Dramione - Side Effect

10 Não vou me desculpar por isso


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Não recebi tantas reviews quanto eu gostaria no capítulo passado... acho que algumas pessoas não gostaram dele! Por falar em reviews, nunca mais deixo elas acumularam para responder. Aí meus dedos! Hahahahah... Mas ADOREI tudo que li e não se importem com meus dedos, mandem mais e mais reviews. #autoramalucamodeon Enfim! Estou aqui antes do planejado por causa de três pessoas... o capítulo é inteiramente dedicado à elas: — MaryWalker — Kerol Potter — BiiaPotter Quase surtei quando vi que tinha recebido não uma mas 3 recomendações LINDAS ao mesmo tempo! Tipo nem sei como começar a agradecer meninas... Aproveitem o capítulo, é todo de vocês!

Encarei meu reflexo no espelho e estava horrível. A “detenção” de Draco tinha se arrastado até a madrugada. Não fazia ideia do horário que voltei ao dormitório. Havia me jogado na cama da maneira como estava, sem mudar de roupas; lavar o rosto; ou escovar os dentes, os cabelos... Soltei o ar pesadamente. A melhor solução era um banho. Abri o chuveiro e me enfiei embaixo da água quente. O que eu tinha na cabeça? O que eu estava fazendo com Draco era, no mínimo, perigoso. Para não dizer errado, altamente viciante, tentador, emocionante... Argh!

Se meus amigos descobrissem, eu estaria perdida. Ronald posaria de traído e eu seria rechaçada por metade dos alunos de Hogwarts. Por Merlin! Ele tinha acabado de ser condenado por cometer diversos crimes de guerra. O mundo mágico ainda não havia se decidido sobre quem era Draco Malfoy: o rapaz de coração bom que fez as escolhas erradas, ou o comensal frio e calculista que manipulava as pessoas. Eu ainda não tinha me decidido sobre quem era Draco Malfoy! Apesar de não considerar muito a última opção... Não tinha como aquilo dar certo!

Fechei o chuveiro bem devagar, sentindo-me totalmente derrotada. Enrolei uma toalha nos cabelos e outra no corpo, escovei os dentes minuciosamente, demorando o máximo possível em cada tarefa, querendo adiar o que estava por vir. E me preparei para encarar a realidade que me esperava do lado de fora da porta do banheiro. Fiquei um pouco mais aliviada ao perceber que, aparentemente, todas as meninas já tinham descido para o café. Corri para a cama, coloquei minha roupa íntima e estava fechando o zíper da saia distraidamente.

— HERMIONE JEAN GRANGER! – alguém berrou da porta. Cai sentada na cama com o susto, tateando sob o travesseiro em busca da varinha. Até que me dei conta de que aquela voz e aquela maneira amável de falar eram familiares.

— O que aconteceu Gina? – devolvi em um tom severo, mais alto que o normal.

— Que. Marca. Roxa. É. Essa. No. Seu. Pescoço? – ela pontuou as palavras, foi quase cômico. Então, percebi do que se tratava.

MARCA ROXA? O QUÊ?, minha consciência gritou. Corri de volta para o banheiro e examinei o hematoma no espelho. Merda! Draco ia me pagar muito caro por aquilo. Ia ser praticamente impossível esconder com maquiagem. Com roupas, então, piorou! Ainda era setembro e o calor não tinha passado. Gina me olhava da porta acusadora.

— Ah, isso? – apontei a mancha displicentemente, tentando parecer o mais casual possível. – É só alergia! Troquei de perfume e deu nisso!

— Uhum... sei! – ela murmurou, cerrando os olhos.

— É verdade, olha lá no malão, o frasco em forma de estrela. É de uma marca trouxa muito famosa. Não sei como fui ter alergia justamente a esse.

Gina caminhou até minha cama e pegou o frasco no malão. Depois, examinou-o minuciosamente na frente dos olhos.

— Ok. Mas você devia ver isso com a Madame Pomfrey.

Ela não parecia realmente convencida, mas deixou passar. Obrigada mãe, agradeci mentalmente, recordando o dia em que minha mãe havia aparecido em casa com o tal perfume. Uma noite, enquanto Harry, Rony e eu procurávamos as horcruxes de Voldemort, quase fomos descobertos por sequestradores, na floresta, por causa do meu antigo perfume. Quando voltei para casa, não consegui mais usá-lo e mamãe me deu a nova fragrância.

— Agora anda, Mione, ou vamos nos atrasar. – Gina se manifestou, retirando-me de meus devaneios.

Terminei de me arrumar o mais rápido de pude. Escondi a marca com um pouco de maquiagem e fiz uma trança lateral para garantir. Esse dia promete, pensei irônica.

