Dramione - Side Effect

42 Só, confie em mim


Notas iniciais
Oi amores... E o último capítulo, hein?! Tenso!!! Mas pelo menos tivemos um pouquinho de Draco Malfoy... Já tava com saudades do nosso Sonserino. Preciso agradecer as lindas Luana dos Anjos, Mirels, Cherry, Cah Souza e potteranab pelas recomendações LINDAS. Sei que soa repetitivo, mas fico tão emocionada com o que vocês escrevem que perco as palavras. "O jeito que ela desenrola tudo faz parecer que Draco e Hermione nasceram um para o outro, e que J.K. cometeu quase um crime ao lhes manter tão afastados." (Cherry) Como não chorar até desidratar?! Obrigada pelo carinho de vocês, pessoal... De TODOS vocês, Side Effect só é o que é por causa de vocês... São as palavras de vocês, o apoio, as mensagens privadas, reviews e recomendações que me estimulam a escrever... Bom capítulo!

Minha cabeça ainda não havia parado de rodar quando alguém me segurou pelos ombros. As palmas das mãos muito quentes, mesmo para o meu corpo aquecido pela movimentação intensa da batalha.

— O que você fez?... Era a nossa chance… Hermione… Por que?

Harry.

— Havia mais- — tentei dizer.

— Mais o que?

— Mais comensais. — Neville se aproximou. — Entraram em enxurrada pela porta da frente assim que a Hermione chegou até a gente. Não ia dar pra fazer mais nada.

As mãos de Harry afrouxaram o aperto. Mas ainda eram firmes ao meu redor, obrigando-me a ficar ereta e, principalmente, encará-lo. A pele dos meus ombros sob elas parecia queimar.

— Como você soube?

— Eu os vi pela janela. — menti.

Os olhos verdes brilhavam na luz fraca do lampião a gás da calçada. Eram como facas, tentando penetrar minha mente, ler os meus pensamentos. Sustentei o olhar com o estômago revirando e um gosto amargo na boca. Odiava mentir para qualquer um, mas fazer isso com Harry tinha um sabor ainda pior. Finalmente ele pareceu convencido, ou simplesmente desistiu.

— Harry, Hermione, Neville! — Luna foi a primeira a surgir pela porta da frente. Estávamos no meio do jardim do Largo Grimmauld. Ainda era madrugada e, felizmente, a rua estava vazia. Mas não ia continuar assim por muito tempo. — Graças a Merlin!

A loirinha correu e se jogou nos braços de Neville sem a mínima cerimônia. Ele ficou vermelho como um pimentão. Quase dava para ver as orelhas soltando fumaça e sentir o calor que emanava dele de onde eu estava.

— Mas que merda, Harry. O combinado era vocês nos avisarem de onde estavam assim que chegassem lá. — Gui desceu as escadas em uma só passada. Sua pele estava amarelada ao redor das cicatrizes deixadas por Greyback, os olhos vermelhos denunciavam seu cansaço.

— Eu mandei o Patrono! — Neville se desvencilhou com cuidado de Luna, mas a expressão dela mostrava que não havia nenhum sentimento além de curiosidade pelo que eles discutiam. — Mas estávamos nas Ilhas Virgens, no Havaí. Pode não ter funcionado por causa da distância.

— Não era tão longe assim, deveria ter funcionado. Demorado um pouco para chegar, mas funcionado. — Carlinhos respondeu pelo irmão.

— Vai ver ele não fez o feitiço direito! — Percy disse sem qualquer emoção na voz, como se comentasse o tempo.

— Eu estava ao lado dele, e posso garantir, estava perfeito. — fui mais ríspida do que deveria, dada a preocupação de todos. Mas a discussão nem havia começado direito e já estava me tirando do sério. A dor pulsante na parte de trás da minha cabeça tinha sido agravada pela aparatação e as coisas estavam começando a sair de foco. Um leve enjoo tinha se instalado na boca do meu estômago.

