Notas iniciais
Oi pessoas!
Mais um capítulo quentinho saído do forno para vocês!
Vocês estão gostando mesmo dos rumos da história? Eu recebi tão poucos reviews depois que voltei que estou começando a ter dúvidas...

Mas, enfim... Aí está!
Enjoy it!

XOXO

A antiga sala de Remo estava iluminada e confortável como sempre. Olhar para aqueles móveis e paredes inundou minha mente de lembranças dolorosas. Pensei no pequeno Ted e em Andrômeda tentando reconstruir suas vidas. E não pude deixar de imaginar se Remo e Tonks escolheram Harry para padrinho porque sabiam qual poderia ser o seu destino e, ainda, que não havia ninguém que entenderia mais o que o filho iria passar enquanto crescia do que meu melhor amigo.

Alguém abriu a porta interrompendo meus devaneios. Era a garota de cabelos cor de cobre. Ela parecia ainda mais alta de pé. Andava de forma sensual, como todas as garotas de Beauxbatons. Um sorrisinho preso nos lábios suaves. Levantei-me imediatamente.

- Annie Potins, senhorita Granger. Como vai?

Ela estendeu a mão delicada, com unhas pintadas em vermelho escarlate para mim.

- Muito bem, obrigada. — cumprimentei forçando um sorriso. Na verdade, estarei ainda melhor quando despachar você para bem longe do Hogwarts!, pensei.

- Soube que precisou ser levada à enfermaria no sábado, espero que não seja nada grave.

- Oh, não se preocupe. Apenas exaustão. Salvar o mundo pode ser cansativo, mesmo para as pessoas mais preparadas.

- Mas a guerra já acabou, senhorita. Ou ainda há algo com que se preocupar?

O espanto e a preocupação fingidos fizeram meu sangue ferver.

- Não, não há. Eu me referia a maratona posterior. Festas, entregas de prêmios, homenagens, o assédio dos jornalistas, entrevistas e mais entrevistas.

Uma centelha de irritação passou pelos olhos da garota, mas ela conseguiu disfarçar com rapidez.

- Prometo que serei rápida e tentarei poupá-la dos assuntos mais desgastantes. Podemos começar?

Ela se sentou na cadeira que um dia pertenceu à Lupin. Vê-la macular aquele lugar familiar e acolhedor fez o ódio borbulhar dentro de mim e tive que trincar os dentes para controlar a vontade de socá-la, ao balançar a cabeça afirmativamente.

Potins começou com as perguntas habituais. Questionou sobre o período que passamos viajando pelo país em busca das horcruxes. Sobre as dificuldades e o desafio que isso representou para nossa amizade. Depois a batalha final, no castelo. A Ordem. Fez as mesmas perguntas que eu já havia respondido milhões de vezes e cujas respostas ela encontraria com facilidade em qualquer jornal do mundo bruxo. Então:

- Bem, srta Granger. Dizem que relacionamentos que tem início em situações extremas não costumam durar. Acha que foi por isso que não deu certo entre a srta. e o sr. Weasley?

- Que tipo de pergunta é esta? — as perguntas iniciais eram tão repetidas que eu estava operando no modo automático. E, por isso, levei alguns segundos para processar a guinada de rumo da conversa. Potins sorriu abertamente para a minha expressão de espanto e eu rapidamente me recompus. — Digo, não. Não foi esta a razão.

- Então?!

- Não é um assunto sobre o qual eu gostaria de comentar. Direi apenas que Ronald Weasley e eu não estamos mais juntos e esta foi uma decisão conjunta e amigável. — menti descaradamente.

- Entendo. Soube de fonte segura que esteve presente no julgamento dos Malfoy. A srta. não compareceu a nenhum outro julgamento. Por que justamente o dos Malfoy?

Engoli com dificuldade. Mas não era como se eu não esperasse por essa.

- Alguns de nós acreditam que nem todos os comensais da morte puderam realmente escolher se queriam seguir Voldemort ou não. E que condenar todos eles à morte não é o melhor caminho, ou o melhor exemplo para as próximas gerações.

- Então, a srta. acha que os comensais da morte, os assassinos, raptores e traidores não devem ser punidos pelas atrocidades que cometeram? — seu tom se elevou uma oitava.

- Eu disse “nem todos”. E também que não concordo com a pena de morte. Não que eles não devem ser punidos. Como expliquei, nem todos tiveram escolha. Algum só ficaram ao lado de Voldemort para proteger aqueles que amavam.

- E a srta. acredita que foi esse o caso de Draco Malfoy? Foi isso o que ele lhe disse? É por isso que escolheu defendê-lo?

Olhei incrédula para a garota a minha frente. Ela parecia realmente ofendida com a possibilidade de nem todos os ex-comensais irem para a cadeia.

- Não é como se o sr. Malfoy não tivesse sido condenado. Ele foi e vai cumprir pena.