Graças a Merlin, ninguém mais pareceu notar o chupão. Não houve comentários durante o café. Durante a aula de Adivinhação, tive que fazer um tremendo esforço para me concentrar e não olhar para Draco. Infelizmente, cedi à tentação quando Firenze parou de falar para avaliar se um aluno tinha lido corretamente a mão de outro. O sonserino me deu um de seus melhores sorrisos, o mais indecente deles. Quase engasguei sem ar e agradeci por Gina estar totalmente absorta nos músculos de Firen... quer dizer, na aula... para notar.

Quando a aula acabou, juntei minhas coisas e me levantei para sair com Gina, mas fiz questão de esquecer o livro em cima da mesa. Então, chegando ao topo da escada, disse:

— Gina, esqueci meu livro. Vai na frente que eu já te alcanço. – tentei parecer inocente. Ela hesitou por um momento, depois respondeu:

— Quer saber, eu vou mesmo. Estou morrendo de fome e de saudades do Harry também.

Ainda bem que Gina tinha herdado a apetite voraz dos Weasley. Por um momento, pensei que ela iria se oferecer para voltar comigo. Corri de volta em direção à sala. Sabia que ele seria um dos últimos a sair, agora que evitava as outras pessoas. De costas, esperei que ele se aproximasse do ponto estratégico onde eu estava parada. Quando ele passou por mim, puxei-o pela camiseta para a porta que estava à minha direita. Assim que entramos, fechei a porta atrás de mim. O único problema é que aquilo não era uma sala, como eu tinha imaginado, mas um armário de vassouras. Felizmente, era grande o suficiente para não ficarmos espremidos, nem muito juntos. Draco me olhou curioso por um instante. E não resistiu:

— Saudades, Granger? – ele perguntou já se aproximando.

Coloquei a mão em seu peito e o empurrei de encontro à parede, fazendo ele bater as costas com um baque surdo. O que não foi uma tarefa muito difícil, dado a tamanho do ambiente.

— Aquilo não pode mais acontecer. – o sorriso desapareceu. – Se Harry e os outros ficarem sabendo. – balancei a cabeça negativamente para a possibilidade. – Ron pode armar um escândalo. E o tal jornalista chega em dois dias...

— E você não quer manchar sua reputação sendo vista na companhia de um ex-comensal.

Minha boca se abriu de súbito. Não era isso que eu ia dizer. O final daquela declaração me surpreendeu. Draco nunca tinha admitido para ninguém que tinha sido um Comensal da Morte. Apesar de todas as evidências apontarem para isso. Olhei para ele confusa e surpresa ao mesmo tempo. Fiquei tentando reorganizar as ideias do que pretendia falar. Quando percebi, ele estava dobrando a manga esquerda da camisa. Ele estendeu o braço na minha direção e eu inspirei uma boa quantidade de ar antes de olhar para baixo.

Era verdade, estava lá. Gravada na pele dele. A Marca Negra contrastava com a pele alva e parecia ainda mais assustadora. Estiquei a mão com cautela na direção da marca, achando que Draco ia se afastar, mas ele não o fez. Então, toquei a Marca Negra com a ponta dos dedos.

— Dói? – foi a única coisa que consegui perguntar.

— Não mais. – ele respondeu paciente, observando com atenção as minhas reações.

Deslizei os dedos do pulso até o cotovelo dele, passando por todo o desenho, acompanhando os traços. Como eu queria poder arrancar aquilo do braço dele e com ela toda a dor e sofrimento que significava. As lágrimas começaram a se acumular nos meus olhos. Tentei mantê-las no lugar, mas nunca fui muito boa nisso.

— Hermione! – sua voz tinha um quê de desespero quando ele me puxou para um abraço e afagou meu cabelo.

— Sinto muito, Draco. Sinto muito que você tenha tido que passar por isso... – minha voz se quebrou no final. Na verdade, ele levaria aquilo para o resto da vida. Uma lembrança amarga de seu passado sombrio. Senti meu coração se apertar, imaginando o quanto deveria ser penoso, emocionalmente exaustivo.

— Hermione. – ele me afastou para olhar para mim. – Desculpe. Se eu soubesse que isso ia te assustar e abalar tanto eu...

Não deixei que ele terminasse, ficando na ponta dos pés, selei nossos lábios num beijo cálido. Ele segurou meu rosto entre as mãos, puxando-me para ele. Entrelacei as minhas atrás de seu pescoço. Nossas bocas se moviam suaves uma na outra, encontrando um encaixe que parecia perfeito.

Não sei quanto tempo aquilo durou, mas quando paramos, Draco encostou a testa na minha ainda de olhos fechados.

— Queria ter sido mais corajoso.

— Acabou, Draco, você não precisa mais se preocupar com isso. Não há mais perigo ou lados para escolher.

— Mesmo assim. Vou me arrepender para o resto da vida. Quando lembro que deixei tia Bela...

Meu corpo se enrijeceu automaticamente ao escutar aquele nome. Ele não terminou a frase. Senti seu corpo tremer e sua respiração ficou pesada. Não sabia que aquilo o perturbava. Não me recordo sequer onde ele estava quando tudo aconteceu.