Ao contrário do calor úmido e do ar parado que havíamos deixado para trás, ventava em Londres, o que aumentava a sensação de frio em nossos corpos quentes. Mas Harry estava suando como se tivesse corrido uma maratona. As gotas escorriam da base do cabelo até suas sobrancelhas e pelas laterais do rosto. Sua pele brilhava sob as gotículas de água e as bochechas estavam muito coradas. Era quase como se ele estivesse febril.

— Não era como se a gente pudesse ficar esperando para ver se tinha funcionado. — ele praticamente rosnou para o cunhado.

Ainda estávamos a poucos centímetros um do outro, então, estiquei o braço e o toquei na testa. Ele estava ardendo em febre. Quando percebeu meu gesto, Harry afastou minha mão com menos gentileza do que normalmente faria.

— Precisamos voltar. — decretou.

— Acha mesmo que eles ainda estariam lá, Harry? — o senhor Weasley não soou nada além de cansado, quando falou com o genro. — Precisamos nos reorganizar.

— Gina já passou tempo demais nas mãos deles. Não posso… Não vou esperar mais.

— E pretende morrer tentando salvá-la?

A sra. Weasley nos examinava com seus olhos de falcão. Tentei fazer o gesto parecer o mais casual possível quando levei o pulso esquerdo para trás das costas, mas imagino que o resto do meu corpo não estivesse em um estado muito melhor. Harry tinha um pequeno corte na testa, mas que ainda sangrava, estava coberto de poeira e lascas de madeira. A lateral do rosto de Neville tinha começado a ficar roxa e os cacos de vidro em seu cabelo brilhavam e refratavam a luz, que incidia do lampião, de acordo com seus movimentos. Ele também não estava lá muito apresentável.

— Porque isso não vai ajudar muito. E eles não vão poupá-la depois que te pegarem. Posso garantir. — a autoridade na voz da matriarca dos Weasley não deixava brecha para discussão ou argumentos. — Todos para dentro. A.GO.RA!

Vi quando ele fez o movimento pelo canto do olho. E agi antes de me dar conta de que tinha tomado aquela decisão. Sei que Gina teria me apoiado, que diria que fiz o certo. Ela nunca me perdoaria se eu o deixasse sair doente e despreparado, numa busca desenfreada e se matar no processo. Então, antes que Harry alcançasse o Desiluminador no bolso da calça, eu o petrifiquei. Neville foi rápido o suficiente para segurá-lo antes que caísse na grama, mas não deixou de me olhar espantado.

— Mas o que...?

Adiantei-me e peguei o dispositivo e um soluço escapou pelos meus lábios. Todos me observavam surpresos e fiz questão de encarar meus pés. Contrariando minhas expectativas, Molly se aproximou e agradeceu.

— Obrigada, Hermione. Você apenas fez o que era necessário.

Levantei o olhar e Arthur, Héstia e Hagrid me confortaram meneando a cabeça de forma afirmativa.

— Levem-no para o meu quarto. É mais reservado.

Como das outras vezes, só notei Derick ali quando ele falou pela primeira vez. Ele estava ao lado de George, ainda nos degraus. Era estranho e também admirável, para um sonserino, como ele nunca impunha sua presença e passava despercebido às pessoas até alguém precisar dele.

Gui e Carlinhos se aproximaram para ajudar Neville a levar Harry. Soltei o ar com força enquanto observava os garotos atravessarem a soleira da porta com meu amigo nos braços. E assim que todos desapareceram pelo portal, uma convulsão percorreu meu corpo. Só tive tempo de me virar em direção à cerca, antes de o suco verde e ácido irromper pela minha boca. Quando as convulsões se foram, levando com elas o vômito, levei as mãos ao rosto. Elas estavam pegajosas e quando as afastei, vi que estavam cobertas de sangue. Um sangue que, eu sabia, não era meu. As lágrimas vieram antes que eu percebesse. Todas as decisões que eu havia tomado naquela noite invadindo minha cabeça ao mesmo tempo — acreditar em Draco, deixar Gina para salvar os meninos, petrificar Harry para impedi-lo de usar o desiluminador sozinho.

