Dramione - Side Effect
11 A torre de astronomia
Notas iniciais
1. Mudei de emprego. Loucura total para me adaptar ao novo ambiente e pegar o ritmo de trabalho, horários novos, etc.
2. Meu computador morreu, pifou, me deixou na mão... e o restante de Side Effect estava TODINHO lá! Eu burra não tinha feito uma cópia... Esperei algum tempo para ver se tinha conserto, mas aparentemente, isso não vai acontecer. Então, tive que tentar reescrever tudo da melhor maneira possível... e foi MUITO difícil. Nunca parecia bom como o anterior. Além de ter que usar o computador da Mamis.
3. Minha casa está reformando! Mais bagunça e correria, coisas fora do lugar.
4. Fiquei bem triste por ter 90 leitores e menos de 10 deles comentarem regularmente... Estou bem chateada ainda, pensando se devo mesmo continuar a fic ou não!
Dito isso, aproveitem as emoções do capítulo! AH, Jane Malfoy amore... MUITO obrigada pela recomendação LINDA! Esse cap é dedicado inteirinho a você!
Vai ser curtinho, porque não consegui me lembrar de todos os detalhes e porque o próximo será... (só lendo pra saber!)
Como eu previ, entrar no salão principal para o almoço super-atrasada não foi nada divertido. Somado a isso o fato de eu e Neville estarmos descabelados, desarrumados e vermelhos, bem... dá para imaginar os comentários maldosos e olhares maliciosos de que fomos alvo. Desde então, tenho treinado bastante minha paciência e alto-controle, passei bem perto de estuporar alguns alunos da Sonserina, mas consegui me segurar.
A única coisa boa nisso tudo era que tinha uma desculpa para evitar o Draco. “Preciso esperar a poeira baixar, você viu os olhares e escutou os comentários. Temos que ser cuidadosos!”, foi a última coisa que eu disse a ele ontem, quando o loiro tentou me convencer a visitar os cantos escuros e afastados da biblioteca para “conversar”. Mas a verdade é que não sabia o que fazer... Examinando atentamente os acontecimentos, não tinha certeza se fizera a coisa certa. Posso estar cometendo a pior idiotice de toda a minha vida! Quer dizer, ele é Draco Malfoy... Precisava pensar e para isso, precisava mantê-lo afastado por um tempo. O problema era que tinhamos ronda em alguns minutos e iríamos ficar sozinhos, juntos, durante um longo tempo... não iria conseguir dar desculpas a noite toda.
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É claro que o relógio não me ajudou em nada e quando vi, já é hora de encontrar o sonserino. Nos cumprimentamos com um simples olá. Nem nos tocamos, ainda havia gente nos corredores. Começamos a subir as escadas lado a lado em silêncio, sem nem mesmo nos olharmos. Conforme os corredores foram se esvaziando, Draco pareceu ficar mais a vontade, mas ainda assim não fez o mínimo movimento em direção a mim. Eu, por outro lado, fiquei mais tensa... O que vou dizer? Que desculpa vou usar dessa vez? O castelo estava calmo, aparentemente, ninguém quis ficar fora da cama, não hoje. Comecei a pensar se não seria melhor retirar tudo o que disse no armário de vassouras. Isso não estava certo, depois de tudo o que aconteceu, realmente pareceria uma traição... Você está falando exatamente como o Ronald!, minha consciência gritou para mim. Não tenho um plano traçado, não pensei em como fazer isso, exatamente. Quando foi que um dos seus planos deu certo, Hermione? Além do mais, ele aparentemente tem sentimentos. Você não pode usá-lo, trata-lo como uma coisa.
– Como se ele já não tivesse feito isso comigo e com outras pessoas!
– Ele quem? – Draco perguntou, me olhando de maneira confusa.
Só então percebi que tinha verbalizado minha discussão interna com minha consciência! Ótimo! Muito bom mesmo!
– Apenas falando sozinha, pensando comigo mesma sobre as aulas e deveres. – Era uma desculpa deslavada, mas foi a melhor que consegui arrumar. Draco apenas balançou a cabeça negativamente. Não sei se ele acreditou, ou se agora tinha certeza de que eu era maluca. Contudo, não me arrisquei a perguntar.
Voltei a caminhar olhando a frente, prestando mais atenção do que o necessário nos sons a nossa volta. Fui recompensada por minha dedicação fingida à ronda, quando escutei barulhos vindos da torre de astronomia. Havia alguém na plataforma lá em cima. Apressei o passo e Draco me seguiu de perto. Quem quer que estivesse quebrando as regras havia escolhido um péssimo dia. Já estava quase no último degrau da escada quando Draco me segurou com força e me arrastou escada abaixo, tampando minha boca para evitar que eu gritasse.
O pânico começou a tomar conta de mim. Era inevitável e instantâneo. Por mais que eu tentasse me controlar, manter a calma, não consiguia. Meu corpo parecia agir por si mesmo, desligado de minha consciência. Comecei a chorar, me debater, tentando me desvencilhar dos braços dele. Entretanto, minha luta era inútil, Draco é muito mais forte do que eu.