— Isso foi há muito tempo. E eu estou aqui, não estou?

Finalmente ele abriu os olhos. A íris mais azul que de costume. Deixei-me mergulhar naquela imensidão atormentada. Merlin, o que está acontecendo aqui? Por que o homem na minha frente — uma pessoa que eu deveria odiar e querer o mais longe possível de mim — me intriga e atrai tanto?

— Não por muito tempo, aparentemente. – ele disse triste.

— Draco, é complicado. Harry e os outros ainda não aceitaram totalmente a sua mudança, Ronald está procurando uma desculpa para te prender...

— Eles não precisam saber.

— Gina está desconfiada. – alertei.

— Por que?

Levantei a trança e virei o pescoço de lado para ele. Draco riu abertamente, praticamente gargalhou, o que me fez franzir o cenho e olhar para ele de maneira ameaçadora.

— Não vou dizer que sinto muito. – ele disse ainda rindo.

Dei um soco no braço dele. Mas ele pareceu nem sentir e continuou rindo, então, aquilo só serviu para que minha mão ficasse doendo. Subitamente, tomei uma decisão que poderia ser a solução para descobrir o que, afinal, ele queria de mim. Ou, a minha ruína.

— Se quer mesmo isso, — disse apontando de mim para ele e de volta para mim. – vamos ter que ser cuidadosos! – avisei.

— Tudo bem. – ele disse sério. – Eu posso ser cuidadoso.

— Começando agora. – adverti. — Vamos ter que sair um de cada vez. Dar um intervalo para que ninguém nos veja.

Ele balançou a cabeça afirmativamente, desdobrou a manga da camisa, me deu selinho e saiu. Encostei a testa na porta, encarando meus sapatos e fiquei contando o tempo mentalmente, imaginando em que parte do castelo ele estaria e se era seguro sair também. Ai meu Merlin, não tem como isso dar certo! Onde você estava com a cabeça, Hermione Granger? Minha consciência, recuperada sem a presença de Draco, gritava histérica para mim. Se envolver com Draco Malfoy pode ser muito perigoso! Às vezes meu subconsciente soava exatamente como Molly Weasley. Entretanto, aquela era a única maneira de desvendar o mistério que Draco Malfoy sempre representou. Não era?

— Droga! – gritei, socando a madeira.

Respirei fundo, girando a maçaneta com cuidado. Saí na ponta dos pés e encostei a porta bem devagar.

— Mione?

— Ahhhhhh! – acho que todo o castelo deve ter me ouvido gritar. – Neville, você me assustou.

— O que estava fazendo no armário de vassouras?

— Armário? Quê?

— É Mione, o armá... ah, não! Você estava chorando! – ele olhava diretamente para meu rosto.

— Oh! Não conte a ninguém, ok? – Bom, eu tinha mesmo chorado. Meus olhos deveriam estar vermelhos. Assim como meu rosto, mas, nesse caso, o rubor era de vergonha e susto.

— Claro que não! Pode confiar em mim. – ele disse sorrindo. Sorri de volta. E deixei ele tirar as próprias conclusões. Se havia alguém em quem eu podia confiar, era Neville Longbottom. – Às vezes tenho vontade de estuporá-lo! Ele sabe ser muito idiota quando quer!

— Se fosse diferente, ele não seria Ronald Weasley, não é? – respondi aliviada. E, pela primeira vez, reparei nele de verdade. Seus cabelos estavam bagunçados, sua gravata torta e o rosto corado. Preferi não perguntar nada. Apenas coloquei as mãos nos ombros dele e o virei em direção à escada.

— Vamos almoçar, estou morrendo de fome!

— Claro! Vou adorar não ter que entrar no salão principal sozinho. Quer dizer, estamos 40 minutos atrasados para o almoço... e as pessoas dessa escola adoram uma fofoca!

Perfeito! Como se eu já não fosse o tema de todas as rodinhas de fofoca do momento!

Notas finais
Então??? Quero muitos reviews e recomendações... E para inspirar vocês a comentar, uma prévia do capítulo 12: (Isso mesmo,12, ainda tem um capítulo inteirinho antes disso acontecer). [...]- Me diga, Hermione, como eu devo fazer isso, exatamente? ele perguntou irônico. Confraternizando com o inimigo? Tornando-me amigo dele? Acho que você pode me ajudar, já que é especialista no assunto. — Perdoando Ronald. Deixando que eles vivam para se arrepender do que fizeram. Dando a eles uma chance de fazer melhor. eu disse cansada. Discutir sobre aquilo acabava com todas as minhas energias. Meu ânimo parecia ter sido sugado pela terra embaixo dos meus pés. — Você quer dizer, dando a você uma chance de se atracar aos beijos com eles, não é? ele cuspiu as palavras. E me lançou um olhar perfurante. — Vai engolir essas palavras, Weasley. Malfoy se adiantou de algum ponto às minhas costas com a varinha em punho.[...]