De repente, o sangue parecia estar queimando a minha pele, como ácido. Minhas mãos ardiam, pesadas, meio dormentes. Abri a torneira no canto da cerca e dei um pequeno grito ao enfiá-las debaixo da água gelada, impiedosa como uma cascata de agulhas. Esfreguei a do pulso machucado com cuidado, mas não queria sair. Então usei as unhas para raspar a nódoa vermelha que parecia impregnada em mim.

— Por favor… Por favor!

Não sei me referia exatamente à limpeza do sangue. Havia muitas coisas por que pedir e aquilo era a menos importante delas no momento. Passei a mão direita espalmada pela grama, tentando usar as folhas como uma espécie de bucha. Em algum momento, minhas lágrimas se misturaram à água gelada da torneira e o sangue de que eu tentava me livrar não era mais o de Draco.

— Hermione…

Ignorei o chamado e continuei esfregando minha mão na grama. A pessoa tocou meu ombro. E com um movimento eu me livrei do contato incômodo. Mas ela me segurou com mais força.

— Elas já estão limpas, Hermione. Suas mãos já estão limpas.

Sacudi os ombros de novo.

— Não…

Então, ela passou os braços pelos meus, restringindo meus movimentos e me puxou para longe, colocando-me de pé. Tentei me debater por algum tempo, mas a pessoa estava realmente decidida. Usando os pés para alavancar meu corpo, empurrei nós duas para trás, jogando todo o meu peso sobre ela. Um gesto inútil.

— Shhh…

Tinha de ser um dos rapazes, Luna não tinha tanta força.

— Me solta! — berrei.

— Só quando se acalmar.

— Me solta! Eu não quero me acalmar. Será que não viu o que eu acabei de fazer? Eu ataquei o Harry. Está tudo errado, distorcido. Ainda não conseguimos nem nos aproximar de Gina. Aparentemente, eles são bem mais do que imaginávamos. Lucius está vivo. E eu provavelmente matei...

De alguma maneira, ele me virou e minhas lamentações acabaram abafadas em sua camisa de flanela preta. O que foi bom, porque eu chorava descontroladamente agora, assombrada com a possibilidade que havia acabado de levantar. Os olhos azul-acinzentados me fitavam alegres, cheios de vida, enquanto eu era coberta por uma chuva de flores coloridas que se transformavam em borboletas. Depois, escuros e brilhantes enquanto nos perdíamos um no outro e o mundo explodia ao nosso redor. E então, tristes e suplicantes, enquanto a tempestade transbordava por eles e eu, finalmente, decidia confiar nele mais uma vez e o atacava como havia me pedido, lançando-o através da sala.

Quando os soluços pararam de balançar meu corpo, ele relaxou o aperto ao meu redor. Respirei fundo mais algumas vezes, preparando-me para encarar os olhos azuis e julgadores de Ronald. Mas ao virar o rosto para cima, encontrei duas grandes íris verdes, brilhantes como esmeraldas. E não havia nada ali além de calma.

Empurrei Derick de maneira um pouco brusca demais, totalmente envergonhada. Um sopro de tristeza passou pelo rosto dele e os olhos pareceram escurecer.

— Oh, por Merlim! De...Derick! — as palavras se embaralharam na minha língua, saindo truncadas, estranhas. — Desculpe. Eu… eu sinto muito. Você… Oh! Merlin! Eu…

Ele deu um passo na minha direção, com a mão estendida, e me segurou pelo ombro mais uma vez.

— Está tudo bem!

— Não, não está!

