Notas iniciais
Quando eu digo que tenho os melhores leitores do mundo TODO, eu sei que eu não estou exagerando! Obrigado aos LINDOS: Filha de Apolo, Adriele sampaio e jorge pierce forbes As recomendações me fizeram CHORAR, de verdade. Acreditam que os exagerados me compararam a Tia Suzanne e a Tia Jo? Não chego aos pés das duas... Mas, um dia espero chegar! Por enquanto, vou me esforçando para dar a vocês uma história envolvente e boa de ler. Por isso, aproveitem!

De repente, 13 pares de olhos me encaravam com expectativa. Engoli seco. Devia ter me expressado com menos entusiasmo. Era só uma ideia, podia não dar certo. Podia ser a nossa salvação, ou podia acabar mandando a gente para o fim do universo.

— Fala logo, Hermione.

— Onde está o desiluminador, Ronald?

— O desiluminador! Pode funcionar… Pode sim. Hermione, você é um gênio.

— Calma, Harry. Eu não tenho certeza se vai funcionar! Mas acredito que se o Ronald conseguiu nos achar com ele, talvez… talvez a gente consiga achar a Gina.

— Alguém pode, por favor, explicar para o resto de nós, sobre o que vocês três estão falando? — Gui levantou a voz.

— Quer dizer que existe um dispositivo que pode rastrear a Gina?

— Desilamis… o que?

— Como assim não sabe se vai funcionar?

— Onde ele está?

— O que essa coisa faz, exatamente?

— A gente não sabe, exatamente, como essa parte funciona. — eu praticamente gritei. — E é por isso que eu não tenho certeza se vai dar certo. — soltei o ar com força, tentando me acalmar no processo. — A pessoa que inventou não teve tempo de nos explicar. Achávamos que só servia para apagar e acender luzes, mas acabou ajudando o Ron a nos encontrar quando nos separamos na busca pelas Horcruxes.

— Nunca nos contaram essa parte! — disse a sra. Weasley. — Por que foi que se separaram?

— Desculpe, Molly. Mas isso não é de grande importância agora. O fato é que o desiluminador levou o Ronald até nós porque era o lugar em que ele queria estar, onde ele precisava estar.

Ronald me encarou estupefato e talvez até agradecido. Harry e Gui também me lançaram olhares cheios de significado. Nós todos sabíamos o que tinha acontecido e qual seria a reação da mãe dele ao descobrir que, na verdade, o ruivo nos abandonou durante a busca. Além do mais, eu não havia mentido. As razões da nossa separação naquela época não importavam mais.

— Então o que estamos esperando para ir buscar esse tal de desiluminador? — Héstia perguntou. — Se esse objeto tiver mesmo o poder que vocês dizem, podemos pegá-los de surpresa dessa vez.

— Acho que o deixei no meu quarto, no castelo.

— Acho? Como assim acho? Não me diga que perdeu nossa única chance de encontrar sua irmã, Ronald Weasley!

— Eu não perdi, ‘tá ok, mãe? Está lá, em algum lugar dentro do meu malão.

— Vamos. — Hagrid segurou a mão de Ron, fazendo desaparecer entre seus dedos gigantes. — Vou com você, assim posso atualizar McGonagall da situação e garantir que retorne no menor tempo possível.

— Estaremos no Largo Grimmauld — Harry disse para as figuras borradas de nossos amigos.

***

— Odeio essa espera!

Joguei a toalha de rosto que estava usando para me limpar sobre a pia de mármore. Luna me encarou pelo reflexo no espelho, seus olhos transbordando compreensão. A loirinha não disse nada. Pegou a escova que estava ao lado da cuba, soltou o elástico dos meus cabelos e começou a desfazer os nós. Fechei os olhos apreciando a sensação, agradecida pelo gesto de carinho. Luna parecia sempre saber o que fazer, como agir. Senti seus dedos entre os meus cabelos e abri os olhos para assistir enquanto ela os trançava.

Ajudei-a a se limpar, mas ela não estava nem de perto tão suja quanto eu, então, foi rápido. Sorrimos uma para a outra ao pegarmos a toalha de rosto ao mesmo tempo para guardar. O sorriso acolhedor, quase maternal, de Luna, ao mesmo tempo em que aqueceu meu coração, fez com que ele se encolhesse. Assemelhava-se muito ao que Gina exibia quando estávamos juntas, especialmente nos últimos tempos, quando falava tanto de Lily. Meus olhos arderam, a saudade crescendo, avolumando-se, ameaçando transbordar por eles, obstruir minha garganta e minha respiração.