- Cuidando de criancinhas e fazendo doações…

- Por meio de trabalho voluntário no Instituto Lilían Potter e doações mensais em dinheiro para a mesma instituição para o resto da vida, sim. Foi essa a sentença.

Ela não parecia nada satisfeita, mas deixou passar.

- E foi essa discordância que causou a discussão no jardim, ontem de manhã? — ela disse, querendo parecer ingênua.

- Sim, foi essa a razão. Ron não concorda conosco e perdeu a paciência com Gina quando ela tentou, mais uma vez, dissuadi-lo do contrário. A srta. tem irmãos, srta. Potins?

- Não mais. Mas já tive dois irmãos mais velhos, um dia. — ela respondeu com dureza e pude ver o ódio faiscar por trás de suas íris azuis. Não era como se aquilo fosse uma surpresa. Era difícil encontrar alguém que não havia perdido parentes, pessoas próximas durante a guerra. Mas acabei sentindo simpatia pela menina.

- Bem… então, sabe que a relação entre irmãos nem sempre é fácil. E que as brigas acontecem por qualquer razão, ou, às vezes, sem nenhuma razão em especial.

- Falemos de seus planos para o futuro. — ela mudou de assunto. — O que pretende fazer quando terminar o colégio? Vai continuar morando com os seus pais trouxas?

- Ainda não estou completamente certa. — respondi com sinceridade dessa vez. — Recebi algumas propostas sobre as quais não posso comentar e estou estudando o que será melhor para mim.

- Entendo. Poderia mandar um recado para as garotas que se inspiram na srta.?

- Bem. Acho que o mais importante é que acreditem nelas mesmas. E não tenham medo de lutar pelo que acham certo. Oh… e, bem… Sua família e seus amigos são seu bem mais precioso, nunca duvidem disso.

- Obrigada, srta. Granger. Vou deixá-la aproveitar o que resta de seu domingo agora!

- Obrigada, srta. Potins. Bom trabalho! E tenha uma ótima estadia em Hogwarts. Vai descobrir que não há lugar mais agradável no mundo.

Com isso, levantei e me dirigi até a porta. Quando girei a maçaneta, ela me chamou de volta.

- Oh, srta. Granger. Eu já ia me esquecendo… Preciso de uma foto! Como a matéria não sai antes de terça-feira, temos bastante tempo. Qual é o seu lugar preferido no castelo?

- Sob as árvores do jardim leste. — respondi sem pensar. — Bem, passo muito tempo lá, lendo.

- Ótimo! Podemos fazer a foto lá! Que tal na segunda de manhã?!

- Sim, pode ser! — confirmei e sai fechando a porta.

Desci a escada e atravessei a sala de aula a passos largos. Annie Potins estava certa sobre uma coisa: eu queria muito aproveitar o resto do meu domingo. Precisava ver Gina, contar a ela sobre a entrevista, combinar a desculpa que daríamos a McGonagall e fazer os arranjos para irmos ao médico. Como lidar com Molly, Arthur e o resto da família Weasley também me preocupava. Se pelo menos George ainda estivesse aqui... ele e Fred simplesmente fariam uma piada sobre o assunto para quebrar a tensão, Molly brigaria com eles, todos cairiam na gargalhada e tudo ficaria bem. Enquanto andava pelo corredor, minha mente vagou para um assunto totalmente diferente, que tinha ficado em segundo plano diante do que vinha acontecendo: Draco Malfoy e sua participação em tudo o que aconteceu na mansão meses atrás.

De repente, eu estava com frio. Esfreguei meus próprios braços. Vigiá-la não será um problema para você, não é, Draquinho? As palavras martelaram na minha mente. Ele estava lá. Ele estava lá e não fez nada!, pensei com raiva. Senti meus olhos arderem com as lágrimas que queriam desesperadamente sair. Trinquei os dentes, respirei fundo para detê-las e corri! Não me preocupei com para onde estava indo, apenas virei, subi e corri ainda mais, ao menor indício de pessoas. Quando percebi que estava na Torre de Astronomia diminui o ritmo para a caminhada, respirando fundo para recuperar o fôlego. Pelo menos o esforço da corrida mandou embora as lágrimas. Subi o último lance de degraus até a plataforma bem devagar, tentando não pensar em nada. Ouvindo o som do vento que soprava lá em cima. Ao chegar ao último degrau fechei os olhos e dei boas vindas às lufadas de ar gélido. Fiquei ali parada, respirando devagar, sentindo o vento bagunçar meu cabelo e jogá-lo contra meu rosto. Aos poucos eu conseguia sentir minhas forças voltando para mim. Eu estava quase pronta para abrir os olhos e voltar, quando um barulho à minha direita chamou minha atenção. Suspirei, preparando-me para expulsar quem quer que tivesse atrapalhado meu momento e dei de cara com Draco Malfoy.