— Desculpe. Não queria assustar você… apenas, ajudar. — ele disse de forma pausada. Uma pequena ruga de frustração vincando a testa.

— Eu é quem peço desculpas, devo ter te machucado.

— Não! Não. Eu estou bem.

Apenas concordei com a cabeça, envergonhada demais para falar mais. Ele ainda estava com a mão no meu ombro, então me virou em direção à entrada.

— Vamos, logo vai amanhecer. Além do mais, você está gelada e exausta.

Relaxei minimamente, enquanto ele me guiava pelos degraus da porta da frente e pelo corredor até a escadaria. Cada parte do meu corpo doía enquanto eu tentava simplesmente me manter de pé um degrau após o outro. No segundo lance de escadas, precisei agarrar o corrimão para não cair de cansaço. Em um ato reflexo, usei as duas mãos para isso e acabei gritando quando a dor ferroou meu pulso esquerdo. Derick me segurou de novo e examinou meu braço com cuidado.

— Está quebrado. — decretou.

E já imaginava que era essa a situação. Mas soltei um suspiro de frustração mesmo assim e olhei exasperada para Derick. Ele devolveu o olhar. Os cantos da boca ligeiramente curvados para baixo. Soltei outro suspiro. Ele não tinha culpa de nada. Estava apenas tentando ajudar. Eu não podia ser tão injusta com ele. Então, balancei a cabeça em concordância.

— Vamos! Vamos te colocar na cama e arrumar isso.

Concordei de novo e deixei que ele me guiasse, sem registrar muito mais ao redor. Eu precisava mesmo me sentar. Ou me deitar, talvez… Deitar era uma ótima ideia. De repente, eu fiquei ciente de novo da dor na parte de trás da minha cabeça.

Derick me guiou até uma das camas bem arrumadas no cômodo e me ajudou a recostar. Segurando meu braço com uma delicadeza invejável. Eu quase nem sentia os dedos dele na minha pele. Ele arregaçou a manga da minha blusa até o cotovelo. Quando vi a varinha apontada para a fratura, onde a pele já estava inchada e tomada por uma coloração arroxeada, quase preta, meu estômago embrulhou mais uma vez. Imagens de Harry, dobrável como uma borracha, sem nenhum osso sequer no corpo, tomaram a minha mente.

— Tem certeza de que sabe o que está fazendo? Não é melhor chamar a sra. Weasley? Ela tem muita experiência com ossos quebrados. Sabe como é, seis filhos fãs de Quabribol e um gramado gigantesco no fundo de casa. Muitas escadas e, principalmente, uma energia inesgotável. Já vi ela concertar dedões e narizes e-

— Hermione…

— Sim? — resfoleguei.

Como sempre acontecia quando eu ficava nervosa, eu estava falando descontroladamente, sem nem mesmo respirar.

— Respire.

Obedeci de imediato.

— Eu sei o que estou fazendo, ‘tá bom?

— É… que… É… eu... Não sei… Será que é uma boa ideia?

— Só... confie em mim.

Os olhos verdes deixaram os meus e se concentraram no meu pulso. Rugas surgiram entre as sobrancelhas castanhas e a boca se apertou em uma linha. Prendi a respiração para não gritar quando ele sussurrou.

Braquium Remendo.

Pude sentir os ossos se movendo sob a pele, fazendo-a repuxar e esticar. Com um estalo doloroso, eles voltaram para o lugar e meu pulso esquentou. Agarrei a gola de Derick e enterrei meu rosto em seu peito para reprimir um grito. Imediatamente, o inchaço diminuiu, apesar de não ter desaparecido completamente. Mas o roxo escuro não mudou. Uma lágrima fujona rolou pela minha bochecha e choraminguei baixinho, apenas para descarregar a frustração.

— Desculpe. Eu sinto muito! Não queria te causar dor. — ele estendeu a mão, meio relutante, e enxugou meu rosto com o dedão. Senti minha pele esquentar sob o toque, mas a expressão de Derick não mudou. E ele não retirou a mão.

