na hora errada.

As palavras de Luna tiveram efeito devastador em Ron. Ele levou as duas mãos à boca e encarou a mãe com o rosto lívido, o que quer que ele tenha se lembrado de ter feito, não era nada bom. Ele correu os olhos pelo grupo de pessoas ao seu redor e os fixou em Harry em um pedido mudo de socorro.

— Você estava sob o poder da Maldição Imperius. Não foi sua culpa.

Harry tentou acalmá-lo. Mas ninguém disse nada em contrário. Senti meu estômago afundar. Ao contrário do ruivo, eu não tinha qualquer desculpa atrás de que me esconder. Tomei minhas decisões com consciência. Eu tinha pleno controle das minhas faculdades mentais o tempo todo. Eu escolhi fazer todas as merdas que tinham nos levado até lá.

— O que mais você se lembra? O que aconteceu?

— Eu ataquei a Padma. — ele começou a se desesperar, deu dois passos incertos para frente e parou. — Não sei o que foi que usei nela, mas me lembro de ter feito. Saí da enfermaria para verificar se a passagem secreta atrás da Bruxa de um Olho Só podia ser usada e ela me surpreendeu no corredor, então eu… — Ron levou as mãos à cabeça.

— Já ajuda muito saber o que aconteceu com ela. Antes só podíamos especular.

— O que mais… — Gui exigiu. — Pense!

— Avisei Rodolfo e Selwyn sobre a passagem, sobre como entrar no castelo. — ele murmurou envergonhado.

— Então é Selwyn quem está ajudando Lestrange. Achávamos que ele tinha morrido na batalha de Hogwarts. — Percy parecia decepcionado consigo mesmo.

— E deu um jeito de afastar Gina de mim. — Harry suspirou. — Eu devia ter desconfiado, você não estava falando com a gente direito e de repente ficou todo preocupado por ela ter ficado a noite toda de pé.

O comentário de Harry chamou a atenção de Ronald, o ruivo inclinou a cabeça analisando o amigo. Abriu a boca e fechou, duas vezes, decidindo sobre como dizer o que quer que estivesse pensando.

— Vocês vieram direto do castelo de Hogwarts para cá? — Luna se apressou em continuar o interrogatório. Estava claro que todos ali queriam mantê-lo focado e evitar que ele se lembrasse de certos detalhes.

— Acho que sim… Gina não queria colaborar, então Selwyn teve que arrastar ela para cima.

Ronald disse aquilo de forma natural, quase despreocupada. Os olhos de Molly se arregalaram e ela apertou o braço de Arhur. Harry fechou as mãos em punhos ao lado do corpo, as narinas dilatadas enquanto ele expelia o ar com força.

— Isso explica os fios de cabelo… — Luna disse baixinho.

— Colocaram ela em uma das celas e eu não a vi mais.

— Como assim não viu?! Você está coberto de sangue e ele não é seu! — Harry gritou.

É claro que aquele pensamento já tinha passado pela minha cabeça, mas dito em voz alta, era ainda mais assustador. Mesmo em condições normais, saber que Gina tinha perdido todo aquele sangue já era desesperador, dado o estado delicado de saúde dela, então.

— O sangue pode não ser da Gina. — Luna tentou nos acalmar.

— E de quem mais? — meus pensamentos imediatamente se desviaram em outra direção. Uma preocupação diferente crescendo em meu peito. Lutei contra a dor, tentando me manter focada em Lily e Gina, apenas nas duas. Se eu deixasse aquele pensamento se instalar, se eu abrisse espaço para essa nova inquietação, eu sofreria ainda mais no final.

— Não faço ideia. — Ronald respondeu. Sua voz era áspera e a expressão estava dura. — Isso é tudo de que me lembro. Não sei como fui para naquela cela ou porque me deixaram para trás.

— Mas alguém duelou com os comensais no corredor. — Neville insistiu. — As portas se fecharam atrás da gente, só que eu vi os feitiços e escutei as explosões.