Então, de repente, ele gritou e me soltou instantaneamente. Afastei-me, minhas pernas estavam bambas, meu coração batia acelerado, não consigia reagir, nem mesmo me mover, fiquei parada tentando recuperar o fôlego. Mas Draco agora estava dobrado sobre si mesmo, segurando uma mão na outra. Sua mão direita parecia estar... sangrando... Mas? Só então, sinto o gosto de sengue na boca. Merlin! Como eu posso ter mordido Draco sem nem perceber?
Então, escutei alguém chegar correndo pela escada. Mas não tinha forças, nem vontade de me virar para olhar. Que espécie de ser quebrado sou eu agora? Cheio de medo e pavor, reagindo ao que acontece por meio de seus instintos mais selvagens.
– Hermione? Malfoy? Por Merlin, o que está acontecendo aqui? – Neville perguntou desesperado.
Alguém passou o braço por meus ombros. Estava pronta para empurra-lo e fugir, quando percebi que é Luna.
– Você está bem! Vai ficar tudo bem! – Não era uma pergunta. Ela enxugou as lágrimas que eu nem me lembrava de estar derramando, depois, passou o lenço pelo meu queixo. Quando ela fez menção de guardá-lo no bolso da calça novamente, percebi que estava cheio de sangue. E foi isso que finalmente me tirou do estado de letargia.
– Draco, eu... eu... – Tentei verbalizar, um pedido de desculpas, mas Neville me interrompeu.
– Alguém vai me explicar o que aconteceu?! – Ele praticamente gritou.
Foi como se uma luz tivesse se acendido. Luna e Neville, juntos, na torre de astronomia, depois do horário. Fiquei ainda mais envergonhada pela minha reação totalmente exagerada ao gesto de Draco.
– Eu sinto muito, Draco. Você só estava tentando evitar que eu atrapalhasse, não é? Sinto muito, não sei o que deu em mim. Eu meio que surtei – finalmente encontrei minha voz para pedir desculpas ao loiro.
– Atrapalhasse o que?! – Perguntou Neville. Eu poderia jurar que ele estava se fazendo de bobo de propósito, mas com ele também parecia realmente preocupado comigo, deixei passar. Luna estava vermelha como um pimentão. Pela primeira vez na vida, ela parecia não ter nada a dizer.
– Nós só estávamos conversando sobre o que aconteceu, sabe? Tem horas que fica realmente insuportável e preciso falar com alguém. Luna tem sido esse alguém para mim. – Neville se explicou rapidamente. Pude perceber a verdade naquelas palavras. Eles estavam mesmo se ajudando. Só que estavam fazendo isso se pegando.
– Não aconteceu nada demais entre a Granger e eu. Foi apenas um mal entendido, Longbottom. – Draco se adiantou a mim e respondeu. – É melhor você e a Lovegood voltarem para seus dormitórios agora.
– Mas... – Neville começou a argumentar.
– Não faça com que eu me arrependa. – Ameaçou o sonserino.
– Você tem certeza de que está bem? – O grifinório me perguntou, ignorando Draco.
– Estou sim, Neville. É melhor vocês irem ou terei que tirar pontos das duas casas. – respondi triste.
– Sim, sim. Pode deixar. Já estamos indo. Boa noite, Mione. Boa noite, Malfoy! – Neville se despediu. O loiro apenas acenou com a cabeça, tentando conter as caretas de dor.
– Nada é por acaso. – Sentenciou Luna antes de sair.
Suspirei cansada. Acho que nunca vou me acostumar com as declarações malucas de Luna. Assim que eles desapareceram pela porta, me virei para Draco. Ele ainda segurava o ferimento com a mão, fazendo pressão para não sangrar mais. Achei que encontraria seus olhos cheios de raiva, mas ali só havia tristeza.
– Desculpa. Eu fiquei realmente apavorada quando você me segurou daquele jeito.
– Eu não ia te machucar, como você entendeu com a chegada do casal esquisitice. Mas eu entendo. Algumas coisas ainda estão bem vivas na minha memória também. Principalmente o que aconteceu aqui. A diferença é que eu me sinto mal pelas coisas que escolhi fazer e você pelas que foi obrigada a passar.
A amargura em sua voz fez meu peito se apertar.
– Não...
Ele levantou uma sobrancelha para mim, como quem diz: “Vai mesmo me contestar. Você sabe que eu estou certo!”
– Ok! Mas, por favor, me desculpe. Desde que a guerra acabou, qualquer movimento brusco ou barulho me assusta. Fico incomodada quando as pessoas tocam em mim de surpresa... – Lágrimas de desespero começaram a se acumula em meus olhos. Nunca tinha verbalizado essas coisas para ninguém. – Passei até mesmo a ter medo de escuro, ambientes fechados me sufocam, odeio ficar sozinha... – Não consegui mais falar. Comecei a chorar copiosamente. Viver com medo estava me consumindo aos poucos.
O pior era saber que não havia mais nada a temer e mesmo assim não conseguir me controlar diante de situações como aquela. De repente, Draco me puxou para seus braços e eu me deixei aconchegar em seu abraço. Seu cheiro amadeirado invadiu minhas narinas, me deixando inebriada. Instantaneamente, comecei a me acalmar, a relaxar. Em poucos minutos, o choro passou. Aproveitei mais alguns instantes daquela falsa sensação de segurança.