— Sabe que às vezes ajuda se você falar, né? — ela disse, sentando-se na cama e me puxando para sentar ao seu lado.

— É difícil até mesmo falar, Luna. Sinto tanta falta dela. É como o desespero de estar se afogando, lutando para permanecer na superfície. — levei as mãos ao peito, tentando amenizar a dor. — Seu corpo começa a se cansar, você está exausto, mas não pode parar de nadar. Porque sabe que se fizer isso, não haverá mais esperança. E eu quase fiz… eu quase fiz hoje, quando achei que o Ron… Eu quase abandonei a Gina, porque não aguentava mais…

— Shh! Shh!

Luna passou os braços por mim, e começou a me ninar, como se eu fosse uma criança. Bem, talvez eu estivesse me comportando como uma. Gina era a minha melhor amiga, a irmã que eu nunca tive. Mas, além disso, também era a noiva de Harry, a mãe do filho dele e você não o via desabar em lágrimas o tempo todo, com pena de si mesmo. Não à toa que Malfoy conseguiu me enrolar com tanta facilidade, eu era patética.

— O importante é que não abandonou. — ela foi firme. — Você continua de pé, lutando. Foi você quem teve a ideia do Desiluminador.

— Mas eu só… se o Neville não tivesse chegado com o Ron, eu não tenho certeza se…

— Mas chegou. — nos sobressaltamos com a chegada repentina. A força na voz dela fazia o som retumbar pelo ambiente, preenchendo-o. — E isso é tudo o que importa. A culpa não é sua, Hermione.

Encarei o rosto bondoso de Héstia Jones com as bochechas começando a pegar fogo. Eu não podia mais deixar que as pessoas tivessem pena de mim. Eu me sentia culpada, porque eu era culpada.

— É sim, eu…

— Não. — ela me cortou. — Esqueça o que a faz acreditar nisso. Não importa. O importante é que não há nada que você não faria pela sua amiga. Para encontrá-la e garantir que ela fique em segurança. Aqueles trogloditas sem alma são os verdadeiros culpados. Vocês são tão jovens… — Héstia estava emocionada.

— Vocês tinham a nossa idade quando fundaram a Ordem.

— E, por isso, sabemos melhor que ninguém o quão injusto isso tudo é. Vocês deveriam estar se preocupando com as provas finais, com que profissão seguir. Deveriam estar chorando porque brigaram com seus namorados, não porque eles foram assassinados. — as lágrimas formavam uma cicatriz molhada em seus bochechas magras.

Não pude deixar de imaginar se Héstia havia perdido alguém durante a Primeira Guerra. Não eram só as lágrimas, foi a forma como ela disse as últimas palavras. A emoção que, dava para sentir, ela estava lutando para sufocar durante o discurso. Luna e eu trocamos um olhar dolorido. Mas não havia nada a dizer. Nem mesmo a loirinha encontrou palavras para aliviar a tensão, que tinha tornado o ar pesado.

— Hagrid e o menino Weasley virão pela Rede de Flu. Estarão aqui a qualquer momento.

— Então, é melhor esperamos na cozinha. Para partir imediatamente. — disse, levantando-me e pegando a mão de Luna.

— Foi o que pensei que diria. — ela sorriu para mim e se virou para caminhar na nossa frente.

Chegamos à cozinha no instante em que eles eram cuspidos pela lareira. Ronald se adiantou e colocou o tubo prateado na minha mão. Olhei para o desiluminador, depois para Harry e, finalmente, para o restante das pessoas na sala.

— Por favor, conte de novo, em detalhes, como foi quando isso o trouxe de volta até nós. — pedi a Ronald.

Entretanto, fixei meus olhos nas frestas do piso de madeira. Eu não sabia como lidar com os sentimentos que aquela história traria a tona. Ron foi... ainda era, muito importante para mim. E não estava claro quando as coisas mudaram, quando deixei de amá-lo como homem e passei a amá-lo como irmão. Ou se as coisas eram exatamente assim. Foi ele quem terminou comigo, mas eu não conseguia não me sentir responsável, apesar de tudo. Especialmente tendo me envolvido com Malfoy imediatamente depois.