— Dor? — ri de forma sem graça. — Você não sabe o que é dor se nunca tentou o método trouxa de tratar fraturas.

— Tão ruim assim? — ele sorriu.

Mas o sorriso me pareceu forçado, porque não alcançou os olhos. Ou talvez, ele apenas estivesse cansado e com sono como todo o resto de nós, enquanto eu especulava sobre as reações dele às minhas piadas sem graça. De qualquer maneira, concordei com um aceno de cabeça. Quando nossos olhos se encontraram de novo, havia uma coisa diferente ali, uma resolução, como se ele tivesse acabado de se decidir sobre alguma coisa.

Então, a mão que segurava meu rosto deslizou para minha nuca, antes que eu pudesse perceber e o toque ficou menos suave. Derick se aproximou de mim com calma, estudando minha reação no caminho, dando-me a chance de recuar. Mas eu estava tão surpresa que não consegui reagir até que os lábios dele encontraram os meus.

A mão do meu pulso recém curado protestou quando empurrei Derick pelos ombros. Não sei se ele não sentiu o gesto, ou o ignorou deliberadamente. Mas por alguns segundos imaginei que não fosse me soltar. Até que forcei-o para longe novamente e ele cedeu. Os olhos verde-esmeralda arregalados deixaram-me confusa sobre: se ele também estava surpreso com a própria atitude ou se acreditava que eu ia retribuir. De qualquer maneira, Derick não me deu tempo para descobrir. Assim que me soltou, virou-se e saiu apressado pela porta sem dizer mais nada.

O que tinha acabado de acontecer ali? Tudo bem, não era como se ele fosse amigo de Draco, ou Ronald. Mas sendo um empregado do Instituto Lilian, ele deveria saber de muita coisa. Ter escutado muito sobre nós três. Por Merlim, ele era da Sonserina. E ele viu Draco e eu juntos no baile de Halloween. Nos ajudou a “escapar” da confusão com Ronald na pista de dança. De onde veio isso?

Derick era atencioso, prestativo, doce, educado, inteligente e muito bonito. Parecia um modelo de capas de revistas trouxas. E qualquer garota teria ficado nas nuvens com a possibilidade de beijá-lo. Exceto eu. Talvez, e apenas talvez, se eu não fosse uma pessoa quebrada, perdida. Cujo ex-namorado vinha agindo como um lunático. Cujo atual tinha ajudado os maiores inimigos a levar a melhor amiga como refém.

Recostei-me nos travesseiros ainda mais cansada e confusa. Um calafrio percorreu a minha espinha enquanto eu repassava os últimos acontecimentos na minha mente embaralhada. Era esquisito, como entre todas as bizarrices, que cercavam a minha vida no momento, justamente aquele beijo era a mais incômoda. Não foi exatamente um beijo, já que nem todas as partes envolvidas estavam de acordo e participaram. Mas ainda assim, não era essa a razão de ele parecer tão distorcido, tão estranho, tão errado. Havia algo mais, algo que fez aquilo mexer comigo e não de um jeito bom. Talvez tenha sido porque acabei deitada, encarando o teto de madeira do Instituto, sem conseguir tirar Draco da cabeça. A sensação dos lábios dele, tão suaves nos meus; dos braços fortes e protetores, em volta de mim; do olhar intenso e acolhedor, que me aquecia por dentro. Não saber como ele estava, se estava bem, se estava vivo, era desesperador, como se eu também estivesse com uma ferida aberta e sangrando no meio do peito.

Virei de lado e abracei o travesseiro com força contra mim, encolhendo-me como uma bola. Tentando acabar com a dor, tentando diminuir até desaparecer. Mas era como se alguém tivesse acendido uma fogueira no meu peito, que ao contrário de aquecer, fazia tudo arder em agonia.

Notas finais
Milhões de beijos!