Limpei o rosto com as costas das mãos e me afastei, encarando-o. Ele parecia ainda mais triste, mas não disse nada. Tomei sua mão machucada nas minhas e examinei o ferimento. Me assustei com o quão fundo o corte parecia. Como eu pude ter feito aquilo?
– Sinto muito, Draco. Eu não queria... – Mais lágrimas escorreram por meu rosto. Ele as limpou com a mão boa.
– Por que está sendo tão legal comigo e com as outras pessoas? Quer dizer, demrou um pouquinho, mas entendi que você só me segurou para que eu não atrapalhasse Luna e Neville.
– Então, tudo o que eu faço esconde uma razão? Meus atos não podem ser gratuitos? Tudo tem que fazer parte de um grande plano elaborado, alguma armação? Droga Mione, foi você quem disse que eu deveria demonstrar com atos e não com palavras que mudei. – Ele parecia ofendido.
– Sinto muito! – Foi a única coisa que consegui dizer. Entretanto, o que realmente queria ter dito era que depois de anos nos odiando mutuamente, de todas as brigas, xingamentos e armações eu ainda não tinha me acostumado com a versão boa de Draco Malfoy. Mas que eu estava gostando muito de finalmente conhecê-la. Mais até do que deveria.
– Aprendi a admirar Lovegood e, especialmente, Longbottom durante o último ano. Você não tem noção do que eles fizeram por esta escola. Perdi a conta de quantas vezes eles enfrentaram os Carrow para proteger alguém. Eles mantiveram os alunos unidos, não deixaram que eles desanimassem ou sucumbissem às ameaças e chantagens. A coragem deles inspirou este castelo, Hermione.
– Até mesmo a você... – Complementei por ele.
– Principalmente a mim... Vi o cara de quem caçoei a vida toda, por ser desajeitado e covarde, vencer três comensais da morte experientes pelo cansaço. Usando nada mais que persistência. Ele tinha uma fé inabalável no cicatriz e em você, é claro. Até no cenoura ele acreditava. Enquanto eu me escondia covardemente por trás da máscara de garoto do mal.
Mais duas lágrimas saltaram dos meus olhos. Uma enxurrada de sentimentos inundou meu peito: orgulho, por tudo o que Neville fez e representou; alegria, porque Draco reconhecia isso, o que provava o quanto ele havia mudado; tristeza, ao perceber que ele ainda se martirizava por ter escolhido o lado errado durante a guerra; mas, principalmente, eu estava emocionada com o discurso dele sobre meus amigos.
Draco realmente havia mudado. Meu peito inchou de felicidade. E um sorriso brotou nos meus lábios.
– Nunca conheci ninguém como você. – Ele declarou de súbito.
Levantei os olhos para ele, assustada com a declaração. Draco colocou uma mecha de cabelo rebelde atrás da minha orelha, antes de continuar:
– Você fica sinceramente feliz por seus amigos, por menor que tenha sido a conquista deles. Não tem medo de demonstrar seus sentimentos e chorar de tristeza ou de felicidade. E Merlin, você continua linda mesmo quando está chorando. O único problema é que quando isso acontece meu coração parece que vai explodir de agonia. Então, por favor, Hermione, não chore.
Tive que fazer um esforço descomunal para conseguir fazer o que ele me pedia. Aquelas palavras mexeram ainda mais comigo. Agora era o meu coração que parecia que ia explodir, mas de alegria.
Lembrei de quando tinha 13 anos e achava que gostava dele e ficou mais fácil sorrir. Nossos olhos se encontraram, azul e castanho misturando-se. Aquele momento parecia suspenso no ar. Era como se estivéssemos em uma dimensão paralela, só nossa. Então, ele foi se aproximando devagar, passou o polegar da mão boa pela lateral do meu rosto e levou a mão até a minha nuca. Lentamente, Draco se inclinou para mim e selou nossos lábios.
Experimentei o beijo mais terno de toda a minha vida. Nossas bocas se moviam sem pressa, desfrutando do prazer de estar uma na outra. Quando nos separamos, fiz menção de segurar a mão dele e o sonserino gemeu de dor.
– Draco! – Eu disse sem fôlego. – Isso não está bonito. Você precisa ir até a Ala Hospitalar.
A culpa já tomava conta de mim novamente. Entretanto, ele balançou a cabeça negativamente, me analisando com calma. Parecia estar lendo meus pensamentos.
– Não está doendo. E, sinceramente, eu estou exatamente onde deveria estar, onde quero estar. Prefiro passar mais algum tempo aqui, com você. "Nada acontece por acaso!" — Ele completou numa péssima imitação da voz de Luna.
Levantei uma sobrancelha para ele e o loiro apenas sorriu, enquanto me puxava para perto mais uma vez. Draco se sentou, apoiando as costas na parede e me puxou com ele. Aninhei-me em seu peito, enquanto ele envolvia os braços em torno de mim. Novamente me senti segura e tranquila. Mas a pergunta era: até quando?
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