Estava tão concentrada em decifrar meu emaranhado de sentimentos que acabei não prestando atenção à explicação. Mas eu conhecia a história muito bem. Ele a tinha repetido milhões de vezes, tentando fazer com que eu o desculpasse por ter nos deixado.

— Bem, o que me preocupa é a parte em que a bola de luz atravessou você. Não tenho dúvidas que se Harry se concentrar, ele poderá acionar o dispositivo do desiluminador como você fez. Mas ele não pode ir sozinho. Ele precisa de nós.

— Mas somos muitos. — Neville completou. — Nem adianta começar, Harry. — ele se adiantou quando o amigo abriu a boca. — Nós vamos descobrir como e vamos com você.

— Podemos tentar aparatar juntos, como fizemos para chegar até a ilha.

— Não. Antes todos sabíamos mais ou menos qual era nosso destino. Nesse caso, Harry teria que guiar a aparatação e com tanta gente... é muito perigoso. Para todos, principalmente, para ele. — Gui explicou.

— Posso avisá-los. Mandar um Patrono, talvez. Assim que chegar ao destino.

— Pode funcionar. — levando a mão ao queixo, o homem ruivo ponderou por alguns instantes.

Neville bufou, desencostando-se da parede atrás de mim.

— Todo mundo sabe que ele não vai mandar Patrono nenhum. — ele disse com os olhos fixos em Harry, que corou. — Quantas pessoas acha que ele consegue levar em segurança, Gui? Uma, duas?

— Duas, no máximo.

— Ótimo. — Neville pegou o Desiluminador de mim e o estendeu para Harry. — Então, vou com ele e me certifico de mandar a mensagem pra vocês.

Dei um passo à frente, parando ao lado dos dois antes que ele terminasse de falar e enganchei meu braço no de Harry. O garoto que sobreviveu soltou o ar com força, olhou para Neville e para mim, apertou o Desiluminador até os nós dos dedos ficarem brancos, depois fechou os olhos e sussurrou.

— Gina. — ao mesmo tempo em que abriu a tampa do instrumento com um click.

Confesso que mesmo depois de escutar repetidas vezes a história, era difícil imaginar a tal bola de luz, acreditar nela. Até que a vi na nossa frente, flutuando pela cozinha como uma das velas enfeitiçadas que iluminavam o salão principal do castelo. Conforme ela se aproximava de nós, o calor aumentava. Mas era como se a fonte dele estive dentro de mim, não fora. Olhei rapidamente para o lado e Harry continuava de olhos fechados. Então, também fechei os meus. Tive tempo de respirar fundo uma última vez antes de sentir o conhecido puxão no umbigo.

Demorou mais do que eu esperava, mas finalmente atingimos o chão. Depois de todos aqueles minutos rodando, não consegui ficar de pé e me preparei para a dor do choque de meu joelho machucado com a terra dura. Mas ele afundou em uma superfície úmida e arenosa. Olhei em volta, estava começando a escurecer e os últimos raios de sol manchavam a água muito azul do mar à nossa frente.

— Você está bem? — Neville perguntou me puxando para me colocar de pé. — Faz ideia de onde estamos?

Bati a areia dos meus joelhos e mãos e endireitei o corpo. Não fazia nem dois minutos que estávamos ali e minha blusa estava começando a colar nas costas.

— Pela vegetação, o calor úmido e a lista de Narcisa. Eu diria que estamos no Caribe, mais especificamente em Anegada, nas Ilhas Virgens Britânicas.

— É o último lugar onde eu procuraria por Rodolfo Lestrange. — Harry se aproximou, limpando as roupas também.

— E é por isso que ele veio para cá.

Ao meu lado, Neville já acenava com a varinha, produzindo um brilho prateado em forma de leão que desapareceu no horizonte por sobre a água. A praia era praticamente deserta, a não ser por um chalé de três andares, na ponta oposta à que estávamos. Não dava para dizer com certeza, por causa da luz difusa e das sombras que as árvores ao redor lançavam sobre ele, mas eu podia jurar que era inteiro em madeira preta. Apontei na direção da construção.