— Você deve ter imaginado isso tudo, porque não fui eu!

— Por que é que eles iam fugir se tinham conseguido capturar mais três de nós?

— Eu não sei, Longbottom.

— Achei que parte de ser um auror era tentar pensar como um comensal.

— Tem alguma coisa muito estranha nisso tudo. — Luna constatou.

— Ou o Ronald não está nos contando tudo o que sabe.

— Eu fui amaldiçoado! Eu sou a vítima aqui!

— Tem ideia de para onde eles podem ter ido? — Gui ignorou a cara amarrada e o mal humor do irmão.

— Acha que se eu soubesse já não teria dito? — Ronald revirou os olhos.

— Não tenho tempo para o seu chilique.

Gui encarou o irmão com um olhar de reprovação ao mesmo tempo em que caminhou convicto em direção à entrada da torre.

— Onde você vai?

— Talvez tenham deixado alguma coisa para trás, alguma pista. Vou vasculhar as tais celas.

— Nós já fizemos isso. — Neville deu de ombros.

— Na verdade, não. O Ron estava caído logo na frente da porta e… — Luna olhou para mim visivelmente preocupada. — O importante é que não olhamos direito. Vale a pena voltar lá. Terceira porta à direita. — ela completou para Harry e Gui.

Tentei achar algo para fazer enquanto esperava, qualquer coisa que ocupasse a minha cabeça e tirasse a cena da câmara lá em cima dos meus pensamentos. Sentei na grama — um gesto que meu joelho agradeceu imensamente — e comecei a arrancar pequenos tufos que cresciam acima dos outros aqui e ali. Carlinhos, Olívio, Héstia, Neville e Hagrid conversavam em uma roda à minha esquerda. Molly e Arthur estavam sentados no barranco perto da praia, abraçados à Ronald. George, Angelina e Percy discutiam ao longe, gesticulando uns com os outros de forma um pouco agressiva. Luna sentou ao meu lado e apoiou o queixo nos joelhos, encarando o horizonte.

— Diz logo…

— O que?!

— Luna, eu sei que você quer falar alguma coisa, então… Não enrola, vai. Diz logo.

— Ainda não decidi se devo ou não. Posso estar errada e não faria nada bem para você. Mas se eu estiver certa... — ela levantou a cabeça e abaixou os joelhos. Luna segurou minhas mãos e olhou nos meus olhos. — Hermione…

Ela deixou o som do meu nome morrer entre nós. E não disse mais nada. Apenas me encarou. Apesar da expressão suave que ela trazia no rosto, eu sabia, que ela estava angustiada, lutando consigo mesma, tentando decidir sobre o que tinha para me dizer. As íris azuis estavam mais escuras, contribuindo para dar aos olhos sempre alegres de Luna uma tristeza que não combinava com ela. Acariciei as costas da mão dela com os polegares, como forma de incentivo.

— Isso é tão injusto. — ela suspirou.

— O que?! O que é injusto?

— É melhor eu não dizer, por enquanto.

— Luna! Já que começou agor-

Interrompi minha frase no meio quando vi Harry e Gui saindo da torre. E a expressão em seus rostos dizia o que eu precisava saber. Eles não tinham encontrado nada. E tendo visto o cenário lá em cima, eu podia imaginar o desespero que Harry devia estar lutando para controlar.

— Nada. — Gui balançou a cabeça enquanto comunicava ao grupo que estávamos, mais uma vez, sem direção.

— Isso é como reviver a busca pelas Horcruxes. — Ronald resmungou.

Harry riu com escárnio e olhou de esguelha para o amigo ruivo.

— Fique a vontade para nos abandonar, de novo. Não seria nenhuma surpresa!

Fiquei de pé num salto. Meu coração acelerou de repente, minha respiração ficou presa na garganta e uma ideia acendeu na minha mente como fogos de artifício da Genialidades Weasley.

— Eu sei o que fazer! Sei como encontrar Gina!

Notas finais
Bjos