Ele parecia tentar sair de fininho, sem que eu visse, dando a volta pela minha direita, bem perto da parede. Até que pisou na parte do piso que rangia. Seus olhos estavam vermelhos e havia grandes manchas pretas abaixo deles, como se tivesse ficado acordado a noite toda. Draco parecia abatido e, se isso era possível, ainda mais pálido. Ficamos nos encarando, assustados. Vigiá-la não será um problema para você, não é, Draquinho? Não é, Draquinho? Não é, Draquinho? Não é, Draqui… A voz de Belatrix ecoou na minha cabeça mais uma vez. E as lágrimas que eu havia lutado tanto para combater começaram a se acumular novamente.

Mas antes que elas caíssem, Draco estava lá para contê-las. Ele segurou meu rosto entre as mãos. Elas tinham machucados ainda recentes e vermelhos nos nós dos dedos. Seu olhar parecia atormentado.

- Hermione... — sua voz acariciou meu nome. — Hermione, por favor, não chore.

Não tentei afastá-lo apesar de tudo. Apenas pisquei para afastar as lágrimas.

- Você estava lá! — acusei. — Você estava lá e não fez nada!

Foi como se Draco tivesse levado um tapa. Ele recolheu as mãos em punhos ao lado do corpo e se afastou de mim rapidamente. Quando levantou os olhos para novamente, estavam lívidos, muito claros em meio às lágrimas.

- Eu sei. E você não faz idéia de como me odeio por isso! — seu corpo tremia. — Se eu ainda tinha dúvidas sobre estar do lado errado da guerra aquela altura, naquele momento elas se foram.

- Draco…

- Eu sinto tanto, Hermione. Eu sinto tanto que você tenha passado por tudo isso. Que essas coisas horríveis tenham acontecido e que você não pôde contar comigo para evitá-las, quando eu estava lá, no andar de cima. Eu sei que pedir desculpas não muda o que eu fiz, ou o que eu deixei de fazer, mas é a única coisa que eu posso fazer no momento. — ele olhou diretamente nos meus olhos. — Por isso, me desculpe, Hermione. Eu entendo se você não puder, ou não quiser, me perdoar. Mas, com o tempo, eu espero ainda fazer por merecer o seu perdão e o das outras pessoas que eu prejudiquei...

Cruzei o espaço entre nós com um passo. Meu tapa estalou em seu rosto com força, deixando as marcas vermelhas de meus dedos e da palma da mão em sua pele branca. E eu desmoronei em seus braços, o choro silencioso se transformando em soluços. Apesar do tapa, ele me envolveu com firmeza, afagando meus cabelos e pressionou o rosto contra a minha cabeça. Empurrei-o e comecei a socá-lo no ombro, no peito, onde meus braços alcançavam. Draco me olhou incrédulo. Ele se desvencilhou dos golpes com facilidade. Então, segurou meus pulsos, girou meu corpo e me prendeu contra a parede. Quando eu ia começar a protestar, ele tomou meus lábios nos dele com vontade. Estava decidida a não corresponder no início, mas quando ele soltou meus pulsos e passou uma das mãos pela minha nuca e a outra pela minha cintura, agarrei com força a frente de sua camiseta puxando-o desesperadamente para mim. A briga agora era entre nossas línguas. Uma explorando o território da outra com raiva. Draco me levantou do chão, pressionando ainda mais o corpo contra o meu.

Meus pulmões gritaram por ar cedo demais e nos afastamos. Os olhos cor de tempestade me fitando atentos e insondáveis. Draco colocou a testa na minha e fechou os olhos, ofegante. Ele repetia alguma coisa, como um mantra, de forma inaudível.

- Draco… — sussurrei, abrindo os olhos e olhando diretamente para ele. O loiro parecia angustiado, revoltado consigo mesmo. Eu odiava o que tinha acontecido e, por isso, eu queria, mas não conseguia odiá-lo. Ele silenciou minhas palavras com um pequeno beijo.

- Eu sinto muito. — ele repetiu. Balancei a cabeça negativamente. Eu não conseguia assisti-lo se martirizando, não conseguia odiá-lo e, concluí, estava decidida a perdoá-lo, mas também não conseguiria esquecer tão cedo. E ele ficar pedindo desculpas a cada cinco minutos não iria ajudar.

- Draco, eu quero esquecer o que aconteceu. TUDO o que aconteceu. — enfatizei. Ele balançou a cabeça positivamente. — E para isso… Eu quero... — a dor cruzou os olhos azul acinzentados.

- Não…

- Eu preciso... — corrigi num sussurro que Draco pareceu não notar. — Ficar longe de você. Sinto muito, Draco.

Ele balançou a cabeça afirmativamente e fechando os olhos me deu um beijo na testa.

- Eu preciso ir.

Desvencilhando-me dele praticamente corri para as escadas, decidida a não olhar para trás, ou desistiria de tudo.

- Eu não vou desistir de você, Hermione Granger. Você vai ser minha! Escreva as minhas palavras.

Apressei o passo em direção ao corredor.

Notas finais
Titia aguarda reviews!
Se encontrarem errinhos, por favor, avisem!

Bjos...