— Meio sombria para uma casa de veraneio, não acham?

— Combina bastante com os Malfoy, se quer mesmo saber a minha opinião. Chalé Horseshoe, parece apropriado. – Neville brincou. Mas Harry já tinha começado a correr.

— Vamos!

— Mas e os outros?

— Ele vai entrar lá com ou sem a gente, então é melhor que seja com. — disse por sobre o ombro correndo para alcançar Harry. — E não é como se houvesse muitas construções por perto. Eles acham a gente.

Apertei a varinha na mão quando pulamos a cerquinha de madeira que ficava na lateral do chalé. Correr na areia tinha abafado os sons dos nossos passos, mas na grana seria diferente. Por sorte, o espaço entre a cerca e a parede era pequeno. Fiz o melhor para me manter nas sombras ao mesmo tempo em que tentava não perder Harry de vista. E confesso que não me atentei para os barulhos que pudéssemos ter feito. Encostei-me na madeira entre Neville e Harry, arfando pelo esforço.

— Qual é o plano? — Neville disse com esforço.

— Entrar lá e imobilizar todos eles. Pegar a Gina e fugir.

Uma parte de mim agradeceu silenciosamente quando registrou que ele nem sequer considerou a palavra matar.

— Cubram uns aos outros. — Neville repetiu a orientação que deu no Instituto antes de nossa primeira empreitada. — E, por Merlin, não se separem!

Harry se abaixou e engatinhou sob o beiral da janela em direção à porta. Segurei sua camiseta e apontei para cima da minha cabeça. Ele deu uma espiada rápida e percebeu o que eu queria dizer, a janela estava aberta. Então, ele apoiou as duas mãos na beirada e suspendeu o corpo desaparecendo pela abertura.

— Harry?! — minha voz quase não saiu.

— Venham logo!

Obedeci, seguida de perto por Neville. O sol tinha terminado de desaparecer e precisei piscar algumas vezes até começar a me acostumar com a falta de luz do lado de dentro. Definitivamente, estávamos na cozinha do chalé. A porta estava entreaberta, e o único resquício de claridade vinha do outro lado. Andei na ponta dos pés atrás de Harry. Meu coração batia com tanta força contra as costelas que tive medo de que fosse nos denunciar. E quando o garoto segurou a maçaneta, pude ouvir a pulsação nos ouvidos. Mas ela foi abafada pelas vozes.

— … rápidos o suficiente.

— Ainda bem que ele conseguiu nos avisar a tempo, isso sim. Que espécie de plano é esse Rodolfo?

Um sinal de alerta acendeu na minha cabeça. Aquele timbre arrastado não me era estranho. Harry olhou para mim com os olhos arregalados e demorei dois segundos para entender que não era por causa da voz.

— Ele? Quer dizer que alguém avisou aos comensais que sabíamos sobre Dunstanburgh? — Neville sussurrou. — Há um traidor…- mas ele deixou a frase morrer quando os comensais voltaram a falar.

— Quero que ele corra atrás de nós. Quero que fique desesperado por chegar sempre um minuto depois. E vou fazer questão de deixar sempre um pedaço daquela vadia ruiva para trás, como presente. Quero que ele sofra como o inferno antes de eu dar o golpe final.

— E por que acha que ele teria todo esse trabalho por causa dessa traidora do sangue?

— Seu filho não te contou? Ela está grávida do Potter. — Rodolfo riu com escárnio.

O sangue parecia ter congelado nas minhas veias. Meu coração tinha parado de bater. A parte ingênua e romântica do meu ser se recusava a acreditar.

— Meu filho? Aquele verme não merece o sobrenome que carrega.

— De qualquer maneira, não podia ser mais perfeito. Temos a mulher e o filho do Potter. E quanto a Draco, não sei se teria conseguido deixar aquele castelo sem a ajuda do seu filho, Lucius.

Um grito engasgado ameaçou escapar da minha garganta e precisei tapar a boca com as mãos para silenciá-lo. A expressão nos rostos de Harry e Neville traduzia minha própria incredulidade. Como?

Notas finais
Ah! Esqueci de contar lá em cima... Acreditam que fiquei noiva?! Isso mesmo pessoas, Tia Carol vai casar! Acho que mereço recomendações de presente! BJOS